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Estação Ferroviária de Contumil

estação ferroviária em Portugal
Contumil IPcomboio2.jpg
CP 3400 - Contumil (8162792136).jpg
Linha(s) Linha do Minho (PK 2,443)
Linha de Leixões (PK 2,443)
Coordenadas 41° 10′ 10″ N, 8° 34′ 27″ O
Concelho Porto
Serviços Ferroviários Logo CP 2.svgBSicon LSTR yellow.svgU
Horários em tempo real
Serviços Porto Metro logo.svgLinha F (Metro do Porto)
Ligação a autocarros Bilheteira e/ou máquina de venda de bilhetes
Elevadores
Acesso para pessoas de mobilidade reduzida
NYCS-bull-trans-Z-Std.svgPRT3


Logos IP.png
BSicon CONTfa grey.svg
BSicon BHF grey.svgRio Tinto (Sentido Valença)
BSicon eABZg+l grey.svgBSicon exCONTfq grey.svgLeixões (Sentido Leixões)
BSicon BHF grey.svgContumil
BSicon BHF grey.svgCampanhã (Sentido Porto)
BSicon CONTf grey.svg

A Estação Ferroviária de Contumil, originalmente denominada de Contomil, é uma interface da Linha do Minho, que funciona como ponto de entroncamento com a Linha de Leixões, e que serve a zona de Contumil, no Concelho do Porto, em Portugal. Foi planeada nos finais do Século XIX, para servir como ponto de bifurcação entre as duas linhas e como ponto de gestão e manutenção de material circulante, tendo entrado ao serviço na Década de 1910 apenas com funções técnicas, devido ao atraso na construção da linha para Leixões, que só abriu à exploração em 18 de Setembro de 1938.[1]

Gare de Contumil em 2012.

CaracterizaçãoEditar

Localização e acessosEditar

Esta estação está situada no concelho do Porto, tendo acesso através da Rua da Estação de Contumil.[2]

Descrição físicaEditar

No Directório da Rede Ferroviária Portuguesa 2005, publicado em 13 de Outubro de 2004 pela Rede Ferroviária Nacional, a estação de Contumil contava com 11 vias de circulação.[3] No Directório da Rede de 2011, de 25 de Março de 2010, ainda existia o mesmo número de vias de circulação, cuja extensão variava entre os 63 e os 481 m; as plataformas tinham 210 e 180 m de comprimento, e uma altura de 90 cm.[4]

 
Mapa do Plano da Rede Ferroviária Complementar ao Norte do Mondego, mostrando as duas opções para construir uma linha até Leixões, uma através de uma nova via férrea a partir de Contumil, enquanto que a outra preconizava a continuação do Ramal da Alfândega.

HistóriaEditar

PlaneamentoEditar

Esta estação situa-se no troço da Linha do Minho entre Campanhã e Nine, que entrou ao serviço, junto com o Ramal de Braga, em 21 de Maio de 1875.[5][6]

Em finais do Século XIX, esteve em discussão a forma como deveria ser efectuada a ligação ferroviária entre o planeado Porto de Leixões e a rede ferroviária nacional.[7] Inicialmente, esteve prevista a continuação do Ramal da Alfândega, que unia a Alfândega do Porto à estação de Campanhã, até Leixões, mas devido aos elevados custos que seriam necessários para a construção, e o problemas criados pela crise financeira de 1891, o Conselho Superior de Obras Públicas sugeriu um traçado alternativo, já proposto pelo engenheiro Pereira Dias.[1] Segundo este novo plano, o ramal para o Porto de Leixões deveria sair de um local próximo do PK 2,5 da Linha do Minho[1], entre as estações de Campanhã e Rio Tinto, na zona de Contumil.[8], onde deveria ser construída uma gare própria para a bifurcação entre as duas vias férreas.[7] Em 1898, foi formada uma comissão para estudar os vários planos que existiam para linhas férreas, tendo sido aconselhada a construção da linha até ao Porto de Leixões com o seu início na estação de Contumil, e a duplicação da Linha do Minho até Campanhã.[9] Desta forma, no Plano da Rêde Complementar ao Norte do Mondego, decretado em 15 de Janeiro de 1900, foi oficialmente classificado o projecto para a Linha de Circunvalação do Porto, com início em Contumil, e para a duplicação parcial da Linha do Minho.[1] A nova linha deveria ser construída pela administração dos Caminhos de Ferro do Estado, um órgão criado em 14 de Julho de 1899 para construir e explorar as redes férreas na posse do governo.[1] Logo após a aprovação da linha, José Fernando de Sousa, que fazia parte do conselho de administração dos Caminhos de Ferro do Estado, propôs que fossem feitos os estudos para a linha, com especial interesse para a estação de Contumil.[1]

