Abrir menu principal

Estação Ferroviária de Gouveia

estação ferroviária em Portugal
Gouveia IPcomboio2.jpg
IPestacao.jpg
Linha(s) Linha da Beira Alta (PK 144,208)
Coordenadas 40° 34′ 24,66″ N, 7° 36′ 06,84″ O
Concelho Mangualde
Serviços Ferroviários Logo CP 2.svgBSicon LSTR orange.svgRBSicon LSTR green.svgIC
Horários em tempo real
Serviços Serviço de táxis
Telefones públicos Sala de espera


Logos IP.png
BSicon CONTfa grey.svg
BSicon BHF grey.svgContenças (Sentido Pampilhosa)
BSicon BHF grey.svgGouveia
BSicon BHF grey.svgF. de Algodres (Std. Vilar Formoso)
BSicon CONTf grey.svg

A Estação Ferroviária de Gouveia, originalmente conhecida como Gouvêa, é uma gare da Linha da Beira Alta, que serve a cidade de Gouveia, em Portugal.

CaracterizaçãoEditar

Localização e acessosEditar

Tem acesso pela Rua da Estação, na localidade de Gouveia Gare, situada no concelho de Mangualde.[1]

Descrição físicaEditar

Em Janeiro de 2011, apresentava duas vias de circulação, com 319 e 106 m de comprimento, e duas plataformas com 203 e 155 m de extensão, e 45 e 35 cm de altura.[2]

 
Itinerário de um comboio real entre Vilar Formoso e a Pampilhosa, em 4 de Dezembro de 1909. Esta gare surge com o nome original, Gouvêa.

HistóriaEditar

InauguraçãoEditar

A Linha da Beira Alta entrou ao serviço, de forma provisória, em 1 de Julho de 1882, tendo sido definitivamente inaugurada em 3 de Agosto do mesmo ano, pela Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses da Beira Alta.[3]

Século XXEditar

Em 1913, a estação era servida por carreiras de diligências até Cabra, Gouveia, Olas, São Paio e Salgueiro.[4]

No relatório de 1931 a 1933 da Junta Autónoma das Estradas, reportou-se que a estação de Gouveia foi ligada à Estrada Nacional 8-1ª, pela construção de terraplanagens no ramal de Chãs de Tavares.[5]

Em 1932, foi instalada betonilha de cimento no solo da plataforma entre a primeira e segunda linhas.[6]

Em Julho de 1935, a Companhia da Beira Alta tinha um despacho central em Gouveia, que fazia serviços rodoviários de passageiros, bagagens e mercadorias até à gare ferroviária.[7] Nesse ano, a companhia realizou obras de reparação na estação, incluindo o edifício principal, as retretes e a habitação dos funcionários, e construiu um novo escritório envidraçado para a grande velocidade.[8]

 
Anúncio da Empreza de Transportes Gouveense, que operava em 1943 uma carreira de autocarros entre a estação e a vila de Gouveia.

Ligações projectadas a outras linhasEditar

Em 1907, foi classificado o projecto da rede ferroviária complementar do centro, onde estavam planeadas duas linhas com ligação a Gouveia, ambas de via estreita, uma com origem no Entroncamento e outra em Mangualde.[9] Em 17 de Março desse ano, realizou-se um comício em Mangualde, onde participaram os presidentes de várias câmaras municipais da região Centro, incluindo o de Gouveia, tendo sido exigida a construção de uma linha entre Viseu e Gouveia.[10] Em 21 de Março de 1909, o jornal O Comércio de Viseu reportou que uma delegação viseense tinha ido a Lisboa para pedir a resolução de vários problemas da região, incluindo a linha de Viseu a Gouveia.[10] Esta reivindicação continuou após a queda da monarquia, sendo umas principais promessas referidas nos discursos dos republicanos.[10] Com efeito, quando o Ministro do Fomento do governo provisório, Brito Camacho, visitou os concelhos de Mangualde e Gouveia, uma comissão pediu que fosse executado o projecto da linha de Coimbra a Viseu via Arganil, Gouveia e Mangualde.[10] No entanto, devido aos problemas financeiros e à instabilidade política da Primeira República, estes projectos nunca saíram do papel.[10] Em 31 de Maio de 1914, ocorreu uma manifestação em Viseu, onde se reivindicou a construção de várias vias férreas, incluindo o troço de Viseu a Gouveia por Mangualde.[11] Ainda na década de 1910, o Ministro do Fomento iniciou um processo de reorganização dos projectos ferroviários, incluindo uma linha do Entroncamento a Gouveia.[12]

