Noite Sangrenta: diferenças entre revisões

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{{Ver desambig|prefixo=Se procura|se procura a mini-série de televisão|Noite Sangrenta (série)}}{{Info/Evento histórico|imagem=A Morte de António Granjo.png|localização=[[Grande Lisboa]]|data=[[19 de outubro]] de [[1921]] - [[20 de outubro]] de 1921|legenda=Ilustração alusiva ao assassinato do primeiro-ministro António Granjo, no decurso da Noite Sangrenta (19 e 20 de Outubro de 1921).|participantes=Movimentos de cidadãos armados e militares da GNR, Marinha Portuguesa e outras forças policiais}}
{{Ver desambig|prefixo=Se procura|se procura a mini-série de televisão|Noite Sangrenta (série)}}
 
'''Noite Sangrenta''' é a designação pela qual ficou conhecida a revolta radical de marinheiros e arsenalistas, que ocorreu em Lisboa na noite de [[19 de outubro]] para o dia [[20 de outubro]] de [[1921]], no decurso da qual foram assassinados, entre outros, [[António Granjo]], então [[Primeiro-Ministro de Portugal|presidente do Ministério]], [[Machado Santos]] e [[José Carlos da Maia]], dois dos históricos da [[Proclamação da República Portuguesa]], o comandante [[Carlos César de Freitas da Silva|Freitas da Silva]], secretário do [[Ministério da Marinha (Portugal)|Ministro da Marinha]], e o coronel [[Carlos Alexandre Botelho de Vasconcelos|Botelho de Vasconcelos]], antigo apoiante de [[Sidónio Pais]] no [[Arsenal da Marinha (Lisboa)|Arsenal da Marinha]].
 
 
=== Revolta ===
[[Ficheiro:O catraio governamental - O Século Cómico (11Out1920).png|miniaturadaimagem|344x344px|''O catraio governamental'', ilustração da autoria de Rocha Vieira, publicado n'''[[O Século Cómico]]'', satirizando o governo de António Granjo em 1920. "''Será milagre se não encalhar. Os escolhos sucedem-se e assim será mais um catraio que vai à vela... para o fundo.''" Os rochedos dizem "Greves", "Politiquice" e "Parlamento".]]
Pedindo a demissão do [[31.º governo republicano (Portugal)|31.º Governo Republicano]], liderado por António Granjo, que havia sido alvo de uma intensa campanha de ódio na imprensa radical desde a sua nomeação, circulando nas forças militares o rumor de que o seu governo pretendia ceder aos conservadores e desarmar a GNR, na manhã de 19 de outubro de 1921, comandados pelo coronel [[Manuel Maria Coelho]], antigo revolucionário do [[Revolta de 31 de janeiro de 1891|Movimento Republicano de 31 de Janeiro de 1891]], o capitão-de-fragata Procópío de Freitas e o major Cortês dos Santos,<ref>{{Citar web |url=http://www.fmsoares.pt/aeb/crono/id?id=035059 |titulo=Arquivo e Biblioteca: Quarta-feira, 19 de Outubro de 1921 - Revolução radical em Lisboa |acessodata=2021-10-20 |website=Fundação Mário Soares}}</ref><ref>{{Citar livro|url=https://books.google.pt/books?id=LYyRDwAAQBAJ&pg=PT658&dq=Manuel+Maria+Coelho+governo&hl=pt-PT&sa=X&ved=2ahUKEwi4__-ngNzzAhUcSvEDHVWOCasQ6AF6BAgLEAI|título=Revolução! Das Internacionais às Ditaduras Militares – Portugal e Espanha (1864-1926)|ultimo=Andrade|primeiro=José Luís|data=2019-03-07|editora=Leya|lingua=pt-BR}}</ref> mais de sete mil homens da [[Guarda Nacional Republicana]] tomaram a Rotunda (actual [[Praça do Marquês de Pombal (Lisboa)|Praça do Marquês de Pombal]]), o [[Parque Eduardo VII]] e o [[Praça do Comércio|Terreiro do Paço]], em [[Lisboa]], seguindo-se pouco depois a adesão em força da [[Marinha Portuguesa]], que tomou o quartel de [[Alcântara (Lisboa)|Alcântara]] e o [[Arsenal da Marinha (Lisboa)|Arsenal da Ribeira das Naus]], posicionando ainda o [[couraçado]] ''[[Vasco da Gama (couraçado)|Vasco da Gama]]'' e outros no [[Rio Tejo|Tejo]], como forma de ameaça ao governo e persuasão para os vários movimentos de civis que se elevaram e se juntaram à causa, tendo ainda um grupo de 300 cidadãos armados se dirigido até ao [[Convento de Rilhafoles|Hospital Psiquiátrico Miguel Bombarda]], onde libertaram [[José Júlio da Costa]], ex-sargento do exército, militante republicano e responsável pelo assassinato de Sidónio Pais na gare da [[Estação Ferroviária do Rossio|Estação do Rossio]] em [[1918]], que se manteve foragido da lei até [[1927]].<ref>{{Citar web |ultimo=Pontes |primeiro=David |url=https://www.publico.pt/2021/10/17/politica/noticia/noite-sangrenta-ha-cem-anos-republica-suicidou-1981208 |titulo=A Noite Sangrenta. Como há cem anos a República se suicidou |data=17-10-2021 |acessodata=20-10-2021 |website=Público |lingua=pt}}</ref>
 
