Diferenças entre edições de "Teorias do imperialismo"

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A '''teoria do imperialismo''' refere-se a uma série de abordagens teóricas para compreender a expansão do [[capitalismo]] em novas áreas, o [[Desenvolvimento econômico|desenvolvimento]] desigual de diferentes países, e [[sistemas económicos]] que podem levar ao domínio de alguns países sobre outros.<ref name="B1">{{Citar livro|título=Marxist Theories of Imperialism: A Critical Survey|ultimo=Brewer|primeiro=Anthony A.|data=agosto de 1990|editora=Routledge|localização=London, UK|língua=English|isbn=9780415044691|edição=Second}}</ref> Estas teorias são consideradas distintas de outros usos da palavra [[imperialismo]] que se referem à tendência geral dos impérios ao longo da história para procurar o poder e a [[Expansionismo|expansão territorial]].<ref name="B1" /><ref>{{Citar periódico |url=https://www.jstor.org/stable/2142146 |titulo=The Rise of Anti-Imperialism in England |data=9 de janeiro de 1922 |acessodata=18 de agosto de 2021 |ultimo=Schuyler |primeiro=Robert Livingston |paginas=440–471 |doi=10.2307/2142146 |issn=0032-3195 |volume=37 |periódico=Political Science Quarterly}}</ref> A teoria do imperialismo é frequentemente associada à [[economia marxista]], mas também houve várias teorias desenvolvidas por não marxistas. A maioria das teorias do imperialismo, com a notável exceção do [[ultraimperialismo]], sustentam que a exploração imperialista conduz à [[guerra]], à [[colonização]] e à [[desigualdade internacional]].<ref name="Einde_2007">{{Citar web |ultimo=O'Callaghan |primeiro=Einde |url=http://www.marxists.org/archive/mandel/1955/08/imp-crit.html |titulo=The Marxist Theory of Imperialism and its Critics |data=25 de outubro de 2007 |acessodata=24 de abril de 2011 |publicado=[[Marxists Internet Archive]]}}</ref>
 
O ''Finance Capital'' de Rudolf Hilferding, publicado em 1910, é considerado a primeira das teorias marxistas "clássicas" do imperialismo, que seria codificada e popularizada por [[Nikolai Bukharin]] e Lenin. Hilferding começou a sua análise do imperialismo com um tratamento muito completo da [[economia monetária]] e uma análise da ascensão das [[Sociedade por ações|sociedades por ações]]. A ascensão das sociedades por ações, bem como dos monopólios bancários, levou a concentrações de capital sem precedentes. À medida que os monopólios assumiam o controlo direto da compra e venda, as oportunidades de investimento no comércio diminuíam. Isto teve o efeito de forçar essencialmente os monopólios bancários a investir diretamente na [[produção]],<ref>{{Citar livro|título=Marxist Theories of Imperialism|ultimo=Brewer|páginas=88–93}}</ref> como escreve Hilferding:
 
{{Quote|AnUma ever-increasingparte partcrescente of thedo capital of industry doesda notindústria belongnão topertence theaos [[industrialistindustriais]]s whoque useo itutilizam. They arepodem abledispor to dispose overdo capital onlyatravés throughdos the banksbancos, whichque representrepresentam theos ownersproprietários. OnPor theoutro other sidelado, theos banksbancos havetêm tode investinvestir anuma ever-increasingparte partcrescente ofdo theirseu capital inna industryindústria e, anddesta informa, thistornam-se waycada theyvez becomemais tocapitalistas a greater and greater extent industrial capitalistsindustriais. IChamo callcapital bank capitalbancário, thatou isseja, capital insob moneya formforma whichde isdinheiro actuallyque transformedé inefetivamente thistransformado waydesta intoforma industrialem capital industrial, finance capital financeiro.<ref>{{citar livro|último1 =Hilferding |título=Finance Capital |página=225}}</ref>|sign=Hilferding|source=''Finance Capital'' page 225.}}
[[Ficheiro:The_Story_of_Mankind_-_The_Monroe_Doctrine.png|miniaturadaimagem| Para Hilferding, a [[Doutrina Monroe]] era um exemplo de capital financeiro dos Estados Unidos exacerbando a divisão territorial do mundo.]]
O capital financeiro de Hilferding é melhor entendido como uma fração do capital em que as funções de [[capital financeiro]] e capital industrial estão unidas. A era do capital financeiro seria marcada por grandes empresas que são capazes de angariar dinheiro a partir de uma vasta gama de fontes. Estas empresas com uma grande quantidade de capital financeiro procurariam então expandir-se para uma grande área de operações, de modo a realizar um uso mais eficiente dos [[recursos naturais]] e, tendo monopolizado essa área, erigir [[Taxa alfandegária|tarifas]] sobre os bens exportados, a fim de explorar a sua posição de monopólio.<ref>{{Citar livro|título=Marxist Theories of Imperialism|ultimo=Brewer|páginas=93–100}}</ref> Este processo é resumido por Hilferding como se segue:
 
