Estação Ferroviária da Azambuja

estação ferroviária em Portugal

A Estação Ferroviária da Azambuja é uma interface da Linha do Norte, que serve a localidade de Azambuja, no distrito de Lisboa, em Portugal.

Azambuja
Edifício principal da Estação de Azambuja, em 2009
Identificação:[1] 33001 AZA (Azambuja)
Denominação: Estação de Concentração de Azambuja
Classificação: EC (estação de concentração)[2]
Coordenadas:

39° 04′ 05,52″ N, 8° 52′ 00,86″ O

Concelho: bandeiraAzambuja
Linha(s): Linha do Norte (PK 46,945)
Serviços:
Estação anterior Comboios de Portugal Comboios de Portugal Estação seguinte
V. N. Rainha
Alcântara-T.
  CP Lisboa
Linha da Azambuja
  Terminal
V. N. Rainha
S. Apolónia
   
V. F. Xira
S. Apolónia
  CP Regional   Virtudes
Entroncamento
Tomar
Covilhã

Conexões: Ligação a autocarros 522
Serviço de táxis
Equipamentos: Bilheteiras e/ou máquinas de venda de bilhetes Sala de espera Telefones públicos Caixas Multibanco Elevadores Acesso para pessoas de mobilidade reduzida
Inauguração:
Website:
Atividades agrícolas e fluviais locais nos paineis de azulejo da estação.
Disambig grey.svg Nota: Não confundir com o Apeadeiro de Espadanal da Azambuja, igualmente situado na Linha do Norte.

DescriçãoEditar

Localização e acessosEditar

 
Ponte sobre a Vala da Margana, a SW da estação da Azambuja

Situa-se na localidade de Azambuja, junto ao Largo da Estação.[3]

Descrição físicaEditar

Em Janeiro de 2011, possuía quatro vias de circulação, duas com 515 m de comprimento, e as restantes, com 390 e 480 m; as respectivas plataformas tinham 240, 221 e 223 m de extensão, e 90 cm de altura.[4]

HistóriaEditar

 Ver artigo principal: História da Linha do Norte

Século XIXEditar

Já no primeiro plano para a construção do lanço da Linha do Norte entre Lisboa e Santarém, em 1852, se preconizava a construção de uma gare ferroviária em Azambuja.[5] Embora este percurso tenha sido alvo de posteriores alterações, continuou a ser prevista a construção da estação de Azambuja, a seguir a Vila Nova da Rainha.[6]

Esta interface faz parte do lanço da Linha do Norte entre Carregado e Virtudes, que foi aberto à exploração em 31 de Julho de 1857, pelo estado português, e que foi posteriormente passado para a Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses.[7] Nesse ano, a estação de Azambuja contava com serviços de bagagens e passageiros, nas três classes.[8] Em 16 de Março de 1891, foi duplicado o troço entre o Carregado e Azambuja,[9] e em 19 de Maio de mesmo ano, a segunda via foi prolongada até Santana-Cartaxo.[10]

Em 2 de Março de 1895, ocorreu uma grande cheia no vale do Rio Tejo, tendo as águas inundado as vias na estação da Azambuja.[11]

 
Novo edifício da estação de Azambuja, nos primeiros anos

Século XXEditar

Em finais de 1901, já se tinha reedificado o edifício da estação de Azambuja.[12]

Em 1913, a estação da Azambuja era servida por uma carreira de diligências, que ia até Alcoentre, Aveiras de Baixo, Aveiras de Cima e Cercal.[13]

Em 1934, o arquitecto Cottinelli Telmo planeou um novo edifício para esta estação, que foi construído e inaugurado em 1935.[14][15] O novo edifício procurou aliar o estilo modernista com elementos tradicionais portugueses, tendo sido desde logo equipado com uma marquise para os passageiros.[16] Foi decorado com azulejos da Fábrica de Sacavém.[17]

Entre 5 e 6 de Março de 1955, foi encerrado o tráfego entre o Rossio e Campolide para obras de electrificação, tendo sido alterado o percurso dos comboios urbanos até à Azambuja, que passaram a começar em Sete Rios.[18]

