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Estação Ferroviária de Coimbra-B

estação ferroviária em Portugal
Coimbra - B IPcomboio2.jpg
Estação de Coimbra-B, em 2017.
Inauguração 10 de Abril de 1864
Linha(s) Linha do Norte
(PK 217,294)
Ramal da Lousã
(PK 0,0)
Coordenadas 40° 13′ 30,74″ N, 8° 26′ 26,51″ O
Concelho Coimbra
Serviços Ferroviários Logo CP 2.svgBSicon LSTR blue.svgAPBSicon LSTR green.svgICBSicon LSTR orange.svgRBSicon LSTR red.svgIRBSicon LSTR pink.svgSEBSicon LSTR yellow.svgUBSicon LSTR brown.svgLCH
Serviços Ligação a autocarros Serviço de táxis Bilheteiras e/ou máquinas de venda de bilhetes Posto de perdidos e achados
Informações - Gabinete de Apoio ao Cliente Sala de espera Caixas de correio Telefones públicos Caixas Multibanco
Acesso para pessoas de mobilidade reduzida Parque de estacionamento Lavabos adaptados Lavabos Aluguer de automóveis Bar ou cafetaria


Logos IP.png
BSicon CONTfa grey.svg
BSicon HST grey.svgAdémia (Sentido Porto)
BSicon BHF grey.svgCoimbra - B
BSicon eABZgl grey.svgBSicon exCONTfq grey.svgCoimbra (Sentido Coimbra)
BSicon HST grey.svgBencanta (Sentido Lisboa)
BSicon CONTf grey.svg

Disambig grey.svg Nota: Este artigo é sobre a estação na Linha do Norte. Para a estação central de Coimbra, no Ramal da Lousã, veja Estação Ferroviária de Coimbra.

A Estação Ferroviária de Coimbra-B, originalmente denominada apenas de Coimbra, e popularmente chamada Estação Velha, é uma plataforma de caminho de ferro da Linha do Norte e do Ramal da Lousã, que se localiza na cidade e no concelho de Coimbra, em Portugal. A construção de uma gare ferroviária na Linha do Norte que servisse a cidade de Coimbra foi considerada prioritária durante o planeamento da linha [1], tendo sido inaugurada em 10 de Abril de 1864.[2] É uma das duas estações principais na cidade, sendo a outra a estação de Coimbra ou Coimbra-A, situada no centro urbano.[3] O ramal entre estas duas estações entrou ao serviço em 18 de Outubro de 1885.[4]

Índice

Gare de Coimbra-B, em 2013.

CaracterizaçãoEditar

Localização e acessosEditar

Situa-se junto à Rua do Padrão, na freguesia de Eiras, concelho de Coimbra.[5]

A cidade de Coimbra é um dos principais centros urbanos servidos pela Linha do Norte, sendo um dos três pólos de comboios suburbanos naquele eixo.[6]

Descrição físicaEditar

Segundo o Directório da Rede 2012, publicado pela Rede Ferroviária Nacional em 6 de Janeiro de 2011, a estação de Coimbra B contava com cinco vias de circulação, com comprimentos entre os 400 e 240 m; as gares tinham 223 a 297 m de extensão e 45 a 95 cm de altura.[7]

HistóriaEditar

 Ver artigo principal: História da Linha do Norte

AntecedentesEditar

Na década de 1840, o governo de Costa Cabral iniciou o primeiro impulso para o desenvolvimento dos transportes em Portugal, tendo uma empresa britânica apresentado, em 1845, várias propostas para linhas férreas em Portugal, incluindo uma de Alhandra ao Porto, passando por Coimbra.[8]

PlaneamentoEditar

Posteriormente reiniciou-se o planeamento dos caminhos de ferro em território nacional, tendo-se novamente dado primazia às linhas que ligassem a capital ao Porto e à fronteira com Espanha.[9] No caso da Linha do Norte, que deveria ligar as duas principais cidades no país, Coimbra foi considerada como um ponto intermédio essencial, devido à sua importante posição como um centro económico, judiciário e administrativo, tendo o traçado da linha sido alterado de forma a melhor servir a cidade.[9]

 
Horario das Linhas do Norte e Leste em 1876, incluindo a estação de Coimbra.

