Academia Julian: diferenças entre revisões

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[[Imagem:Rodolphe Julian (artist).jpg|thumb|[[Rodolphe Julian]] (1839–1907), pintor francês e fundador da Academia Julian|esquerda]]
[[Ficheiro:Academie Julian expo.jpg|miniaturadaimagem|406x406px|Cartaz publicitário sobre a primeira exposição anual dos alunos da Academia Julian (1897)]]
Situada na Passage des Panoramas, em Paris, desde a sua fundação em 1867, por Rodolphe Julian, e tendo a particularidade de aceitar a inscrição de mulheres a partir do início da [[Década de 1870|década de 70 do século XIX]],<ref>{{Citar livro|url=https://books.google.pt/books?id=RaLvk8WvXu0C&printsec=frontcover&dq=academie+julian&hl=pt-PT&sa=X&redir_esc=y#v=onepage&q=academie%20julian&f=false|título=Overcoming All Obstacles: The Women of the Académie Julian|ultimo=Becker|primeiro=Jane R.|ultimo2=Institute|primeiro2=Sterling and Francine Clark Art|ultimo3=Gardens|primeiro3=Dixon Gallery and|data=1999|editora=Rutgers University Press|lingua=en}}</ref> tornando-se numa das primeiras escolas em França a o fazer, devido ao elevado número de alunos inscritos, nos primeiros anos da sua existência a Academia Julian abriu mais dois outros ateliers, localizados na Rue du Dragon e na Rue Vivienne, expandindo o seu empreendimento de ensino para outros géneros de [[pintura]], [[escultura]], [[artes decorativas]] e esculturaaté [[fotografia]]. Bem sucedidos e com um leque de alunos consagrados, em 1890, a academia contava com cinco estúdios para homens e quatro para mulheres, espalhados em vários locais estratégicos de [[Paris]].<ref>{{Citar livro|url=https://books.google.pt/books?id=SqzKa8ERPOAC&pg=PA289&dq=academie+julian+history&hl=pt-PT&sa=X&ved=2ahUKEwiii4Cu9_7zAhXgSfEDHXypBHMQ6AF6BAgHEAI|título=The History and Philosophy of Art Education|ultimo=Macdonald|primeiro=Stuart|data=2004|editora=James Clarke & Co.|lingua=en}}</ref>[[Ficheiro:Édouard Vuillard, 1891, The Flowered Dress (O vestido estampado), oil on canvas, 38 x 46 cm, Museu de Arte de São Paulo.jpg|miniaturadaimagem|285x285px|Pintura a óleo ''The Flowered Dress'' (O Vestido Estampado) de [[Édouard Vuillard]] (1891)]]Devido à qualidade dos seus professores, a Academia Julian adquiriu rapidamente uma certa notoriedade internacional, apresentando as obras dos seus alunos no ''[[Prix de Roma]]'', ao mesmo tempo em que servia de trampolim para aqueles que ambicionavam expor no ''[[Salon de Paris]]'', [[Salão dos Independentes|''Salon des Indépendants'']] e [[Salon d'Automne|''Salon d'Automne'']], entre outras ilustres exposições, ou ainda se lançar numa carreira artística independente. A disciplina não era, todavia, o seu ponto forte, tendo alguns dos seus estudantes, na maioria das vezes deixados a si mesmos, ficado conhecidos pelos seus [[embuste]]s e desfiles nas ruas de Paris, onde se envolviam em escândalos amorosos, financeiros ou violentos durante a ''[[Belle Époque]]''.<ref>{{Citar livro|url=https://books.google.pt/books?id=FDwfAwAAQBAJ&pg=PA27&dq=academie+julian+belle+epoque&hl=pt-PT&sa=X&ved=2ahUKEwje67rF9_7zAhWDQvEDHV_LAh8Q6AF6BAgLEAI|título=Twilight of the Belle Epoque: The Paris of Picasso, Stravinsky, Proust, Renault, Marie Curie, Gertrude Stein, and Their Friends through the Great War|ultimo=McAuliffe|primeiro=Mary|data=2014-03-16|editora=Rowman & Littlefield|lingua=en}}</ref> Essa fama não impediu contudo que um grupo de jovens pintores rebeldes se tornasse célebre sob o nome de [[Les Nabis]], a partir de 1888 e 1889.