Estação Ferroviária de Marco de Canaveses

estação ferroviária em Portugal

A Estação Ferroviária de Marco de Canaveses (nome anteriormente grafado como "Canavezes"), originalmente e por vezes ainda conhecida apenas como do Marco, é uma interface da Linha do Douro, que serve a cidade de Marco de Canaveses, no Distrito do Porto, em Portugal.

Marco de Canaveses
a estação de Marco de Canavezes, em 2009.
Identificação:[1] 09001 MCS (M.Canaveses)
Denominação: Estação de Marco de Canaveses
Administração: Infraestruturas de Portugal (norte)[2]:3.3.3.2
Classificação: E (estação)[3][4]
Linha(s): Linha do Douro (PK 59,954)
Altitude: 120 m (a.n.m)
Coordenadas: 41°10′51.32″N × 8°8′12.97″W

(≍+41.18092;−8.13694)

(mais mapas: 41° 10′ 51,32″ N, 8° 08′ 12,97″ O)
Concelho: bandeiraMarco de Canaveses
Serviços: M R IR
Conexões:
Ligação a autocarros
3
Serviço de táxis
MCN
Equipamentos: Bilheteiras Sala de espera Telefones públicos Lavabos Parque de estacionamento Acesso para pessoas de mobilidade reduzida Lavabos adaptados
Endereço: Av. Manuel Pereira Soares
PT-4630-207 Marco de Canaveses
Diagrama:
Website:
Disambig grey.svg Nota: Para outras interfaces ferroviárias com nomes semelhantes ou relacionados, veja Estação Ferroviária de São Marcos ou Estação Marcos Freire.

DescriçãoEditar

 
Vagões de tipo Tdgs na Estação do Marco em 2008.

Esta interface situa-se na localidade de Marco de Canaveses, junto à Avenida Manuel Pereira Soares.[5]

Segundo dados oficiais publicados em Janeiro de 2011, a estação possuía três vias de circulação, duas com 316 e uma com 374 m de comprimento, e duas gares, com 138 e 210 m de comprimento, e uma altura de 30 cm.[6] O edifício de passageiros situa-se do lado sudoeste da via (lado esquerdo do sentido ascendente, a Barca d’Alva).[7][8] Conta com uma bilheteira, bem como uma máquina de validação e venda de bilhetes automática. A estação é acessível a pessoas de mobilidade reduzida e conta com WC adaptado.[1] Tem uma pequena sala de espera.[1]

É servida por uma praça de táxis, bem como uma paragem de autocarro,[1] "Estação", na carreira 3 do Urbmarco - Serviço de Autocarros Urbanos do Marco, operado pela Transdev.[9] Conta ainda com um pequeno parque de estacionamento,[1] em ampliação em 2021.[10]

A estação é utilizada por comboios Regionais, InterRegionais e Urbanos do Porto da operadora Comboios de Portugal.[11]

HistóriaEditar

 
Estação de Marco de Canaveses na década de 1880, apresentando o nome original — Marco.
 Ver artigo principal: Linha do Douro § História

Esta estação faz parte do troço da Linha do Douro entre Caíde e Juncal, que foi inaugurado em 15 de Setembro de 1878.[12]

Um diploma do Ministério das Comunicações publicado no Diário do Governo n.º 90, II Série, de 19 de Abril de 1948, aprovou um projecto da Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses para a ampliação da estação de Marco de Canaveses.[13] No XIII Concurso das Estações Floridas, em 1954, a estação de Marco foi premiada com uma menção honrosa especial.[14] Em meados de 1968, a Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses estava a preparar um contrato para a renovação de vários troços, incluindo uma intervenção parcial entre Ermesinde e Marco de Canaveses.[15]

 
Comboio histórico na estação de Marco de Canaveses, em 2016.

Em 12 de Fevereiro de 2016, o Ministro do Planeamento e das Infraestruturas anunciou publicamente a criação do Plano de Investimentos Ferroviários – Ferrovia 2020, ao abrigo do qual deveriam ser construídas novas vias férreas e a remodelação de diversos lanços, tendo uma das obras previstas para 2017 sido a modernização da via férrea entre Marco de Canaveses e Régua.[16] Previa-se que aquela intervenção iria custar cerca de 46 milhões de Euros.[17] Em Novembro de 2017, a operadora Rede Ferroviária Nacional anunciou a intenção de encerrar o lanço entre Marco de Canaveses e Caíde durante cerca de três meses, de forma a proceder à sua modernização sem ter os problemas relativos à circulação dos comboios, sendo os serviços de passageiros substituídos por autocarros.[18] Porém, esta solução foi criticada pelo presidente da Câmara Municipal da Régua, José Manuel Gonçalves, que referiu o impacto negativo que esta interrupção iria causar na procura devido à necessidade de transbordos duplos, principalmente no mercado turístico.[18] Além disso, manifestou as suas dúvidas em relação aos prazos anunciados pela REFER: «pela experiência que tenho naquilo que vejo das obras ferroviárias, os prazos nunca são cumpridos e os três meses podem ser um ano».[18] O autarca do município de Mesão Frio, Alberto Pereira, também se manifestou contra a intenção daquela empresa, que classificou como «muito má, tanto para os turistas como para as populações», tendo sugerido que em vez disso as obras fossem feitas durante as horas em que aquele lanço não tinha movimento.[18]