Em 1 de Janeiro de 1927, a Gazeta dos Caminhos de Ferro noticiou que a Companhia da Beira Alta estava a estudar a construção de um ramal entre as estações de Gouveia e de Santa Comba Dão, passando por Abrunhosa-a-Velha, Seia e Oliveira do Hospital.[13] Nesse ano, foi formada uma comissão técnica para estudar e reorganizar o plano da rede ferroviária nacional, tendo sido organizada uma reunião na cidade de Viseu em 16 de Novembro de 1928, para analisar os novos projectos para os caminhos de ferro.[14] Nessa reunião, chegou-se a acordo que uma das linhas que deviam ser prioritárias na construção era a de Viseu à Lousã via Arganil, Gouveia e Mangualde.[14] Em 22 de Dezembro desse ano, uma comissão foi até Lisboa para se encontrar com o governo, onde lhes foi prometido que já estava tudo preparado para a Companhia da Beira Alta construir o troço entre Viseu e Gouveia.[14] No entanto, este projecto foi suspenso pelo Decreto n.º 22.379, de 29 de Março de 1933, tendo a ideia sido posteriormente abandonada devido ao desenvolvimento dos transportes rodoviários na região, a partir da Década de 1930.[15]

ModernizaçãoEditar

O projecto de modernização da Linha da Beira Alta, estudado pela empresa Caminhos de Ferro Portugueses desde 1988, tinha como objectivo melhorar as condições de circulação naquela linha, que era o principal eixo ferroviário de acesso ao resto da Europa.[16] Este projecto incluiu a renovação e electrificação da via férrea, a instalação de sinalização eléctrica, e a remodelação de várias estações, incluindo Gouveia, onde foi instalada uma subestação de tracção eléctrica.[17]

Século XXIEditar

Em Agosto de 2009, a circulação ferroviária foi suspensa entre Gouveia e Contenças durante cerca de 7 horas, devido a um incêndio em Contenças de Baixo.[18][19]

Ver tambémEditar

Referências

  1. «Gouveia - Linha da Beira Alta». Infraestruturas de Portugal. Consultado em 25 de Agosto de 2011 
  2. «Linhas de Circulação e Plataformas de Embarque». Directório da Rede 2012. Rede Ferroviária Nacional. 6 de Janeiro de 2011. p. 71-85 
  3. TORRES, Carlos Manitto (16 de Março de 1958). «A evolução das linhas portuguesas e o seu significado ferroviário» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 71 (1686). p. 133-140. Consultado em 5 de Fevereiro de 2014 
  4. «Serviço de Diligencias». Guia official dos caminhos de ferro de Portugal. 39 (168). Outubro de 1913. p. 152-155. Consultado em 26 de Fevereiro de 2018 
  5. «Publicações recebidas» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 49 (1177). 1 de Janeiro de 1937. p. 21. Consultado em 26 de Janeiro de 2017 
  6. «O que se fez nos Caminhos de Ferro em Portugal no Ano de 1932» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 46 (1081). 1 de Janeiro de 1932. p. 10-14. Consultado em 1 de Novembro de 2012 
  7. «Companhia dos Caminhos de Ferro da Beira Alta: Despachos Centrais» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 47 (1142). 16 de Julho de 1935. p. 310. Consultado em 26 de Janeiro de 2017 
  8. «Os Nossos Caminhos de Ferro em 1935» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 48 (1153). 1 de Outubro de 1935. p. 5-9. Consultado em 26 de Janeiro de 2017 
  9. SOUSA, José Fernando de (1 de Junho de 1935). «A Crise Actual de Viação e os nossos Caminhos de Ferro de Via Estreita» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 47 (1139). p. 235-237. Consultado em 26 de Janeiro de 2017 
  10. a b c d e AMARO e MARQUES, p. 26-27
  11. AMARO e MARQUES, p. 28
  12. FONSECA, p. 33
  13. «Linhas Portuguesas» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 40 (937). 1 de Janeiro de 1927. p. 6. Consultado em 1 de Novembro de 2012 
  14. a b c AMARO e MARQUES, p. 30-31
  15. AMARO e MARQUES, p. 32
  16. MARTINS et al, p. 198-199
  17. MARTINS et al, p. 201-203
  18. «Circulação de comboios cortada entre Contenças e Gouveia». Diário Digital. 19 de Agosto de 2009. Consultado em 25 de Agosto de 2011 
  19. «Incêndios: Linha da Beira Alta reaberta». Rádio Renascença. 19 de Agosto de 2009. Consultado em 25 de Agosto de 2011 

BibliografiaEditar

  • AMARO, António Rafael; MARQUES, Jorge Adolfo (2010). Viseu: Roteiros Republicanos. Col: Roteiros Republicanos. Matosinhos: Quidnovi - Edição e Conteúdos, S. A. e Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República. 127 páginas. ISBN 978-989-554-738-8 
  • FONSECA, João José Samouco da (2003). História da Chamusca. Volume 3 de 3. Chamusca: Câmara Municipal. 298 páginas 
  • MARTINS, João; BRION, Madalena; SOUSA, Miguel; et al. (1996). O Caminho de Ferro Revisitado. O Caminho de Ferro em Portugal de 1856 a 1996. Lisboa: Caminhos de Ferro Portugueses. 446 páginas 
 
O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre a estação de Gouveia

Ligações externasEditar