Estação Ferroviária de Agualva-Cacém

estação ferroviária em Portugal

A Estação Ferroviária de Agualva-Cacém, originalmente denominada de Cacem, é uma interface da Linha de Sintra da rede de comboios suburbanos de Lisboa que serve a cidade de Agualva-Cacém, no município de Sintra, em Portugal. Entrou ao serviço em 1887,[3] tendo conhecido importantes obras de expansão e modernização ao longo da sua história,[4] incluindo um edifício novo construído em 2013.[5] Atualmente[quando?] é das estações com maior número de passageiros de Lisboa e a nível nacional.[carece de fontes?]

Agualva-Cacém
BSicon BAHN.svg
Estação de Agualva-Cacém em 2020.
Identificação:[1] 61002 ACE (Agualv-Cacém)
Denominação: Estação Satélite de Agualva-Cacém
Classificação: ES (estação satélite)[2]
Coordenadas:
38° 45′ 59,59″ N, 9° 17′ 54,97″ O
Concelho: bandeiraSintra
Linha(s):
Coroa: 3
Serviços:
Estação anterior Comboios de Portugal Comboios de Portugal Estação seguinte
M.S.-Meleças
Leiria
Fig. Foz
  CP Regional   Sete Rios
Lisboa S.Ap.
M.S.-Meleças
terminal
  CP Lisboa
Linha de Sintra
  Massamá-Barc.
Rossio
Rio de Mouro
Sintra
   
    M.á-Barcarena
Oriente
Alverca

Conexões: 112 126 140 149 150 151 160 161 170 170A 170B 215 24F 448 463
Serviço de táxis
Equipamentos: Bilheteiras e/ou máquinas de venda de bilhetes Acesso para pessoas de mobilidade reduzida Lavabos
Inauguração:
Website:
Escultura erigida na estação do Cacém em 2013, com o logótipo da Refer, extinta em 2015.

DescriçãoEditar

LocalizaçãoEditar

Esta interface situa-se junto ao Largo da Estação, na localidade de Agualva-Cacém.[6]

 
Panorama das plataformas, em 2020, já com quatro vias.

Vias de circulação e plataformasEditar

Em Janeiro de 2011, contava com duas vias de circulação, com 273 e 297 m de comprimento; as plataformas tinham ambas 220 m de extensão e 90 cm de altura.[7]

A estação conta agora[quando?] com quatro vias de circulação, devido a modernização: No mês de Julho de 2013, estavam a ser concluídas as obras de construção do novo terminal rodoviário subterrâneo que veio substituir o terminal para o efeito situado à frente da estação.[carece de fontes?]

 
Gare de Cacém, em 1887.

HistóriaEditar

Século XIXEditar

O primeiro caminho de ferro a servir Cacém foi a Linha de Sintra do Larmanjat, um sistema ferroviário ligeiro que funcionou entre 1873[8] e 1877.[9]

Dez anos depois do fim do larmanjat, a ferrovia convencional chegava ao Cacém: Em 2 de Abril de 1887, entraram ao serviço os troços de Alcântara-Terra ao Cacém[3] e do Cacém a Sintra, pela Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses.[10] O primeiro troço da Linha do Oeste, desde o Cacém até Torres Vedras, entrou ao serviço em 21 de Maio do mesmo ano, tendo sido igualmente construído pela Companhia Real[10], embora só tenha sido inaugurado no dia 25 de Maio.[11] Nos horários de 1891, surgia com a denominação de Cacem.[12]

Em 1895, a via foi duplicada entre Campolide e o Cacém.[13]

Século XXEditar

 
Anúncio de 1902 da Companhia Real, para bilhetes a preços reduzidos na Linha de Sintra. Esta estação aparece com a designação original, Cacem.

Décadas de 1920 e 1930Editar

Em finais de 1922, foi concluída a renovação de via entre esta estação e Torres Vedras.[14]

Esta interface foi premiada com o quarto prémio, no concurso do ajardinamento da Linha de Sintra de 1936.[15]

 
Antiga gare de mercadorias e armazém de víveres, em 2007, pouco antes da sua demolição.

