Escola de Frankfurt: diferenças entre revisões

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[[FileImagem:AdornoHorkheimerHabermasbyJeremyJShapiro2.png|thumb|[[Max Horkheimer]] (à esquerda), [[Theodor Adorno]] (à direita) e [[Jürgen Habermas]] (em segundo plano, à direita), [[Heidelberg]] (1964).]]
'''Escola de Frankfurt''' ({{lang-de |''Frankfurter Schule''}}) é uma escola (ou vertente) de [[teoria social]] e [[filosofia]], particularmente associada ao [[Instituto para Pesquisa Social]] da [[Universidade de Francoforte|Universidade de Frankfurt/Francoforte]], na [[Alemanha]].<ref name= "britannica">{{Citation |contribuição= Frankfurt School |língua= inglês |ano= 2009 |título= [[Encyclopædia Britannica]] |edição= online | contribution-url = http://www.britannica.com/EBchecked/topic/217277/Frankfurt-School | trans_title = Enciclopédia britânica |acessodata= 19 de dezembro de 2009}}.</ref> A escola inicialmente consistia de [[Ciências Sociais|cientistas sociais]] [[marxismo|marxistas]] dissidentes que acreditavam que alguns dos seguidores de [[Karl Marx]] tinham se tornado "papagaios" de uma limitada seleção de ideias de Marx, usualmente em defesa dos [[Partido Comunista|partidos comunistas]] ortodoxos. Entretanto, muitos desses teóricos admitiam que a teoria marxista tradicional não poderia explicar adequadamente o turbulento e inesperado desenvolvimento de sociedades [[capitalismo|capitalistas]] no século XX. Críticos tanto do capitalismo e do socialismo da [[União Soviética]], os seus escritos apontaram para a possibilidade de um caminho alternativo para o desenvolvimento social.<ref>{{Citation |último = Held |primeiro = David |ano= 1980 |língua= inglês | trans_title = Introdução à teoria crítica: de Horkheimer a Habermas |título= Introduction to critical theory: Horkheimer to Habermas |publicado= University of California Press |página= 14}}.</ref>
 
Apesar de algumas vezes apenas espontaneamente afiliados, os teóricos da Escola de Frankfurt falaram com um [[paradigma]] comum em mente, compartilhando, portanto, os mesmos pressupostos e sendo preocupados com questões similares.<ref>{{Citation |último = Finlayson |primeiro = James Gordon |ano= 2005 |língua= inglês |título= Habermas: a very short introduction | trans_title = Habermas: uma introdução muito breve |local= Oxford |publicado= Oxford University Press |página= 1}}.</ref> A fim de preencher as percebidas omissões do marxismo tradicional, eles solicitaram extrair de outras escolas de pensamento, por isso usaram ensaios de [[sociologia]] [[antipositivismo|antipositivista]], [[psicanálise]], [[existencialismo|filosofia existencialista]] e outras disciplinas.<ref name="britannica" /> As principais figuras da escola foram solicitadas a aprender e sintetizar os trabalhos de variados pensadores, como [[Immanuel Kant]], [[Georg Wilhelm Friedrich Hegel]], [[Karl Marx]], [[Sigmund Freud]], [[Georg Simmel]], [[Georg Lukács]] e, sobretudo, [[Max Weber]].<ref>Held, David (1980), p. 16</ref><ref>{{citecitar booklivro|last1último1 =Jameson|first1primeiro1 =Fredric|editor1editor-lastsobrenome1 =Nealon|editor1editor-firstnome1 =Jeffrey|editor2editor-lastsobrenome2 =Irr|editor2editor-firstnome2 =Caren|titletítulo=Rethinking the Frankfurt School: Alternative Legacies of Cultural Critique|datedata=2002|publisherpublicado=SUNY Press|locationlocal=Albany|pagespáginas=11–30|chaptercapítulo=The Theoretical Hesitation: Benjamin's Sociological Predecessor}}</ref>
 
Seguindo Marx, eles estavam preocupados com as condições que permitiam [[mudança social|mudanças sociais]] e o estabelecimento de instituições racionais.<ref name= "Held, David 1980, p. 15">{{Harvnb | Held | 1980 | p = 15}}.</ref> Sua ênfase no [[teoria crítica|componente "crítico" da teoria]] foi derivada significativamente da sua tentativa de superar os limites do [[positivismo]], [[materialismo]] e [[determinismo]] retornando à filosofia crítica de Kant e aos seus sucessores no [[idealismo alemão]], principalmente a filosofia de [[Hegel]], com sua ênfase na [[dialética]] e [[contradição]] como propriedades inerentes da realidade.
 
