Estação Ferroviária da Moita

estação ferroviária em Portugal

A Estação Ferroviária da Moita, igualmente conhecida como Moita do Ribatejo, é uma interface da Linha do Alentejo, que serve a localidade de Moita, no Distrito de Setúbal, em Portugal.

Moita
Plataformas na nova estação da Moita, em 2012.
Coordenadas:
38° 38′ 41,57″ N, 8° 59′ 47,51″ O
Concelho: bandeiraMoita
Linha(s): Linha do Alentejo (PK 8,137)
Serviços:
Estação anterior Comboios de Portugal Comboios de Portugal Estação seguinte
Penteado
P. Sado-A
  CP Lisboa
Linha do Sado
  Alhos Vedros
Barreiro

Conexões: 333 410
Equipamentos: Bilheteiras e/ou máquinas de venda de bilhetes Parque de estacionamento Elevadores Acesso para pessoas de mobilidade reduzida
Inauguração: 31 de Maio de 1858
Website:
Disambig grey.svg Nota: Este artigo é sobre a estação na Linha do Alentejo. Se procura o antigo apeadeiro na Linha da Beira Baixa, veja Apeadeiro de Moita do Norte.
Estação de Moita, em 2006, antes da demolição ordenada pela Refer.

DescriçãoEditar

ServiçosEditar

Esta estação é utilizada por serviços urbanos da Linha do Sado, assegurados pela operadora Comboios de Portugal.[1]

Edifício, vias e plataformasEditar

O edifício original da estação, demolido em 2008, apresentava uma configuração semelhante à de outras gares na margem Sul do Tejo, que foram alvo de um processo de remodelação na Década de 1930.[2] Um dos elementos mais destacados do edifício original eram os seus painéis de azulejos, formando desenhos geométricos em tons azuis, formando a letra M, correspondente à letra inicial do nome da estação.[2]

Em Janeiro de 2011, apresentava três vias de circulação, com 534 e 301 m de comprimento; as plataformas tinham todas 165 m de extensão, e 90 cm de altura.[3]

Localização e acessosEditar

Esta interface situa-se junto ao Largo da Estação, na localidade da Moita.[4][5]


 
Anúncio de 1873 para comboios especiais a preços reduzidos até à Moita, para uma tourada.

HistóriaEditar

Construção e inauguraçãoEditar

 Ver artigo principal: História da Linha do Alentejo

A estação da Moita foi instalada como parte do programa para a construção de uma ligação ferroviária desde o Barreiro até Setúbal e Vendas Novas, iniciado na Década de 1850 pela Companhia Nacional de Caminhos de Ferro ao Sul do Tejo.[6] As obras começaram em 1855, utilizando via férrea em Bitola Internacional (1,44 m), e em Maio desse ano o Jornal do Comércio noticiou que as terraplanagens já tinham sido feitas até à Moita.[6] Em 25 de Julho, o Conselho Superior de Obras Públicas e Minas emitiu um parecer onde aprovou a planta do traçado que iria ter a linha até Vendas Novas e o ramal até Setúbal, tendo descrito que a via férrea iria deixar «a Moita e os Pegões apenas a 1.500 metros de distância.[6] A estação de Moita situa-se no lanço entre o Barreiro e Bombel entrou ao serviço no dia 31 de Maio de 1858.[6] Porém, a inauguração oficial da linha férrea só se deu em 1 de Fevereiro de 1861, quando foi totalmente construída a via até Vendas Novas e Setúbal.[7] De acordo com uma reportagem publicada no periódico Arquivo Pitoresco, em 1863, a linha férrea até Vendas Novas tinha sido «pouco lucrativa», sendo um dos motivos a circunstância de servir «apenas as tres pequenas povoações do Lavradio, Alhos-Vedros e Moita.».[7]

Décadas de 1910 a 1950Editar

Em 1913, a estação era servida por carreiras de diligências até às povoações da Moita, Aldeia Galega do Ribatejo, Samouco e Alcochete.[8]

Em 1927, a Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses passou a explorar a rede ferroviária dos Caminhos de Ferro do Estado, que incluíam a Linha do Alentejo, tendo em seguida iniciado um grande programa para o desenvolvimento das antigas linhas estatais, incluindo na Moita.[9] Assim, nos princípios da Década de 1930 foi duplicada a linha férrea entre o Barreiro e o Pinhal, tendo a estação da Moita sido provavelmente remodelada como parte das obras.[2] Em 1933, a Comissão Administrativa do Fundo Especial aprovou a instalação de uma linha de saco,[10] e em 1934, foram modificadas as vias e a estação foi alvo de grandes obras de reparação.[11] Em 1939, a Companhia construiu abrigos de cimento armado em várias estações e apeadeiros suburbanos na margem Sul do Tejo, incluindo na Moita.[12]