Sem o apoio de nenhum ramo das forças militares ou a cooperação dos restantes partidos, ao meio-dia, António Granjo viu-se obrigado a apresentar a sua demissão a António José de Almeida, que, face às circunstâncias em que se encontravam, a aceitou, recusando no entanto entregar o poder ao coronel Manuel Maria Coelho numa sessão realizada com a Junta Revolucionária, composta pelo coronel Nobre da Veiga, primeiro-tenente Serrão Machado, capitão Camilo de Oliveira e os civis Veiga Simões, Afonso de Macedo e Jacinto Simões.<ref>{{Citar livro|url=https://books.google.com/books?id=NxsNlwEACAAJ&dq=antonio+granjo&hl=pt-PT&sa=X&ved=2ahUKEwjEyc7fhNrzAhXNyaQKHY42DUYQ6AF6BAgGEAE|título=António Granjo: república e liberdade|ultimo=Leal|primeiro=Ernesto Castro|ultimo2=Nunes|primeiro2=Teresa|data=2012|editora=Assembleia da República|lingua=pt}}</ref> Sem a nomeação de um governo executivo que apaziguasse as exigências das forças militares, durante a tarde desse mesmo dia, receando pela sua vida, o presidente do Ministério demissionário saiu pelas traseiras de sua casa, situada na Avenida João Crisóstomo, em direcção à casa do capitão e político [[Francisco da Cunha Leal]], seu opositor partidário, a quem pediu abrigo no intuito de conseguir apelar aos seus amigos políticos, ligados ao golpe, o cessar de todas as incursões militares.<ref>{{Citar web |ultimo=Almeida Fernandes |primeiro=Jorge |url=https://www.publico.pt/2010/09/10/jornal/depois-veio--a-noite-infame-20092509 |titulo=Depois veio a noite infame |data=10-09-2010 |acessodata=2021-10-20 |website=Público |lingua=pt}}</ref><ref>{{Citar livro|url=https://books.google.pt/books?id=Y3qtHmOhsycC&q=Matem-me,+que+matam+um+bom+republicano&dq=Matem-me,+que+matam+um+bom+republicano&hl=pt-PT&sa=X&ved=2ahUKEwjVqp7yg9rzAhV07OAKHbuyAOUQ6AF6BAgIEAI|título=Cinzas imortais na morte de Antonio Granjo|ultimo=Castro|primeiro=Rodrigo de|data=1922|editora=Tipografia Lusitania|lingua=pt-BR}}</ref><ref>{{Citar livro|url=https://books.google.pt/books?id=MBokAQAAIAAJ&q=Francisco+da+Cunha+Leal+noite+sangrenta&dq=Francisco+da+Cunha+Leal+noite+sangrenta&hl=pt-PT&sa=X&ved=2ahUKEwiFmdb8hNrzAhUHHuwKHbZcDnEQ6AF6BAgJEAI|título=Os militares no poder: uma análise histórico-política do liberalismo à revisão constitucional de 1959|ultimo=Caeiro|primeiro=Joaquim Manuel Croca|data=1997|editora=Hugin Editores|lingua=pt-BR}}</ref>
 