Desde a década de 1960, a [[teoria crítica]] da Escola de Frankfurt tem sido crescentemente guiada pelo trabalho de [[Jürgen Habermas]] na [[ação comunicativa]],<ref>{{Citation | trans_title = A Teoria da ação comunicativa |último = Habermas |primeiro = Jürgen |ano= 1987 |língua= inglês |título= The Theory of Communicative Action |edição= 3a. | volume = 1 & 2 |publicado= Beacon Press}}.</ref><ref>{{Citation |último = Habermas |primeiro = Jürgen |ano= 1990 |título= Moral Consciousness and Communicative Action |língua= inglês | trans_title = Consciência moral e ação comunicativa |publicado= MIT Press}}.</ref> [[intersubjetividade]] linguística e o que Habermas chama de "discurso filosófico da [[modernidade]]".<ref>{{Citation |último = Habermas |primeiro = Jürgen |ano= 1987 |língua= inglês |título= The Philosophical Discourse of Modernity | trans_title = O Discurso filosófico da modernidade |publicado= MIT Press}}.</ref> Mais recentemente, teóricos críticos como Nikolas Kompridis se sonorizaram como oposição a Habermas, afirmando que ele tinha minado as aspirações à mudança social que originalmente davam propósito a vários projetos de teóricos críticos – por exemplo, o problema de que razão deve denotar, a análise e a ampliação de "condições de possibilidade" para a [[Emancipação (filosofia)|emancipação social]] e a crítica ao capitalismo moderno.<ref>{{Citation |último = Kompridis |primeiro = Nikolas |ano= 2006 |título= Critique and Disclosure: Critical Theory between Past and Future |língua= inglês | trans_title = Crítica e revelação: teoria crítica entre passado e futuro |publicado= MIT Press}}.</ref>
 
== Origens históricas ==
=== O Instituto para Pesquisa Social ===
{{APArtigo principal|Instituto para Pesquisa Social}}
Deve ser notado que o termo "Escola de Frankfurt" surgiu informalmente para descrever os pensadores afiliados ou meramente associados com o Instituto para Pesquisa Social; esse não é o título de qualquer posição específica ou instituição em si, e poucos desses teóricos usaram esses termos. O [[Instituto para Pesquisa Social]] (''[[Institut für Sozialforschung]]'') foi fundado por [[Felix Weil]] em 3 de fevereiro de 1923 com o suporte de professores universitários e apoio financeiro do pai. Consistia em um anexo da [[Universidade de Francoforte]] e seu primeiro presidente foi [[Carl Gruenberg]].<ref>{{citar livro|nome = Ana Maria|sobrenome = Jacó-Vilela |título = História da Psicologia: rumos e percursos|ano = 2005|isbn = 85-85936-63-0 |nome2 = Arthur Arruda Leal |sobrenome2 = Ferreira|capítulo = 28|página = 484}}</ref>
[[FicheiroImagem:Ffm-adorno-ampel001.jpg|thumb|Instituto para Pesquisa Social]]
 
Weil era um jovem marxista que tinha escrito a sua [[tese|dissertação]] sobre problemas práticos de se implementar o socialismo e ela foi publicada por [[Karl Korsch]]. Com a esperança de trazer diferentes linhas marxismo para junto, Weil organizou um simpósio de uma semana (o ''Erste Marxistische Arbeitswoche'') em 1922, que foi assistido por [[Georg Lukács]], [[Karl Korsch]], [[Karl August Wittfogel]], [[Friedrich Pollock]] e outros. O evento teve tanto sucesso que Weil começou a construir uma sede e a financiar salários para um instituto permanente. Weil negociou com o Ministério da Educação para que o diretor do instituto fosse um professor do estado, assim o instituto teria então status de uma instituição universitária.<ref name="Marxist Internet Archive">"The Frankfurt School and Critical Theory", [http://www.marxists.org/subject/frankfurt-school/index.htm Marxist Internet Archive] (Retrieved Sept. 12, 2009)</ref>
 
