Macário de Jerusalém: diferenças entre revisões

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'''Macário de Jerusalém''' foi [[bispo de Élia Capitolina]] entre 312 e 325. Quando a cidade retomou seu antigo nome, passou a ser [[bispo de Jerusalém]], cargo que manteve até a sua morte por volta de 335, segundo [[Sozomeno]], mais provavelmente 333.
 
[[Atanásio de Alexandria|Atanásio]], em um de seus discursos contra o [[arianismo]], se refere a Macário como um exemplo ''"do estilo simples e honesto entre os homens apostólicos"''. A data de 312 para a ascensão de Macário ao episcopado aparece na versão de [[Jerônimo de Estridão|Jerônimo]] das "Crônicas" de [[Eusébio de Cesareia|Eusébio]]. Ele também foi um dos bispos avisados por [[Alexandre de Alexandria]] sobre o perigo representado por [[Ário]].<ref>[[Epifânio de Salamina]], ''[[Panarion]]'', LXIX, iv.</ref>.
 
Por volta de 325 ele acompanhou [[Helena de Constantinopla|Santa Helena]], a mãe de [[Constantino]], em sua bem-sucedida busca pela [[Vera Cruz]] em [[Jerusalém]].
 
 
== Macário e o arianismo ==
O vigor de sua oposição à nova [[heresia]] é demonstrado pela maneira abusiva com que [[Ário]] fala dele em sua carta a [[Eusébio de Nicomédia]].<ref>{{citar livro|nome=[[Teodoreto]]|título=História Eclesiástica|volume=I|capítulo=4|subtítulo=The Letter of Ariusto Eusebius, Bishop of Nicomedia.|url=http://www.newadvent.org/fathers/27021.htm|língua=inglês}}</ref>. Ele também participou do [[Primeiro Concílio de Niceia]], em 325, e duas conjecturas sobre o seu papel ali merecem ser mencionadas. A primeira é de que houve uma altercação entre ele e seu [[bispo metropolitano]], [[Eusébio de Cesareia]], sobre os direitos de suas respectivas [[sé episcopal|sés]]. O sétimo cânone do concílio - ''"Como a antiga e costumeira tradição mostra que o bispo de [[Élia Capitolina]] [Jerusalém] deva ser honrado, ele deve ter precedência; sem prejuízo, porém, à dignidade que pertence à [[sé metropolitana|metrópole]]"'' - por ser vago sugere que o resultado foi resultado de uma acirrada disputa. A segunda conjectura é que Macário, juntamente com [[Eustácio de Antioquia]], teve papel preponderante na criação do [[credo de Niceia]], finalmente adotado pelo concílio.<ref>Para as bases desta conjectura (expressões no credo que lembra os credos de [[credo de Jerusalém|Jerusalém]] e [[credo de Antioquia|Antioquia]]), o leitor pode consultar Hort, "Two Dissertations", etc., 58 sqq.; [[Harnack]], "Dogmengesch.", II (3a edição), 231; Kattenbusch, "Das Apost. Symbol." (índice do vol. II.)</ref>.
 
E das conjecturas, pode vir a ficção. Na "História do Concílio de Niceia", atribuída a [[Gelásio de Cízico]], há diversas disputas imaginárias entre os anciãos do concílio e filósofos pagos por Ário. Em uma dessas disputas, na qual Macário é o porta-voz dos bispos, ele defende a [[Descida de Jesus ao Inferno]]. Esse fato, tendo em vista a questão de se a Descida estava presente no [[credo de Jerusalém]], é interessante, especialmente por que em outros aspectos, a linguagem de Macário é representada em conformidade com a do credo.<ref>cf Hahn, "Symbole", 133.</ref>. O nome de Macário aparece em primeiro entre os bispos da [[Síria Palestina|Palestina]] que subscreveram o resultado do concílio; o de Eusébio aparece em quinto. [[Atanásio de Alexandria]], em sua carta encíclica aos bispos do [[Egito (província romana)|Egito]] e da [[Líbia antiga|Líbia]], coloca o nome de Macário (que já havia morrido há muito) entre os mais renomados por sua ortodoxia. [[Sozomeno]]<ref>{{citar livro|nome=[[Sozomeno]]|título=História Eclesiástica|volume=II|capítulo=20|subtítulo=Concerning Maximus, who succeeded Macarius in the See of Jerusalem.|url=http://www.newadvent.org/fathers/26022.htm|língua=inglês}}</ref> relata que Macário apontou Máximo, que seria seu sucessor, como bispo de [[Lida]] e que este apontamento não se realizou por que o povo de Jerusalém se recusou a deixar Máximo partir. Ele também nos conta uma outra versão da história, dizendo que o próprio Macário teria mudado de ideia, por temer que, com Máximo fora do caminho, um bispo não ortodoxo pudesse ser apontado para sucedê-lo. [[Tillemont]]<ref>Mém. Ecclés., VI, 741.</ref> não corrobora esta história: Macário, se o tivesse feito, teria entrado em contravenção com o sétimo cânone de Niceia e Aécio, que era na época do concílio o bispo da Lídia, estava certamente vivo em 331 e, muito provavelmente, em 349. É claro que se Aécio viveu mais que Macário, a história não se sustenta. Contudo, se ele morreu pouco depois de 331, ela pode ser verdadeira. O fato de Macário estar se aproximando de sua morte poderia explicar a relutância, de sua parte ou de seu rebanho, em se afastar de Máximo.
 