{{Quote|TheA policypolítica of financede capital hasfinanceiro tem threetrês objectivesobjetivos: (1) toestabelecer establisho themaior largestterritório possibleeconómico economic territorypossível; (2) tofechar closeeste thisterritório territory to foreignà [[Competitionconcorrência (economicseconomia)|competitionconcorrência]] byestrangeira apor wallum ofmuro protectivede tariffstarifas protetoras, ande consequentlyconsequentemente (3) toreservá-lo reservecomo ituma asárea ande areaexploração ofpara exploitation for theas nationalassociações monopolisticmonopolistas combinesnacionais.<ref>{{citar livro|último1 =Hilferding |título=Finance Capital |página=226}}</ref>|sign=Hilferding|source=''Finance Capital'' page 226.}}
Para Hilferding, os monopólios exploravam todos os consumidores dentro das suas áreas protegidas, e não apenas os sujeitos coloniais, no entanto, ele acreditava que "[o]s métodos violentos são da essência da política colonial, sem os quais perderia a sua lógica capitalista".<ref>{{Citar livro|título=Finance Capital|ultimo=Hilferding}}</ref> Assim, tal como Hobson, Hilferding acreditava que o imperialismo beneficiava apenas uma minoria da burguesia.<ref>{{Citar livro|título=Marxist Theories of Imperialism|ultimo=Brewer}}</ref>
 
 
=== Luxemburgo ===
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[[Ficheiro:Destroying_Chinese_war_junks,_by_E._Duncan_(1843).jpg|esquerda|miniaturadaimagem| Luxemburgo escreveu que as [[Guerras do ópio|guerras]] do ópio foram típicas das tentativas imperialistas europeias de penetrar em novos mercados.]]
[[Rosa Luxemburgo]] seguiu de muito perto a interpretação de Marx sobre a expansão do modo de produção capitalista. Em ''The Accumulation of Capital'', publicado em 1913, Luxemburgo recorreu a uma leitura atenta de Marx para fazer vários argumentos sobre o Imperialismo. Primeiro, argumentou que Marx tinha cometido um erro lógico na sua análise da reprodução alargada, o que impossibilitaria a venda de mercadorias a preços suficientemente elevados para cobrir os custos de reinvestimento. Isto significaria que seriam necessários compradores externos ao sistema capitalista para que a produção capitalista se mantivesse rentável. Em segundo lugar, argumentou que o capitalismo está rodeado por economias pré-capitalistas, e que a concorrência força as empresas capitalistas a expandir-se para estas economias e, em última análise, a destruí-las. Estes impulsos concorrentes para explorar e destruir as sociedades pré-capitalistas levaram Luxemburgo à conclusão de que o capitalismo acabaria quando se esgotassem as sociedades pré-capitalistas para explorar, levando-a a fazer campanha contra a guerra e o colonialismo.<ref>{{Citar livro|título=Marxist Theories of Imperialism|ultimo=Brewer|páginas=58–72}}</ref><ref name="Reform or Revolution">{{Citar livro|título=The Essential Rosa Luxemburg: Reform or Revolution and The Mass Strike|ultimo=Luxemburg|primeiro=Rosa|data=2008|editora=Haymarket Books|localização=Chicago, IL|capitulo=Introduction to Rosa Luxemburg}}</ref><ref name=":0">{{Citar livro|título=Main Currents of Marxism|ultimo=Kolakowski|primeiro=Leszek|editora=W. W. Norton & Company|ano=2008|páginas=407–415}}</ref>
 