Apesar de [[Georg Lukács]] e [[Karl Korsch]] terem assistido a ''Arbeitswoche'' que teve incluído um estudo de Korsch ''Marxismo e Filosofia'', ambos eram muito comprometidos com atividade política e também membros do Partido para que pudessem juntar-se ao instituto, mesmo que Korsch tenha participado de empreendimentos de publicações por alguns anos. O modo como Lukács foi obrigado a repudiar a sua ''[[História e Consciência de Classe]]'' (em algumas fontes chamada apenas de ''Consciência de Classe''), publicada em 1923 e provavelmente a inspiração maior do trabalho da Escola de Frankfurt, foi um indicador para outros que a independência do [[Partido Comunista]] era necessária para um trabalho teórico genuíno.<ref name="Marxist Internet Archive"/>
 
=== O contexto alemão pré-guerra ===
 
A turbulência política dos [[República de Weimar|complicados anos entreguerras da Alemanha]] afetaram de modo importante o desenvolvimento da Escola. Os seus pensadores eram particularmente influenciados pela [[Revolução Espartaquista|falha da revolução da classe trabalhadora]] (precisamente onde Marx havia previsto que uma revolução comunista ocorreria) e pela ascensão do [[nazismo]] em uma nação econômica e tecnologicamente avançada como a Alemanha. Isso levou muitos deles a tomar a tarefa de escolher [[Reformismo (marxismo)|quais partes do pensamento de Marx]] pudessem servir para clarificar contemporaneamente as condições sociais que o próprio Marx nunca tinha visto. Outra influência chave também veio da publicação de [[Ökonomisch-philosophische Manuskripte|''Manuscritos económico-filosóficos'']] e ''[[A Ideologia Alemã]]'', nos anos 1930, que mostraram que a continuidade com o [[hegelianismo]] que calcava o pensamento de Marx.
 
Como a influência crescente do [[Nazismo|nacional socialismo]] tornou-se cada vez mais ameaçadora, os fundadores do Instituto prepararam-se para movê-lo para outro país.<ref>"The Origins of Critical Theory: An interview with Leo Lowenthal" by Helmut Dubiel in Telos 49</ref> Seguindo [[Machtergreifung|a ascensão de Hitler ao poder]], em 1933, o Instituto deixou a Alemanha para [[Genebra]] antes de se mudar para [[Nova Iorque]], em 1935, onde tornou-se afiliado da [[Universidade Columbia]]. O seu jornal ''Zeitschrift für Sozialforschung'' foi renomeado de acordo com o local como ''Studies in Philosophy and Social Science'' (''Estudos em Filosofia e Ciência Social'', em tradução livre). Foi neste momento que muitos de seus importantes trabalhos começaram a emergir, ganhando uma recepção favorável na [[academia]] inglesa e estadunidense. Horkheimer, Adorno e Pollock afinal voltaram à [[Alemanha Ocidental]] no início dos anos 1950, apesar de Marcuse, Lowenthal, Kirchheimer e outros terem escolhido permanecer nos Estados Unidos. Foi apenas em 1953 que o Instituto foi formalmente restabelecido em Frankfurt.<ref>Held, David (1980), p. 38</ref>
 
== Principais membros ==
 
== Trabalho teórico ==
 
=== Fundamentos críticos da ciência social ===
 
==== Teoria crítica e crítica da ideologia ====
 
O trabalho da Escola de Frankfurt pode ser completamente compreendido sem igualmente entenderem-se as intenções e os objetivos da [[teoria crítica]]. Inicialmente delineada por [[Max Horkheimer]] no seu "Teoria Tradicional e Teoria Crítica", de 1937, a teoria crítica não pode ser definida como uma autoconsciência social crítica que é o objetivada na [[mudança social|mudança]] e na emancipação através do esclarecimento, e não se liga dogmaticamente aos seus próprios pressupostos doutrinais.
<ref>Geuss, Raymond (1981). ''The idea of a critical theory: Habermas and the Frankfurt school''. Cambridge University Press, p. 58</ref><ref name="Carr, Adrian 2000 p. 208-220">Carr, Adrian (2000). "Critical theory and the management of change in organizations". In: ''Journal of Organizational Change Management'', 13, 3, p. 208-220</ref>
 