=== A Camioneta Fantasma ===
 
Durante o fim de tarde, vários soldados da GNR, marinheiros e civis armados dirigiram-se para a casa de Francisco da Cunha Leal, numa tentativa de o coagir a entregar António Granjo. Temendo pela vida do primeiro-ministro demissionário, apesar de serem rivais, Cunha Leal opôs-se veemente por várias ocasiões às exigências dos revoltosos, acabando no entanto, e somente após várias tentativas infrutíferas de contactar os políticos e dirigentes militares envolvidos na revolta, por acordar, com o [[guarda-marinha]] Benjamim Pereira, que este seria levado para bordo do ''Vasco da Gama'', onde ficaria a salvo até um novo governo ser implementado e a paz restabelecida.<ref>{{Citar livro|url=https://books.google.pt/books?id=vrynDQAAQBAJ&pg=PA136&dq=Abel+Ol%C3%ADmpio&hl=pt-PT&sa=X&ved=2ahUKEwjLmIKg9dnzAhVHyaQKHSdnDPYQ6AF6BAgHEAI|título=La política de la Pistola y la Bomba: Cien años de magnicidios|ultimo=Martínez|primeiro=Eloy Ramos|data=2016-10-03|editora=Punto Rojo Libros|lingua=es}}</ref><ref>{{Citar livro|url=https://books.google.com/books?id=YyY5HQAACAAJ&dq=antonio+granjo&hl=pt-PT&sa=X&ved=2ahUKEwjEyc7fhNrzAhXNyaQKHY42DUYQ6AF6BAgIEAE|título=António Granjo, o estadista transmontano|data=1996|editora=Câmara Municipal de Montalegre|lingua=pt}}</ref> Desconhecendo os planos que envolviam a conspiração da camioneta, pouco depois das nove horas da noite, António Granjo entrou na camioneta de caixa aberta, sendo acompanhado por Cunha Leal, que desejava falar com Procópio de Freitas para garantir a segurança de todos os envolvidos. Chegados ao Arsenal da Marinha, Cunha Leal apercebeu-se de que haviam sido enganados, tendo ficado sob a mira das armas dos marinheiros que ali se encontravam mal se abriram as portas da camioneta. Separados à força e sob um intenso clamor que exigia a morte do ex-presidente do Ministério, Cunha Leal tentou resistir e salvar o seu rival, sendo ferido a tiro por um sargento e ainda presenciado os dois tiros que atingiram o pescoço de António Granjo.<ref>{{Citar livro|url=https://books.google.pt/books?id=MBokAQAAIAAJ&q=Francisco+da+Cunha+Leal+noite+sangrenta&dq=Francisco+da+Cunha+Leal+noite+sangrenta&hl=pt-PT&sa=X&ved=2ahUKEwiFmdb8hNrzAhUHHuwKHbZcDnEQ6AF6BAgJEAI|título=Os militares no poder: uma análise histórico-política do liberalismo à revisão constitucional de 1959|ultimo=Caeiro|primeiro=Joaquim Manuel Croca|data=1997|editora=Hugin Editores|lingua=pt-BR}}</ref><ref name=":0">{{Citar livro|url=https://books.google.pt/books?id=SZXeDwAAQBAJ&pg=PT252&dq=Matem-me,+que+matam+um+bom+republicano&hl=pt-PT&sa=X&ved=2ahUKEwjVqp7yg9rzAhV07OAKHbuyAOUQ6AF6BAgHEAI|título=A História de Portugal Contada Pelos Vilões|ultimo=Luís|primeiro=Filipe|data=2020-04-21|editora=Leya|lingua=pt-BR}}</ref> Resistindo aos ferimentos, ambos foram levados para a enfermaria por um pequeno grupo de marinheiros que se opôs à execução dos políticos, não conseguindo no entanto travar o grupo de revoltosos que entrou com o intuito de acabar a sua missão. Encontrando-se no quarto nº 3 dos oficiais de dia, e apesar de bastante ferido, ao ouvir a multidão, António Granjo saiu do quarto, tendo-lhes dito «''Matem-me, que matam um bom republicano''».<ref>{{Citar livro|url=https://books.google.pt/books?id=SdRDAQAAIAAJ&q=Matem-me,+que+matam+um+bom+republicano&dq=Matem-me,+que+matam+um+bom+republicano&hl=pt-PT&sa=X&ved=2ahUKEwjVqp7yg9rzAhV07OAKHbuyAOUQ6AF6BAgFEAI|título=As revoluções rebentam de madrugada|ultimo=Melo|primeiro=Henrique de Sousa e|data=1974|editora=Agencia Portuguesa de Revistas|lingua=pt-BR}}</ref> Crivado por uma chuva de balas e ainda trespassando no ventre por um sabre de um corneteiro da GNR, faleceu imediatamente.<ref>{{Citar livro|url=https://books.google.pt/books?id=z4QQAQAAIAAJ&q=Matem-me,+que+matam+um+bom+republicano&dq=Matem-me,+que+matam+um+bom+republicano&hl=pt-PT&sa=X&ved=2ahUKEwjVqp7yg9rzAhV07OAKHbuyAOUQ6AF6BAgDEAI|título=A noite sangrenta|ultimo=Pereira|primeiro=Luis Consiglieri de Sá|data=1924|editora=Tip. da Emprêsa Diário de Notícias|lingua=pt-BR}}</ref> Instantes depois, Francisco da Cunha Leal foi resgatado por alguns homens da Junta Militar, sendo depois levado para o hospital, onde sobreviveu aos ferimentos.<ref>{{Citar livro|url=https://books.google.pt/books?id=tQcXAQAAMAAJ&q=Francisco+da+Cunha+Leal+noite+sangrenta&dq=Francisco+da+Cunha+Leal+noite+sangrenta&hl=pt-PT&sa=X&ved=2ahUKEwiAprK7hdrzAhW4BGMBHeiaBUQ4ChDoAXoECAoQAg|título=História de Portugal|ultimo=Mattoso|primeiro=José|data=1993|editora=Editorial Estampa|lingua=pt-BR}}</ref><ref>{{Citar livro|url=https://books.google.pt/books?id=pIUvAQAAMAAJ&q=Francisco+da+Cunha+Leal+noite+sangrenta&dq=Francisco+da+Cunha+Leal+noite+sangrenta&hl=pt-PT&sa=X&ved=2ahUKEwiAprK7hdrzAhW4BGMBHeiaBUQ4ChDoAXoECAUQAg|título=Correspondência de Santos Costa para Oliveira Salazar|ultimo=Costa|primeiro=Fernando dos Santos|data=1988|editora=Comissão do Livro Negro sobre o Regime Fascista|lingua=pt-BR}}</ref>
[[Ficheiro:Camioneta Fantasma de 1921.jpg|miniaturadaimagem|Artigo e fotografia sobre a Camioneta Fantasma que participou na Noite Sangrenta, "''[[Illustração Portuguesa|Ilustração Portuguesa]]''" (12 de outubro de 1921)]]
Pelas onze horas da noite, [[José Carlos da Maia]], oficial, ex-[[Ministério da Marinha (Portugal)|Ministro da Marinha]] e antigo [[Governador de Macau]], já retirado da vida política desde [[1918]], tornou-se no seguintepróximo alvo do grupo liderado por Abel Olímpio, que se dirigiu à sua residência, nas imediações do [[Museu Nacional de Arte Antiga|Museu das Janelas Verdes]]. Arrancado dos braços da mulher, [[Berta Maia]], que desesperadamente apelou misericórdia pela sua vida, enquanto também segurava o seu filho com três meses de idade, efoi levado para o Arsenal da Marinha, foie recebido pela multidão com a mesma violência que António Granjo e Francisco da Cunha Leal haviam sido horas antes. Acusado de ser responsável pelo desterro dos marinheiros para África durante o [[Sidonismo]], foi alvo de uma [[Coronha|coronhada]], esendo pouco depois morto a tiro enquanto tentava fugirescapar.
 
