Estação Ferroviária de Roma-Areeiro

estação ferroviária em Portugal
Roma-Areeiro
BSicon BAHN.svg
Vista geral da estação Roma-Areeiro.
Identificação[1] 66035 RAR (Roma-Areeiro)
Denominação Estação de Roma-Areeiro
Classificação ES (estação)
Coordenadas
38° 44′ 44,5″ N, 9° 08′ 07,86″ O
Concelho bandeiraLisboa
Linha(s) Linha de Cintura (PK 7,014)
Coroa L
Serviços
Estação anterior Comboios de Portugal Comboios de Portugal Estação seguinte
Entrecampos
Sintra
  CP Lisboa
Linha de Sintra
  Braço de Prata
Oriente
Alverca
Entrecampos
Alcântara-T.
  CP Lisboa
Linha da Azambuja
  Marvila
Cast. Ribatejo
Azambuja
Fertagus Fertagus
Entrecampos
Coina
  010   Terminal
Entrecampos
Setúbal
  020  
Conexões 705 727 793
Equipamentos Serviço de táxis Bilheteiras e/ou máquinas de venda de bilhetes Lavabos Telefones públicos Caixas Multibanco Bar ou cafetaria Zona Comercial Lavabos adaptados Parque de estacionamento Rampa ou elevador para acesso aos comboios Escadas rolantes Sala de espera Estação sem barreiras arquitectónicas Guarda de bagagem
Inauguração
  • remodelação: Setembro de 2003 (há 16 anos)
Website
Escultura junto ao acessso pela Av. Roma.
Disambig grey.svg Nota: Este artigo é sobre a estação ferroviária. Para as estações de metropolitano relacionadas, veja Estação Roma ou Estação Areeiro.

A Estação Ferroviária de Roma-Areeiro (até 2003[2], Apeadeiro do Areeiro), originalmente conhecida como Arieiro, é uma estação de passageiros da Linha de Cintura; situa-se na cidade de Lisboa, em Portugal.

Passagem mecanizada que liga à Avenida de Roma.

DescriçãoEditar

Localização e acessosEditar

A estação prolonga-se entre as avenidas de Roma e Almirante Gago Coutinho,[2] e tem acesso pela Avenida Frei Miguel Contreiras[3] e pela Praça Afrânio Peixoto.[carece de fontes?] É aproximadamente equidistante das estações de metro Roma e Areeiro; apesar de ter sido renomeada para sugerir correspondência fácil[2], é necessário transitar na via pública (respetivamente, 750 m e 430 m) para as alcançar.

Vias de circulação e plataformasEditar

Em Janeiro de 2011 possuía quatro vias de circulação, com 250 a 305 m, tendo as plataformas 191 a 234 m e 90 cm de altura.[4]

 
Terminal Técnico de Chelas, situado imediatamente a seguir a Roma-Areeiro, na direção Chelas.

ServiçosEditar

Roma-Areeiro é usada pelos serviços da Fertagus, e da CP Urbanos de Lisboa (Linha da Azambuja e Linha de Sintra).

FertagusEditar

Roma-Areeiro é o terminal da Fertagus em Lisboa, desde 2003.[2] O interesse desta operadora em prolongar o serviço até à Gare do Oriente tem sido repetidamente ventilado.[carece de fontes?] Em finais de 2014, no jornal Público criticou-se a situação dos comboios da Fertagus terem a sua estação terminal aqui, «forçando os passageiros» daquela operadora a apanhar outro comboio suburbano até à Gare do Oriente, imputando-se à falta de material circulante disponível o impedimento à a Fertagus de prolongar os seus serviços.[5] Já outros comentadores ferroviários, no mesmo ano, apontavam o dedo à via dupla entre Braço de Prata e Roma-Areeiro, vaticinando a quadruplicação como inevitável a prazo.[6]

HistóriaEditar

 
Aspeto do Apeadeiro em 1938.