==== Método dialético ====
 
O Instituto também tentou reformular a [[dialética]] como um método concreto. O uso de tal método dialético pode ser devido à filosofia de [[Georg Wilhelm Friedrich Hegel|Hegel]], quem concebeu a dialética como a tendência de uma noção para atravessar pela sua própria negação como o resultado do conflito entre os seus aspectos contraditórios inerentes.<ref name=dialectic1>dialectic. (2009). Na [[Encyclopædia Britannica]]. Acessado em 19 de dezembro de 2009, da Encyclopædia Britannica Online: [http://www.britannica.com/EBchecked/topic/161174/dialectic http://www.britannica.com/EBchecked/topic/161174/dialectic]</ref> Em oposição aos modos anteriores de pensamento, os quais viam coisas em abstração, cada uma por si mesma e como pensamento dotado com propriedades fixas, a dialética hegeliana tem a habilidade de considerar ideias conforme os seus movimentos e mudança no tempo, assim como consoante suas inter-relações e interações.<ref name=dialectic1 />
 
 
==== Influências iniciais ====
 
As influências intelectuais e o foco teórico dos primeiros teóricos da primeira geração da Escola de Frankfurt pode ser resumida como se segue:
 
 
=== Crítica da civilização ocidental ===
 
==== ''Dialética do Esclarecimento'' e ''Mínima Moralia'' ====
 
A segunda fase da teoria crítica da Escola de Frankfurt se centra principalmente em dois trabalhos: ''[[Dialética do Esclarecimento]]'' (1944) de [[Horkheimer e Adorno]] e ''[[Minima Moralia]]'' (1951) de [[Theodor Adorno|Adorno]]. Ambos os autores trabalhariam durante o exílio do Instituto na América. Enquanto antes se retinham muito em uma análise marxista, nesses trabalhos a teoria crítica foi a sua ênfase. A crítica do capitalismo tornou-se uma crítica da civilização ocidental como um todo. De fato, ''Dialética do Esclarecimento'' usa a ''[[Odisseia]]'' como um paradigma para a análise da consciência [[burguesia|burguesa]]. Horkheimer e Adorno já apresentavam nesses trabalhos muitos temas que vieram a dominar o pensamento social do anos recentes; de fato, a sua exposição da dominação da natureza como uma característica central da [[racionalidade instrumental]] na civilização ocidental foi feita muito antes da [[ecologia]] e de a defesa do [[meio-ambiente]] tornarem-se preocupações populares.
 
 
==== Filosofia da música moderna ====
 
Adorno, um musicista treinado, escreveu ''A Filosofia da Música Moderna'' (1949), em que ele, em essência, polemiza contra a [[beleza]] em si - porque isso havia se tornado parte da ideologia da sociedade capitalista avançada e a [[falsa consciência]] que contribui à dominação social. Isso assim contribui para a presente sustentabilidade do capitalismo por retribuir uma "estética gentil" e "concordável". Apenas a arte e a música de [[vanguarda]] podem preservar a verdade capturando a realidade do sofrimento humano. Assim:
 
Entre todos os elementos vinculados ao grupo de Frankfurt, salientam os nomes de [[Walter Benjamin]], [[Herbert Marcuse]], [[Theodor Wiesengrund-Adorno]] e [[Max Horkheimer]], aos quais se pode ligar o pensamento de [[Jürgen Habermas]].
 
Os múltiplos interesses dos pensadores de Frankfurt e o fato de não constituírem uma escola no sentido tradicional do termo, mas uma postura de análise crítica e uma perspectiva aberta para todos os problemas da cultura do século XX, torna difícil a sistematização de seu pensamento. Pode-se, no entanto, salientar alguns de seus temas, chegando-se a compor um quadro de suas principais ideias. De [[Walter Benjamin]], devem-se destacar reflexões sobre as técnicas físicas de reprodução da obra de arte, particularmente do cinema, e as conseqüências sociais e políticas resultantes; de Adorno, o conceito de ''indústria cultural'' e a função da obra de arte; de Horkheimer, os fundamentos epistemológicos da posição filosófica de todo o grupo de Frankfurt, tal como se encontram formulados em sua ''teoria crítica''; de Marcuse, a esperança em novas formas de libertação da Razão e emancipação do ser humano através da arte e do prazer; finalmente, de Habermas, as ideias sobre a ciência e a técnica como [[ideologia]].
 
