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==Bloqueio==
Olá João! Antes de bloquear um usuário acho que este devia ser avisado que pode vir a ser bloqueado caso continue. Eu sei que não adianta muito, mas acho que a pessoa deve saber com o que pode contar. Não me leves a mal, eu também não gosto de vandalismo! Abraços [[Usuário:Lusitana|Lusitana]] 12:51, 22 Agosto 2005 (UTC)
 
== Nazismo ==
Quando me refiro a aristocracias refiro-me a classes que acham que têm o direito natural hereditário para mandar nos outros. Se há grupos de pessoas na inglaterra, holanda e suécia que gostam de se reunir e casar os filhos uns com os outros e seguir umas espécies de rituais, mas depois na vida pública tratam os outros de acordo com as suas capacidades e inteligência e não por discriminações a priori de classe, de quem se é filho (fidalgo ou "de que família é" como se diz em pt), raça, etnia ou outras distinções acidentais nada tenho contra esses individuos. Os Judeus e os Maçons também acham que são o povo eleito e creio que não há nenhum grupo social activo que não ache que é melhor que os outros. Ninguém consegue nada a pensar que é pior que os outros. Mas têm de haver flexibilidade social e critérios impessoais de distribuição dos recursos. Se é o mercado, a meritocracia e o voto, eu vejo aí diversos problemas e injustiças mas como dizia o Churchill a verdade é que não há nenhum sistema melhor. É o sistema Natural para a nossa época. E ninguém sabe o que vem a seguir, se é que não é este o ''fim da história''.
 
Eu obviamente insisti mais nas disputas de classes porque acho que a origem do problema está aí. Se Portugal não se desenvolve é porque as pessoas mais competentes e inteligentes não chegam às posições de decisão e influência como chegam no Norte da Europa e EUA. Se andaste na universidade em pt deves saber demasiado bem a que me refiro. E isto é por rigidez social: Em pt o filho de algo (cujo emprego implica favores reciprocos do papá no futuro) ou o trabalhador que não é ambicioso, não ameaça a posição de ninguem nem critica mas é incompetente são mts vezes preferidos ao trabalhador ambicioso, competente mas que ameaça o emprego do chefe e critica a lassidez dos colegas. Os padres sozinhos não têm interesse ideológico em impedir a renovação do tecido social, mas os nobres querem guardar os postos de influência para os filhos, quer sejam brilhantes quer sejam mediocres. O Catolicismo não surgiu de repente foi moldado por séculos de estruturas sociais estratificadas e feudalismo, até surgir a forma altamente eficaz no controlo social a favor das classes territoriais no tempo da contra-reforma. É claro que hoje o "baixo catolicismo" mesmo quando as relações sociais são liberais, ainda continua por inércia a ter um papel negativo no rebaixamento das massas e deve ser combatido e rejeitado. Mas sem desligar a Igreja da segurança e estabilidade que esta tem contratada com a aristocracia em troca de controlo social, nunca será possivel fazer seja o que for: protestantismo, catolicismo reformado ou secularismo. Repara que apesar de ser verdade que muitos nobres apoiaram o protestantismo foi sempre em zonas de vigor mercantil. Um nobre iluminado pode compreender que o dever de uma posição social é melhorar as condições dos súbditos e não o dinasticismo, e muitos nobres menos exaltados estavam entre a espada e a parede porque tinham más relações com os Habsburgos: vê que a Saxónia estava rodeada dos territórios imperiais desta Casa na Boémia e Silésia e que a sua independencia seria destruida por um poder imperial do Carlos V forte... Entre um Imperador hostil e uma população virada para o protestantismo muitos nobres acolheram a nova religião porque a escolha era entre perder poderes e posição social e perder a cabeça. O protestantismo e os mercadores venceram porque os nobres eram fracos, o mesmo se passou no norte de itália onde apesar de não haver protestantes a igreja católica sempre foi mais ligada aos interesses mercantis (e.g. um Papa Médici!). Se alguns aristocratas se aliaram aos mercadores por boas morais, parabéns para eles, mas a maioria fê-lo por necessidade. Tal como os tories ingleses depois da revolução dos mercadores com o Cromwell, a opção era entre perder a cabeça ou manter a propriedade mas abandonar o feudalismo e os privilégios. Na Holanda há hoje monarquia mas foi imposta pelos ingleses após a derrota do Napoleão devido ao medo de novas insurreições (os holandeses são ainda hoje fortemente republicanos como dizem as sondagens, mas gostam pessoalmente da rainha e a verdade é que holanda, espanha, escandinavos e UK são repúblicas com monarcas à cabeça para todos os efeitos: no UK mm a velha monarquia é tal como a aristocracia britânica apenas uma tradição florida, um teatro, por parte de determinados individuos e não tanto uma realidade). Não são só forças sociais como diziam os liberais antigos, nem métodos de produção como dizia Marx nem só ideologias como Hegel e Weber, mas não sendo original julgo que é verdade que são todos estes factores ligados.
 