Momentos antes, enquanto José Carlos da Maia era então conduzido para o Arsenal, dois elementos do grupo de Abel Olímpio, conhecidos como cabo Palmela Arrebenta e marujo Félix, saíram da camioneta e partiram a pé em direcção à casa de [[Ricardo Pais Gomes]], advogado e ministro da Marinha durante o governo demissionário de António Granjo, que se encontrava em [[Viseu]]. Aliciando civis armados durante o percurso, os dois elementos dirigiram-se então para a Rua Palmira, onde vivia [[Carlos César Freitas da Silva]], [[capitão-tenente]] e chefe de Gabinete do Ministro da Marinha, que se entregou sem resistência aos marinheiros, receando que algum mal fosse feito à sua família.<ref>{{Citar livro|url=https://books.google.com/books?id=OEkxAQAAIAAJ&q=A+REVOLU%C3%87%C3%83O+PORTUGUESA+de+Jesus+Pablon&dq=A+REVOLU%C3%87%C3%83O+PORTUGUESA+de+Jesus+Pablon&hl=pt-PT&sa=X&ved=2ahUKEwjNpbO2iNrzAhUM14UKHZy9D-UQ6AF6BAgJEAI|título=A revolução portuguesa|ultimo=Pabón|primeiro=Jesús|data=1961|editora=Aster|lingua=pt-BR}}</ref> Durante o percurso que realizaram a pé e sob uma amotinada escolta, enquanto atravessam a Rua do Ouro, na [[Baixa de Lisboa]], Freitas da Silva cruzou-se com o capitão Camilo de Oliveira,<ref>{{Citar livro|url=https://books.google.pt/books?id=gk9N6_qvHSMC&q=camilo+de+oliveira+noite+sangrenta&dq=camilo+de+oliveira+noite+sangrenta&hl=pt-PT&sa=X&ved=2ahUKEwiW1r-QidrzAhXy4IUKHYHhBtUQ6AF6BAgJEAI|título=Depois de 21 [i. e. vinte-e-um]|ultimo=Machado|primeiro=Bernardino|data=1925|editora=Imprensa da Universidade|lingua=pt-BR}}</ref> que confrontou os revoltosos e os obrigou a libertar o seu amigo de longa data, sendo-lhes dito que a Junta Revolucionária não tinha ordenado a prisão de nenhuma figura do estado. Subindo a bordo da camioneta de Camilo de Oliveira, pouco depois, na [[Rua do Comércio]], passaram por um grupo de marinheiros, que alertados para a presença do comandante Freitas da Silva pelos dois membros do grupo de Abel Olímpio que seguiam na viatura, cercaram-nos e o retiraram à força, sendo ali morto a tiro.<ref>{{Citar livro|url=https://books.google.pt/books?id=bed7BwAAQBAJ&pg=PT343&dq=freitas+da+silva+coca&hl=pt-PT&sa=X&ved=2ahUKEwio8PqxjNrzAhVDXhoKHanHCXsQ6AF6BAgLEAI#v=onepage&q=freitas%20da%20silva%20coca&f=false|título=Veio Depois a Noite Infame|ultimo=Palma|primeiro=Margarida|data=2015-03-16|editora=Leya|lingua=pt-BR}}</ref><ref>{{Citar livro|url=https://books.google.pt/books?id=2Y6XtYTmu6YC&pg=PT45&dq=freitas+da+silva+noite+sangrenta&hl=pt-PT&sa=X&ved=2ahUKEwjtx8GRk9rzAhUKBGMBHaCUAagQ6AF6BAgIEAI|título=Era uma vez a Revolução|ultimo=Fernandes|primeiro=José Manuel|editora=Alêtheia Editores|lingua=pt-BR}}</ref>
Pelas onze horas da noite, [[José Carlos da Maia]], oficial, ex-[[Ministério da Marinha (Portugal)|Ministro da Marinha]] e antigo [[Governador de Macau]], já retirado da vida política desde [[1918]], tornou-se no seguinte alvo do grupo liderado por Abel Olímpio, que se dirigiu à sua residência, nas imediações do [[Museu Nacional de Arte Antiga|Museu das Janelas Verdes]]. Arrancado dos braços da mulher, [[Berta Maia]], que desesperadamente apelou misericórdia pela sua vida, enquanto segurava o seu filho com três meses de idade, e levado para o Arsenal da Marinha, foi recebido pela multidão com a mesma violência que António Granjo e Francisco da Cunha Leal haviam sido horas antes. Acusado de ser responsável pelo desterro dos marinheiros para África durante o [[Sidonismo]], foi alvo de uma [[Coronha|coronhada]] e morto a tiro enquanto tentava fugir.
 