A estação encontra-se no lanço original da Linha de Cintura, entre Benfica e Santa Apolónia, que foi aberto à exploração no dia 20 de Maio de 1888.[7]

Em 28 de Outubro de 1931, a Comissão Especial de Novas Obras aprovou um estudo do engenheiro Vicente Ferreira para a instalação de uma nova estação na cidade de Lisboa, nos terrenos junto à zona do Areeiro, entre a Avenida Almirante Reis e o complexo do Instituto Superior Técnico.[8] A construção da nova estação central de Lisboa, no Areeiro, fazia parte de um plano de investimentos da Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses, que acabou por ser cancelado devido à crise económica mundial.[9]

Em 1940, a Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses organizou comboios especiais com bilhetes a preços reduzidos até Belém, por ocasião da Exposição do Mundo Português, que também tinham paragem nesta estação, então ainda denominada Arieiro.[10]

CP-USGL + CP-Reg + Soflusa + Fertagus
(Serviços ferroviários suburbanos de passageiros na Grande Lisboa)
Serviços:   Cascais (CP)  Sintra (CP)  Azambuja (CP)
  Sado (CP+Soflusa)  CP Regional (R+IR)  Fertagus
 
             
 
(n) Azambuja 
               
 Praias do Sado-A (u)
(n) Espadanal da Azambuja 
               
 Praça do Quebedo (u)
(n) Vila Nova da Rainha 
             
 Setúbal (u)
**(n) Carregado 
     
 
 
     
 Palmela (u)
(n) Castanheira do Ribatejo 
             
 Venda do Alcaide (u)
(n) Vila Franca de Xira 
       
 
 
 Pinhal Novo (u)(a)
(n) Alhandra 
             
 Penteado (a)
(n) Alverca 
               
 Moita (a)
(n) Póvoa 
               
 Alhos Vedros (a)
(n) Santa Iria 
               
 Baixa da Banheira (a)
(n) Bobadela 
               
 Lavradio (a)
(n) Sacavém 
               
 Barreiro-A (a)
(n) Moscavide 
               
 Barreiro (a)
(n) Oriente 
           
 (Soflusa)
(n)(z) Braço de Prata 
         
 
 
 Terreiro do Paço (a)
 
 
 
 
 
 
 
 
 Penalva (u)
(n)(ẍ) Santa Apolónia 
 
 
 
 
 
       
 Coina (u)
(z) Marvila 
 
         
 Fogueteiro (u)
(z) Roma-Areeiro 
           
 Foros de Amora (u)
(z) Entrecampos 
           
 Corroios (u)
(z)(7) Sete Rios 
           
 Pragal (u)
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Campolide (z)(s)(u)*
(s) Benfica 
             
 Rossio (s)
(s) Santa Cruz-Damaia 
             
 Cais do Sodré (c)
(s) Reboleira 
             
 Santos (c)
(z) Alcântara-Terra 
 
 
 
 
   
 Alcântara-Mar (c)
(s) Amadora 
               
 Belém (c)
(s) Queluz-Belas 
               
 Algés (c)
(s) Monte Abraão 
               
 Cruz Quebrada (c)
(s) Massamá-Barcarena 
               
 Caxias (c)
(s)(o) Agualva-Cacém 
               
 Paço de Arcos (c)
 
 
 
         
 Santo Amaro (c)
(o) Mira Sintra-Meleças 
               
 Rio de Mouro (s)
(s) Mercês 
             
 Oeiras (c)
(s) Algueirão - Mem Martins 
             
 Carcavelos (c)
(s) Portela de Sintra 
             
 Parede (c)
(s) Sintra 
             
 São Pedro Estoril (c)
(o) Telhal 
           
 São João Estoril (c)
(o) Sabugo 
           
 Estoril (c)
(o) Pedra Furada 
           
 Monte Estoril (c)
(o) Mafra 
           
 Cascais (c)
(o) Malveira 
   
 
   
 Jerumelo (o)**

2015-2019 []

Linhas: a L.ª Alentejoc L.ª Cascaiss L.ª Sintra C.ª X.
n L.ª Norteo L.ª Oestez L.ª Cinturau L.ª Sul7 C.ª 7 R.
(*) vd. Campolide-A   (**)   continua além z. tarif. Lisboa

Fonte: Página oficial, 2020.06
 
Composição Fertagus fazendo terminal.
Nos princípios da Década de 1990, iniciou-se o programa do Eixo Ferroviário Norte-Sul, para a instalação da via férrea na Ponte 25 de Abril e a modernização parcial da Linha de Cintura, com a construção de novas estações — incluindo a de Roma Areeiro.[11] Após as profundas obras de renovação, que incluíram uma nova gare subterrânea, com acessos às avenidas de Roma e Padre Manuel da Nóbrega, foi re-inaugurada a 7 de setembro de 2003, com a nova designação Estação Ferroviária de Roma-Areeiro.[2] Como tinha sido previsto,[11] o primeiro lanço a entrar ao serviço do Eixo Norte-Sul, para o transporte de passageiros, foi do Areeiro até ao Fogueteiro.[2] A construção da nova interface fez parte das obras entre Chelas e Entrecampos, que tiveram lugar entre Janeiro de 2000 e Agosto de 2003, e que custaram cerca de 49 milhões de euros, valor comparticipado em 80% pelo Fundo de Coesão da União Europeia.[2]
Porém, o programa de modernização, que tinha como propósito desenvolver a Linha de Cintura, considerada como a coluna vertebral do sistema de transportes ferroviário suburbano de Lisboa, não contemplou todo aquele corredor ferroviário, tendo ficado por quadruplicar o lanço entre Roma Areeiro e Braço de Prata,[12] situação que levou a grandes constrangimentos do tráfego dos comboios naquele eixo.[13]