<ref>{{Citar livro|url=https://books.google.com/books?id=ibdKrhaT6M8C&printsec=frontcover&dq=academie+julian+les+nabis&hl=pt-PT&sa=X&ved=2ahUKEwjQ-LvQ9_7zAhVuSvEDHY-1CHMQ6AF6BAgDEAI|título=Les Nabis|ultimo=Kostenevitch|primeiro=Albert|data=2012-01-05|editora=Parkstone International|lingua=fr}}</ref><ref>{{Citar livro|url=https://books.google.com/books?id=kAvrAAAAMAAJ&q=academie+julian+les+nabis&dq=academie+julian+les+nabis&hl=pt-PT&sa=X&ved=2ahUKEwjQ-LvQ9_7zAhVuSvEDHY-1CHMQ6AF6BAgEEAI|título=Les Nabis et leur temps|ultimo=Chasse|primeiro=Charles|ultimo2=Chassé|primeiro2=Charles|data=1960|editora=La Bibliothèque des arts|lingua=fr}}</ref> Vários nomes famosos da [[pintura]] ficaram associados à Academia Julian, tais como [[Albert André]], [[Marcel Baschet]], [[André Favory]], [[Leon Bakst]], [[Pierre Clayette]], [[Claude Schürr]], [[Jean Dubuffet]], [[Marcel Duchamp]], [[Jacques Villon]], [[Édouard Vuillard]] e [[Henri Matisse]], entre muitos outros.
 
Devido à qualidade dos seus professores, a Academia Julian adquiriu rapidamente uma certa notoriedade internacional, apresentando as obras dos seus alunos no ''[[Prix de Roma]]'', ao mesmo tempo em que servia de trampolim para aqueles que ambicionavam expor no ''[[Salon de Paris]]'', [[Salão dos Independentes|''Salon des Indépendants'']] e [[Salon d'Automne|''Salon d'Automne'']], entre outras ilustres exposições, ou ainda se lançar numa carreira artística independente. A disciplina não era, todavia, o seu ponto forte, tendo alguns dos seus estudantes, na maioria das vezes deixados a si mesmos, ficado conhecidos pelos seus [[embuste]]s e desfiles nas ruas de Paris, onde se envolviam em escândalos amorosos, financeiros ou violentos durante a ''[[Belle Époque]]''.<ref>{{Citar livro|url=https://books.google.pt/books?id=FDwfAwAAQBAJ&pg=PA27&dq=academie+julian+belle+epoque&hl=pt-PT&sa=X&ved=2ahUKEwje67rF9_7zAhWDQvEDHV_LAh8Q6AF6BAgLEAI|título=Twilight of the Belle Epoque: The Paris of Picasso, Stravinsky, Proust, Renault, Marie Curie, Gertrude Stein, and Their Friends through the Great War|ultimo=McAuliffe|primeiro=Mary|data=2014-03-16|editora=Rowman & Littlefield|lingua=en}}</ref> Essa fama não impediu contudo que um grupo de jovens pintores rebeldes se tornasse célebre sob o nome de [[Les Nabis]], a partir de 1888 e 1889.<ref>{{Citar livro|url=https://books.google.com/books?id=ibdKrhaT6M8C&printsec=frontcover&dq=academie+julian+les+nabis&hl=pt-PT&sa=X&ved=2ahUKEwjQ-LvQ9_7zAhVuSvEDHY-1CHMQ6AF6BAgDEAI|título=Les Nabis|ultimo=Kostenevitch|primeiro=Albert|data=2012-01-05|editora=Parkstone International|lingua=fr}}</ref><ref>{{Citar livro|url=https://books.google.com/books?id=kAvrAAAAMAAJ&q=academie+julian+les+nabis&dq=academie+julian+les+nabis&hl=pt-PT&sa=X&ved=2ahUKEwjQ-LvQ9_7zAhVuSvEDHY-1CHMQ6AF6BAgEEAI|título=Les Nabis et leur temps|ultimo=Chasse|primeiro=Charles|ultimo2=Chassé|primeiro2=Charles|data=1960|editora=La Bibliothèque des arts|lingua=fr}}</ref> Vários nomes famosos da [[pintura]] ficaram associados à Academia Julian, tais como [[Albert André]], [[Marcel Baschet]], [[André Favory]], [[Leon Bakst]], [[Pierre Clayette]], [[Claude Schürr]], [[Jean Dubuffet]], [[Marcel Duchamp]], [[Jacques Villon]], [[Édouard Vuillard]] e [[Henri Matisse]], entre muitos outros.
