Estação Ferroviária de Mafra

estação ferroviária em Portugal

A estação ferroviária de Mafra é uma interface da Linha do Oeste, situada no lugar de Mafra-Gare, na freguesia de Igreja Nova e Cheleiros do município nominal, no Distrito de Lisboa, em Portugal.

Mafra
Estação Ferroviária de Mafra
painel azulejar na estação de Mafra, em 2008
Identificação: 62166 MAF (Mafra)[1]
Denominação: Estação de Mafra
Administração: Infraestruturas de Portugal (até 2020: centro;[2] após 2020: sul)[3]
Classificação: E (estação)[1]
Tipologia: D [3]
Linha(s): Linha do Oeste (PK 33+212)
Coordenadas: 38°53′51.02″N × 9°17′29.14″W

(=+38.89751;−9.29143)

Mapa

(mais mapas: 38° 53′ 51,02″ N, 9° 17′ 29,14″ O; IGeoE)
Município: border link=Mafra (Portugal)Mafra
Serviços:
Estação anterior Comboios de Portugal Comboios de Portugal Estação seguinte
Malveira
C. Rainha
  IR   Sabugo
Lisboa S.Ap.
Malveira
Leiria
Fig. Foz
  R   Pedra Furada
Lisboa S.Ap.
Malveira
C. Rainha
    Pedra Furada
M.S.-Meleças

Coroa: Navegante
Conexões:
Ligação a autocarros
Ligação a autocarros
2150 2627
Equipamentos: Sala de espera Lavabos
Inauguração: [quando?]
Website:
 Nota: Este artigo é sobre estação ferroviária da Linha do Oeste que nominalmente serve a vila de Mafra, em Portugal. Para estação ferroviária da Estrada de Ferro São Paulo - Rio Grande que servia o município de Mafra, em Santa Catarina, Brasil, veja Mafra (Santa Catarina) § História.
A estação de Mafra, vista do comboio em 2008.

Descrição

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Localização e acessos

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Encontra-se na localidade de Mafra-Gare, tendo acesso pelo Largo da Estação.[4] As localidades mais próximas da estação são Lexim[5] e Moinhos,[6] distando a vila de Mafra mais de oito quilómetros.[7] A estação é servida por paragens de camionagem na estrada próxima, a menos de um quarto de quilómetro mas em declive acentuado.[8]

Infraestrutura

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Vista do comboio para a gare e plataforma, em 2008.

Esta interface apresenta apenas duas vias de circulação (I e II), ambas com 272 m de extensão e cada uma acessível por plataforma de 150 m de comprimento e 90 cm de altura.[3]

O edifício de passageiros situa-se do lado poente da via (lado esquerdo do sentido ascendente, para Figueira da Foz)[9][10] e é revestido de azulejos, maioritariamente produzidos pela Fábrica de Loiça de Sacavém em 1934.[11].

Serviços

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Em dados de 2023, esta interface é servida por comboios de passageiros da C.P. tipicamente com oito circulações diárias em cada sentido, entre Caldas da Rainha ou Coimbra-B ou Figueira da Foz e Lisboa - Santa Apolónia ou Mira Sintra - Meleças; estes serviços são maioritariamente de tipo regional, havendo uma circulação diária em cada sentido de tipo inter-regional (Lisboa-Caldas).[12]

História

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 Ver artigo principal: Linha do Oeste § História
 
Locomotiva 053 descarrilada junto a Mafra, em 14 de Janeiro de 1914.

Século XIX

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Esta interface situa-se no troço entre Cacém e Torres Vedras, que foi aberto à exploração em 21 de Maio de 1887, pela Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses.[13]

Século XX

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Em 1913, existiam carreiras de diligências ligando a estação à vila de Mafra e à Ericeira.[14]

Em 14 de Janeiro de 1914, a circulação foi interrompida junto à estação de Mafra, devido a um descarrilamento provocado por grevistas.[15] No dia 23, reacendeu-se a greve, tendo sido novamente descarrilado um comboio em Mafra.[16]

Em 1934, a Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses realizou obras de reparação parciais nesta estação.[17]

 
Azulejos alusivos à Tapada de Mafra, instalados em 1934.