Em 1937, foi projectado o armazém de víveres nesta estação, baseado num modelo do arquitecto Cottinelli Telmo.[16] Este edifício foi construído em 1938.[17]

Década de 1940Editar

Em 1941, foi ampliado o armazém de víveres.[16]

Em 17 de Junho de 1948, a Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses organizou um comboio especial entre o Rossio e Sintra, com paragem no Cacém, para experimentar as novas carruagens Schindler.[18]

Em 24 de Abril de 1948, deu-se uma colisão entre dois comboios no Cacém; o comboio n.º 202 estava a estacionar quando foi abalroado por uma locomotiva em manobras, provocando graves prejuízos materiais.[3] Nesse mês, já estavam prontas as terraplanagens no troço entre o Cacém e Sintra, para a futura duplicação da via.[19] A via foi duplicada entre Mercês e Agualva-Cacém em 17 de Outubro de 1948,[20] tendo a linha sido totalmente duplicada em 20 de Janeiro de 1949.[21] Para este projecto, foi necessária a ampliação da Passagem Inferior do Cacém.[22]

Décadas de 1950 e 1960Editar

Entre as Décadas de 1950 e 1960, a Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses executou um projecto de modernização da Linha de Sintra, que incluiu a electrificação da via e a introdução de novos sistemas de sinalização e de controlo da circulação; no caso do Cacém, foram instaladas agulhas motorizadas e encravamentos a relés do tipo Siemens DRS.[23]

Um diploma do Ministério das Comunicações, publicado no Diário do Governo n.º 294, II Série, de 21 de Dezembro de 1955, aprovou o projecto da Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses para a ampliação e modificação da estação do Cacém, tendo para isso ordenado a expropriação de duas parcelas de terreno entre os PK 17,262.68 e 17,393.50 da Linha do Oeste (ou seja: da Linha de Sintra), do lado direito.[24]

Na Gazeta dos Caminhos de Ferro de 16 de Outubro de 1956, foi publicada uma nota de imprensa do presidente do Conselho de Administração da Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses, Mário de Figueiredo, onde relatou que devido a problemas com a entrega do material circulante, não seria possível fazer a inauguração da tracção eléctrica no dia 28 de Outubro, como estava planeado, e explicou como seria feita a organização dos serviços de passageiros após a electrificação da Linha de Sintra: unidades triplas fariam os comboios rápidos até Sintra, que só teriam paragens além do Cacém, completando o percurso em 29 minutos, enquanto que os ómnibus, feito pelas mesmas unidades, contavam com paragens intermédias e teriam uma duração de 38 a 42 minutos.[25] Seriam também criados comboios rápidos até à Amadora e Queluz, e seriam mantidos os outros serviços mais lentos e com mais paragens.[25] Em 28 de Abril de 1957, foi inaugurada a tracção eléctrica na Linha de Sintra. [26]

Em 16 de Agosto de 1968 a Gazeta dos Caminhos de Ferro noticiou que o troço entre Cacém e Caldas da Rainha iria ser parcialmente renovado, no âmbito de um programa de remodelação de via da Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses.[27]

Década de 1990Editar

Na Década de 1990, o Gabinete do Nó Ferroviário de Lisboa iniciou um novo programa de modernização da Linha de Sintra, que incluiu a instalação de novos sistemas de sinalização, a remodelação das estações, e a quadruplicação do troço entre Campolide e o Cacém.[28]

Em 1992, entraram ao serviço novas automotoras quádruplas eléctricas, no lanço entre Campolide e Cacém.[29]

Em 1996, estava em curso a primeira fase de execução da sinalização no lanço entre Campolide e Cacém, incluindo a via quádrupla, tendo sido seleccionada uma solução electrónica do tipo ESTW L 90.[30] Nessa altura, previa-se que as obras de quadruplicação até Cacém seriam terminadas entre 2000 e 2001.[31] Também estava prevista a construção de uma nova gare ferroviária nas Mercês, o que permitiria a criação de uma nova família de comboios com origem nesta estação, aumentando a oferta no lanço até ao Cacém.[31]

 
Murais na barreira sonora instalada junto à estação em 2009

Em 2000, foram postas ao serviço automotoras de dois pisos, no percurso entre Cacém e Alverca.[32]

Século XXIEditar

Em 1 de Abril de 2002, noticiou-se que a operadora Comboios de Portugal iria repor os comboios Intercidades na Linha do Oeste no Verão, sendo uma das paragens previstas na estação do Cacém.[33]

 
Painel de azulejos na estação nova

Em 28 de Novembro de 2002, um funcionário da estação do Cacém foi assaltado, tendo sido roubadas duas malas com 150 euros e senhas de passes sociais ao montante de cerca de 65 mil euros.[34]

ModernizaçãoEditar

 
Entrada do lado sul, pela R. Elias Garcia.