=== Kautsky ===
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[[Ficheiro:Sarikam.jpg|miniaturadaimagem| As teorias clássicas do imperialismo foram escritas em antecipação ou em resposta ao assassinato da Primeira Guerra Mundial]]
Antes da [[Primeira Guerra Mundial]] Hobson, bem como [[Karl Liebknecht]], teorizaram que os Estados imperialistas poderiam, no futuro, transformar-se potencialmente em cartéis interestaduais que poderiam explorar mais eficientemente o resto do mundo sem causar guerra na Europa.<ref>John A. Hobson: ''Imperialism'', London 1902, 311.</ref><ref>Karl Liebknecht: Schriften. Vol. 1., Berlin 1958, p. 269-270 (translated from German).</ref> Em 1914, Karl Kautsky expressou uma ideia semelhante, cunhando o termo ultraimperialismo, ou uma fase de cooperação pacífica entre potências imperialistas, onde os países renunciariam às [[Corrida armamentista|corridas armamentistas]], e limitariam a concorrência.<ref>Karl Kautsky, ''Der Imperialismus'', in: ''Die Neue Zeit''. 32 (1914), Vol. 2, p. 908–922; Karl Kautsky: ''Imperialism and the War'', in: ''International socialist review'', 15 (1914).</ref> Isto implicava que a guerra não é essencial ao capitalismo, e que os socialistas deveriam agitar-se no sentido de um capitalismo pacífico, em vez de um fim ao imperialismo.<ref name="Kautsky">[[Karl Kautsky]], ''[http://www.marxists.org/archive/kautsky/1914/09/ultra-imp.htm Ultra-imperialism]''.</ref>
O ''Imperialism and World Economy'' de Nikolai Bukharin, escrito em 1915, serviu principalmente para clarificar e refinar as ideias anteriores de Hilferdung, e enquadrá-las numa perspetiva [[anti-imperialista]] mais consistente. A principal diferença de Bukharin com Hilferdung foi que em vez de um único processo que leva ao imperialismo (a crescente concentração de capital financeiro), Bukharin viu dois processos concorrentes que iriam criar fricção e guerra. Estes foram a "[[internacionalização]]" do capital (a crescente interdependência da economia mundial), e a "nacionalização" do capital (a divisão do capital em blocos de poder nacionais). O resultado destas tendências seriam grandes blocos nacionais de capital competindo dentro de uma economia mundial,<ref name="B2">{{Citar livro|título=Marxist Theories of Imperialism|ultimo=Brewer|páginas=111–114}}</ref> ou, segundo as palavras de Bukharin:
 
{{Quote|[V]ariousárias spheresesferas ofdo theprocesso concentrationde andconcentração organizatione processorganização stimulate eachestimulam-se othermutuamente, creatingcriando auma verytendência strongmuito tendencyforte towardspara transformingtransformar thetoda entirea nationaleconomia economynacional intonuma onegigantesca giganticempresa combinedcombinada enterprisesob undera thetutela tutelagedos ofreis thefinanceiros financiale kingsdo and[[Estado the capitalist statecapitalista]], anuma enterpriseempresa whichque monopolizesmonopoliza theo nationalmercado marketnacional. [. . .] ItSegue-se followsque thato worldcapitalismo capitalismmundial, theo worldsistema systemmundial ofde productionprodução, assumesassume inno ournosso timestempo theo followingseguinte aspectaspeto: aalgumas fewentidades consolidated,económicas organizedconsolidadas economice bodiesorganizadas (‘the"as greatgrandes civilizedpotências powers’civilizadas"), onpor theum one handlado, ande auma peripheryperiferia ofde underdevelopedpaíses countriessubdesenvolvidos withcom aum semi-agrariansistema orsemiagrícola ou [[agrarian systemagrário]], on thepor otheroutro.<ref>{{citar livro|último1 =Bukharin |primeiro1 =Nikolai |autorlink1 =Nikolai Bukharin |título=Imperialism And World Economy |data=28 de janeiro de 2013 |publicado=Monthly Review Press |isbn=978-1482097528 |páginas=73–74 |edição=New |língua=English}}</ref>|sign=Bukharin|source=''Imperialism and World Economy'' pages 73-74.}}
A concorrência e outras forças de mercado independentes seriam, neste sistema, relativamente restringidas a nível nacional, mas muito mais disruptivas a nível mundial. Assim, o monopólio não era um fim da concorrência, mas cada intensificação sucessiva do capital do monopólio em blocos maiores implicaria uma forma de concorrência muito mais intensa, a escalas cada vez maiores.<ref>{{Citar livro|título=Marxist Theories of Imperialism|ultimo=Brewer|páginas=114–116}}</ref>
 