Em 1995, principiaram as obras de quadruplicação da Linha do Norte entre Lisboa e Azambuja.[19]

 
Carruagens da primeira metade do séc.XX, em reutilização não-ferroviária no chão da Feira de Maio, Azambuja

Referências literáriasEditar

No primeiro volume da obra As Farpas, Ramalho Ortigão, é descrita a passagem pela estação da Azambuja, numa viagem de Lisboa às Caldas da Rainha:

Na Azambuja, por detrás da pequena estação do caminho-de-ferro, há um belo arraial de carroças, de diligências, de char-à-bancs e de caleches, que o sol a prumo envolve em reflexos de ouro, iluminando de uma leve polvilhação diamantina as caixas pulvurentas dos trens, as folhas dos eucaliptos, os pitorescos arreios das mulas, os andrajos dos mendigos e as características pantalonas do camponês estremenho, feitas de remendos em todas as nuances do azul da tecelaria de Alcobaça.
— Ramalho Ortigão, As Farpas, 1890:173
CP-USGL + CP-Reg + Soflusa + Fertagus
 
             
 
(n) Azambuja 
               
 Praias do Sado-A (u)
(n) Espadanal da Azambuja 
               
 Praça do Quebedo (u)
(n) Vila Nova da Rainha 
             
 Setúbal (u)
**(n) Carregado 
     
 
 
     
 Palmela (u)
(n) Castanheira do Ribatejo 
             
 Venda do Alcaide (u)
(n) Vila Franca de Xira 
       
 
 
 Pinhal Novo (u)(a)
(n) Alhandra 
             
 Penteado (a)
(n) Alverca   Moita (a)
(n) Póvoa   Alhos Vedros (a)
(n) Santa Iria   Baixa da Banheira (a)
(n) Bobadela   Lavradio (a)
(n) Sacavém   Barreiro-A (a)
(n) Moscavide   Barreiro (a)
(n) Oriente   (Soflusa)
(n)(z) Braço de Prata 
         
 
 
 Terreiro do Paço (a)
 
 
 
 
 
 
 
 
 Penalva (u)
(n)(ẍ) Santa Apolónia 
 
 
 
 
 
       
 Coina (u)
(z) Marvila 
 
         
 Fogueteiro (u)
(z) Roma-Areeiro 
           
 Foros de Amora (u)
(z) Entrecampos 
           
 Corroios (u)
(z)(7) Sete Rios 
           
 Pragal (u)
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Campolide (z)(s)(u)*
(s) Benfica   Rossio (s)
(s) Santa Cruz-Damaia   Cais do Sodré (c)
(s) Reboleira   Santos (c)
(z) Alcântara-Terra 
 
 
 
 
   
 Alcântara-Mar (c)
(s) Amadora   Belém (c)
(s) Queluz-Belas   Algés (c)
(s) Monte Abraão   Cruz Quebrada (c)
(s) Massamá-Barcarena   Caxias (c)
(s)(o) Agualva-Cacém   Paço de Arcos (c)
 
 
 
         
 Santo Amaro (c)
(o) Mira Sintra-Meleças   Rio de Mouro (s)
(s) Mercês   Oeiras (c)
(s) Algueirão - Mem Martins   Carcavelos (c)
(s) Portela de Sintra   Parede (c)
(s) Sintra   São Pedro Estoril (c)
(o) Telhal 
           
 São João Estoril (c)
(o) Sabugo 
           
 Estoril (c)
(o) Pedra Furada 
           
 Monte Estoril (c)
(o) Mafra 
           
 Cascais (c)
(o) Malveira 
   
 
   
 Jerumelo (o)**

2015-2019 []

Linhas: a L.ª Alentejoc L.ª Cascaiss L.ª Sintra C.ª X.
n L.ª Norteo L.ª Oestez L.ª Cinturau L.ª Sul7 C.ª 7 R.
(*) vd. Campolide-A   (**)   continua além z. tarif. Lisboa

(***) Na Linha do Norte (n): há diariamente dois comboios regionais nocturnos que param excepcionalmente em todas as estações e apeadeiros.
Fonte: Página oficial, 2020.06