Momentos antes, enquanto Carlos da Maia era então conduzido para o Arsenal, dois elementos do grupo de Abel Olímpio, conhecidos como cabo Palmela Arrebenta e marujo Félix, saíram da camioneta e partiram a pé em direcção à casa de [[Ricardo Pais Gomes]], advogado e ministro da Marinha durante o governo demissionário de António Granjo, que se encontrava em [[Viseu]]. Aliciando civis armados durante o percurso, os dois elementos dirigiram-se então para a Rua Palmira, onde vivia [[Carlos César Freitas da Silva]], [[capitão-tenente]] e chefe de Gabinete do Ministro da Marinha, que se entregou sem resistência aos marinheiros, receando que algum mal fosse feito à sua família.<ref>{{Citar livro|url=https://books.google.com/books?id=OEkxAQAAIAAJ&q=A+REVOLU%C3%87%C3%83O+PORTUGUESA+de+Jesus+Pablon&dq=A+REVOLU%C3%87%C3%83O+PORTUGUESA+de+Jesus+Pablon&hl=pt-PT&sa=X&ved=2ahUKEwjNpbO2iNrzAhUM14UKHZy9D-UQ6AF6BAgJEAI|título=A revolução portuguesa|ultimo=Pabón|primeiro=Jesús|data=1961|editora=Aster|lingua=pt-BR}}</ref> Durante o percurso que realizaram a pé e sob uma amotinada escolta, enquanto atravessam a Rua do Ouro, na [[Baixa de Lisboa]], Freitas da Silva cruzou-se com o capitão Camilo de Oliveira,<ref>{{Citar livro|url=https://books.google.pt/books?id=gk9N6_qvHSMC&q=camilo+de+oliveira+noite+sangrenta&dq=camilo+de+oliveira+noite+sangrenta&hl=pt-PT&sa=X&ved=2ahUKEwiW1r-QidrzAhXy4IUKHYHhBtUQ6AF6BAgJEAI|título=Depois de 21 [i. e. vinte-e-um]|ultimo=Machado|primeiro=Bernardino|data=1925|editora=Imprensa da Universidade|lingua=pt-BR}}</ref> que confrontou os revoltosos e os obrigou a libertar o seu amigo de longa data, sendo-lhes dito que a Junta Revolucionária não tinha ordenado a prisão de nenhuma figura do estado. Subindo a bordo da camioneta de Camilo de Oliveira, pouco depois, na [[Rua do Comércio]], passaram por um grupo de marinheiros, que alertados para a presença do comandante Freitas da Silva pelos dois membros do grupo de Abel Olímpio que seguiam na viatura, cercaram-nos e o retiraram à força, sendo ali morto a tiro.<ref>{{Citar livro|url=https://books.google.pt/books?id=bed7BwAAQBAJ&pg=PT343&dq=freitas+da+silva+coca&hl=pt-PT&sa=X&ved=2ahUKEwio8PqxjNrzAhVDXhoKHanHCXsQ6AF6BAgLEAI#v=onepage&q=freitas%20da%20silva%20coca&f=false|título=Veio Depois a Noite Infame|ultimo=Palma|primeiro=Margarida|data=2015-03-16|editora=Leya|lingua=pt-BR}}</ref><ref>{{Citar livro|url=https://books.google.pt/books?id=2Y6XtYTmu6YC&pg=PT45&dq=freitas+da+silva+noite+sangrenta&hl=pt-PT&sa=X&ved=2ahUKEwjtx8GRk9rzAhUKBGMBHaCUAagQ6AF6BAgIEAI|título=Era uma vez a Revolução|ultimo=Fernandes|primeiro=José Manuel|editora=Alêtheia Editores|lingua=pt-BR}}</ref>
 
