Diferenças entre edições de "Policial"

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[[Categoria:Desambiguação]]
 
Há gente que ainda não sabe,
O que a Polícia significa,
E por maldade acredita
Sem conhecer a verdade.
E nesta oportunidade,
Para fazer-nos doutores,
A Polícia, meus senhores,
É o exército da sociedade.
 
Para vos dar o sossego,
Lutamos de convertida,
Arriscamos nossas vidas,
Para Proteger as vossas;
E há gente que ainda faz prosa,
Quando somos pisoteados,
Dão razão aos renegados,
Das razões que eram nossas.
 
Essa gente erra, senhores,
E quando não erra, se engana,
Pois errar é coisa humana,
Quando engano não vem,
Mas se o Policial errar também,
Há sempre alguém que o entrega,
E finge que não enxerga,
Quando ele pratica o bem.
 
Sou aquele alvo humano,
Das armas dos delinqüentes,
Estando sempre presente,
No combate contra o mal,
Somos a guarda social,
Desta batalha renhida,
Arriscar a própria vida,
É o lema do Policial.
 
O Policial que é casado,
Não vive para a família,
Sem poder ao filho ou a filha,
Dar um pouco de carícia;
Do lar não colhe delícia,
Pois na cidade ou no morro,
Há sempre um grito de socorro,
Chamando pela Polícia.
 
Quando sai em diligência,
Despede-se dos filhos seus,
Vai com Deus, papai, vai com Deus,
Lhe diz o filho querido.
Depois então é inserido,
Em manchete de jornal,
Que foi morto um Policial,
Ao prender um foragido;
 
Então o filho pergunta,
Á sua mãezinha que chora:
“Porquê meu papai demora?
Estou com saudades demais,
Quero expandir os meus ais,
Com forte beijo em sua testa,
Para depois contar em festas,
A linda cantiga dos pais.”
 
Sim, meu filho querido,
Hoje é Dia dos Pais,
Mas o teu não volta mais,
É triste, mas vou dizer,
O teu pai, minha flor querida,
Ontem perdeu a vida,
No cumprimento do dever.
 
E o filho que nada entende,
Do que a mãezinha lhe diz,
Continua bem feliz,
Esperando o pai amado.
O sol desmaia e a noite cai,
Venta muito, é mês de outono,
E o pequeno sente o sono,
E o bercinho lhe atrai.
 
No outro dia bem cedo,
Faz pergunta sem receio:
“Mamãe, papai já veio?”
Mas de repente se cala,
Esmorece e perde a fala,
Ao ver o pai do coração,
De mãos postas num caixão,
Sobre a mesinha da sala.
 
Então o filho compreende,
Ao ver a sala tão triste,
Seu peitinho não resiste,
E dos olhos rola o pranto,
Pois o pai que queria tanto,
Lhe deixou na solidão,
Foi cumprir outra missão,
Com destino ao Campo Santo.
 
E o pequeno fica tristonho,
Com os olhos rasos d’água,
Fica enxugando suas mágoas,
Que um delinqüente causou,
E a herança que lhe restou,
Foi uma placa com gravura:
“Honra ao Mérito por Bravura”,
Que o próprio tempo apagou.
 
E hoje com sua mãe,
Nos dedinhos vai contando,
Os anos que vão passando,
E o tempo que o pai morreu,
Do mesmo não se esqueceu,
Conta dez, conta onze,
E aquela placa de bronze,
Nunca um abraço lhe deu.
 
Vejamos agora a outra parte,
Em que meu nome figura,
Pois sem placa e sem gravura,
Não tombei, pois Deus não quis,
Aquilo que fiz foi sem rancor,
Sem maldade,
Para dar paz a sociedade,
Eu tive um golpe infeliz.
 
Numa noite negra e fria,
Chovia torrencialmente,
Fui chamado de repente,
Para atender uma ocorrência,
Deixei com paz e paciência,
O mundo alto que dormia,
Enquanto o baixo se divertia,
Nos vapores da violência.
 
Procurando manter a ordem,
Fui em busca do delinqüente,
Que furioso, violentamente,
Quis roubar a vida minha,
Mas sua sorte foi mesquinha,
Não completou o arremate,
E eu, para não tombar no combate,
Usei dos meios que tinha.
 
Vejam meus senhores,
A situação que fiquei,
Contra a vontade matei,
Para salvar a minha vida,
E nesta luta rendida,
Recebi como troféu,
Tormentos num banco dos réus,
Julgado como homicida.
 
Mas diante de sete homens,
Foi revivido meu drama,
E Deus, o Pai Divino que ama,
Iluminou mente por mente,
E perante o povo presente,
Guiou o desfecho final,
E num silêncio total,
Ouve-se o Magistrado presente:
“Declaro o réu inocente”.
 
E sendo assim peço a Deus,
Que apague o que aconteceu,
E faça mais do que eu,
Um Policial de retomo,
Que diga ele de novo,
À grande massa social,
Que o braço do Policial,
É a segurança do povo.
 
Em homenagem ao Soldado PM Durval Tavares, morto a tiros no dia 28 de abril de 1980.
 
Durval Tavares Júnior
Oficial da Polícia Militar do Paraná,
186 462

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