Com a chegada de Hitler ao poder na [[Alemanha]], os membros do Instituto, na sua maioria judeus, migraram para [[Genebra]], depois a [[Paris]] e finalmente, para a Universidade de Columbia, em [[Nova Iorque]]. A primeira obra coletiva dos frankfurtianos são os ''Estudos sobre Autoridade e Família'', escritos em Paris, onde estes fazem um diagnóstico da estabilidade social e cultural das sociedades burguesas contemporâneas. Nestes estudos, os filósofos põem em questão a capacidade das classes trabalhadoras em levar a cabo transformações sociais importantes.
 
Com o crescimento da sociedade industrial e as melhorias das condições do proletariado, os críticos teóricos reconheceram que a estrutura do capitalismo e da história havia mudado de forma decisiva, que os métodos opressivos operavam de uma maneira diferente, e que a classe operária industrial não incorporava a negação mais firme do capitalismo. Isto levou à tentativa de erradicar a dialética em um método de negatividade absoluta, como em "Man on a dimensão" de [[Herbert Marcuse]].<ref>[[Rocco Buttiglione]], La crisi dell'economia marxista. Gli inizi della Scuola di Francoforte, Roma, Studium, 1979, ISBN 978-8838233975</ref>
 
Esta desconfiança, que os afasta progressivamente do ''marxismo operário'', se consuma na ''Dialética do Esclarecimento'' de [[1947]], publicado em [[Amsterdã]] onde o termo [[marxismo]] já se encontra quase ausente. Em 1949-1950 publicam os ''Estudos sobre o Preconceito'' que representa uma inovação significativa nas metodologias de pesquisa social, embora de pouca significação teórica.
 
Com [[Erich Fromm]] e [[Herbert Marcuse]] inicia-se uma frente de trabalho que associa a teoria crítica da sociedade à [[psicanálise]]. Fromm, precursor desta frente de trabalho, logo se distancia do núcleo da Escola, e este perde o interesse pela Psicanálise até o início dos trabalhos de Marcuse.
 
Marcuse, que permanece nos EUA após o retorno do Instituto para a Alemanha em [[1948]], foi o mais significativo dos frankfurtianos, do ponto de vista das repercussões práticas de seu trabalho teórico, já que teve influência notável nas insurreições antibélicas, nas revoltas estudantis de [[1968]] e [[1969]] e também por se tornar um forte anticomunista.<ref>[http://www.odiario.info/?p=3122 Hobsbawm, o Marxismo e os intelectuais*]</ref>
 
== Críticas ==
 
=== Críticos notórios da Escola de Frankfurt ===
 
* [[Georg Lukács]]
* [[Umberto Eco]]
 
=== Críticas de categorizações psicanalíticas ===
Em uma entrevista com Casey Blake e [[Christopher Phelps]], o historiador [[Christopher Lasch]] criticou as tendências iniciais da Escola de Frankfurt de rejeitar "automáticamente", as críticas de opositores políticos por razões "psiquiátricas":
 
{{Cquote|[[The Authoritarian Personality]] <ref>''The Authoritarian Personality.'' Theodor W. Adorno, Else Frenkel-Brunswik, Daniel J. Levinson. Norton, 1993, {{en}} ISBN 9780393311129 Adicionado em 6 de outubro de 2015.</ref> ''teve uma enorme influência sobre ''[[Richard Hofstadter|Hofstadter]]'' e outros intelectuais liberais, porque mostrou-lhes como conduzir críticas políticas em categorias psiquiátricas, para fazer essas categorias suportarem o peso da crítica política. Este procedimento desculpou-os pelo trabalho difícil de julgamento e argumentação. Em vez de discutir com os adversários, eles simplesmente descartavam-nos por motivos psiquiátricos.''<ref>Blake, Casey and Christopher Phelps. (1994). "History as social criticism: Conversations with Christopher Lasch" – ''Journal of American History'' 80, no.4 (March) (p.1310-1332) {{en}} Adicionado em 6 de outubro de 2015.</ref>}}
 