Na década de 1930, surgiu a ideia de construir a Linha da Ericeira — uma ligação ferroviária a tracção eléctrica entre Lisboa (Carriche) e a Ericeira, passando por Loures e por Mafra.[18] A concessão provisória deste projecto foi atribuída as autarquias de Loures e de Mafra, que, em 1932, já tinham concluído os estudos.[18] Este caminho de ferro teria a mesma bitola (90 cm) do que os eléctricos de Lisboa.[19]

A exemplo de casos semelhantes outrures no país, o isolamento da estação promoveu desde cedo serviços de “diligência” entre a estação e a distante localidade nominal, primeiro de tração animal, como dito, e mais tarde com recurso a autocarros — assim nasceu a Empresa de Viação Mafrense, que em 1959 inauguraria em Mafra a sua central de Camionagem (na atual Av. 25 de Abril) com instalações de apoio ao passageiro que incluíam bilheteira autorizada a revender bilhetes para a Linha do Oeste.[20]

Século XXI

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Em Janeiro de 2011, apresentava duas vias de circulação, com 273 e 275 m de comprimento; as plataformas tinham 110 e 72 m de extensão, e 70 e 65 cm de altura[21] — valores mais tarde[quando?] alterados para os atuais.[3]

Nos finais da década de 2010 foi finalmente aprovada a modernização e eletrificação da Linha do Oeste; no âmbito do projeto de 2018 para o troço a sul das Caldas da Rainha, a Estação da Mafra irá ser alvo de remodelação a nível das plataformas e respetivo equipamento, prevendo-se a instalação de um sistema ATV — sinalização para atravessamento de via seguro (ao PK 33+283); manter-se-á a passagem inferior da Estrada do Paço Belmonte (ao PK 33+384).[22]

Documentação oficial publicada em finais de 2022 indicava já esta estação como tendo as vias de circulação eletrificadas em toda a sua extensão.[3]

CP-USGL + CP-Reg + Soflusa + Fertagus
 
             
 
(n) Azambuja 
               
 Praias do Sado-A (u)
(n) Espadanal da Azambuja 
               
 Praça do Quebedo (u)
(n) Vila Nova da Rainha 
             
 Setúbal (u)
**(n) Carregado 
     
 
 
     
 Palmela (u)
(n) Castanheira do Ribatejo 
             
 Venda do Alcaide (u)
(n) Vila Franca de Xira 
       
 
 
 Pinhal Novo (u)(a)
(n) Alhandra 
             
 Penteado (a)
(n) Alverca   Moita (a)
(n) Póvoa   Alhos Vedros (a)
(n) Santa Iria   Baixa da Banheira (a)
(n) Bobadela   Lavradio (a)
(n) Sacavém   Barreiro-A (a)
(n) Moscavide   Barreiro (a)
(n) Oriente   (Soflusa)
(n)(z) Braço de Prata 
         
 
 
 Terreiro do Paço (a)
 
 
 
 
 
 
 
 
 Penalva (u)
(n)(ẍ) Santa Apolónia 
 
 
 
 
 
       
 Coina (u)
(z) Marvila 
 
         
 Fogueteiro (u)
(z) Roma-Areeiro 
           
 Foros de Amora (u)
(z) Entrecampos 
           
 Corroios (u)
(z)(7) Sete Rios 
           
 Pragal (u)
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Campolide (z)(s)(u)*
(s) Benfica   Rossio (s)
(s) Santa Cruz-Damaia   Cais do Sodré (c)
(s) Reboleira   Santos (c)
(z) Alcântara-Terra 
 
 
 
 
   
 Alcântara-Mar (c)
(s) Amadora   Belém (c)
(s) Queluz-Belas   Algés (c)
(s) Monte Abraão   Cruz Quebrada (c)
(s) Massamá-Barcarena   Caxias (c)
(s)(o) Agualva-Cacém   Paço de Arcos (c)
 
 
 
         
 Santo Amaro (c)
(o) Mira Sintra-Meleças   Rio de Mouro (s)
(s) Mercês   Oeiras (c)
(s) Algueirão - Mem Martins   Carcavelos (c)
(s) Portela de Sintra   Parede (c)
(s) Sintra   São Pedro Estoril (c)
(o) Sabugo 
           
 São João Estoril (c)
(o) Pedra Furada 
           
 Estoril (c)
(o) Mafra 
           
 Monte Estoril (c)
(o) Malveira 
           
 Cascais (c)
**(o) Jerumelo 
 
 
     
 

2019-2021 []

Linhas: a L.ª Alentejoc L.ª Cascaiss L.ª Sintra C.ª X.
n L.ª Norteo L.ª Oestez L.ª Cinturau L.ª Sul7 C.ª 7 R.
(*) vd. Campolide-A   (**)   continua além z. tarif. Lisboa

(***) Na Linha do Norte (n): há diariamente dois comboios regionais nocturnos que param excepcionalmente em todas as estações e apeadeiros.
Fonte: Página oficial, 2020.06