Num edital publicado no Diário do Governo n.º 31, III Série, de 7 de Fevereiro de 1955, a Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses anunciou que tinha pedido autorização para estabelecer uma carreira de autocarros entre Évora e a Estação do Barreiro, servindo várias localidades pelo percurso, incluindo Moita.[13] Em 1968, estava planeada a instalação de uma linha férrea entre as margens Sul e Norte de Lisboa utilizando a ponte sobre o Tejo, que terminaria na estação da Moita, com ligações à Siderurgia Nacional no Seixal e aos estaleiros da Lisnave.[14]

Século XXIEditar

CP-USGL + CP-Reg + Soflusa + Fertagus
 
             
 
(n) Azambuja 
               
 Praias do Sado-A (u)
(n) Espadanal da Azambuja 
               
 Praça do Quebedo (u)
(n) Vila Nova da Rainha 
             
 Setúbal (u)
**(n) Carregado 
     
 
 
     
 Palmela (u)
(n) Castanheira do Ribatejo 
             
 Venda do Alcaide (u)
(n) Vila Franca de Xira 
       
 
 
 Pinhal Novo (u)(a)
(n) Alhandra 
             
 Penteado (a)
(n) Alverca   Moita (a)
(n) Póvoa   Alhos Vedros (a)
(n) Santa Iria   Baixa da Banheira (a)
(n) Bobadela   Lavradio (a)
(n) Sacavém   Barreiro-A (a)
(n) Moscavide   Barreiro (a)
(n) Oriente   (Soflusa)
(n)(z) Braço de Prata 
         
 
 
 Terreiro do Paço (a)
 
 
 
 
 
 
 
 
 Penalva (u)
(n)(ẍ) Santa Apolónia 
 
 
 
 
 
       
 Coina (u)
(z) Marvila 
 
         
 Fogueteiro (u)
(z) Roma-Areeiro 
           
 Foros de Amora (u)
(z) Entrecampos 
           
 Corroios (u)
(z)(7) Sete Rios 
           
 Pragal (u)
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Campolide (z)(s)(u)*
(s) Benfica   Rossio (s)
(s) Santa Cruz-Damaia   Cais do Sodré (c)
(s) Reboleira   Santos (c)
(z) Alcântara-Terra 
 
 
 
 
   
 Alcântara-Mar (c)
(s) Amadora   Belém (c)
(s) Queluz-Belas   Algés (c)
(s) Monte Abraão   Cruz Quebrada (c)
(s) Massamá-Barcarena   Caxias (c)
(s)(o) Agualva-Cacém   Paço de Arcos (c)
 
 
 
         
 Santo Amaro (c)
(o) Mira Sintra-Meleças   Rio de Mouro (s)
(s) Mercês   Oeiras (c)
(s) Algueirão - Mem Martins   Carcavelos (c)
(s) Portela de Sintra   Parede (c)
(s) Sintra   São Pedro Estoril (c)
(o) Telhal 
           
 São João Estoril (c)
(o) Sabugo 
           
 Estoril (c)
(o) Pedra Furada 
           
 Monte Estoril (c)
(o) Mafra 
           
 Cascais (c)
(o) Malveira 
   
 
   
 Jerumelo (o)**

2015-2019 []

Linhas: a L.ª Alentejoc L.ª Cascaiss L.ª Sintra C.ª X.
n L.ª Norteo L.ª Oestez L.ª Cinturau L.ª Sul7 C.ª 7 R.
(*) vd. Campolide-A   (**)   continua além z. tarif. Lisboa

(***) Na Linha do Norte (n): há diariamente dois comboios regionais nocturnos que param excepcionalmente em todas as estações e apeadeiros.
Fonte: Página oficial, 2020.06

Em 13 de Outubro de 2008, entrou em consulta pública o estudo de impacte ambiental sobre a Terceira Travessia do Tejo, que correspondia ao lanço de Moscavide a Moita, da planeada ligação ferroviária de alta velocidade.[15] Na Moita, a via férrea iria continuar até Montemor-o-Novo.[15] Também em 2008, a estação da Moita foi demolida pela Rede Ferroviária Nacional, no âmbito do programa de modernização deste lanço da Linha do Alentejo.[2] Esta decisão foi criticada pela Câmara Municipal da Moita numa carta aberta em Maio de 2010, tendo a autarquia considerado que a empresa não teve um comportamento adequado ao não dialogar no sentido da preservação do edifício para outros usos, e de não aproveitar a cedência prevista dos terrenos das oficinas e do antigo mercado municipal para construir a nova estação.[16]