Em 4 de Fevereiro de 2018, um comboio com destino a uma unidade da CIMPOR descarrilou à saída da estação de Marco de Canaveses, não tendo provocado feridos, mas parte da plataforma ficou destruída.[19]

 
Dresine da Rede Ferroviária Nacional na estação de Marco de Canaveses, em 2009.
CP Urbanos do Porto

(Serv. ferr. suburb. de passageiros no Grande Porto)
Serviços:   Aveiro  Braga
  Marco de Canaveses  Guimarães


(b) Ferreiros 
     
 Braga (b)
(b) Mazagão 
     
 Guimarães (g)
(b) Aveleda 
     
 Covas (g)
(b) Tadim 
     
 Nespereira (g)
(b) Ruilhe 
     
 Vizela
(b) Arentim 
     
 Pereirinhas (g)
(b) Cou.Cambeses 
     
 Cuca (g)
(m)(b) Nine 
     
 Lordelo (g)
(m) Louro 
     
 Giesteira (g)
(m) Mouquim 
     
 Vila das Aves (g)
(m) Famalicão 
     
 Caniços (g)
(m) Barrimau 
         
 Santo Tirso (g)
(m) Esmeriz 
 
 
 
   
 Cabeda (d)
(m)(g) Lousado   Suzão (d)
(m) Trofa   Valongo (d)
(m) Portela   S. Mart. Campo (d)
(m) São Romão   Terronhas (d)
(m) São Frutuoso   Trancoso (d)
(m) Leandro   Rec.-Sobreira (d)
(m) Travagem   Parada (d)
(m)(d) Ermesinde   Cête (d)
(m) Palmilheira 
 
 
 
     
 Irivo (d)
(m) Águas Santas 
 
 
 
     
 Oleiros (d)
(m) Rio Tinto   Paredes (d)
(m) Contumil   Penafiel (d)
(d)(n) P.-Campanhã   Bustelo (d)
 
       
 
 
 Meinedo (d)
(m) P.-São Bento 
     
 
       
 
(n) General Torres 
     
 
 
 Caíde (d)
(n) Gaia 
 
 
     
 Oliveira (d)
(n) Coimbrões 
         
 Vila Meã (d)
(n) Madalena 
         
 Livração (d)
(n) Valadares 
         
 Recesinhos (d)
(n) Francelos 
         
 M.Canaveses (d)
(n) Miramar 
         
 Aveiro (d)
(n) Aguda 
         
 Cacia (d)
(n) Granja 
         
 Canelas (n)
(n) Espinho 
         
 Salreu (n)
(n) Silvalde 
         
 Estarreja (n)
(n) Paramos 
         
 Avanca (n)
(n) Esmoriz 
         
 Válega (n)
(n) Cortegaça 
         
 Ovar (n)
 
         
 Carv.-Maceda (n)

Entre os finais de Novembro de 2018 e Março de 2019, a operadora Comboios de Portugal colocou ao serviço carruagens Schindler da Década de 1940 nos comboios entre Marco de Canaveses e o Pocinho, durante as obras de electrificação do lanço entre Caíde e Marco de Canaveses.[20] Esta medida deveu-se ao mau estado de conservação das automotoras espanholas alugadas a Portugal, que provoca avarias frequentes naqueles veículos.[20] Em Outubro de 2018, a empresa Infraestruturas de Portugal anunciou que iria abrir os concursos para a instalação de novos sistemas de sinalização e controlo em vários lanços da rede ferroviária, incluindo no lanço entre Marco de Canaveses e Régua, no âmbito do programa Ferrovia 2020.[21]

A 15 de Julho de 2019 foi inaugurada a electrificação do troço Caíde-Marco de Canaveses, possibilitando a chegada dos comboios urbanos da à estação marcoense, que passou a ser términus de uma das linhas da CP Porto.[22]

Em 11 de Setembro de 2019, António Costa garantiu, durante a sua campanha eleitoral, que as obras da electrificação entre Marco de Canaveses e Régua iriam ter início no final do ano.[23] No entanto, em Novembro desse ano, a empresa Infraestruturas de Portugal suspendeu várias obras que eram consideradas prioritárias como parte do programa Ferrovia 2020, incluindo a electrificação daquele lanço da Linha do Douro.[24] O Ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, afirmou que neste caso o problema tenha sido a falta de qualidade do projecto, que teve de ser refeito por um novo projectista.[25]

Tiveram início em fevereiro de 2021 obras para ampliar o parque de estacionamento da estação com mais 130 lugares e a construção de um edifício de suporte, bem como para o melhoramento da área envolvente à estação através da criação de uma ARU (Área de Reabilitação Urbana).[10]