Ver também

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Referências

  1. a b (I.E.T. 50/56) 56.º Aditamento à Instrução de Exploração Técnica N.º 50 : Rede Ferroviária Nacional. IMTT, 2011.10.20
  2. Diretório da Rede 2021. IP: 2019.12.09
  3. a b c d Diretório da Rede 2024. I.P.: 2022.12.09
  4. «Mafra - Linha do Oeste». Infraestruturas de Portugal. Consultado em 4 de Dezembro de 2016 
  5. OpenStreetMaps / GraphHopper. «Cálculo de distância pedonal (38,8976; −9,2915 → 38,9162; −9,2955)». Consultado em 17 de junho de 2023 : 3050 m: desnível acumulado de +96−74 m
  6. OpenStreetMaps / GraphHopper. «Cálculo de distância pedonal (38,8976; −9,2915 → 38,9162; −9,2955)». Consultado em 17 de junho de 2023 : 2800 m: desnível acumulado de +83−32 m
  7. OpenStreetMaps / GraphHopper. «Cálculo de distância rodoviária (38,89760; −9,29146 → 38,93686; −9,32751)». Consultado em 17 de junho de 2023 : 8200 m: desnível acumulado de +229−155 m
  8. OpenStreetMaps / GraphHopper. «Cálculo de distância pedonal (38,89760; −9,29146 → 38,89833; −9,29049)». Consultado em 17 de junho de 2023 : 241 m: desnível acumulado de +3−8 m
  9. (anónimo): Mapa 20 : Diagrama das Linhas Férreas Portuguesas com as estações (Edição de 1985), CP: Departamento de Transportes: Serviço de Estudos: Sala de Desenho / Fergráfica — Artes Gráficas L.da: Lisboa, 1985
  10. Diagrama das Linhas Férreas Portuguesas com as estações (Edição de 1988), C.P.: Direcção de Transportes: Serviço de Regulamentação e Segurança, 1988
  11. PEREIRA, 1995: 419
  12. Comboios Regionais : Linha do Oeste : Lisboa / Mira Sintra-Meleças ⇄ Caldas da Rainha / Coimbra («horário em vigor desde 2023.06.05»). Esta informação refere-se aos dias úteis.
  13. TORRES, Carlos Manitto (16 de Janeiro de 1958). «A evolução das linhas portuguesas e o seu significado ferroviário» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 70 (1682). p. 61-64. Consultado em 9 de Maio de 2014 
  14. «Serviço de Diligencias». Guia official dos caminhos de ferro de Portugal. 39 (168). Outubro de 1913. p. 152-155. Consultado em 7 de Março de 2018 
  15. MARTINS et al, 1996:253
  16. MARQUES, 2014:126
  17. «O que se fez nos Caminhos de Ferro Portugueses, durante o ano de 1934» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 47 (1130). 16 de Janeiro de 1935. pp. 50–51. Consultado em 9 de Março de 2014 
  18. a b Ornellas, Carlos de (16 de Abril de 1932). «A Construção do Caminho de Ferro Eléctrico Carriche-Loures-Mafra-Ericeira» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 45 (1064). p. 189-190. Consultado em 9 de Março de 2014 
  19. ORNELLAS, Carlos de (1 de Fevereiro de 1932). «O Caminho de Ferro Eléctrico Carriche - Loures - Mafra - Ericeira» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 45 (1059). p. 71. Consultado em 9 de Março de 2014 
  20. José Luís Covita: “A “Empresa de Viação Mafrense” de João Sardinha Dias: 75 anos de autocarrosTransportes em Revista 34 (2005.12)
  21. «Linhas de Circulação e Plataformas de Embarque». Directório da Rede 2012. Rede Ferroviária Nacional. 6 de Janeiro de 2011. p. 71-85 
  22. Corredor Complementar : Elaboração do projeto de modernização da Linha do Oeste – troço Mira Sintra / Meleças – Caldas da Rainha, entre os km 20+320 e 107+740 : PF06 - Linha do Oeste : Projeto de execução : Volume 00 – Projeto Geral : Tomo 0.4 – RECAPE : Resumo Não Técnico : v.01 2018.10

Bibliografia

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  • MARQUES, Ricardo (2014). 1914: Portugal no ano da Grande Guerra 1.ª ed. Alfragide: Oficina do Livro - Sociedade Editora, Lda. 302 páginas. ISBN 978-989-741-128-1 
  • MARTINS, João; BRION, Madalena; SOUSA, Miguel; et al. (1996). O Caminho de Ferro Revisitado: O Caminho de Ferro em Portugal de 1856 a 1996. Lisboa: Caminhos de Ferro Portugueses. 446 páginas 
  • PEREIRA, Paulo (1995). História da Arte Portuguesa. 3. Barcelona: Círculo de Leitores. 695 páginas. ISBN 972-42-1225-4 
 
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Ligações externas

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