=== Pessimismo de Horkheimer e Adorno ===
 
Uma crítica inicial, proveniente da [[esquerda]], argumenta que a teoria crítica da Escola de Frankfurt é nada mais do que uma forma de "[[idealismo]] [[burguês]]" desprovida de qualquer relação real com a prática política, sendo portanto, totalmente isolada da realidade de qualquer movimento revolucionário em curso. Esta crítica foi capturado na frase de [[Georg Lukács]] "Grande Hotel Abismo" como uma síndrome imputada aos membros da Escola de Frankfurt:
 
{{Cquote|''Uma parte considerável da ''[[intelligentsia]]'' alemã, incluindo Adorno, fixou residência no "Grande Hotel Abismo" que eu descrevi em conexão com minha crítica de ''[[Schopenhauer]]'' como:'' <br />"um belo hotel, equipado com todo o conforto, à beira de um abismo, do nada, do absurdo. E a contemplação diária do abismo entre excelentes refeições ou entretenimentos artísticos, só pode aumentar o prazer dos confortos sutilmente oferecidos."<ref>Lukács, Georg. (1971). ''The Theory of the Novel.'' MIT Press, p. 22. {{en}} Adicionado em 6 de outubro de 2015.</ref>}}
 
Filósofo [[Karl Popper]] acreditava igualmente que a escola não fez jus à promessa de um futuro melhor de [[Marx]]:
 
=== Soluções de Habermas: teoria crítica "entre passado e futuro" ===
 
Em [[2006]], [[Nikolas Kompridis]] (que realizou uma [[Bolsa de estudo|bolsa]] de [[pós-doutorado]] com [[Jürgen Habermas]]) publicou novas críticas à abordagem de Habermas à teoria crítica, chamando para uma dramática ruptura com a ética procedimental de racionalidade comunicativa. Escreveu:
 
{{Cquote|''A mudança de paradigma da intersubjetividade linguística tem sido acompanhada por uma mudança dramática na autocompreensão da teoria crítica. A prioridade dada às questões da justiça e da ordem normativa da sociedade remodelou a teoria crítica à imagem de teorias liberais da justiça. Embora esta tenha produzido uma variante contemporânea importante das teorias liberais de justiça, diferentes o suficiente para serem um desafio para a teoria liberal, mas não o suficiente para preservar a continuidade suficiente com o passado da teoria crítica, tem enfraquecido gravemente a identidade da teoria crítica e, inadvertidamente, iniciou a sua prematura dissolução.''<ref>Kompridis, Nikolas. (2006), p. 25. {{en}} Adicionado em 6 de outubro de 2015.</ref>}}
 
Para evitar a dissolução, Kompridis sugere que a teoria crítica deve "reinventar-se" como um empreendimento "possibilidade-divulgação", incorporando ideias controversas de Heidegger sobre ''Erschlossenheit'' (Divulgação Mundial) <ref>''Heidegger, Language, and World-Disclosure.'' Cristina Lafont, Cambridge University Press, 2000, {{en}} ISBN 9780521662475 Adicionado em 6 de outubro de 2015.</ref> e das fontes de normatividade que ele sente que foram bloqueadas a partir da teoria crítica por sua recente mudança de paradigma. Apelando para o que [[Charles Taylor]] nomeou um "novo departamento" da razão,<ref>Charles Taylor, Philosophical Arguments pp. 12, 15. {{en}} Adicionado em 6 de outubro de 2015.</ref> com um papel-revelação possibilidade de que Kompridis chama de "divulgação reflexiva", Kompridis argumenta que a teoria crítica deve abraçar sua herança alemã romântica negligenciada e mais uma vez imaginar alternativas para condições sociais e políticas existentes, "se isto fizer um futuro digno de seu passado."<ref>Kompridis, Nikolas. (2006), p. xi. {{en}} Adicionado em 6 de outubro de 2015.</ref>
Cambridge University Press, 2000, {{en}} ISBN 9780521662475 Adicionado em 6 de outubro de 2015.</ref> e das fontes de normatividade que ele sente que foram bloqueadas a partir da teoria crítica por sua recente mudança de paradigma. Apelando para o que [[Charles Taylor]] nomeou um "novo departamento" da razão,<ref>Charles Taylor, Philosophical Arguments pp. 12, 15. {{en}} Adicionado em 6 de outubro de 2015.</ref> com um papel-revelação possibilidade de que Kompridis chama de "divulgação reflexiva", Kompridis argumenta que a teoria crítica deve abraçar sua herança alemã romântica negligenciada e mais uma vez imaginar alternativas para condições sociais e políticas existentes, "se isto fizer um futuro digno de seu passado."<ref>Kompridis, Nikolas. (2006), p. xi. {{en}} Adicionado em 6 de outubro de 2015.</ref>
 