A origem do comunismo aliás pode-se compreender como uma manifestação social e ideológica da revolta das massas contra esses opressores, aristocracia e Igreja. É expantoso como apesar de o Marx defender a revolução contra o capitalismo, '''todas''' as revoluções comunistas se terem dado em Estados onde ainda existia o antigo regime da aristocracia conservadora+igreja (católica ou ortodoxa, a diferença é escassa): não há um único país burguês, protestante ou secular, em que os comunistas tenham tido expressão suficiente para tomar ou ameaçar tomar o Poder, apesar de serem estes os países com os maiores proletariados e capitalistas! O comunismo é no fundo o extremismo violento, iliberal e desesperado dos oprimidos nos países em que não há escape social e a ordem é rígida: a religião comunista exalta o trabalhador e a vida de hoje tanto quanto o catolicismo o diminui e humilha. Em países burgueses tanto a classe alta como a baixa tendem a ser absorvidas pela classe média. Quando andas na Alemanha, UK, Holanda ou França as pessoas na rua são bastante semelhantes todas, mas por exemplo no Porto é extremamtente fácil distinguir as classes. Como os filhos de operários e agricultores no Norte da Europa têm oportunidades para estudar e trabalhar e fundar negócios, o comunismo é pouco atractivo para eles.
 
Eu acredito que a reforma da igreja conjugada com a modificação das relações sociais, que no Norte de Portugal infelizmente ainda são restritivas e escleróticas, e o secularismo pode-se conseguir uma dinâmica para o País.
 
Não sei se conheces o historiador inglês AJP Taylor. É brilhante se bem que exagere em alguns pontos. Quanto ao nazismo, se conheces a história da alemanha sabes bem que a ideologia da pseudoprotestante Prússia encarnava todos os seus fundamentos desde o tempo dos cavaleiros teutónicos que conquistavam a alemanha aos Polacos (que antes vinham até ao Elba): racismo anti-eslavo, antisemitismo (os Judeus askhenazi são quase todos polacos), antiusúria, união dos alemães como elite superior sobre os eslavos do leste. Nunca a Baviera ou a Renania tiveram seja o que for a ver com isso. Ainda hoje os mais racistas e antidemocráticos alemães são os do leste. O seu protestantismo nada mais é que uma distinção, um código contra os eslavos, todos católicos ou ortodoxos, mesmo quando estes falavam alemão perfeito. Por isso é que o paganismo do Hitler teve as maiores aderências na prússia. Desde que não fosse a dos polacos não importava qual a religião. É claro que o fascismo natural, como dizes, das aristocracias católicas do sul também teve muita influência. Mas se a baviera mandasse, não enviava milhões dos seus filhos para obter mais terras para os Junkers aos eslavos a leste, nem matava os Judeus- podia repor as distinções sociais e não protege-los dos massacres pelas massas mas não os exterminava de forma sistemática (o que requer recursos em tempo de guerra). A questão dos Judeus (=ameaça das classes médias) e escravatura dos eslavos (=nacionalismo liberal) são objectivos históricos dos Prussos. Por isso é que a Polónia liberal, democrática e burguesa ( e católica!) foi o grande aliado dos Franceses nas guerras depois da revolução de 1789. A ideologia da raça mestre é uma invenção dos prussos. Já na primeira guerra os junkers queriam mais terras a leste e limitações aos Judeus e mercadores do ocidente: porque achas que a Alemanha dominada pelos Prussos nunca foi democrática nem pró-mercado? A prússia oriental sempre foi uma terra atrasada e rural. Se a alemanha tivesse sido fundada e governada pelos liberais de 1848 em Frankfurt, ou se o Napoleão fizesse o que era preciso e impulsionasse a revolução e a Republica Alemã em 1800s em vez de se preocupar com a sua pp dinastia em França, a Alemanha era lider do liberalismo e dos direitos humanos para o mundo. A aristocracia prussa destruiu essa potencial alemanha tal como a nossa destruiu o grande Portugal cosmopolita de 1385-1540. Nem precisou da igreja católica. Portugal, Espanha, sul da Itália e Alemanha são as vítimas dessa mentalidade. A diferença é que na Alemanha a aristocracia não pode impedir os mercadores do ocidente de se estabelecerem devido à reunificação tardia em 1870 e por isso enriqueceu porque a aristocracia mandava na politica externa a partir da Prússia oriental enquanto as fábricas estavam no ocidente. Os prussos foram inteligentes suficientemente para em vez de destruir a prosperidade burguesa do ocidente tentar usa-la primeiro para obter mais poder e terras a leste. Daí a avidez do Guilherme II para começar a guerra. No nazismo a elite da aristocracia prussa sobre o povo alemão seria convertida em elite da raça-mestre alemã (ainda e sempre liderada pelos junkers) sobre os eslavos do leste. Incapazes de vencer as classes médias, tentavam converte-las numa nova baixa aristocracia mundial sempre dominada pela alta aristocracia dos Junkers.
 