Em Janeiro de 2010, a empresa Rede Ferroviária Nacional informou que tinha aberto o concurso público para a primeira empreitada relativa à inserção das futuras linhas de alta velocidade de Lisboa até ao Porto e Madrid, na rede ferroviária convencional, sendo referente ao lanço entre a estação de Areeiro e o quilómetro 8,300 da Linha do Norte.[14] Em Maio de 2011, já se tinham iniciado as obras preparatórias para a compatibilização das linhas de alta velocidade com a rede ferroviária convencional, entre a Gare do Oriente e a estação de Roma Areeiro.[15] Os planos para as redes ferroviárias de alta velocidade foram cancelados ainda nesse ano pelo governo de Pedro Passos Coelho, como parte do programa de auxílio económico do grupo Troika.[16]

Em 2014, o artista Bordalo II desenhou uma clave de sol no leito da via férrea junto à estação de Roma Areeiro, como parte do seu conjunto de obras de arte urbanas, que incluem várias pinturas de solo no caminho de ferro.[17] Em Janeiro de 2016, ocorreu um incidente em Roma Areeiro, quando um veículo de manutenção de catenária ultrapassou indevidamente um sinal vermelho.[18] Como acontecia com a maioria dos veículos de manutenção de via férrea em Portugal, não estava equipado com um sistema de Controlo de Velocidade, que acciona automaticamente os travões caso a sinalização não seja respeitada.[18] Este incidente causou especial atenção por ter sucedido em condições semelhantes ao desastre ferroviário de Soure, em 31 de Julho de 2020, que provocou dois mortos e várias dezenas de feridos.[19] Em Fevereiro de 2016, os passageiros e os funcionários dos estabelecimentos criticaram a falta de condições na estação de Roma Areeiro, nomeadamente o encerramento das casas de banho desde os finais de 2015 e uma infestação de ratos.[20] Em resposta, a operadora Infraestruturas de Portugal afirmou que a estação tinha sido desinfestada por uma empresa especializada em 14 de Janeiro, e que o encerramento das instalações sanitárias tinha sido no sentido de realizar «algumas intervenções de melhoria e adequação de equipamentos».[20] Em Março, o partido Os Verdes questionou o governo sobre ambos os problemas, mas a praga dos ratos só foi resolvida em Novembro, através de uma operação de desinfestação.[21]

Em 21 de Junho de 2018, avarias na sinalização em Roma Areeiro provocaram perturbações na circulação dos comboios nas linhas de Sintra e da Azambuja.[22] Em Setembro de 2019, estavam previstas obras de reabilitação no átrio Norte da estação de metropolitano do Areeiro, que também deveriam incluir o acesso pela via Norte da Avenida Padre Manuel da Nóbrega, que estava encerrado há diversos anos, e que permitia um melhor acesso até à estação ferroviária de Roma Areeiro.[23]

Em Junho de 2020, as empresas Comboios de Portugal e Infraestruturas de Portugal estavam a estudar a possibilidade de aumentar a oferta na Linha de Sintra, de forma a reduzir as taxas de ocupação, no âmbito das medidas para evitar a propagação da pandemia do COVID-19.[13] Porém, um dos principais obstáculos ao aumento da oferta era o corredor entre entre Roma Areeiro e Braço de Prata, que conta apenas com via dupla, levando a grandes constrangimentos na circulação ferroviária.[13] De forma a resolver esta situação, estava prevista a quadruplicação daquele lanço, mas o prazo de conclusão das obras era só para meados da Década de 2020.[13]