=== Críticas de Umberto Eco ===
O intelectual italiano teceu diversas críticas aos frankfurtianos, entre elas o anacronismo e a posição elitista de seus teóricos, a defesa da cultura erudita e a rejeição da cultura de massa. No livro [[Apocalípticos e integrados]] os clasifica como “apocalípticos”, adjetivo usado largamente na crítica à Escola de Frankfurt. Segundo o autor, eles seriam: {{Cquote|responsáveis por esboçar teorias sobre a decadência, enquanto aos integrados, pela falta de teorização, só lhes restaria produzir e afirma: “O Apocalipse é uma obsessão do dissenter, a integração é a realidade concreta dos que não dissentem [grifo do autor]''. Caberia aos apocalípticos o papel de consolar o leitor, já que, em meio à catástrofe, se elevariam os “super-homens”, ou seja, aqueles acima da média, que olhariam para o mundo com desconfiança.<ref>Umberto, Eco: Apocalípticos e integrados (2006), p. 9. {{en}} Adicionado em 02/2/2016.</ref>}}
crítica à Escola de Frankfurt. Segundo o autor, eles seriam: {{Cquote|responsáveis por esboçar teorias sobre a decadência, enquanto aos integrados, pela falta de teorização, só lhes restaria produzir e afirma: “O Apocalipse é uma obsessão do dissenter, a integração é a realidade concreta dos que não dissentem [grifo do autor]''. Caberia aos apocalípticos o papel de consolar o leitor, já que, em meio à catástrofe, se elevariam os “super-homens”, ou seja, aqueles acima da média, que olhariam para o mundo com desconfiança.<ref>Umberto, Eco: Apocalípticos e integrados (2006), p. 9. {{en}} Adicionado em 02/2/2016.</ref>}}
 
Para Eco (1979), essa atitude seria um convite à passividade.
=== Críticas econômicas e midiáticas ===
{{Mais informações|Neogramscismo}}
Durante os [[anos 1980]], os socialistas [[Antiautoritarismo|antiautoritários]] no [[Reino Unido]] e [[Nova Zelândia]] criticaram a visão rígida e determinista sobre a cultura popular implantada dentro das teorias da Escola de Frankfurt a respeito da cultura capitalista, que parecia excluir qualquer papel prefigurativo para a crítica social dentro desse trabalho. Eles argumentaram que a [[EC Comics]] muitas vezes conteve tais críticas culturais.<ref>Martin Barker: ''A Haunt of Fears: The Strange History of the British Horror Comics Campaign'': London: Pluto Press: 1984.{{en}} Adicionado em 06/10/2015.</ref><ref>Roy Shuker, Roger Openshaw and Janet Soler: ''Youth, Media and Moral Panic: From Hooligans to Video Nasties'': Palmerston North: Massey University Department of Education: 1990. {{en}} Adicionado em 06/10/2015.</ref> Recentes críticas da Escola de Frankfurt feitas pelo [[libertário]] [[Instituto Cato]] <ref>[http://www.cato.org/ Cato Institute]. {{en}} Acessado em 06/10/2015.</ref> focadas na afirmação de que a cultura tem crescido mais sofisticada e diversificada como consequência da [[liberdade econômica]] e da disponibilidade dos nichos culturais para a [[mídia de massa]].<ref>Cowen, Tyler (1998) "Is Our Culture in Decline?" Cato Policy Report, [http://www.cato.org/pubs/policy_report/v20n5/culture.pdf Cato Policy Report]. {{en}} Acessado em 06/10/2015.</ref><ref>Radoff, Jon (2010) "The Attack on Imagination," [http://radoff.com/blog/2010/05/27/attack-imagination/ Radoff] {{Wayback|url=http://radoff.com/blog/2010/05/27/attack-imagination/ |date=20100926222855 }}. {{en}} Acessado em 06/10/2015.</ref>
 