InauguraçãoEditar

Esta interface entrou ao serviço no dia 10 de Abril de 1864, com a denominação de Coimbra, como parte do lanço da Linha do Norte entre Estarreja e Taveiro.[10][2]

Após a inauguração, começaram a ser realizados serviços mistos, ligando Coimbra a Vila Nova de Gaia e Taveiro.[10]

Planeamento e construção do Ramal de CoimbraEditar

Inicialmente, a Linha da Beira Alta foi planeada de forma a iniciar-se na estação de Coimbra, tendo os primeiros estudos, por Boaventura Vieira, feito a via férrea seguir pelo vale de Coselhas, passar a Portela de Santo António num túnel e depois continuar na direcção de Santa Comba Dão.[9] Posteriormente, o engenheiro Francisco Maria de Sousa Brandão elaborou um novo traçado, que fazia a linha sair em reversão da estação de Coimbra, e seguir depois para Miranda do Corvo.[9] Embora desta forma a construção da linha fosse mais dispendiosa, iria melhorar as ligações entre Coimbra e a Beira Alta, reforçando a sua importância como um centro regional.[9] Assim, uma lei de 26 de Janeiro de 1876 confirmou o início da Linha da Beira Alta na estação de Coimbra, mas devido a vários problemas com este traçado, o ponto de entroncamento com a Linha do Norte foi modificado para a Pampilhosa por uma lei de 23 de Março de 1878.[2] Em compensação, a empresa responsável pela construção daquela via férrea, a Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses da Beira Alta, deveria instalar um ramal desde a Estação Velha até ao centro da cidade.[2]

No entanto, em 1882, esta obra ainda não tinha sido iniciada, devido a conflitos entre a Companhia da Beira Alta e o estado português.[2] Desta forma, Os direitos para a construção e gestão do Ramal de Coimbra foram passados para a Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses em 1883[9], que o inaugurou no dia 18 de Outubro de 1885.[2][11]

 
Horário da Linha do Norte em 1933.

Décadas de 1920 e 1930Editar

Durante a preparação do novo plano da rede ferroviária, em 1927, foi proposta a adaptação do Ramal da Lousã para bitola estreita, e a alteração do seu traçado até Coimbra-B, de forma a eliminar a sua passagem pelas ruas da cidade até à estação central.[9] Em Coimbra-B seria construída uma gare de via estreita, que serviria não só os comboios do Ramal da Lousã, mas também para as planeadas linhas de Penacova, até Santa Comba Dão, e de Cantanhede, até Aveiro, aproveitando o Ramal de Aveiro-Mar.[9] No Plano Geral da Rede Ferroviária, introduzido pelo Decreto 18:190, de 28 de Março de 1930, foram classificados os projectos para as duas linhas, mais a futura linha até Arganil pela Lousã.[12][13] No entanto, estes planos foram cancelados devido à crise dos caminhos de ferro em Portugal.[9]

Em 1934, a Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses realizou obras de ampliação na estação de Coimbra-B.[14]

Década de 1960Editar

O troço entre Pombal e Coimbra-B foi adaptado à tracção eléctrica em Outubro de 1963, no âmbito de um programa de electrificação da Linha do Norte.[15] Em 17 de Outubro, o Conselho de Administração da C. P. autorizou que os comboios rebocados por locomotivas a vapor fossem substituídos por automotoras eléctricas, no lanço entre o Entroncamento e Coimbra.[16] O lanço seguinte da Linha do Norte, até à Pampilhosa, foi electrificado em 20 Março de 1964.[16]

Em 7 de Dezembro de 1967, foram oficialmente terminadas as obras de instalação dos novos equipamentos de sinalização entre Coimbra e Pampilhosa, permitindo desta forma a circulação dos comboios com bloco automático até Aveiro.[16]

Década de 1980Editar

Na década de 1980, a empresa Caminhos de Ferro Portugueses iniciou um programa para a modernização dos sistemas de sinalização e controlo de tráfego na Linha do Norte, tendo em 1989 sido lançado o primeiro concurso para a remodelação do bloco automático entre as estações de Coimbra B e Pampilhosa.[17]

 
Estação de Coimbra-B em 2003.