Ver tambémEditar

Referências

  1. (I.E.T. 50/56) 56 º Aditamento à Instrução de Exploração Técnica N.º 50 : Rede Ferroviária Nacional. IMTT, 2011.10.20
  2. a b c d e f g «Comboio da ponte chega hoje à Av. de Roma». Público. 7 de setembro de 2003. Consultado em 12 de Fevereiro de 2019 
  3. «Roma-Areeiro». Comboios de Portugal. Consultado em 28 de Fevereiro de 2020 
  4. «Directório da Rede 2012». Rede Ferroviária Nacional. 6 de Janeiro de 2011. p. 80 
  5. CIPRIANO, Carlos (21 de Dezembro de 2014). «Há linha e há comboios, mas não há serviço entre a margem sul e a gare do Oriente». Público. Consultado em 28 de Fevereiro de 2020 
  6. João Cunha; Pedro Mêda: “Cavalos de Ferro : Infraestruturas ferroviárias de valor acrescentado § Linha de Cintura” Trainspotter 43: 20.
  7. TORRES, Carlos Manitto (16 de Janeiro de 1958). «A evolução das linhas portuguesas e o seu significado ferroviário» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 70 (1682). p. 61-62. Consultado em 25 de Fevereiro de 2013 – via Hemeroteca Digital de Lisboa 
  8. MARTINS et al, 1996:258
  9. BARRETO e MÓNICA, 1999:226
  10. «Horário dos combóios especiais para a Exposição» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 52 (1266). 16 de Setembro de 1940. p. 623. Consultado em 28 de Fevereiro de 2020 – via Hemeroteca Digital de Lisboa 
  11. a b MARTINS et al, 1996:216-217
  12. FURTADO, 2020:67
  13. a b c d NUNES, Diogo Ferreira (30 de Junho de 2020). «Linha de Sintra pode ter mais comboios? Resposta só em setembro». Dinheiro Vivo. Consultado em 5 de Agosto de 2020 
  14. «TGV: Refer abre concurso para 1ª obra». TVI 24. TVI - Televisão Independente. 22 de Janeiro de 2010. Consultado em 5 de Agosto de 2020 
  15. «SIC testemunhou obras do TGV que já decorrem em Lisboa há vários meses». SIC Notícias. SIC - Sociedade Independente de Comunicação. 3 de Maio de 2011. Consultado em 5 de Agosto de 2020 
  16. «Comboio de alta velocidade é "tabu" e está adiado por "muito tempo"». Diário de Notícias. 11 de Fevereiro de 2018. Consultado em 5 de Agosto de 2020 
  17. «Porque há uma clave de Sol nesta linha de comboio em Lisboa?». Shifter. 15 de Janeiro de 2018. Consultado em 5 de Agosto de 2020 
  18. a b «Infraestruturas de Portugal comprometeu-se há dois anos de instalar sistema que podia ter evitado acidente Alfa Pendular, em Soure». Porto Canal. 1 de Agosto de 2020. Consultado em 5 de Agosto de 2020 
  19. «Sindicato dos Maquinistas pede sistema redundante de segurança». TSF - Telefonia sem Fios. 31 de Julho de 2020. Consultado em 5 de Agosto de 2020 
  20. a b «Estação de comboios com ratos e sem casa de banho há dois meses». TVI 24. TVI - Televisão Independente. 1 de Março de 2016. Consultado em 5 de Agosto de 2020 
  21. CARDOSO, Filipe Paiva (10 de Dezembro de 2016). «Estação Roma-Areeiro. Demorou dez meses mas finalmente foi desinfestada de ratos». Dinheiro Vivo. Consultado em 5 de Agosto de 2020 
  22. «CP. Linhas de Sintra e Azambuja com perturbações na circulação». i Online / SAPO. 21 de Junho de 2018. Consultado em 5 de Agosto de 2020 
  23. «Obras na estação de metro do Areeiro vão ser retomadas». New in Town. 29 de Setembro de 2019. Consultado em 5 de Agosto de 2020 
 
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BibliografiaEditar

  • BARRETO, António; MÓNICA, Maria Filomena (1999). Dicionário de História de Portugal: Suplemento A/E. Volume 7 de 9 1.ª ed. Lisboa: Livraria Figueirinhas. 714 páginas. ISBN 972-661-159-8 
  • FURTADO, Francisco (2020). A Ferrovia em Portugal: Passado, presente e futuro. Lisboa: Fundação Francisco Manuel dos Santos. 122 páginas. ISBN 978-989-8943-47-7 
  • REIS, Francisco; GOMES, Rosa; GOMES, Gilberto; et al. (2006). Os Caminhos de Ferro Portugueses 1856-2006. Lisboa: CP-Comboios de Portugal e Público-Comunicação Social S. A. 238 páginas. ISBN 989-619-078-X 

Ligações externasEditar