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Estação Ferroviária de Alcácer do Sal

estação ferroviária em Portugal
Alcácer do Sal
Estação de Alcácer do Sal, em 2001.
Inauguração 25 de Maio de 1920
Linha(s) Linha do Sul (PK 78,247)
Coordenadas 38° 22′ 22,34″ N, 8° 31′ 29,8″ O
Concelho Alcácer do Sal
Serviços Ferroviários
Horários em tempo real
Serviços Acesso para pessoas de mobilidade reduzida

A Estação Ferroviária de Alcácer do Sal é uma interface da Linha do Sul, que servia a localidade de Alcácer do Sal, no Distrito de Setúbal, em Portugal. Entrou ao serviço em 25 de Maio de 1920[1] e foi encerrada aos serviços de passageiros no dia 1 de Dezembro de 2011.[2]

Vista de rua da estação.

CaracterizaçãoEditar

Vias e plataformasEditar

Em Janeiro de 2011, a estação ferroviária de Alcácer do Sal dispunha de duas vias de circulação, com 621 e 586 m de comprimento; as plataformas tinham ambas 120 m de extensão, e apresentavam 40 e 35 cm de altura.[3]

Localização e acessosEditar

O acesso rodoviário à gare é realizado através do Largo da Estação Ferroviária, situado nas proximidades da localidade de Alcácer do Sal.[4]

 
Vista da estação em 2009, com a torre de água.

HistóriaEditar

AntecedentesEditar

Até cerca de meados do Século XIX, o transporte rodoviário em Portugal foi muito deficiente, sendo preferencialmente utilizados os transportes marítimo e fluvial, quando era possível.[5] Até ao desenvolvimento da rede ferroviária no Sul do país, Alcácer do Sal era um dos principais portos na região e um ponto de convergência das estradas, sendo o local onde se fazia o transbordo de passageiros e mercadorias para os barcos com destino e origem em Lisboa.[5][6] Por exemplo, a chamada Rota do Trigo ligava Évora a Alcácer do Sal, sendo o transporte de cereais feito por carros de tracção animal, que eram muito lentos.[5]

Em 1844, o Ministro da Fazenda, João Gualberto de Oliveira, sugeriu que o traçado por terra, desde o Alentejo até Alcácer, fosse substituído por um caminho de ferro[5], defendendo que seria a única linha em Portugal que poderia ter algum lucro.[7][8]

Em 1894, existia uma carreira de diligências desde Santiago do Cacém até à Estação de Poceirão, que passava por Alcácer do Sal.[9]

 
Comboio Alfa Pendular na Estação de Alcácer, em 2008.

Planeamento, construção e inauguraçãoEditar

No Plano da Rêde ao Sul do Tejo, documento de 6 de Outubro de 1898 que devia orientar todos os projectos ferroviários nesta região, estava prevista a construção da Linha do Vale do Sado, com uma estação para servir Alcácer do Sal.[10] Nessa altura, foi organizado um inquérito administrativo, para a apreciação do público sobre os projectos ferroviários dos Planos das Redes Complementares ao Norte do Mondego e Sul do Tejo; entre os projectos listados, estava a Linha do Valle do Sado, ligando Setúbal a Garvão, passando por Grândola e Alcácer do Sal.[11] Em Junho de 1918, previa-se que a linha entre Grândola e Alcácer do Sal seria aberto ainda nesse ano.[12] Com efeito, este troço abriu no dia 14 de Julho de 1918, tendo a primeira estação a servir esta localidade sido um edifício provisório na margem Sul do Rio Sado[1], denominado de Alcácer - Sul.[13]

O concurso público para a estação definitiva foi aberto em 16 de Janeiro de 1917, pelos Caminhos de Ferro do Estado[14], tendo sido inaugurada em 25 de Maio de 1920, junto com o troço até Setúbal.[1] Porém, a ligação entre as duas margens do Sado era feita através de uma ponte provisória, que com grandes restrições à passagem dos comboios, tendo a ponte definitiva sido inaugurada em 1 de Junho de 1925, completando a Linha do Sado.[1][15]

 
Estação de Alcácer durante a noite, em 2010.

Ligações propostas a Vendas Novas e Casa BrancaEditar

No Plano Geral da Rede Ferroviária, publicado pelo Decreto n.º 18.190, de 28 de Março de 1930, estavam incluídas os projectos para duas novas ligações ferroviárias a Alcácer do Sal; a primeira, denominada de Transversal de Santa Susana, devia terminar em Casa Branca, e servir as Minas de carvão de Santa Susana.[16][17][18] A segunda linha, com o nome de Transversal de Vendas Novas, seria uma continuação da Linha de Vendas Novas até Alcácer do Sal.[18] Este caminho de ferro, proposto em 1928 pela Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses, possibilitaria a ligação directa entre o Algarve e a Linha do Norte.[16]

 
Estação de Alcácer do Sal em 2008, mostrando à esquerda os antigos armazéns de cereais.