Horas depois, pelas duas da manhã, a camioneta fantasma dirigiu-se à Rua José Estêvão, onde residia [[António Machado Santos]], almirante, herói da Implantação da República e ex-[[Lista de ministros das Subsistências e dos Abastecimentos de Portugal|secretário de Estado das Subsistências e Transportes]] e de [[Anexo:Lista de ministros da Administração Interna de Portugal|Estado do Interior]], que resistiu à sua detenção, sendo forçado, sob ameaça de uma pistola à cabeça, a entrar na camioneta. Segundo alguns periódicos da época, acusando vários problemas mecânicos, a camioneta sofreu uma avaria na [[Avenida Almirante Reis]], próximo do Largo do Intendente, sendo ordenado por Abel Olímpio que o almirante fosse naquele mesmo local fuzilado pelos oito homens que comandava.<ref>{{Citar web |url=https://www.parlamento.pt:443/Parlamento/Paginas/noite-sangrenta.aspx |titulo=Noite Sangrenta (outubro 1921) |acessodata=2021-10-21 |website=Website Oficial da Assembleia da República |lingua=pt-PT}}</ref>
[[Ficheiro:Ilustraçao portuguesa.jpg|miniaturadaimagem|Capa em homenagem às vítimas mortais da Noite Sangrenta (António Granjo, Machados Santos e José Carlos da Maia) na revista ''[[Illustração Portuguesa|Ilustração Portuguesa]]'' (29 de outubro de 1921)]]
 
Sem a infame camioneta fantasma, o sargento Heitor Gilman decidiu mesmo assim continuar com a execução daqueles que considerava traidores da causa republicana, tendo sido o responsável pela detenção de [[Carlos Alexandre Botelho de Vasconcelos]], [[coronel]] de [[Cavalaria]], que lutou no [[Golpe de Estado de Dezembro de 1917|Golpe de Estado de dezembro de 1917]] e o havia interrogado durante o Dezembrismo.<ref name=":0" /> Levado a pé e à força de sua casa, na Rua Gonçalves Crespo, para o Arsenal, envergando a sua farda, o coronel foi recebido com bastante animosidade pelos revoltosos, sendo posicionado contra um portão para ser fuzilado. No impasse da sua morte, o grito de fogo foi pronunciado pelo próprio coronel que tombou de bruços após os tiros disparados. Ainda vivo, o sargento Gilman disparou mais um tiro sobre Botelho de Vasconcelos, que seguidamente foi socorrido por alguns elementos da [[Cruz Vermelha Portuguesa|Cruz Vermelha]] que para ali se tinham destacado num [[Motocicleta|motociclo]] com [[sidecar]], após terem tido notícias sobre as execuções.<ref>{{Citar livro|url=https://books.google.pt/books?id=9S-gDwAAQBAJ&pg=PT43&dq=coronel+Botelho+de+Vasconcelos&hl=pt-PT&sa=X&ved=2ahUKEwjN4aTyodrzAhURy4UKHZc9AREQ6AF6BAgGEAI|título=Os Maiores Sobressaltos em Portugal|ultimo=Fonseca|primeiro=Pedro Prostes da|data=2019-06-04|editora=Leya|lingua=pt-BR}}</ref> Eram quatro horas da madrugada quando o coronel Botelho de Vasconcelos deu entrada no [[Hospital de São José]], acabando por falecer poucos dias depois.<ref>{{Citar livro|url=https://books.google.pt/books?id=jGVQS0JG44sC&q=coronel+Botelho+de+Vasconcelos&dq=coronel+Botelho+de+Vasconcelos&hl=pt-PT&sa=X&ved=2ahUKEwjN4aTyodrzAhURy4UKHZc9AREQ6AF6BAgEEAI|título=ABC: revista Portuguesa|data=1921|lingua=pt-BR}}</ref> PoucoPoucos depoisminutos após, o taxista Carlos Gentil, que criticava os assassinatos dessa noite, foi morto a tiro por um grupo de marinheiros que caminhava pela Baixa Pombalina.<ref>{{Citar livro|url=https://books.google.pt/books?id=uh4TAQAAMAAJ&q=carlos+gentil+motorista&dq=carlos+gentil+motorista&hl=pt-PT&sa=X&ved=2ahUKEwjz4pfysNrzAhUP8xQKHVFfDeUQ6AF6BAgGEAI|título=Memórias da minha vida e do meu tempo|ultimo=d'Arcos|primeiro=Joaquim Paço|data=1973|editora=Guimarães|lingua=pt-BR}}</ref><ref>{{Citar livro|url=https://books.google.pt/books?id=Nn8vAQAAMAAJ&q=carlos+gentil+motorista&dq=carlos+gentil+motorista&hl=pt-PT&sa=X&ved=2ahUKEwjz4pfysNrzAhUP8xQKHVFfDeUQ6AF6BAgLEAI|título=Lisboa: história das suas glórias e catástrofos|ultimo=Martins|primeiro=Rocha|data=1948|editora=Editorial Inquérito|lingua=pt-BR}}</ref>
 