 
=== Lenin ===
[[Ficheiro:LeninEnSuizaMarzo1916--barbaroussovietr00mcbr.png|miniaturadaimagem| LêninLenin na [[Suíça]], na época em que escreveu ''Imperialismo, o estágio: maisFase altoSuperior do capitalismo.Capitalismo'']]
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[[Ficheiro:LeninEnSuizaMarzo1916--barbaroussovietr00mcbr.png|miniaturadaimagem| Lênin na [[Suíça]], na época em que escreveu ''Imperialismo, o estágio mais alto do capitalismo.'']]
Apesar de ser um texto relativamente pequeno que procurava apenas resumir as ideias anteriores de Hobson, Hilferdung e Bukharin, o panfleto ''[[Imperialismo: Fase Superior do Capitalismo]]'' de Vladimir Lenin, é certamente o texto mais influente e amplamente lido sobre o tema do imperialismo.<ref>{{Citar livro|título=Marxist Theories of Imperialism|ultimo=Brewer}}</ref>
 
 
=== Baran e Sweezy ===
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[[Ficheiro:Fanon_et_M'Hamed_Yazid_représentant_le_FLN_à_la_conférence_Pan_Africaine_en_Kinshasa_le_27_août_1960_(cropped).jpg|miniaturadaimagem| Os escritos de Frantz Fanon inspiraram muitas das teorias do imperialismo do pós-guerra]]
Entre a publicação de ''Imperialismo'' de Lenin em 1916 e a ''Teoria do Desenvolvimento Capitalista de'' Paul Sweezy em 1942 e ''Economia Política de Crescimento de'' Paul A. Baran em 1957, houve uma notável falta de desenvolvimento na teoria marxista do imperialismo, melhor explicada pela elevação de Trabalho de Lenin para o status de ortodoxia marxista. Como Hobson, Baran e Sweezy empregaram uma linha de raciocínio subconsumista para argumentar que o crescimento infinito do sistema capitalista é impossível. Eles argumentaram que, à medida que o capitalismo se desenvolve, os salários tendem a diminuir e, com eles, o nível total de consumo. A capacidade do consumo de absorver a produção produtiva total da sociedade é, portanto, limitada, e essa produção deve então ser reinvestida em outro lugar. Uma vez que Sweezy implica que seria impossível reinvestir continuamente em máquinas produtivas (o que apenas aumentaria a produção de bens de consumo, aumentando o problema inicial), há uma contradição irreconciliável entre a necessidade de aumentar os investimentos para absorver o excedente de produção, e o necessidade de reduzir a produção geral para atender à demanda do consumidor. Esse problema pode, entretanto, ser adiado por meio de investimentos em aspectos improdutivos da sociedade (como os militares) ou por meio da exportação de capital.
[[Kwame Nkrumah]], antigo presidente do [[Gana]] (1960–1966), cunhou o termo [[Neocolonialismo]], que apareceu no preâmbulo de 1963 da Carta da [[Organização da Unidade Africana]], e foi o título do seu livro de 1965 ''Neocolonialismo, a Última Etapa do Imperialismo''.<ref name="Arnold2010">{{Citar livro|url={{google books |plainurl=y |id=4b4aAAAAQBAJ|page=108}}|título=The A to Z of the Non-Aligned Movement and Third World|ultimo=Arnold|primeiro=Guy|data=6 de abril de 2010|editora=Scarecrow Press|isbn=978-1-4616-7231-9}}</ref> A teoria de Nkrumah foi largamente baseada no Imperialismo de Lenin, e seguiu temas semelhantes às teorias marxistas clássicas do imperialismo, descrevendo o imperialismo como o resultado de uma necessidade de exportar crises para áreas fora da Europa. Contudo, ao contrário das teorias marxistas clássicas, Nkrumah via o imperialismo como um entrave ao desenvolvimento do mundo colonizado, escrevendo:
 