== Teoria da conspiração do marxismo cultural ==
{{APArtigo principal|Marxismo cultural}}
Uma [[teoria da conspiração]] envolvendo a Escola de Frankfurt emergiu no início do [[século XXI]], intitulada "marxismo cultural"; segundo seus proponentes, a Escola de Frankfurt seria a origem de um movimento contemporâneo da [[esquerda (política)|esquerda]] mundial para destruir a [[cultura ocidental]].<ref name=Berkowitz>Berkowitz, Bill (2003), "Reframing the Enemy: 'Cultural Marxism', a Conspiracy Theory with an Anti-Semitic Twist, Is Being Pushed by Much of the American Right." Intelligence Report. Southern Poverty Law Center, Summer. [https://web.archive.org/web/20040207095318/http://www.splcenter.org/intel/intelreport/article.jsp?aid=53&printable=1]</ref><ref>Lind, William S. [http://www.marylandthursdaymeeting.com/Archives/SpecialWebDocuments/Cultural.Marxism.htm "What is Cultural Marxism?"]. ''Maryland Thursday Meeting''.</ref> Eles defendem que o [[multiculturalismo]] e o [[politicamente correto]] são produtos da teoria crítica dos frankfurtianos. Essa teoria é divulgada por pensadores conservadores como William Lind, Pat Buchanan, Paul Weyrich<ref name=Weyrich>{{citar web|último1=Weyrich|primeiro1=Paul|título=Letter to Conservatives by Paul M. Weyrich|url=https://www.nationalcenter.org/Weyrich299.html|website=Conservative Think Tank: "The National Center for Public Policy Research"|acessodata=30 de novembro de 2015|arquivourl=https://web.archive.org/web/20000411172504/http://www.nationalcenter.org/Weyrich299.html|arquivodata=2000-04-11|urlmorta=yes}}</ref> e [[Olavo de Carvalho]]<ref>Lima, José Antonio. [http://www.cartacapital.com.br/politica/corram-os-comunistas-estao-chegando-8968.html "Corram, os comunistas estão chegando"]. ''[[CartaCapital]]''. 6 de fevereiro de 2014.</ref> e tem recebido o apoio institucional do Free Congress Foundation.<ref>Jamin, Jérôme (2014). [https://books.google.com.br/books?id=VbLSBAAAQBAJ&lpg=PP1&pg=PA84&redir_esc=y#v=onepage&q&f=false "Cultural Marxism and the Radical Right"]. In Shekhovtsov, A.; Jackson, P. The Post-War Anglo-American Far Right: A Special Relationship of Hate. ''The Post-War Anglo-American Far Right: A Special Relationship of Hate'' (Basingstoke: Palgrave Macmillan). pp. 84–103. doi:10.1057/9781137396211.0009. ISBN 978-1-137-39619-8.</ref><ref>Richardson, John E. "‘Cultural-Marxism’ and the British National Party: a transnational discourse". In Copsey, Nigel; Richardson, John E. ''[https://books.google.com.br/books?id=HIwGCAAAQBAJ&redir_esc=y Cultures of Post-War British Fascism]''.</ref>
 
 
== Obras sobre a Escola de Frankfurt ==
* JAY, Martin. ''La imaginacion dialética'' - Una história de la Escuela de Frankfurt. Madri: Taurus, 1974.
* [[Fredric Jameson|JAMESON, Friedric]]. ''O Marxismo Tardio'' - Adorno, ou a persistência da dialética. Trad. Luiz Paulo Rouanet. São Paulo: Boitempo, 1997.
* MATOS, Olgária. ''Os Arcanos do Inteiramente Outro'' - Escola de Frankfurt - Melancolia e Revolução. São Paulo: Brasiliense, 1996.
* NOBRE, Marcos, Teoria Crítica, Rio de Janeiro: Zahar, 2004.
* Site oficial {{de}} do [[Instituto para Pesquisa Social]]. [http://www.ifs.uni-frankfurt.de/institut/geschichte/ (Link)]. Acessado em 6 de outubro de 2015.
 
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