Em 1902, foi enviado ao Conselho Superior de Obras Públicas e Minas o plano e o orçamento correspondente para a construção de uma estação ao quilómetro 2,5 da Linha do Minho, e para a duplicação da Linha do Minho.[10] Além de servir de entroncamento da então futura Linha de Leixões, a nova interface também deveria servir como subsidiária de Campanhã, auxiliando esta estação na triagem das composições de mercadorias e a manutenção de vagões.[10] Este local foi escolhido por ser o único que permitia a instalação das infra-estruturas necessárias às funções a serem exercidas na futura interface, como o edifício da estação, uma cocheira para material motor e outra para carruagens, cais cobertos e para carvão, e um reservatório.[9] O complexo deveria incluir onze vias, cuja extensão total compreendia cerca de 1630 m; cinco dessas vias foram designadas para o estacionamento e resguardo do material circulante, enquanto que as outras seis estavam destinadas à sua triagem e classificação, estando ligadas a uma via especial, com uma lomba para realizar as manobras por gravidade.[9] O custo total desta obra, incluindo todos os edifícios e vias, e os trabalhos necessários à duplicação da Linha até Campanhã, estava previsto em 165:500$000 Réis.[9] Em 10 de Setembro desse ano, foi decretada a construção da Estação de Contomil.[11] O plano e o respectivo orçamento foram aprovados pelo governo em 16 de Maio de 1903, baseado no parecer do Conselho Superior de Obras Públicas e Minas, datado de 30 de Abril do mesmo ano.[12]

No entanto, a partir desse ponto o planeamento da linha de Leixões entrou numa fase de sucessivos atrasos, gerados em parte pela instabilidade política, mas também devido à interferência da Associação Comercial do Porto, que por várias vezes tentou interromper as obras na linha de Leixões.[1] Aquela sociedade criticava o traçado da linha de Leixões, principalmente o seu início em Contumil, defendendo que em vez disso deveria ser prolongado o Ramal da Alfândega, fazendo assim a linha até Leixões passar pelo centro da cidade do Porto.[1] O projecto para a linha de Circunvalação foi aprovado em 4 de Julho de 1905, mas foi bloqueado pelo governo por intermédio de José Luciano de Castro.[1]

Apesar dos problemas em construir a linha para Leixões propriamente dita, continuou o interesse em construir a estação de Contumil, devido à sua outra função como posto de manutenção para material circulante, e após a aprovação do projecto começaram as obras da estação e para a duplicação da Linha do Minho.[1] Em 31 de Dezembro de 1910, já tinham sido gastos cerca de 100 contos em ambos os projectos, estando nessa altura a estação de Contumil já a ser utilizada para classificar e estacionar material circulante.[1]

 
Mapa das linhas construídas ou planeadas na zona a Norte da cidade do Porto, incluindo a de Leixões.

Ligação à Linha de LeixõesEditar

Uma Portaria de 25 de Maio de 1911 ordenou que a linha para Leixões tivesse início em Ermesinde, contrariando o que tinha sido determinado pelo Plano da Rede de 1900.[1] Quando o projecto foi apresentado em 1912, o Conselho de Administração dos Caminhos de Ferro do Estado voltou a fixar o início da linha em Contumil, mantendo a ligação a Ermesinde como um ramal a sair de São Gemil.[1]

O concurso público para construção da Linha de Leixões, a partir das Estações de Contumil e Ermesinde, foi realizado pela Direcção-Geral de Caminhos de Ferro, em 27 de Janeiro de 1931, tendo o contrato sido assinado no dia 22 de Maio do mesmo ano, e as obras arrancado em 29 de Junho.[13] O relatório de 1931-1932 da Direcção Geral de Caminhos de Ferro revela que, naquele período, a companhia dos Caminhos de Ferro do Estado despendeu cerca de 1.100 contos nesta estação.[14] Nos inícios de 1935, uma portaria do Ministério das Obras Públicas e Comunicações autorizou o projecto para as expropriações e terraplanagens necessárias para a primeira fase da ampliação desta estação.[15] Em 8 de Maio de 1936, o Ministério aprovou o projecto para o edifício de passageiros e o correspondente orçamento, no valor de 111.933$11.[16] Em 9 de Setembro desse ano, o Ministério aprovou o projecto para a segunda fase da ampliação da estação de Contumil, e o seu correspondente orçamento rectificado, no valor de 197:951$.[17] Um diploma publicado no Diário do Governo n.º 183, II Série, de 9 de Agosto, aprovou o auto de recepção definitiva para a empreitada n.º 9 da Linha de Cintura do Porto, referente à instalação dos equipamentos para iluminação eléctrica em Contumil e noutras estações da linha, que foi executada pela firma José Maria dos Santos & Santos.[18]