{{Quote|InNo placelugar ofdo colonialismcolonialismo, ascomo theprincipal maininstrumento instrumentdo of imperialismimperialismo, wetemos havehoje todayo neo-colonialismneocolonialismo [...] [whichque] liketal como o colonialismcolonialismo, isé anuma attempttentativa tode exportexportar theos socialconflitos conflictssociais ofdos thepaíses capitalistcapitalistas countries[...] TheO resultresultado ofdo neo-colonialismneocolonialismo isé thatque foreigno capital isestrangeiro usedé forutilizado thepara exploitationa ratherexploração thane fornão thepara developmento ofdesenvolvimento thedas lesspartes developedmenos partsdesenvolvidas ofdo the worldmundo. InvestmentO investimento, undersob neo-colonialismo neocolonialismo, increasesaumenta, ratherem vez thande decreasesdiminuir, theo gapfosso betweenentre theos richpaíses andricos thee pooros countriespaíses ofpobres thedo worldmundo. TheA struggleluta againstcontra neo-colonialismo isneocolonialismo notnão aimedvisa atexcluir excluding theo capital ofdo themundo developeddesenvolvido worldde fromoperar operatingnos inpaíses lessmenos developed countriesdesenvolvidos. ItÉ istambém alsoduvidosa, dubioustendo inem considerationconta ofque theo namenome givendado beingestá stronglyfortemente relatedrelacionado tocom theo conceptpróprio ofconceito colonialismde itselfcolonialismo. ItO isseu aimedobjetivo até preventingimpedir theque financialo powerpoder offinanceiro thedos developedpaíses countriesdesenvolvidos beingseja usedutilizado inde suchforma a way as to impoverishempobrecer theos lessmenos developeddesenvolvidos.<ref>From the Introduction. Kwame Nkrumah. [http://www.marxists.org/subject/africa/nkrumah/neo-colonialism/introduction.htm ''Neo-Colonialism, The Last Stage of Imperialism'']. First Published: Thomas Nelson & Sons, Ltd., London (1965). Published in the USA by International Publishers Co., Inc., (1966);</ref>|sign=Nkrumah|source=Introduction to ''Neo-Colonialism, The Last Stage of Imperialism''}}
A combinação de Nkrumah de elementos das teorias marxistas clássicas do imperialismo com a conclusão de que o imperialismo subdesenvolve sistematicamente as nações pobres, tal como os escritos semelhantes de [[Che Guevara]],<ref>[http://www.marxists.org/archive/guevara/1961/04/09.htm "Cuba: Historical exception or vanguard in the anticolonial struggle?"] speech by [[Che Guevara]] on 9 April 1961</ref> provariam ser influentes entre os líderes do [[movimento não alinhado]] e vários grupos de libertação nacional.<ref>{{Citar livro|url=https://books.google.com/books?id=fC5j0tI-Pv0C&pg=RA1-PA52|título=Africa: The Politics of Independence and Unity|ultimo=Wallerstein|primeiro=Immanuel Maurice|editora=University of Nebraska Press|ano=2005|isbn=0803298560|pontofinal=:}} 'The Cairo meeting did leave an important intellectual legacy, however. It attempted the one serious, collectively agreed-upon definition of neo-colonialism, the key concept in the armory of the revolutionary core of the movement for African unity. Neo-colonialism is defined as "the survival of the colonial system in spite of formal recognition of political independence in emerging countries."'</ref><ref>{{Citar periódico |titulo=Reviewed work: Neocolonialism and African Politics: A Survey of the Impact of Neocolonialism on African Political Behaviour, Yolamu R. Barongo |ultimo=Graf |primeiro=William D. |ano=1981 |paginas=600–602 |doi=10.2307/484744 |jstor=484744 |pontofinal=: |volume=15 |periódico=Canadian Journal of African Studies}} 'The term, itself, originated in Africa, probably with Nkrumah, and received collective recognition at the 1961 All-African People's Conference.'</ref>
 