[[Ficheiro:Édouard Vuillard, 1891, The Flowered Dress (O vestido estampado), oil on canvas, 38 x 46 cm, Museu de Arte de São Paulo.jpg|miniaturadaimagem|285x285px|Pintura a óleo ''The Flowered Dress'' (O Vestido Estampado) de [[Édouard Vuillard]] (1891)]]
Parte da importância da Academia Julian se deve ao facto de ter sido um ponto de atração para diversos grupos "marginalizados" na cena artística parisiense do virar do século XIX para o século XX. Para as jovens mulheres, por exemplo, a academia constituía a única alternativa aos cursos oferecidos pela [[École Nationale Supérieure des Beaux-Arts]], já que a entrada nesse estabelecimento público lhes fora vedada até 1897. Na Academia Julian, as mulheres artistas tinham ainda a possibilidade de pintar ou esculpir corpos nus a partir de aulas ao vivo com modelos masculinos, prova de uma liberalidade intolerável aos olhos das instâncias oficiais. Com a desculpa de economizar o dinheiro dos contribuintes franceses, a École também desencorajava a inscrição de estudantes estrangeiros, através da exigência de uma prova de língua francesa de reputada dificuldade. Por esses motivos, a Academia Julian atraiu um grande número de estudantes vindos de todos os países da Europa, nomeadamente da Polónia, Checoslováquia, Áustria, Alemanha, Rússia, Itália, Grécia, Reino Unido, Espanha e Portugal,<ref>{{Citar livro|url=https://books.google.pt/books?id=2TkrDwAAQBAJ&pg=PA63&dq=academie+julian&hl=pt-PT&sa=X&ved=2ahUKEwihg_uS6_7zAhU1S_EDHepIAnEQ6AF6BAgHEAI|título="Foreign Artists and Communities in Modern Paris, 1870-1914 ": Strangers in Paradise|ultimo=Waller|primeiro=Susan|data=2017-07-05|editora=Routledge|lingua=en}}</ref> assim como do continente americano, como foi o caso de diversos artistas brasileiros e norte-americanos,<ref>{{Citar livro|url=https://books.google.pt/books?id=G9lLDwAAQBAJ&pg=PA44&dq=academie+julian&hl=pt-PT&sa=X&ved=2ahUKEwjO-4zn9v7zAhW_SfEDHRxSAHM4ChDoAXoECAIQAg|título=Transatlantic Encounters: Latin American Artists in Paris Between the Wars|ultimo=Greet|primeiro=Michele|data=2018-01-01|editora=Yale University Press|lingua=en}}</ref><ref>{{Citar livro|url=https://books.google.pt/books?id=jfq5Tp0nq98C&pg=PA909&dq=academie+julian&hl=pt-PT&sa=X&ved=2ahUKEwihg_uS6_7zAhU1S_EDHepIAnEQ6AF6BAgFEAI|título=France and the Americas: Culture, Politics, and History : a Multidisciplinary Encyclopedia|ultimo=Marshall|primeiro=Bill|ultimo2=Johnston|primeiro2=Cristina|data=2005|editora=ABC-CLIO|lingua=en}}</ref> ou do africano<ref>{{Citar livro|url=https://books.google.pt/books?id=8pFxDwAAQBAJ&pg=PA41&dq=academie+julian+africans&hl=pt-PT&sa=X&ved=2ahUKEwiE9q-L9_7zAhWSR_EDHeZUDHMQ6AF6BAgFEAI|título=Encyclopedia of Blacks in European