Ver tambémEditar

Referências

  1. a b c d e (I.E.T. 50/56) 56.º Aditamento à Instrução de Exploração Técnica N.º 50 : Rede Ferroviária Nacional. IMTT, 2011.10.20
  2. Diretório da Rede 2021. IP: 2019.12.09
  3. Instrução de exploração técnica nº 2 : Índice dos textos regulamentares em vigor. IMTT, 2012.11.06
  4. Instrução de Exploração Técnica N.º 50. INTF («Entrada em vigor 11 de Dezembro de 2005»): p.5
  5. «Marco de Canaveses». Comboios de Portugal. Consultado em 22 de Novembro de 2014 
  6. «Linhas de Circulação e Plataformas de Embarque». Directório da Rede 2012. Rede Ferroviária Nacional. 6 de Janeiro de 2011. p. 71-85 
  7. (anónimo): Mapa 20 : Diagrama das Linhas Férreas Portuguesas com as estações (Edição de 1985), CP: Departamento de Transportes: Serviço de Estudos: Sala de Desenho / Fergráfica — Artes Gráficas L.da: Lisboa, 1985
  8. Diagrama das Linhas Férreas Portuguesas com as estações (Edição de 1988), C.P.: Direcção de Transportes: Serviço de Regulamentação e Segurança, 1988
  9. Transdev (4 de julho de 2019). «UrbMarco : Marco de Canaveses em movimento» (PDF). Transdev Portugal. pp. 2–3. Consultado em 25 de junho de 2021 
  10. a b «Marco de Canaveses investe 775 mil euros em obras junto às estações ferroviárias». www.jn.pt. Consultado em 25 de junho de 2021 
  11. «Horário Comboios Porto / Régua - Pocinho» (PDF). Comboios de Portugal. 1 de Fevereiro de 2020. Consultado em 9 de Fevereiro de 2020 
  12. «Troços de linhas férreas portuguesas abertas à exploração desde 1856, e a sua extensão» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 69 (1652). 16 de Outubro de 1956. p. 528-530. Consultado em 23 de Abril de 2013 – via Hemeroteca Digital de Lisboa 
  13. «Parte Oficial» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 60 (1450). 16 de Maio de 1948. p. 323-324. Consultado em 26 de Novembro de 2016 – via Hemeroteca Digital de Lisboa 
  14. «XIII Concurso das Estações Floridas» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 67 (1608). 16 de Dezembro de 1954. p. 365. Consultado em 26 de Novembro de 2016 – via Hemeroteca Digital de Lisboa 
  15. «Vão melhorar os serviços da C. P.» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 81 (1928). 16 de Agosto de 1968. p. 96. Consultado em 26 de Novembro de 2016 – via Hemeroteca Digital de Lisboa 
  16. PEDRAS, Miguel (18 de Outubro de 2018). «Ferrovia 2020 começa a dar os primeiros passos». Transportes em Revista. Consultado em 9 de Fevereiro de 2020 
  17. PINHEIRO, Ana Margarida (21 de Fevereiro de 2017). «Ferrovia 2020. Arrancam primeiros 58 milhões de investimento». Dinheiro Vivo. Consultado em 9 de Fevereiro de 2020 
  18. a b c d CIPRIANO, Carlos (21 de Outubro de 2017). «Infraestruturas de Portugal quer fechar linha do Douro para obras». Público. Consultado em 8 de Março de 2021 
  19. «Comboio de mercadorias descarrila em Marco de Canaveses apenas com danos materiais». Rádio Televisão Portuguesa. 4 de Fevereiro de 2018. Consultado em 8 de Março de 2021 
  20. a b NUNES, Diogo Ferreira (26 de Maio de 2019). «Comboios turísticos seguram linhas do Douro e Minho». Dinheiro Vivo. Consultado em 9 de Fevereiro de 2020 
  21. PEDRAS, Miguel (22 de Fevereiro de 2017). «IP investe 63 milhões de euros em sinalização nas linhas de comboios». Transportes em Revista. Consultado em 9 de Fevereiro de 2020 
  22. «António Costa inaugurou troço eletrificado Caíde-Marco». Amarante Magazine. 15 de julho de 2019. Consultado em 25 de setembro de 2022 
  23. «Governo suspende 18 obras na ferrovia no norte e centro». Jornal Económico. 19 de Novembro de 2019. Consultado em 9 de Fevereiro de 2020 
  24. «Obras prioritárias na ferrovia canceladas ou atrasadas». Diário de Notícias. 19 de Novembro de 2019. Consultado em 9 de Fevereiro de 2020 
  25. MATEUS, Cátia (19 de Novembro de 2019). «Ministro nega suspensão de obras na ferrovia. "Desistência ou supensão de projetos, não existe uma única"». Expresso. Consultado em 9 de Fevereiro de 2020 
 
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Ligações externasEditar

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