O troço entre as Estações de Contumil e Leixões entrou ao serviço em 18 de Setembro de 1938.[5]

Década de 1960Editar

Em Junho de 1966, a estação de Contumil encontrava-se em obras de expansão, com a construção de uma nova casa redonda para a reparação de locomotivas a gasóleo e a vapor.[19] As oficinas estavam igualmente a ser modificadas, de forma a se poder realizar a manutenção de material circulante a tracção eléctrica, e já se encontravam prontos 3 dos 10 diques de moliana.[19] Estas obras pretendiam fazer de Contumil um centro de manutenção ferroviária, de forma a libertar espaço na estação de Campanhã, que se iria tornar no centro dos serviços ferroviários urbanos na cidade do Porto.[19] Em redor da estação, estava planeada a construção de várias habitações, para alojar os funcionários que iam ser transferidos das oficinas de Campanhã, formando uma localidade própria, com cerca de 800 habitantes.[19]

 
Locomotiva 248 no pedestal em Contumil

Década de 1990Editar

Em 17 de Março de 1994, a empresa Caminhos de Ferro Portugueses instalou na estação de Contumil a locomotiva a vapor 248, que tinha sido resgatada do Rio Douro, para onde tinha caído na ocorrência de um descarrilamento, em 5 de Janeiro de 1940.[20]

Século XXIEditar

No dia 1 de Novembro de 2009, a passagem de peões da estação ficou inundada na sequência do clima, tendo os bombeiros sapadores demorado várias horas para bombear a água. Segundo os bombeiros, aquela situação ocorre sempre que se verifica uma precipitação mais intensa.[21]

Ver tambémEditar

CP Urbanos do Porto

(Serviços ferroviários suburbanos de passageiros no Grande Porto)
Serviços:   Aveiro  Braga
  Marco de Canaveses  Guimarães


 
         
 Marco de Canaveses (d)
 
         
 Livração (d)
(g) Guimarães 
         
 Recesinhos (d)
(g) Covas 
         
 Vila Meã (d)
(g) Nespereira 
         
 Oliveira (d)
(g) Vizela 
         
 Caíde (d)
(b) Braga 
         
 Pereirinhas (g)
(b) Ferreiros 
         
 Meinedo (d)
(b) Mazagão 
         
 Cuca (g)
(b) Aveleda 
         
 Bustelo (d)
(b) Tadim 
         
 Lordelo (g)
(b) Ruilhe 
         
 Penafiel (d)
(b) Arentim 
         
 Giesteira (g)
(b) Couto de Cambeses 
         
 Paredes (d)
(m)(b) Nine 
         
 Vila das Aves (g)
(m) Louro 
         
 Oleiros (d)
(m) Mouquim 
         
 Caniços (g)
(m) Famalicão 
         
 Irivo (d)
(m) Barrimau 
         
 Santo Tirso (g)
(m) Esmeriz 
         
 Cête (d)
(m)(g) Lousado 
         
 Parada (d)
(m) Trofa 
         
 Recarei-Sobreira (d)
(m) Portela 
         
 Trancoso (d)
(m) São Romão 
         
 Terronhas (d)
(m) São Frutuoso 
         
 S. Martinho do Campo (d)
(m) Leandro 
         
 Valongo (d)
(m) Travagem 
         
 Suzão (d)
(m)(d) Ermesinde 
         
 Cabeda (d)
(m) Ág. Santas / Palm.ª 
         
 
(m) Rio Tinto 
         
 
(m) Contumil 
         
 General Torres (n)
(n)(m) Porto (Campanhã) 
         
 Vila Nova de Gaia (n)
(m) Porto (São Bento) 
         
 Coimbrões (n)
(n) Aveiro 
         
 Madalena (n)
(n) Cacia 
         
 Valadares (n)
(n) Canelas 
         
 Francelos (n)
(n) Salreu 
         
 Miramar (n)
(n) Estarreja 
         
 Aguda (n)
(n) Avanca 
         
 Granja (n)
(n) Válega 
         
 Espinho (n)
(n) Ovar 
         
 Silvalde (n)
(n) Carvalheira-Maceda 
         
 Paramos (n)
(n) Cortegaça 
             
 Esmoriz (n)