Século XXIEditar

Em Dezembro de 2011, o Sindicato Independente Nacional dos Ferroviários criticou as obras que então estavam em curso nesta estação, nomeadamente as alterações na passagem desnivelada na zona Sul.[18]

Referências literáriasEditar

No livro Uma Visita a Portugal em 1866, Hans Christian Andersen descreve a sua chegada à estação de Coimbra:

Suburbanos - Coimbra
(Serviços ferroviários suburbanos de passageiros,
na região de Coimbra)

Serviços:   em funcionamento
  extinto em 2009 •   extinto em 2004


 
   
 
(ʟ) Lobazes 
   
 Moinhos (ʟ)
(ʟ) Miranda do Corvo 
   
 Trémoa (ʟ)
(ʟ) Padrão 
   
 Vale de Açor (ʟ)
(ʟ) Meiral 
   
 Ceira (ʟ)
(ʟ) Lousã-A 
   
 Conraria (ʟ)
(ʟ) Lousã 
   
 Carvalhosas (ʟ)
(ʟ) Prilhão-Casais 
   
 S. José (Calhabé) (ʟ)
(ʟ) Serpins 
 
 
 Coimbra-Parque (ʟ)
(ʟ) Coimbra 
 
 
 
 
 
 
       
 
 
 
 
 
   
 
 
 
(ʟ)(n) Coimbra-B 
         
 
(n) Souselas 
       
 
 
 
(f)(n) Pampilhosa 
   
 Bencanta (n)
(f) Mala 
   
 Espadaneira (n)
(f) Silvã-Feiteira 
   
 Casais (n)
(f) Enxofães 
   
 Taveiro (n)
(f) Murtede 
   
 V. Pouca Campo (n)
(f) Cordinhã 
   
 Amial (n)
(f) Cantanhede 
   
 Pereira (n)
(f) Limede-Cadima 
   
 Formoselha
(f) Casal 
   
 Alfarelos (a)(n)
(f) Arazede 
   
 Montemor (a)
(f) Bebedouro 
   
 Marujal (a)
(f) Liceia 
   
 Verride (a)
(f) Santana-Ferreira 
   
 Reveles (a)
(f) Costeira 
   
 Bif. de Lares (a)(o)
(f) Alhadas 
   
 Lares (o)
(f) Carvalhal 
   
 Fontela (o)
(f) Maiorca 
   
 Fontela-A (o)
 
   
 Figueira da Foz (f)(o)

Linhas: a R. Alfarelosf R. Figueira da Foz
ʟ R. Lousãn L. Norteo L. Oeste
Fonte: Diagrama oficial (2001)

Ferrovias e similares em Coimbra
SMTUC CP/Refer + MM (2006- ⚒)
  elétrico (1911-1980)*
  trólei (1947-)*
  elevador (2001-)
  (* fonte ~1971 =)
  L.ª Norte (1857-)
  R. Coimbra (1885-)
  R. Lousã (1906-2006) MM
  “L.ª Hospital” MM

                             
                             
 
 
 
 
 
                   
 
 
     
 
     
 
       
 
           
 
             
 
 
 
 
 
 
   
 
 
           
 
               
 
           
     
 
 
       
 
   
 
 
 
 
 
                     
 
     
     
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
           
               
 
 
 
 
 
       
     
 
 
     
 
           
                             
                             
     
 
 
                   
     
 
 
                   
                             
     
 
 
                   
   
 
 
 
 
 
 
 
 
               
                             
           
 
 
   
 
 
       
   
 
   
 
 
 
 
 
               
     
 
   
 
               
         
 
 
 
             
           
 
               
           
 
               
                             

