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Estação Ferroviária de Leixões

estação ferroviária em Portugal
Leixões IPcomboio2.jpg
Estação de Leixões, em 2009.
Inauguração 20 de Julho de 1938
Linha(s) Linha de Leixões (PK 21,000)
Coordenadas 41° 11′ 23,95″ N, 8° 41′ 05,14″ O
Concelho Matosinhos
Serviços Ferroviários Medwaylogo.jpgBSicon LSTR black.svgCarga
Takargologo.jpgBSicon LSTR black.svgCarga
Horários em tempo real


Logos IP.png

BSicon KBHFa grey.svgLeixões
BSicon ABZgl grey.svgBSicon CONTfq grey.svgErmesinde (Sentido Ermesinde)
BSicon KBHFe grey.svgContumil (Sentido Porto)


A Estação Ferroviária de Leixões é uma interface da Linha de Leixões, que serve o Porto de Leixões, no Distrito do Porto, em Portugal. Foi inaugurada em 1938.[1]

CaracterizaçãoEditar

Em 2010, possuía apenas 1 via de circulação, com 1100 m de comprimento, e uma plataforma, que apresentava 118 m de extensão e 30 cm de altura.[2]

 
Mapa da Linha de Leixões, e do projecto abandonado da linha da Alfândega até Leixões.

HistóriaEditar

Antecedentes e planeamentoEditar

Já em 1857, o Rei D. Pedro V tinha proposto a construção de um porto na zona de Leixões, que devia ser servido por uma linha férrea.[3] Em 1877, o Sindicato Portuense apresentou um projecto para ligar Leixões à rede do Minho e Douro por meio de um canal, obra que foi aprovada por um despacho de 1887, mas não tenha chegado a ser executada.[3]

Uma comissão que foi formada para estudar a construção de um porto artificial em Leixões propôs duas soluções para a ligação entre o terminal portuário e a rede ferroviária: a primeira seria prolongar o Ramal da Alfândega até Leixões ao longo do litoral, enquanto que a segunda era a construção de um ramal a partir da Estação de Ermesinde, na Linha do Minho.[3] Do ponto de vista técnico, a segunda hipótese era muito melhor, mas enfrentou a oposição da Associação Comercial do Porto, porque receava que este ramal iria retirar importância à cidade do Porto.[3] Assim, inicialmente foi seleccionada a opção pela Alfândega, mas o projecto não avançou devido a problemas financeiros, e à mudança de gestão do porto de Leixões, que passou a ser explorado pela Companhia das Docas e dos Caminhos de Ferro Peninsulares.[3] Esta empresa reiniciou o projecto da Alfândega a Leixões, mas as obras não chegaram a avançar devido à crise económica de 1891 e à instabilidade política.[4]

Entretanto, foi construído um caminho de ferro de via estreita desde as pedreiras de São Gens até Leixões, para transportar as pedras para os molhes do porto.[5] O porto de Leixões entrou ao serviço em Outubro de 1892.[6]

Em 1897 ainda foi feito um novo projecto para a linha da Alfândega a Leixões, mas foi preterido pelo Conselho Superior de Obras Públicas, que o considerou demasiado caro, tendo em vez disso retomado a ideia de fazer o ramal a partir da Linha do Minho, com o nome de Linha de Circunvalação do Porto, aproveitando parte do canal da linha das pedreiras.[4] Para o caso desta proposta não ser aceite, o Conselho Superior também apresentou uma versão modificada da linha da Alfândega a Leixões.[4] Durante a fase dos estudos para o futuro Plano da Rede Complementar ao Norte do Mondego, ambas as propostas foram contempladas, tendo-se escolhido a opção da Linha de Circunvalação, a sair da futura Estação de Contumil, na Linha do Minho.[4] Desta forma, o Conselho de Administração dos Caminhos de Ferro do Estado ordenou a elaboração do projecto para a nova linha.[4]

No entanto, nesta altura voltou a ressurgir a ideia da linha a partir da Alfândega, ainda defendida pela Associação Comercial do Porto, e em 1902, vários comerciantes da cidade apresentaram uma proposta para financiar a construção da linha.[4] Por motivos estéticos, o traçado foi alterado de forma a passar menos pelo litoral, mas o projecto foi rejeitado por ser absurdo do ponto de vista técnico, e por ser muito caro.[7] Assim, foi feito um novo plano, aprovado por uma portaria de 1906, mas nunca concretizado devido à oposição da Companhia das Docas e dos Caminhos de Ferro Peninsulares.[7]

Desta forma, retomou-se o projecto da Linha de Circunvalação, que foi aprovado em 4 de Julho de 1905.[8]

 
Mapa da rede ferroviária em meados do Século XX, incluindo a Linha de Leixões.