Pela mesma hora, uma outra camioneta foi encarregue de continuar a conspiração, seguindo para [[Oeiras (Portugal)|Oeiras]] e [[Cascais]], onde residiam outras figuras procuradas pelas forças revoltosas, como [[Fidelino de Figueiredo]], deputado, ex-chefe de Gabinete do [[Ministério da Instrução Pública|Ministro da Instrução Pública]] e ainda director da [[Biblioteca Nacional de Portugal|Biblioteca Nacional]], que alertado para a situação em Lisboa escapou às forças hostis, sendo no entanto a sua casa assaltada, [[Fausto de Figueiredo]], presidente do conselho de administração da [[Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses]] e fundador da [[Sociedade Estoril]], que não se encontrava na sua residência de Cascais,<ref>{{Citar livro|url=https://books.google.pt/books?id=t6w7osOdc_IC&q=Fausto+de+Figueiredo+noite+sangrenta&dq=Fausto+de+Figueiredo+noite+sangrenta&hl=pt-PT&sa=X&ved=2ahUKEwiaxKijqNrzAhVPUxoKHYc-AEAQ6AF6BAgLEAI|título=As minhas memorias politicas: Em plena república|ultimo=Cabral|primeiro=Antonio|data=1932|editora=Livraria Popular de Francisco Franco|lingua=pt-BR}}</ref> ou [[João Tamagnini Barbosa]], oficial, engenheiro, ex-[[Ministério das Colónias|ministro das Colónias]], do [[Ministério da Administração Interna|Interior]], das [[Ministério das Finanças (Portugal)|Finanças]] e ex-presidente do Ministério, que foi preso e posteriormente salvo pela intervenção do chefe da estação ferroviária de Oeiras que conhecia um dos intervenientes.<ref>{{Citar livro|url=https://books.google.pt/books?id=4eg8OS7338wC&pg=PT84&dq=Jo%C3%A3o+Tamagnini+Barbosa+noite+sangrenta&hl=pt-PT&sa=X&ved=2ahUKEwiAu4_JqtrzAhUZBWMBHfcYDM8Q6AF6BAgHEAI|título=Partidos e programas: o campo partidário republicano português: 1910-1926|ultimo=Leal|primeiro=Ernesto Castro|data=2008-07-01|editora=Imprensa da Universidade de Coimbra / Coimbra University Press|lingua=pt}}</ref>
 
De modo a conter os eventos sangrentos, durante a mesma noite, o presidente da República António José de Almeida entregou a posse do governo a Manuel Maria Coelho.
 
Com excepção de António Granjo e de Carlos Gentil, todos os alvos tinham sido militares partidários de Sidónio Pais ou membros do seu governo,<ref>{{Citar livro|url=https://books.google.pt/books?id=pusjAQAAIAAJ&q=motorista+gentil+noite+sangrenta&dq=motorista+gentil+noite+sangrenta&hl=pt-PT&sa=X&ved=2ahUKEwjXwLzeqtrzAhWF0eAKHfATAuEQ6AF6BAgDEAI|título=A República Portuguesa e as relações internacionais (1910-1926)|ultimo=Martínez|primeiro=Pedro Soares|data=2001|editora=Editorial Verbo|lingua=pt-BR}}</ref> gerando-se nos dias seguintes uma onda de terror e fuga para muitos dos seus antigos apoiantes, tal como [[Alfredo da Silva]], industrial e fundador da [[Companhia União Fabril]] (CUF), a [[Tabaqueira]], o Estaleiro da Rocha do Conde de Óbidos, o Banco Totta e Companhia de Seguros Império, que tentou fugir do país a 21 de outubro de 1921, tendo sido atacado pela multidão e ferido a tiro na estação de comboios de [[Leiria]].<ref>{{Citar livro|url=https://books.google.pt/books?id=fn4vAQAAMAAJ&q=Fausto+de+Figueiredo+noite+sangrenta&dq=Fausto+de+Figueiredo+noite+sangrenta&hl=pt-PT&sa=X&ved=2ahUKEwiaxKijqNrzAhVPUxoKHYc-AEAQ6AF6BAgGEAI|título=O estado novo: das origens ao fim da autarcia (1926-1959).|data=1987|editora=Fragmentos|lingua=pt-BR}}</ref>
 