Ver tambémEditar

Referências

  1. MARTINS et al, 1996:16
  2. a b c d e f TORRES, Carlos Manitto (1 de Janeiro de 1958). «A evolução das linhas portuguesas e o seu significado ferroviário» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 70 (1681). p. 9-12. Consultado em 21 de Setembro de 2013 
  3. MARTINS et al, 1996:129
  4. MARTINS et al, 1996:249
  5. «Coimbra B - Linha do Norte». Infraestruturas de Portugal. Consultado em 6 de Maio de 2017 
  6. MARTINS et al, 1996:207
  7. «Linhas de Circulação e Plataformas de Embarque». Directório da Rede 2012. Rede Ferroviária Nacional. 6 de Janeiro de 2011. p. 71-85 
  8. «80 Anos de Caminhos de Ferro» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 48 (1173). 1 de Novembro de 1936. p. 507-509. Consultado em 22 de Março de 2014 
  9. a b c d e f g h i SOUSA, José Fernando de (16 de Junho de 1940). «Coimbra e os Caminhos de Ferro» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 52 (1260). p. 371-373. Consultado em 22 de Abril de 2018 
  10. a b «Escada Rolante: Há 104 anos» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 81 (1931). 16 de Novembro de 1968. p. 152. Consultado em 20 de Junho de 2012 
  11. REIS et al, 2006:12
  12. PORTUGAL. Decreto n.º 18:190, de 28 de Março de 1930. Ministério do Comércio e Comunicações - Direcção Geral de Caminhos de Ferro - Divisão Central e de Estudos - Secção de Expediente, Publicado na Série I do Diário do Governo n.º 83, de 10 de Abril de 1930.
  13. SOUSA, José Fernando de (1 de Junho de 1935). «A Crise Actual de Viação e os nossos Caminhos de Ferro de Via Estreita» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 47 (1139). p. 235-237. Consultado em 8 de Março de 2014 
  14. «O que se fez nos Caminhos de Ferro Portugueses, durante o ano de 1934» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 47 (1130). 16 de Janeiro de 1935. p. 50-51. Consultado em 8 de Março de 2014 
  15. «Otros países, otras noticias». Via Libre (em espanhol). 2 (24). 1 de Dezembro de 1965. p. 24 
  16. a b c MARTINS et al, 1996:270
  17. MARTINS et al, 1996:158
  18. «Coimbra: Sindicato ferroviário critica obras na estação Coimbra-B». C Notícias. 31 de Dezembro de 2011. Consultado em 20 de Junho de 2012 [ligação inativa] 

BibliografiaEditar

  • ANDERSEN, Hans Christian (1984). Uma Visita a Portugal em 1866 2.ª ed. Lisboa: Instituto da Cultura e Língua Portuguesa. 134 páginas 
  • MARTINS, João; BRION, Madalena; SOUSA, Miguel; et al. (1996). O Caminho de Ferro Revisitado. O Caminho de Ferro em Portugal de 1856 a 1996. Lisboa: Caminhos de Ferro Portugueses. 446 páginas 
  • REIS, Francisco; GOMES, Rosa; GOMES, Gilberto; et al. (2006). Os Caminhos de Ferro Portugueses 1856-2006. Lisboa: CP-Comboios de Portugal e Público-Comunicação Social S. A. 238 páginas. ISBN 989-619-078-X 

Leitura recomendadaEditar

  • ANTUNES, J. A. Aranha; et al. (2010). 1910-2010: o caminho de ferro em Portugal. Lisboa: CP-Comboios de Portugal e REFER - Rede Ferroviária Nacional. 233 páginas. ISBN 978-989-97035-0-6 
  • CERVEIRA, Augusto; CASTRO, Francisco Almeida e (2006). Material e tracção: os caminhos de ferro portugueses nos anos 1940-70. Col: Para a História do Caminho de Ferro em Portugal. 5. Lisboa: CP-Comboios de Portugal. 270 páginas. ISBN 989-95182-0-4 
  • VILLAS-BOAS, Alfredo Vieira Peixoto de (2010) [1905]. Caminhos de Ferro Portuguezes. Lisboa e Valladollid: Livraria Clássica Editora e Editorial Maxtor. 583 páginas. ISBN 8497618556 
  • QUEIRÓS, Amílcar (1976). Os Primeiros Caminhos de Ferro de Portugal: As Linhas Férreas do Leste e do Norte. Coimbra: Coimbra Editora. 45 páginas 
  • SALGUEIRO, Ângela (2008). A Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses: 1859-1891. Lisboa: Univ. Nova de Lisboa. 145 páginas 
 
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Ligações externasEditar