Construção e inauguraçãoEditar

A primeira empreitada da Linha foi adjudicada ainda em 25 de Setembro desse ano, mas as obras encontraram grandes dificuldades, tendo chegado a estar paralisadas durante grandes períodos de tempo.[7] Esta interrupção foi em parte causada pela interferência de Pedro de Araújo, do Partido Progressista, que defendia a continuação do ramal da Alfândega, e devido a várias alterações no projecto.[8] Os trabalhos foram retomados em 1931 e foram concluídos em 1938, ano em que também foi terminada a construção da Doca n.º 1 de Leixões.[7]

Uma portaria de 28 de Dezembro de 1934 do Ministério das Obras Públicas e Comunicações aprovou o projecto para a estação de Leixões, apresentado pela Direcção Geral de Caminhos de Ferro.[9] Um despacho de 1935 do Ministério das Obras Públicas e Comunicações adjudicou a empreitada n.º 7 da Linha de Cintura do Porto, no valor de 1.460.000$00, referente à estação de Leixões; esta empreitada era composta pelas terraplanagens, obras de arte correntes, o edifício de passageiros, plataformas, cais de mercadorias e para carvão, muros de suporte e serventias na via férrea e estrada de acesso, barracões para albergar as máquinas e as carruagens, habitações para pessoal, vedações, e uma tomada de água.[10]

Um diploma do Ministério das Obras Públicas e Comunicações, publicado no Diário do Governo n.º 240, II Série, de 13 de Outubro de 1937, aprovou a expropriação de duas parcelas de terreno na estação de Leixões, para a construção de habitações para o pessoal do serviço de tracção.[11] Outro diploma do Ministério das Obras Públicas e Comunicações, publicado no Diário do Governo n.º 70, II Série, de 26 de Março de 1938, aprovou o projecto para o acesso à estação de Leixões e o correspondente orçamento.[12]

Em 20 de Julho de 1938, entrou ao serviço o primeiro troço da Linha de Leixões, entre as estações de Leixões e de Serpa Pinto, e em 18 de Setembro a via foi prolongada até Contumil, na Linha do Minho, completando a Linha de Leixões.[13] A ligação à rede ferroviária nacional de via larga trouxe um grande desenvolvimento ao terminal portuário, que até então apenas estava ligado por uma pequena e desadequada linha de via estreita, afirmando-o como um grande porto comercial.[7] No entanto, na altura da inauguração a via férrea terminava na estação, sem continuar até à doca de Leixões, o que reduziu consideravelmente a sua utilidade, embora já possibilitasse a circulação de comboios de passageiros.[8]

Um diploma do Ministério das Obras Públicas e Comunicações, publicado no Diário do Governo n.º 185, II Série, de 11 de Agosto de 1938, autorizou o contrato com a firma alemã Joseph Vögele para a instalação de quatro placas para inversão de locomotivas, das quais uma era para Leixões.[14]

Década de 1970Editar

Em 29 de Dezembro de 1971, ocorreu uma reunião entre a administração do Porto de Leixões e a Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses, onde a administração informou que, para o desenvolvimento do terminal portuário, seria necessário ocupar as instalações e os terrenos que a operadora ferroviária tinha na zona do porto.[15]

Década de 1990Editar

Nos anos 90, a Linha de Leixões foi modernizada no âmbito do projecto do Nó Ferroviário do Porto, que procurava desenvolver as linhas no interior e nos arredores da cidade do Porto.[16] Este programa contemplou a renovação e electrificação da via férrea.[17]

Em 1993, entra ao serviço o serviço Transibérico, para o transporte de mercadorias por via ferroviária entre Leixões, Lisboa e Barcelona.[18] Em 1998, foi electrificada a Linha de Leixões.[19]

Século XXIEditar

Em 2011, foram instituídos vários comboios de passageiros na Linha de Leixões, até à Estação de Leça do Balio, prevendo-se uma futura continuação até Leixões; no entanto, este prolongamento não chegou a ser concretizado, tendo estes serviços sido encerrados apenas cerca de um ano depois.[20]

Em 10 de Maio de 2016, a Takargo iniciou a circulação de comboios de contentores entre Lisboa e o Porto de Leixões.[21]

Rede USGP em 2009-2011

(Serviços ferroviários suburbanos de passageiros no Grande Porto)
Serviços:   Aveiro  Braga  Caíde/Marco
  Guimarães  Leixões