== Consequências ==
{{Quote2|"Se o Regicídio é o prenúncio do fim da Monarquia, a Noite Sangrenta é o adivinhar do fim da República."||autor=José Brandão}}
[[Ficheiro:Manuel Maria Coelho - fototipia publicada originalmente na revista «Archivo Democratico», 1910.png|miniaturadaimagem|Retrato fotográfico de [[Manuel Maria Coelho]], publicado originalmente na revista ''Archivo Democratico (''1910).]]
Nomeado após o golpe militar, o [[32.º governo republicano (Portugal)|32.º governo republicano]] liderado por Manuel Maria Coelho, que exercia os cargos de presidente do Ministério, Ministro do Interior e provisoriamente Ministro das Colónias e Ministro do Trabalho, era composto por [[António Arez]] como Ministro da Justiça e dos Cultos, [[Francisco António Correira]] como Ministro das Finanças, [[José Cortês dos Santos]] como [[Ministério da Guerra (Portugal)|Ministro da Guerra]], [[Francisco Luís Ramos]] como Ministro da Marinha, [[Alberto da Veiga Simões]] como [[Ministério dos Negócios Estrangeiros (Portugal)|Ministro dos Negócios Estrangeiros]], [[António Pires de Carvalho]] como Ministro do Comércio e das Comunicações, [[Carlos Maia Pinto]] como [[Ministério das Colónias|Ministro das Colónias]], [[Manuel de Lacerda de Almeida]] como [[Ministério da Instrução Pública|Ministro da Instrução Pública]], [[Alfredo Azevedo e Sousa]] como Ministro do Trabalho e [[Antão de Carvalho]] como Ministro da Agricultura, tendo ainda [[Vasco Guedes de Vasconcelos]], [[Vítor Macedo Pinto]], [[José Eduardo de Carvalho Crato]] e [[António Alberto Torres Garcia]] sido primeiramente nomeados, para as pastas do Ministério da Justiça, Marinha, Colónias e Instrução Pública, respectivamente, sem que no entanto tenham tomado posse.<ref>{{Citar livro|url=https://books.google.pt/books?id=7NyLiZYBXbcC&pg=PT102&dq=Manuel+Maria+Coelho+governo&hl=pt-PT&sa=X&ved=2ahUKEwi4__-ngNzzAhUcSvEDHVWOCasQ6AF6BAgGEAI|título=Leonardo Coimbra e a I República: percurso político e social de um filósofo|ultimo=Fava|primeiro=Fernando Mendonça|data=2008-01-01|editora=Imprensa da Universidade de Coimbra|lingua=pt}}</ref>
 
Devido à revolta e indignação da população portuguesa, após os eventos da Noite Sangrenta de 1921 terem sido noticiados, nos dias seguintes ao golpe militar uma forte onda de oposição se elevou contra o regime de Manuel Maria Coelho, sendo este alvo de vários ataques na imprensa e no parlamento pela oposição. Sem forma de manter o seu regime, a [[5 de novembro]] do mesmo ano, vários membros, que fizeram parte da revolta de 19 de outubro, foram expulsos e o governo exonerado, seguindo-se o [[33.º governo republicano (Portugal)|33.º governo republicano]], conhecido como Governo Outubrista, liderado por Carlos Maia Pinto. Integrando ainda alguns membros do governo anterior, em dezembro desse mesmo ano uma vez mais o regime foi exonerado, prolongando-se a instabilidade política no país.<ref>{{Citar livro|url=https://books.google.pt/books?id=QyOtCwAAQBAJ&pg=PA1921&dq=Manuel+Maria+Coelho+governo&hl=pt-PT&sa=X&ved=2ahUKEwi4__-ngNzzAhUcSvEDHVWOCasQ6AF6BAgKEAI|título=Comunicação e educação republicanas 1910-2010|ultimo=Peixinho|primeiro=Ana Teresa|ultimo2=Santos|primeiro2=Clara Almeida|data=2011-10-01|editora=Imprensa da Universidade de Coimbra / Coimbra University Press|lingua=pt}}</ref> Consequentemente, Francisco da Cunha Leal, que havia sobrevivido aos ataques da Noite Sangrenta, tornou-se presidente do Ministério do [[34.º governo republicano (Portugal)|34.º governo republicano]].
{{Quote2|"Todos nós temos culpa! É esta maldita política que nos envergonha e me salpica de lama."|autor=Francisco Cunha Leal}}
Somente com a vitória do [[Partido Democrático (Portugal)|Partido Democrático]] nas [[Eleições legislativas portuguesas de 1922|legislativas de 1922]] e uma sucessão de governos liderados por [[António Maria da Silva]], que rejeitou o restabelecimento a [[pena de morte]] no país, foram criadas as condições para se levar a julgamento os responsáveis pelos homicídios decorridos na fatídica Noite Sangrenta.<ref>{{Citar livro|url=https://books.google.pt/books?id=XBErAQAAMAAJ&q=pena+de+morte+1921+portugal&dq=pena+de+morte+1921+portugal&hl=pt-PT&sa=X&ved=2ahUKEwi-yOr6_9vzAhUkSvEDHWjGDa0Q6AF6BAgIEAI|título=A cultura em Portugal: teoria e história|ultimo=Saraiva|primeiro=António José|data=1981|editora=Livraria Bertrand|lingua=pt-BR}}</ref>
{{Quote2|"Há de fazer-se justiça a quem delinquiu. Ninguém tem o direito de duvidar de mim nem dos homens que estão nas cadeiras do Poder, embora o Poder Executivo não possa intervir nas averiguações da justiça. (…) Mas, para isso, não é preciso instituir de novo em Portugal a pena de morte, contra a qual toda a minha natureza se revolta. Seria um verdadeiro crime, seria corresponder ao ato do Dente de Ouro com um outro crime.
Não podemos retrogradar. "|autor=António Maria da Silva}}
 
== Adaptações ao teatro e televisão ==
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