Quem libertou o Hitler repetidamente a não ser os aristocratas que serviam como juizes? Quem o apontou chanceler mesmo depois de minoria nas urnas? Quem ganhava numeros e influência com a anexação da conservadora e aristocratica Austria? Quem apoiou e incentivou a sua invasão da USSR? Quem lucrava com a anexação dos terrenos agricolas e escravos eslavos da Polónia e da Ucrânia ao Reich? Não eram os mercadores alemães porque eles só perderam com o bloqueio económico inglês e americano e exigências da economia da guerra. Não era o povo alemão porque foram eles os feridos e os mortos e os esfomeados e se o objectivo era escravizar os eslavos então não seria destribuir as terras pelos pequenos proprietários alemães, mas sim pelos grandes junkers prussos. As evidencias estão todas lá: o nazismo é prusso. Os prussos são os conservadores aristocratas mais inteligentes reconheço-o: mas são também os mais inumanos. O racismo diz basicamente que os filhos têm as qualidades dos pais, e que os filhos dos atrasados serão sempre atrasados e portanto são inferiores: '''exactamente''' a mesma teoria que durante séculos os aristocratas territoriais usaram para manter a sua supremacia hereditária sobre o povo e as classes médias. Nazismo é simplesmente uma nova formulação desta velha ideia, e se o povo alemão a aceitou depois foi porque a derrota rápida da França e o sucesso aparentemente fácil vencem sempre os ignorantes. Não é por acaso que nazismo e racismo são classificados por todos os especialistas como teorias de "extrema-direita": direita é o termo usado na assembleia francesa durante a monarquia constitucional para designar aqueles que se sentavam à direita do hemiciclo e que eram pela reversão dos ganhos da Revolução: os aristocratas, fidalgos e conservadores.
 
Depois (a RFA) esteve sob governo americano durante décadas enquanto no leste os soviéticos destruiram brutalmente o estado Prusso. Os americanos deixaram aos russos essa porção "delicada" da Alemanha quase sem oposição e estes tiveram o cuidado de o dividir em kaliningrado, polónia ocidental e RDA, e prosseguiram com uma colectivização agricola muito mais radical que a praticada na Polónia, R.Checa e Hungria. Além disso expulsaram os alemães que viviam nos territórios de parte das conquistas dos cavaleiros teutónicos. Tudo feito com passividade americana, ao contrário da sua defesa enérgica da burguesa e mercantil Berlim (Kennedy disse ''ich bin ein berliner'' eu sou uma bola de berlim :-) e não eu sou um alemão do leste). Quando as teorias explicam as coisas devem ter algum fundo de verdade... [[Usuário:Salvadorjo|Salvadorjo]] 20:58, 23 Agosto 2005 (UTC)
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