Linhas: d Linha do Dourog Linha de Guimarães
b Ramal de Bragam Linha do Minhon Linha do Norte
Fonte: Página oficial, 2010.04

Referências

  1. a b c d e f g h i j k l m SOUSA, José Fernando de (1 de Outubro de 1938). «Linha de Circunvalação do Porto» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 50 (1219). p. 439-442. Consultado em 20 de Fevereiro de 2018 
  2. «Contumil». Comboios de Portugal. Consultado em 14 de Novembro de 2014 
  3. «Linhas de Circulação em Estações». Directório da Rede Ferroviária Portuguesa 2005. Rede Ferroviária Nacional. 13 de Outubro de 2004. p. 59-64 
  4. «Linhas de Circulação e Plataformas de Embarque». Directório da Rede 2011. Rede Ferroviária Nacional. 25 de Março de 2010. p. 67-89 
  5. a b «Troços de linhas férreas portuguesas abertas à exploração desde 1856, e a sua extensão» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 69 (1652). 16 de Outubro de 1956. p. 528-530. Consultado em 25 de Agosto de 2013 
  6. REIS et al, 2006:12
  7. a b MARTINS et al, 1996:39
  8. «Linha de circumvallação do Porto» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 18 (424). 16 de Agosto de 1905. p. 243. Consultado em 22 de Outubro de 2013 
  9. a b c d «Estação de Contomil» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 16 (371). 1 de Junho de 1903. p. 177-178. Consultado em 22 de Outubro de 2013 
  10. a b «Linhas Portuguezas» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 15 (358). 16 de Novembro de 1902. p. 346-347. Consultado em 22 de Outubro de 2013 
  11. «Parte Official» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 16 (381). 1 de Novembro de 1903. p. 362-364. Consultado em 22 de Outubro de 2013 
  12. «Parte Official» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 16 (371). 1 de Junho de 1903. p. 178-190. Consultado em 22 de Outubro de 2013 
  13. «Construções Ferroviárias: A Linha de Cintura do Porto» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 46 (1112). 16 de Abril de 1934. p. 215-217. Consultado em 22 de Outubro de 2013 
  14. SOUSA, José Fernando de (1 de Março de 1934). «Direcção Geral de Caminhos de Ferro: Relatório de 1931-1932» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 47 (1109). p. 127-130. Consultado em 22 de Outubro de 2013 
  15. «Parte Oficial» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 47 (1133). 1 de Março de 1935. p. 109-110. Consultado em 22 de Outubro de 2013 
  16. «Parte Oficial» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 48 (1164). 16 de Junho de 1936. p. 339-341. Consultado em 22 de Outubro de 2013 
  17. «Parte Oficial» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 48 (1171). 1 de Outubro de 1936. p. 469-472. Consultado em 20 de Fevereiro de 2018 
  18. «Parte Oficial» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 50 (1216). 16 de Agosto de 1938. p. 391-393. Consultado em 20 de Fevereiro de 2018 
  19. a b c d «Importantes melhoramentos ferroviários na Estação de Contumil» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 79 (1883). 1 de Junho de 1966. p. 126. Consultado em 22 de Outubro de 2013 
  20. BRAZÃO, Carlos (1994). «Una Borsig en Contumil». Maquetren (em espanhol). 3 (29). Madrid: A. G. B., s. l. p. 10. ISSN 1132-2063 
  21. «Vento e chuva fazem estragos». Correio da Manhã. 2 de Novembro de 2009. Consultado em 30 de Novembro de 2018 

BibliografiaEditar

  • MARTINS, João; BRION, Madalena; SOUSA, Miguel et all' (1996). O Caminho de Ferro Revisitado. O Caminho de Ferro em Portugal de 1856 a 1996. Lisboa: Caminhos de Ferro Portugueses. 446 páginas 
  • REIS, Francisco; GOMES, Rosa; GOMES, Gilberto; et al. (2006). Os Caminhos de Ferro Portugueses 1856-2006. Lisboa: CP-Comboios de Portugal e Público-Comunicação Social S. A. 238 páginas. ISBN 989-619-078-X 
 
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Leitura recomendadaEditar

  • Centros de Comando Operacional - Contumil. Lisboa: Rede Ferroviária Nacional, E. P. 2008 
  • Linha do Minho. Lisboa: Rede Ferroviária Nacional E. P. 2004. 43 páginas 
  • Linha do Minho / Ramal de Braga (Catálogo de Obra). Lisboa: Rede Ferroviária Nacional E. P. 2004 

Ligações externasEditar