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Olá Joao! Não te apetece dar uma volta nestes lixos: [[Cronologia histórica do judaísmo]] e [[Cantillation]]. Penso que são assuntos do teu interesse ! Beijinhos, [[Usuário:Muriel Gottrop|Muriel]] 14:58, 10 Agosto 2005 (UTC)
 
== Maurras ==
Mas repara que a proposta principal dele é a direcção da sociedade por uma "elite", suportada pela religião católica (em que não tem fé religiosa mas apenas política). É claro que essa elite não é necessariamente apenas uma classe, mas ainda assim, já se sabe de onde proviriam a esmagadora maioria dos seus membros. Eu sei bem que há muitas familias "de sangue azul" que sempre foram liberais e progressivistas, e que defendem a "aristocracia" apenas por determinada educação e atenção às artes e letras. Em Inglaterra os antigos nobres do partido whig (hoje os liberais-democratas) venceram, e daí o aparente paradoxo de este país altamente dominado pelos nobres na sua história ser altamente desenvolvido: esses nobres adquiriram politicas liberais dos mercadores e da classe média ainda que mantivessem alguns "rituais" do antigo regime. Mas os de cá não pensam assim na sua esmagadora maioria, como aliás prova o seu próprio partido. Não é por acaso que esse tal partido é o único partido da direita europeia moderna que defende abertamente o estatismo que protege as classes estabelecidas e rejeita o mercado.
 
Afinal o fascismo e os regimes análogos do salazar e do franco defendiam o corporativismo em matérias económicas. Que é esse sistema a não ser uma forma de proteger as elites estabelecidas contra a ameaça não tanto dos comunistas (como eles gostavam de dizer) mas muito mais do mercado livre e da democracia que lhes retirariam inveitavelmente o poder e elevariam as classes médias? Mesmo o Hitler foi sempre apoiado pelas elites conservadoras, desde os julgamentos em que era sempre absolvido ou condenado a penas irrisórias até ser nomeado chanceler pelo Hindenburg e depois até quase ao fim da guerra. O antisemitismo do Hitler é descendente do desses nobres conservadores da Prússia (que repara apesar de protestantes viviam das terras numa região da europa com comércio, industria e classes médias bastante subdesenvolvidas). Na Prússia as classes médias eram judias ou eslavas:os alvos de Hitler. O drama da Alemanha foi que as regiões com comércio, indústria e classes médias do Reno, Ruhr e costa atlântica (largamente católicas mas sempre liberais devido à liderança oligárquica dos mercadores) terem caído nas mãos desses nobres territoriais protestantes mas conservadores da Prússia (no Congresso de Viena), que apenas utilizaram os seus recursos industriais para conquistar mais terras e trabalhadores rurais a leste contra a vontade da Alemanha norte-ocidental que tudo pagou. Hamburgo, o Reno e o Ruhr tiveram as mais baixas taxas de votação no Hitler, que foi apoiado pelo sul e pelo leste. Como sempre quem se provou reaccionário e anti-progresso foram as regiões onde mandava a nobreza, quer protestante, quer católica.
 
É claro que nem todos os conservadores de hoje são descendentes directos dos senhores feudais de Portucale no tempo do Afonso Henriques, mas o seu espirito e modo de fazer as coisas vem daí em linha continua e ininterrupta. As classes hoje não existem formalmente nem são tão fechadas como dantes, mas continuam a existir ao nivel das várias correntes de pensamento. Não é por acaso que não há partido comunista nem conservadores anti-mercado nos EUA:lá nunca houve nobreza. Nem é que os liberais ingleses descendentes dos whigs sejam fervorosamente pró-europeus e os tories conservadores eurocépticos.
 
No Portugal democrático e europeu, é inevitável finalmente a subida ao poder das classes médias e médias-altas. Não se pode esperar tudo numa geração. A geração que manda hoje em Portugal ainda foi educada pelo Salazar. Mas no futuro é inevitável que Portugal se desenvolva. No fim do fascimo eramos mais pobres que a Argélia. Hoje somos um dos países mais ricos do mundo, apesar de tudo. O nosso produto bruto em preços correntes per capita afinal já é mais de 2/3 do da Inglaterra, e cerca de 75% do da UE. Quanto a esta crise, em minha opinião é uma crise social e industrial do norte (conservador e com elites da nobreza) do país, que perde cerca de 2% do seu PIB por ano nos últimos anos. Não podem competir com a china na indústria, portanto convertem-se aos serviços. Lisboa e o Sul (menos conservadores e com mais curtas tradições feudais), muito menos dependentes da indústria e com outra mentalidade, têm tido crescimento baixo mas positivo. Na verdade assistimos por debaixo das estatisticas de "Portugal em crise" a uma Norte (Porto, Minho e Trás-os-Montes) em crise profunda, mas a um sul ainda com alguma vitalidade. [[Usuário:Salvadorjo|Salvadorjo]] 23:54, 10 Agosto 2005 (UTC)
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