Em Junho de 2007, a Rede Ferroviária Nacional estava a planear a realização de obras desde Novembro daquele ano até finais de 2011, relativas à quadruplicação da Linha de Sintra entre os quilómetros 13,750 e 18,200, e à remodelação das estações do Cacém e Massamá-Barcarena.[35] No entanto, em Novembro de 2007, o início dos trabalhos já tinha sido atrasado para Janeiro de 2008, mantendo-se a previsão de Novembro de 2011 como fim das obras.[36] A intervenção na Estação Ferroviária do Cacém incluía a construção de duas passagens inferiores, uma rodoviária e outra pedonal, um silo automóvel, uma nova interface para transportes públicos, e a reorganização dos ruas de acesso à nova estação; com estas obras, esperava-se uma optimização do serviço prestado, uma maior intermodalidade entre os transportes, e o aumento das condições de segurança.[36]

 
Interface com os transportes rodoviários, no subsolo sob o Largo da Estação.

Em Março de 2010, os comerciantes com estabelecimentos no Largo da Estação queixaram-se de terem sofrido grandes quebras no movimento, uma vez que o acesso à nova gare tinha deixado de se fazer por aquele lado, passando a ser realizado pela Rua Elias Garcia; previa-se que só após a conclusão das obras, em 2011, é que o Largo voltaria a ter acesso à gare.[37] No entanto, a nova estação só foi inaugurada em 6 de Maio de 2013, numa cerimónia que teve a presença do Secretário de Estado das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, Sérgio Silva Monteiro.[5]

Ver tambémEditar

CP-USGL + CP-Reg + Soflusa + Fertagus
(Serviços ferroviários suburbanos de passageiros na Grande Lisboa)
Serviços:   Cascais (CP)  Sintra (CP)  Azambuja (CP)
  Sado (CP+Soflusa)  CP Regional (R+IR)  Fertagus
 
             
 
(n) Azambuja 
               
 Praias do Sado-A (u)
(n) Espadanal da Azambuja 
               
 Praça do Quebedo (u)
(n) Vila Nova da Rainha 
             
 Setúbal (u)
**(n) Carregado 
     
 
 
     
 Palmela (u)
(n) Castanheira do Ribatejo 
             
 Venda do Alcaide (u)
(n) Vila Franca de Xira 
       
 
 
 Pinhal Novo (u)(a)
(n) Alhandra 
             
 Penteado (a)
(n) Alverca 
               
 Moita (a)
(n) Póvoa 
               
 Alhos Vedros (a)
(n) Santa Iria 
               
 Baixa da Banheira (a)
(n) Bobadela 
               
 Lavradio (a)
(n) Sacavém 
               
 Barreiro-A (a)
(n) Moscavide 
               
 Barreiro (a)
(n) Oriente 
           
 (Soflusa)
(n)(z) Braço de Prata 
         
 
 
 Terreiro do Paço (a)
 
 
 
 
 
 
 
 
 Penalva (u)
(n)(ẍ) Santa Apolónia 
 
 
 
 
 
       
 Coina (u)
(z) Marvila 
 
         
 Fogueteiro (u)
(z) Roma-Areeiro 
           
 Foros de Amora (u)
(z) Entrecampos 
           
 Corroios (u)
(z)(7) Sete Rios 
           
 Pragal (u)
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Campolide (z)(s)(u)*
(s) Benfica 
             
 Rossio (s)
(s) Santa Cruz-Damaia 
             
 Cais do Sodré (c)
(s) Reboleira 
             
 Santos (c)
(z) Alcântara-Terra 
 
 
 
 
   