== Macário e as relíquias sagradas ==
[[Teófanes, o Confessor]] (m. 818), em sua "Cronografia", relata Constantino, ao final do Concílio de Niceia, ordenando Macário a buscar os locais da [[ressurreição de Jesus|ressurreição]] e da [[Paixão de Cristo|Paixão de Jesus]], além da [[Vera Cruz]]. É provável que seja verdade, pois escavações se iniciaram logo após o concílio e elas parecem ter sido supervisionadas por Macário.
 
O enorme monte e a alvenaria com o templo de [[Vênus (mitologia)|Vênus]] em cima, que durante o reinado de [[Adriano]] havia sido construído sobre o [[Santo Sepulcro]], foram demolidos e retirados, e ''"quando a superfície original do solo apareceu, em seguida, contra todas as expectativas, o sagrado monumento da ressurreição de nosso Salvador foi descoberto"''.<ref>[[Eusébio de Cesareia]], ''Vida de Constantino'' III, 28.</ref>. Ao saber das notícias, Constantino escreveu para Macário dando ordens para que uma nababesca igreja fosse erguida no lugar.<ref>[[Eusébio de Cesareia]], ''Vida de Constantino'' III, 30; {{citar livro|nome=[[Teodoreto]]|título=História Eclesiástica|volume=I|capítulo=16|subtítulo=Eusebius and Theognis who at the Council of Nice had assented to the Writings of Ariusrestored to their own Sees.|url=http://www.newadvent.org/fathers/27021.htm|língua=inglês}}</ref>.
{{citação2|É tamanha a graça de nosso Salvador que nenhum poder de linguagem parece suficiente para descrever a maravilhosa circunstância a que vou me referir em seguida. Pois, que aquele monumento de Sua mais sagrada [[Paixão de Cristo|Paixão]], há tanto tempo atrás enterrado, deve ter permanecido esquecido por tamanha quantidade de anos, até o seu reaparecimento para os seus servos agora libertados pela remoção daquele que era o inimigo de todos, é um fato que realmente supera toda a admiração... E sobre as colunas e mármores, o que você julgar, após a inspeção de fato do plano, ser especialmente precioso e útil, seja diligente em nos enviar informações por escrito para que qualquer quantidade ou tipo de materiais que estimemos a partir de sua carta serem necessário, vamos procurar em todos os cantos, conforme requerido, pois é próprio que o lugar mais maravilhoso do mundo deva ser decorado ricamente.|Carta de Constantino a Macário, citada por [[Eusébio de Cesareia]] em sua ''[[Vida de Constantino]]''<ref>Eusébio, ''Vida de Constantino'' III, 30-32.</ref>}}
 
Posteriormente, ele escreveu outra carta, "A Macário e os demais bispos da Palestina", ordenando que uma igreja fosse erguida em Mambre, que também havia sido dessecrada por um templo pagão. Eusébio, mesmo relatando os destinatário fielmente, fala desta carta como "endereçada a mim", acreditando, talvez, em sua dignidade metropolitana.<ref>[[Eusébio de Cesareia]], ''Vida de Constantino'' III, 51-53.</ref>. Igrejas também foram construídas sobre os locais da [[Natividade de Jesus|Natividade]] ([[Basílica da Natividade]]) e da [[Ascensão de Jesus|Ascensão]] ([[Capela da Ascensão]]).
 
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