Ver tambémEditar

Referências

  1. (I.E.T. 50/56) 56.º Aditamento à Instrução de Exploração Técnica N.º 50 : Rede Ferroviária Nacional. IMTT, 2011.10.20
  2. Instrução de exploração técnica nº 2 : Índice dos textos regulamentares em vigor. IMTT, 2012.11.06
  3. «Azambuja». Comboios de Portugal. Cp.pt. Consultado em 12 de Novembro de 2014 
  4. «Linhas de Circulação e Plataformas de Embarque». Directório da Rede 2012. Rede Ferroviária Nacional. 6 de Janeiro de 2011. p. 71-85 
  5. «Ano Centenário dos Caminhos de Ferro Portugueses» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 69 (1652). 16 de Outubro de 1956. p. 533-534. Consultado em 24 de Julho de 2018 
  6. ABRAGÃO, Frederico de Quadros (16 de Agosto de 1956). «No Centenário dos Caminhos de Ferro em Portugal: Algumas notas sobre a sua história» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 69 (1648). p. 375-382. Consultado em 24 de Julho de 2018 
  7. TORRES, Carlos Manitto (1 de Janeiro de 1958). «A evolução das linhas portuguesas e o seu significado ferroviário» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 70 (1681). p. 9-12. Consultado em 16 de Fevereiro de 2014 
  8. SABEL (16 de Fevereiro de 1936). «Ecos e Comentários» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 48 (1156). p. 117. Consultado em 13 de Junho de 2015 
  9. NONO, Carlos (1 de Março de 1950). «Efemérides ferroviárias» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 62 (1493). p. 858-859. Consultado em 9 de Novembro de 2014 
  10. NONO, Carlos (1 de Maio de 1950). «Efemérides ferroviárias» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 63 (1497). p. 113-114. Consultado em 13 de Junho de 2015 
  11. LOUREIRO, João Mimoso (Outubro de 2009). As Grandes Cheias. Rio Tejo: As Grandes Cheias 1800 – 2007. Col: Tágides. Volume 1. Lisboa: Administração da Região Hidrográfica do Tejo. p. 16. ISBN 978-989-96162-0-2 
  12. «Efemérides» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 51 (1227). 1 de Fevereiro de 1939. p. 111-114. Consultado em 16 de Fevereiro de 2014 
  13. «Serviço de Diligencias». Guia official dos caminhos de ferro de Portugal. 39 (168). Outubro de 1913. p. 152-155. Consultado em 10 de Fevereiro de 2018 
  14. MARTINS et al, 1996:131
  15. «Os Nossos Caminhos de Ferro em 1935» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 48 (1154). 16 de Janeiro de 1936. p. 52-55. Consultado em 5 de Setembro de 2013 
  16. NUNES, José de Sousa (16 de Junho de 1949). «A Via e Obras nos Caminhos de Ferro em Portugal» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 62 (1476). p. 418-422. Consultado em 13 de Junho de 2015 
  17. PEREIRA, 1995:419
  18. «Electrificação das linhas de Sintra e do Norte» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 68 (1614). 16 de Março de 1955. p. 39-42. Consultado em 24 de Julho de 2018 
  19. REIS et al, 2006:150

BibliografiaEditar

  • MARTINS, João; BRION, Madalena; SOUSA, Miguel de; et al. (1996). O Caminho de Ferro Revisitado. O Caminho de Ferro em Portugal de 1856 a 1996. Lisboa: Caminhos de Ferro Portugueses. 446 páginas 
  • ORTIGÃO, Ramalho (1986) [1890]. As Farpas. O País e a Sociedade Portuguesa. Volume 1 de 15. Lisboa: Clássica Editora. 276 páginas 
  • REIS, Francisco; GOMES, Rosa; GOMES, Gilberto; et al. (2006). Os Caminhos de Ferro Portugueses 1856-2006. Lisboa: CP-Comboios de Portugal e Público-Comunicação Social S. A. 238 páginas. ISBN 989-619-078-X 
  • PEREIRA, Paulo (1995). História da Arte Portuguesa. Volume 3 de 3. Barcelona: Círculo de Leitores. 695 páginas. ISBN 972-42-1225-4 
 
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Ligações externasEditar

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