Em Janeiro de 2010, um suicídio na estação do Lavradio levou a perturbações na circulação dos comboios entre o Barreiro e a Moita.[17] Em 17 de Dezembro de 2017, um homem morreu atropelado por um comboio perto da estação da Moita, levando a uma interrupção temporária na circulação ferroviária.[18]

Ver tambémEditar

 
O Commons possui uma categoria com imagens e outros ficheiros sobre a Estação da Moita

Referências

  1. «Comboios Urbanos > Lisboa - Praias do Sado A / Barreiro» (PDF). Comboios de Portugal. 11 de Setembro de 2016. Consultado em 20 de Agosto de 2017 
  2. a b c d QUEIRÓS et al, 2018:220
  3. «Linhas de Circulação e Plataformas de Embarque». Directório da Rede 2012. Rede Ferroviária Nacional. 6 de Janeiro de 2011. p. 71-85 
  4. «Moita». Comboios de Portugal. Consultado em 22 de Novembro de 2014 
  5. «Moita - Linha do Alentejo». Infraestruturas de Portugal. Consultado em 29 de Outubro de 2016 
  6. a b c d ABRAGÃO, Frederico de Quadros (1 de Junho de 1958). «No Centenário dos Caminhos de Ferro em Portugal: Algumas notas sobre a sua história» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 71 (1691). p. 275-278. Consultado em 19 de Março de 2021 – via Hemeroteca Digital de Lisboa 
  7. a b CALDEIRA, Carlos José (1863). «Caminho de Ferro do Sul». Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 6 (15). p. 113. Consultado em 19 de Março de 2021 – via Hemeroteca Digital de Lisboa 
  8. «Serviço de Diligencias». Guia official dos caminhos de ferro de Portugal. Ano 39 (168). Outubro de 1913. p. 152-155. Consultado em 10 de Fevereiro de 2018 – via Biblioteca Digital de Portugal 
  9. «Rêde do Sul e Sueste» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 47 (1127). 1 de Dezembro de 1934. p. 593-594. Consultado em 30 de Outubro de 2016 – via Hemeroteca Digital de Lisboa 
  10. «Direcção-Geral de Caminhos de Ferro» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 46 (1103). 1 de Dezembro de 1933. p. 623. Consultado em 15 de Dezembro de 2011 – via Hemeroteca Digital de Lisboa 
  11. «O que se fez nos Caminhos de Ferro Portugueses, durante o ano de 1934» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 47 (1130). 16 de Janeiro de 1935. p. 50-51. Consultado em 30 de Outubro de 2016 – via Hemeroteca Digital de Lisboa 
  12. «O que se fez em Caminhos de Ferro em 1938-39» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 52 (1266). 16 de Setembro de 1940. p. 638-639. Consultado em 22 de Agosto de 2019 – via Hemeroteca Digital de Lisboa 
  13. «Parte Oficial» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 67 (1612). 16 de Fevereiro de 1955. p. 461-462. Consultado em 30 de Outubro de 2016 – via Hemeroteca Digital de Lisboa 
  14. «Jornal do Mês» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 81 (1929). 16 de Setembro de 1968. p. 117-187. Consultado em 30 de Outubro de 2016 – via Hemeroteca Digital de Lisboa 
  15. a b «Terceira Travessia sobre o Tejo em consulta pública». Expresso. 13 de Outubro de 2008. Consultado em 22 de Agosto de 2019 
  16. «Câmara Municipal da Moita: Carta aberta ao Secretário de Estado dos Transportes. Superação dos problemas decorrentes das obras da linha férrea Barreiro - Praias do Sado». Rostos. 7 de Maio de 2010. Consultado em 22 de Agosto de 2019 
  17. «Ligações ferroviárias na Linha do Sado já estão normalizadas». Diário Digital. Janeiro de 2010. Consultado em 22 de Agosto de 2019 
  18. «Homem morre atropelado por comboio na Moita do Ribatejo». Diário de Notícias. 17 de Dezembro de 2017. Consultado em 22 de Agosto de 2019 

BibliografiaEditar

Leitura recomendadaEditar

  • SANTOS, Luís (1995). Os Acessos a Faro e aos Concelhos Limítrofes na Segunda Metade do Séc. XIX. Faro: Câmara Municipal de Faro. 213 páginas 

Ligações externasEditar


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