History and Culture [2 volumes]|ultimo=Martone|primeiro=Eric|data=2008-12-08|editora=ABC-CLIO|lingua=en}}</ref><ref>{{Citar livro|url=https://books.google.pt/books?id=ME55BgAAQBAJ&pg=PA98&dq=academie+julian&hl=pt-PT&sa=X&ved=2ahUKEwjO-4zn9v7zAhW_SfEDHRxSAHM4ChDoAXoECAQQAg|título=Bricktop's Paris: African American Women in Paris between the Two World Wars|ultimo=Sharpley-Whiting|primeiro=T. Denean|data=2015-01-31|editora=SUNY Press|lingua=en}}</ref> e até asiático.<ref>{{Citar livro|url=https://books.google.pt/books?id=yD7zDwAAQBAJ&pg=PA84&dq=academie+julian+asia&hl=pt-PT&sa=X&ved=2ahUKEwjVs9qj9_7zAhWrQ_EDHRqcD3QQ6AF6BAgLEAI|título=Reframing Modernism: Painting from Southeast Asia, Europe and Beyond|ultimo=Wee|primeiro=Low Sze|ultimo2=Lisa|primeiro2=Horikawa|ultimo3=Scott|primeiro3=Phoebe|data=2016-03-31|editora=National Gallery Singapore|lingua=en}}</ref> Por fim, a academia acolhia não somente artistas profissionais, mas também amadores competentes desejosos de aperfeiçoar a sua arte ou incompreendidos nos seus países de origem, onde ainda vigoravam os standards clássicos.<ref>{{Citar livro|url=https://books.google.pt/books?id=xTxIAQAAIAAJ&pg=PP20&dq=academie+julian&hl=pt-PT&sa=X&ved=2ahUKEwjXoIun_v7zAhVjR_EDHcPhBnQQ6AF6BAgJEAI|título=The Julian Academy, Paris, 1868-1939: Spring Exhibition, 1989|ultimo=Fehrer|primeiro=Catherine|ultimo2=Kashey|primeiro2=Robert|data=1989|editora=Shepherd Gallery|lingua=en}}</ref>
 
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== Artistas que frequentaram a Academia Julian (breve selecção) ==
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*[[Abdul Mati Klarwein]]
*[[Camil Ressu]]
*[[Charles Courtney Curran]]
*[[Charles Demuth]]
*[[Childe Hassam]]
*[[Christopher R. W. Nevinson]]
*[[Christopher Wood]]
*[[Dermod O'Brien]]
*[[Diego Rivera]]
*[[Édouard Vuillard]]
*[[Edward Steichen]]
*[[Eero Järnefelt]]
*[[Emil Nolde]]
*[[Emile Bernard]]
*[[Ernest Lawson]]
*[[Étienne Dinet]]
*[[Guy Rose]]
*[[Hans Arp]]
*[[Henri Cartier-Bresson]]
*[[Henri Matisse]]
*[[Jacob Epstein]]
*[[Jacques Lipchitz]]
*[[Jean Arp]]
*[[Jean Dubuffet]]
*[[Jean Leon Gerome Ferris]]
*[[John Henry Twachtman]]
*[[John Lavery]]
*[[John Singer Sargent]]
*[[Joseph Christian Leyendecker]]
*[[Leon Kroll]]
*[[Lois Mailou Jones]]
*[[Louise Bourgeois]]
*[[Lovis Corinth]]
*[[Magnus Enckell]]
*[[Mahmoud Saiid]]
*[[Maurice Denis]]
*[[Max Slevogt]]
*[[Paul Henri]]
*[[Paul Ranson]]
*[[Paul Sérusier]]
*[[Paula Modersohn-Becker]]
*[[Pekka Halonen]]
*[[Philip Evergood]]
*[[Pierre Bonnard]]
*[[Richard Jack]]
*[[Robert Henri]]
*[[Robert Rauschenberg]]
*[[Sarah Purser]]
*[[Theodore Robinson]]
*[[Thomas Dewing]]
*[[Thomas Hart Benton]]
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