(g) Guimarães 
           
 Covas (g)
(g) Nespereira 
           
 Caíde (d)
(b) Braga 
           
 Vizela (g)
(b) Ferreiros 
           
 Meinedo (d)
(b) Mazagão 
           
 Cuca (g)
(b) Aveleda 
           
 Bustelo (d)
(b) Tadim 
           
 Lordelo (g)
(b) Ruilhe 
           
 Penafiel (d)
(b) Arentim 
           
 Giesteira (g)
(b) Couto de Cambeses 
           
 Paredes (d)
(b) Nine 
           
 Vila das Aves (g)
(m) Louro 
           
 Oleiros (d)
(m) Mouquim 
           
 Caniços (g)
(m) Famalicão 
           
 Irivo (d)
(m) Barrimau 
           
 Santo Tirso (g)
(m) Esmeriz 
           
 Cête (d)
(m)(g) Lousado 
           
 Parada (d)
(m) Trofa 
           
 Recarei-Sobreira (d)
(m) Portela 
           
 Trancoso (d)
(m) São Romão 
           
 Terronhas (d)
(m) São Frutuoso 
           
 S. Martinho do Campo (d)
(m) Leandro 
           
 Valongo (d)
(m) Travagem 
           
 Suzão (d)
(m)(d) Ermesinde 
           
 Cabeda (d)
(j)(x) São Gemil 
           
 Ág. Santas / Palm.ª (m)
(x) Hospital de S. João (*) 
           
 Rio Tinto (m)
(x) S. Mamede de Infesta 
           
 Contumil (m)
(x) Arroteia (*) 
           
 Porto (Campanhã) (n)(m)
(x) Leça do Balio 
           
 Porto (São Bento) (m)
(x) Leixões (*) 
           
 General Torres (n)
(n) Aveiro 
           
 Vila Nova de Gaia (n)
(n) Cacia 
           
 Coimbrões (n)
(n) Canelas 
           
 Madalena (n)
(n) Salreu 
           
 Valadares (n)
(n) Estarreja 
           
 Francelos (n)
(n) Avanca 
           
 Miramar (n)
(n) Válega 
           
 Aguda (n)
(n) Ovar 
           
 Granja (n)
(n) Carvalheira-Maceda 
           
 Espinho (n)
(n) Cortegaça 
           
 Silvalde (n)
(n) Esmoriz 
             
 Paramos (n)

Linhas: d Linha do Dourog Linha de Guimarães
b Ramal de Bragam Linha do Minhon Linha do Norte
j Concordância de São Gemilx Linha de Leixões
(*) planeado Fonte: Página oficial, 2010.04


Ver tambémEditar

Referências

  1. REIS et al, 2006:90
  2. «Linhas de Circulação e Plataformas de Embarque». Directório da Rede 2011. Rede Ferroviária Nacional. 25 de Março de 2010. p. 67-89 
  3. a b c d e MARTINS et al, 1996:38
  4. a b c d e f MARTINS et al, 1996:39
  5. REIS et al, 2006:44
  6. MARTINS et al, 1996:37
  7. a b c d e MARTINS et al, 1996:40-41
  8. a b c SOUSA, José Fernando de (1 de Outubro de 1938). «Linha de Circunvalação do Porto» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 50 (1219). p. 439-442. Consultado em 11 de Outubro de 2018 
  9. «Parte Oficial» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 47 (1132). 16 de Fevereiro de 1935. p. 81. Consultado em 31 de Dezembro de 2016 
  10. «Caminhos de Ferro Nacionais» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 47 (1139). 1 de Junho de 1935. p. 254. Consultado em 31 de Dezembro de 2016 
  11. «Parte Oficial» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 49 (1197). 1 de Novembro de 1937. p. 520-522. Consultado em 31 de Dezembro de 2016 
  12. «Parte Oficial» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 50 (1208). 16 de Abril de 1938. p. 190-192. Consultado em 11 de Novembro de 2018 
  13. «Troços de linhas férreas portuguesas abertas à exploração desde 1856, e a sua extensão» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 69 (1652). 16 de Outubro de 1956. p. 528-530. Consultado em 4 de Setembro de 2013 
  14. «Parte Oficial» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 50 (1216). 16 de Agosto de 1938. p. 391-393. Consultado em 11 de Novembro de 2018 
  15. MARTINS et al, 1996:272
  16. MARTINS et al, 1996:222
  17. MARTINS et al, 1996:225
  18. REIS et al, 2006:150
  19. REIS et al, 2006:202
  20. SIMÕES, Pedro (1 de Fevereiro de 2011). «Deixa de apitar o comboio fantasma». Jornal de Notícias. Consultado em 4 de Setembro de 2013 
  21. CIPRIANO, Carlos (16 de Outubro de 1956). «Takargo ultrapassou um milhão de toneladas transportadas em 2015». Gazeta dos Caminhos de Ferro. 27 (9537). p. 21 

BibliografiaEditar

  • MARTINS, João; BRION, Madalena; SOUSA, Miguel; et al. (1996). O Caminho de Ferro Revisitado: O Caminho de Ferro em Portugal de 1856 a 1996. Lisboa: Caminhos de Ferro Portugueses. 446 páginas 
  • REIS, Francisco; GOMES, Rosa; GOMES, Gilberto; et al. (2006). Os Caminhos de Ferro Portugueses 1856-2006. Lisboa: CP-Comboios de Portugal e Público-Comunicação Social S. A. 238 páginas. ISBN 989-619-078-X 
 
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Ligações ExternasEditar