 Alcântara-Mar (c)
(s) Amadora 
               
 Belém (c)
(s) Queluz-Belas 
               
 Algés (c)
(s) Monte Abraão 
               
 Cruz Quebrada (c)
(s) Massamá-Barcarena 
               
 Caxias (c)
(s)(o) Agualva-Cacém 
               
 Paço de Arcos (c)
 
 
 
         
 Santo Amaro (c)
(o) Mira Sintra-Meleças 
               
 Rio de Mouro (s)
(s) Mercês 
             
 Oeiras (c)
(s) Algueirão - Mem Martins 
             
 Carcavelos (c)
(s) Portela de Sintra 
             
 Parede (c)
(s) Sintra 
             
 São Pedro Estoril (c)
(o) Telhal 
           
 São João Estoril (c)
(o) Sabugo 
           
 Estoril (c)
(o) Pedra Furada 
           
 Monte Estoril (c)
(o) Mafra 
           
 Cascais (c)
(o) Malveira 
   
 
   
 Jerumelo (o)**

2015-2019 []

Linhas: a L.ª Alentejoc L.ª Cascaiss L.ª Sintra C.ª X.
n L.ª Norteo L.ª Oestez L.ª Cinturau L.ª Sul7 C.ª 7 R.
(*) vd. Campolide-A   (**)   continua além z. tarif. Lisboa

Fonte: Página oficial, 2020.06

Referências

  1. (I.E.T. 50/56) 56.º Aditamento à Instrução de Exploração Técnica N.º 50 : Rede Ferroviária Nacional. IMTT, 2011.10.20
  2. Instrução de exploração técnica nº 2 : Índice dos textos regulamentares em vigor. IMTT, 2012.11.06
  3. a b c NONO, Carlos (1 de Abril de 1950). «Efemérides ferroviárias» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 63 (1495). p. 71-72. Consultado em 15 de Setembro de 2014 
  4. MARTINS et al, 1996:266
  5. a b «Inauguração da Estação de Agualva-Cacém». Rede Ferroviária Nacional. 6 de Maio de 2013. Consultado em 5 de Fevereiro de 2017. Cópia arquivada em 9 de junho de 2013 
  6. «Agualva-Cacém». Comboios de Portugal. Consultado em 12 de Novembro de 2014 
  7. «Linhas de Circulação e Plataformas de Embarque». Directório da Rede 2012. Rede Ferroviária Nacional. 6 de Janeiro de 2011. p. 71-85 
  8. BIVAR, Carlos (1 de Maio de 1947). «A Companhia Tramway a Vapor Lisboa - Sintra (Larmanjat)» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 59 (1425). p. 89-90. Consultado em 21 de Fevereiro de 2015 
  9. «Uma estação de comboios em Vila Franca do Rosário?». Junta de Freguesia de Vila Franca do Rosário. Consultado em 5 de Fevereiro de 2017. Cópia arquivada em 16 de abril de 2015 
  10. a b TORRES, Carlos Manitto (16 de Janeiro de 1958). «A evolução das linhas portuguesas e o seu significado ferroviário» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 70 (1682). p. 61-64. Consultado em 3 de Março de 2014 
  11. NONO, Carlos (1 de Maio de 1949). «Efemérides ferroviárias» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 62 (1473). p. 289-290. Consultado em 2 de Junho de 2014 
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  36. a b «Principais intervenções programadas». Directório da Rede 2008. Rede Ferroviária Nacional. 15 de Novembro de 2007. p. 93-107 
  37. «Agualva-Cacém: obras na estação afetam pequeno comércio». Dinheiro Digital. 3 de Março de 2010. Consultado em 16 de Setembro de 2014 

BibliografiaEditar

  • MARTINS, João; BRION, Madalena; SOUSA, Miguel; et al. (1996). O Caminho de Ferro Revisitado: O Caminho de Ferro em Portugal de 1856 a 1996. Lisboa: Caminhos de Ferro Portugueses. 446 páginas 
  • REIS, Francisco; GOMES, Rosa; GOMES, Gilberto; et al. (2006). Os Caminhos de Ferro Portugueses 1856-2006. Lisboa: CP-Comboios de Portugal e Público-Comunicação Social S. A. 238 páginas. ISBN 989-619-078-X 
 
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Ligações externasEditar