 
Frank via o capitalismo como uma "cadeia" de relações satélite-metrópole em que a indústria metropolitana extraía uma parte do [[valor excedente]] dos centros regionais mais pequenos, que, por sua vez, extrai o valor dos centros mais pequenos e dos indivíduos. Cada metrópole tem uma posição de monopólio efetivo sobre a produção dos seus satélites. Nos escritos anteriores de Frank, ele acreditava que este sistema de relações se estendia até ao século XVI,<ref name="B3">{{Citar livro|título=Marxist Theories of Imperialism|ultimo=Brewer|páginas=161–76}}</ref> enquanto no seu trabalho posterior (após a sua adoção da [[Teoria do sistema-mundo|teoria dos sistemas mundiais]]) ele acreditava que se estendia até ao [[quarto milénio a.C.]].<ref>{{Citar livro|título=The World System: Five Hundred Years or Five Thousand?|ultimo=Frank|primeiro=Andre Gunder|data=dezembro de 1996|editora=Routledge|localização=London, UK|língua=English|isbn=9780415150897|edição=1}}</ref>
 
 
Esta cadeia de relações satélite-metrópole é citada como a razão para "o desenvolvimento do subdesenvolvimento" no satélite, um atraso quantitativo na produção, produtividade e emprego. Frank citou provas de que as saídas de lucro da [[América Latina]] excedem largamente os investimentos que fluem na outra direção a partir dos [[Estados Unidos]]. Para além desta transferência de excedentes, Frank observou que as economias do satélite se tornam "distorcidas" ao longo do tempo, desenvolvendo um setor industrial produtor de bens primários e de baixos salários com poucos empregos disponíveis, deixando grande parte do país dependente da produção pré-industrial. Ele cunhou o termo [[lumpenburguesia]] para descrever os capitalistas compradores que se tinham levantado para reforçar e lucrar com este acordo.<ref name="B3">{{Citar livro|título=Marxist Theories of Imperialism|ultimo=Brewer|páginas=161–76}}</ref>
 
=== Newton ===
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[[Huey P. Newton]], o cofundador do [[Partido Panteras Negras]] (PPN), desenvolveu uma teoria original do imperialismo a partir de 1970, a que chamou [[intercomunalismo]]. Newton acreditava que o imperialismo se tinha desenvolvido numa nova fase conhecida como "intercomunalismo reacionário", caracterizada pela ascensão de um pequeno "círculo governante" dentro dos Estados Unidos, que tinha ganho o monopólio da tecnologia avançada e a educação necessária para a utilizar. Este círculo governante tinha, através do peso diplomático e militar americano, subvertido a base da soberania nacional, tornando a identidade nacional um instrumento inadequado para a mudança social. Newton declarou que as nações se tinham tornado, em vez disso, um conjunto solto de "comunidades do mundo",<ref>{{Citar livro|título=To Die for the People|ultimo=Newton|primeiro=Huey P.|data=dezembro de 2009|editora=City Lights Publishers|localização=San Francisco, California|páginas=31–32|língua=English|isbn=978-0872865297|edição=Illustrated}}</ref> que devem construir o poder através de programas de sobrevivência, criando autossuficiência e uma base para a solidariedade material umas com as outras. Estas comunidades (lideradas por uma vanguarda do [[lumpenproletariado]] negro) poderiam então juntar-se a uma identidade universal, expropriar o círculo governante, e estabelecer uma nova etapa conhecida como "intercomunalismo revolucionário", que poderia por sua vez conduzir ao comunismo.<ref>{{Citar livro|título=In Search of Common Ground: Conversations with Erik H. Erikson and Huey P. Newton|ultimo=Newton, Huey P.|ultimo2=Erikson, Erik H.|data=1 de outubro de 1973|editora=W. W. Norton & Company, Inc.|localização=New York, New York|páginas=25–28|língua=English|isbn=0393333310|autorlink=Erik H. Erikson|edição=New}}</ref>