Expansão da estaçãoEditar

Em finais de 1926, a comissão administrativa da Câmara Municipal de Alcácer do Sal pediu ao Conselho de Administração dos Caminhos de Ferro do Estado para que esta lhe entregasse a estrada de acesso à estação.[19]

Em 1933, a Comissão Administrativa do Fundo Especial de Caminhos de Ferro aprovou obras para o abastecimento de água[20] e a instalação de uma báscula de 40 t nesta estação.[21] Um diploma do Ministério das Obras Públicas e Comunicações, publicado no Diário do Governo n.º 270, II Série, de 18 de Novembro de 1937, ordenou que o condutor Caetano Alberto da Cruz Jorge Alberto, da Direcção-Geral de Caminhos de Ferro, outorgasse em nome do ministro na escritura de venda de uma parcela de terreno no interior da estação de Alcácer do Sal, para ser utilizada pela Federação Nacional dos Produtores de Trigo.[22]

 
Comboio Intercidades na Estação de Alcácer, em 2010.

Século XXIEditar

Abertura da Variante de AlcácerEditar

Em 19 de Dezembro de 2010, foi inaugurada a Variante de Alcácer[23], um desvio no traçado da Linha do Sul que melhorou as ligações ferroviárias ao Porto de Sines e permitiu um aumento da velocidade dos comboios.[24] Este troço já tinha sido aberto provisoriamente em 28 de Outubro[25], devido a um descarrilamento que provocou a interrupção do tráfego em Alcácer do Sal.[23] Os comboios de passageiros regionais e Intercidades iriam continuar a utilizar o antigo troço, de forma a servir as mesmas paragens, incluindo a estação de Alcácer do Sal.[25]

 
Estação de Alcácer do Sal, em 2011.

Suspensão dos serviçosEditar

Em 1 de Dezembro de 2011, a empresa Comboios de Portugal suspendeu os comboios Regionais entre Setúbal e Tunes, e retirou as paragens dos comboios Intercidades em Alcácer do Sal, alegando que esta medida iria «gerar condições de atractividade e sustentabilidade do transporte ferroviário».[26] Desta forma, a estação de Alcácer do Sal deixou de ser utilizada por serviços de passageiros, forçando os habitantes a se deslocar até às estações de Grândola ou Setúbal para ter acesso aos comboios.[2] A estação de Alcácer do Sal foi apenas uma de várias a ficar sem comboios de passageiros no Distrito de Setúbal, num quadro de concentração dos serviços que a operadora Comboios de Portugal iniciou após a modernização da Linha do Sul.[26] Esta decisão foi duramente criticada pela oposição, que a apontou como um exemplo da falta de interesse por falta do governo no desenvolvimento da região.[26] Com efeito, em Janeiro de 2012 o Bloco de Esquerda apresentou na Assembleia da República um projecto de resolução para que fossem repostos os serviços regionais, e anuladas as alterações no percurso dos comboios Intercidades.[26] A Câmara Municipal de Alcácer do Sal também protestou contra esta decisão, tendo enviado um baixo-assinado ao governo em Março, exigindo que a cidade voltasse a ser servida pelos comboios.[2][27] Nesta altura, a estação tinha sofrido recentemente obras de remodelação e modernização, num valor superior a 12 milhões de euros.[28]

Ver tambémEditar

Referências

  1. a b c d TORRES, Carlos Manitto (16 de Fevereiro de 1958). «A evolução das linhas portuguesas e o seu significado ferroviário» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 70 (1684). p. 91-95. Consultado em 4 de Março de 2014 – via Hemeroteca Municipal de Lisboa 
  2. a b c «Serviço ferroviário de passageiros - Município de Alcácer do Sal entrega abaixo-assinado». Diário Online. 6 de Março de 2012. Consultado em 10 de Fevereiro de 2015 
  3. «Linhas de Circulação e Plataformas de Embarque». Directório da Rede 2012. Rede Ferroviária Nacional. 6 de Janeiro de 2011. p. 71-85 
  4. «Alcácer do Sal - Linha do Sul». Infraestruturas de Portugal. Consultado em 29 de Junho de 2015 
  5. a b c d SERRÃO, 1985:447-449
  6. SANTOS, 1995:47-48
  7. AGUILAR, Busquets de (1 de Junho de 1949). «A Evolução História dos Transportes Terrestres em Portugal» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 62 (1475). p. 383-393. Consultado em 23 de Outubro de 2014 – via Hemeroteca Municipal de Lisboa 
  8. ABRAGÃO, Frederico (1 de Janeiro de 1953). «A ligação de Lisboa com o Porto por Caminho de Ferro» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 65 (1561). p. 393-400. Consultado em 10 de Fevereiro de 2015 – via Hemeroteca Municipal de Lisboa 
  9. SILVA, 1992:164
  10. SOUSA, José Fernando de (16 de Outubro de 1903). «A Linha do Sado» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 16 (380). p. 345. Consultado em 16 de Julho de 2010 – via Hemeroteca Municipal de Lisboa 
  11. «Há 50 anos» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 61 (1466). 16 de Janeiro de 1949. p. 112. Consultado em 10 de Fevereiro de 2015 – via Hemeroteca Municipal de Lisboa 
  12. «Efemérides» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 51 (1232). 16 de Abril de 1939. p. 221-223. Consultado em 4 de Março de 2014 – via Hemeroteca Municipal de Lisboa 
  13. «Troços de linhas férreas portuguesas abertas à exploração desde 1856, e a sua extensão» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 69 (1652). 16 de Outubro de 1956. p. 528-530. Consultado em 4 de Março de 2014 – via Hemeroteca Municipal de Lisboa 
  14. «Arrematações» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 30 (698). 16 de Janeiro de 1917. p. 31. Consultado em 4 de Março de 2014 – via Hemeroteca Municipal de Lisboa 
  15. REIS et al, 2006:62
  16. a b «Efemérides» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 51 (1235). 1 de Junho de 1939. p. 281-284. Consultado em 4 de Março de 2014 – via Hemeroteca Municipal de Lisboa 
  17. «Os caminhos de ferro e a camionagem» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 52 (1249). 1 de Janeiro de 1940. p. 33-34. Consultado em 26 de Março de 2014 – via Hemeroteca Municipal de Lisboa 
  18. a b PORTUGAL. Decreto n.º 18.190, de 28 de Março de 1930. Ministério do Comércio e Comunicações - Direcção Geral de Caminhos de Ferro - Divisão Central e de Estudos - Secção de Expediente, Publicado no Diário do Governo n.º 83, Série I, de 10 de Abril de 1930.
  19. «Linhas Portuguesas» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 39 (934). 16 de Novembro de 1926. p. 335. Consultado em 16 de Julho de 2010 – via Hemeroteca Municipal de Lisboa 
  20. «Direcção Geral de Caminhos de Ferro» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 46 (1102). 16 de Novembro de 1933. p. 602. Consultado em 16 de Julho de 2010 – via Hemeroteca Municipal de Lisboa 
  21. «Direcção Geral de Caminhos de Ferro» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 47 (1105). 1 de Janeiro de 1934. p. 29. Consultado em 16 de Julho de 2010 – via Hemeroteca Municipal de Lisboa 
  22. «Parte Oficial» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 49 (1199). 1 de Dezembro de 1937. p. 568. Consultado em 1 de Setembro de 2013 – via Hemeroteca Municipal de Lisboa 
  23. a b CIPRIANO, Carlos (21 de Dezembro de 2010). «Comboio vazio para inauguração de variante ferroviária». Público. Consultado em 10 de Fevereiro de 2015 
  24. PALMA - FERREIRA, J. F. (17 de Setembro de 2010). «Nova ponte ferroviária no Sado aproxima Sines e Madrid». Expresso. Consultado em 10 de Fevereiro de 2015 
  25. a b LINO, Mário (17 de Novembro de 2010). «Alfa Pendular mais rápido para o Algarve». Expresso. Consultado em 10 de Fevereiro de 2015 
  26. a b c d «BE exige reposição das paragens do Intercidades em Setúbal e Alcácer do Sal». Rostos. 5 de Janeiro de 2012. Consultado em 10 de Fevereiro de 2015 
  27. «Município de Alcácer do Sal Resiste na luta pelo serviço ferroviário de passageiros». Rostos. 9 de Abril de 2012. Consultado em 10 de Fevereiro de 2015 
  28. «Comboios intercidades em Setúbal e Alcácer do Sal: ação pública de protesto». Rostos. 9 de Fevereiro de 2012. Consultado em 10 de Fevereiro de 2015 

BibliografiaEditar

  • REIS, Francisco; GOMES, Rosa; GOMES, Gilberto; et al. (2006). Os Caminhos de Ferro Portugueses 1856-2006. Lisboa: CP - Comboios de Portugal e Público - Comunicação Social S. A. 238 páginas. ISBN 989-619-078-X 
  • SANTOS, Luís Filipe Rosa (1995). Os Acessos a Faro e aos Concelhos Limítrofes na Segunda Metade do Séc. XIX. Faro: Câmara Municipal de Faro. 213 páginas 
  • SERRÃO, Joel (1985). Dicionário de História de Portugal. Volume 1. Porto: Livraria Figueirinhas. 520 páginas 
  • SILVA, Manuel João da (1992). Toponímia das Ruas de Santiago do Cacém. Breve História. Santiago do Cacém: Câmara Municipal. 207 páginas. ISBN 972-95159-4-8 
 
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Leitura recomendadaEditar

  • MEDEIROS, Carlos Russo; et al. (2010). Variante de Alcácer. Lisboa: Rede Ferroviária Nacional. 191 páginas. ISBN 978-972-98557-8-8 

Ligações externasEditar