Estação Ferroviária de Sacavém

estação ferroviária em Portugal

A Estação Ferroviária de Sacavém, originalmente denominada de Sacavem, é uma estação ferroviária da Linha do Norte, situada perto da foz do rio Trancão, na freguesia de Sacavém, concelho de Loures, a oeste da parte norte do Parque das Nações, em Lisboa, Portugal. É utilizada pelos serviços de passageiros da CP Urbanos de Lisboa da Linha da Azambuja e da Linha de Sintra.

Sacavém
BSicon BAHN.svg
Aspeto da gare em 2008, mostrando a integração do edifício antigo.
Identificação:[1] 31062 SAC (Sacavém)
Denominação: Apeadeiro de Sacavém
Classificação: A (apeadeiro)[2]
Coordenadas:
38° 47′ 44,41″ N, 9° 05′ 58,86″ O
Concelho:
Linha(s):
Coroa: Ticket vending icon.svg coroa 1
NYCS-bull-trans-N.svgNavegante
Serviços:
Estação anterior Comboios de Portugal Comboios de Portugal Estação seguinte
Moscavide
Sintra
  CP Lisboa
Linha de Sintra
  Bobadela
Alverca
Moscavide
Alcântara-Terra
  CP Lisboa
Linha da Azambuja
  Bobadela
Cast. Ribatejo
    Bobadela
Azambuja
Moscavide
Santa Apolónia
   

Conexões: 710
Equipamentos: Bilheteiras ou máquina de venda de bilhetes Elevadores Parque de estacionamento Acesso para pessoas de mobilidade reduzida
Inauguração: 28 de outubro de 1856 (há 164 anos)
Website:
Pontes ferroviárias de Sacavém, contíguas à estação, para norte, com duas vias cada, sobre o rio Trancão.
Plataforma do lado poente, em 2008, com vedação protegendo secção menos elevada, fronteira ao edifício original.

DescriçãoEditar

ArquiteturaEditar

A construção, inicialmente em estilo neomanuelino, foi depois reconstruída em materiais mais modernos. O painel de azulejos azul e branco, que identifica a estação ainda com a grafia oitocentista ("Sacavem"), é dos elementos mais antigos da estação, e que subsiste desde os tempos originais.

Vias e garesEditar

No Directório da Rede 2012, publicado pela Rede Ferroviária Nacional em Janeiro de 2011, a estação possuía quatro vias de circulação, com 641, 712 e 747 m de comprimento; as respectivas plataformas tinham 220 e 221 m de comprimento, e 90 cm de altura.[3]

HistóriaEditar

 
Anúncio de 1874 , onde a estação surge com o nome original, Sacavem.

O troço entre Lisboa e o Carregado da Linha do Norte, do qual esta estação se encontra, foi inaugurado no dia 28 de Outubro de 1856.[4] O comboio inaugural passou por aqui sem incidentes, na direcção do Carregado, mas, na viagem em sentido contrário, realizada no dia seguinte, uma das duas locomotivas teve uma avaria a chegar a Sacavém.[5] Assim, algumas das carruagens tiveram de ser deixadas ao longo do caminho, incluindo no interior desta estação, uma vez que a locomotiva restante não possuía potência suficiente para rebocar sozinha a composição inteira.[5] Esta locomotiva continuou, então, com parte do comboio até Lisboa, regressando posteriormente para recolher as carruagens que tinham ficado imobilizadas.[6][5]

Nos horários de 1857, a estação de Sacavém fazia serviço de passageiros e bagagens, nas três classes.[7]

No orçamento da Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses para 1902, estava prevista a instalação de uma via transversal em Sacavém.[8]

 
Antigo edifício da estação de Sacavém, em 2007.

Em 16 de Janeiro de 1914, tropas de artilharia prenderam vários grevistas que estavam a retirar os carris na zona de Sacavém, durante uma grande greve dos trabalhadores da Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses.[9] Três dias depois, a greve voltou a reacender-se, tendo sido descarrilado um comboio entre Sacavém e Santa Iria.[10]

Em 1929, a Companhia dos Caminhos de Ferro tinha preparado um grande plano de investimentos, que incluía o desenvolvimento e electrificação da rede urbana de Lisboa, e a criação de uma gare em Sacavém para triagem de comboios de mercadorias.[11]

A Linha da Matinha resulta do encurtamento de uma ferrovia mais longa[12], que se prolongava para Norte até entroncar com a Linha do Norte junto à estação de Sacavém. A supressão deste segmento e a actual designação da linha datam do final dos anos noventa e advêm da implantação da Expo’98.

Com a reestruturação das linhas suburbanas de Lisboa[quando?], a Estação de Sacavém ficou integrada no troço comum às “linhas” de Sintra e da Azambuja.

Em 2012, com a criação da freguesia do Parque das Nações, passou a fronteira municipal entre Lisboa, a poente, e Loures, a nascente, a ser constituída pelo eixo da via férrea, ficando a estação virtualmente partilhada pelos dois concelhos, com repercussões também tarifárias.[13]

 
Acesso à via pública (lado poente).

Referências literáriasEditar

O escritor Eça de Queirós mencionou esta estação ferroviária no livro A Correspondência de Fradique Mendes:

Chegáramos a uma estação que chamam de Sacavém — e tudo o que os meus olhos arregalados viram do meu país, através dos vidros húmidos do vagão, foi uma densa treva, donde mortiçamente surgiam aqui e além luzinhas remotas e vagas. Eram lanternas de faluas dormindo no rio
— QUEIRÓS, Eça de, A Correspondência de Fradique Mendes, p. 154

No Guia de Portugal de 1924, é descrita a estação de Sacavém e a via férrea em redor:

Antes de chegar à est. imediata, vê-se à esq. a grande fábrica de louça de -14 km. Sacavém (E.), pov. industrial já fora do circuito da cidade. […] Logo em seguida à est., passa-se sobre um viaduto a ribeira de Sacavém, junto da sua confluência com o Tejo. […] À esq. vê-se o enorme sifão com que a Companhia das Águas salva o rio.
— PROENÇA, Raúl e DIONÍSIO, Santana, Guia de Portugal, p. 590
CP-USGL + CP-Reg + Soflusa + Fertagus
(Serviços ferroviários suburbanos de passageiros na Grande Lisboa)
Serviços:   Cascais (CP)  Sintra (CP)  Azambuja (CP)
  Sado (CP+Soflusa)  CP Regional (R+IR)  Fertagus
 
             
 
(n) Azambuja 
               
 Praias do Sado-A (u)
(n) Espadanal da Azambuja 
               
 Praça do Quebedo (u)
(n) Vila Nova da Rainha 
             
 Setúbal (u)
**(n) Carregado 
     
 
 
     
 Palmela (u)
(n) Castanheira do Ribatejo 
             
 Venda do Alcaide (u)
(n) Vila Franca de Xira 
       
 
 
 Pinhal Novo (u)(a)
(n) Alhandra 
             
 Penteado (a)
(n) Alverca 
               
 Moita (a)
(n) Póvoa 
               
 Alhos Vedros (a)
(n) Santa Iria 
               
 Baixa da Banheira (a)
(n) Bobadela 
               
 Lavradio (a)
(n) Sacavém 
               
 Barreiro-A (a)
(n) Moscavide 
               
 Barreiro (a)
(n) Oriente 
           
 (Soflusa)
(n)(z) Braço de Prata 
         
 
 
 Terreiro do Paço (a)
 
 
 
 
 
 
 
 
 Penalva (u)
(n)(ẍ) Santa Apolónia 
 
 
 
 
 
       
 Coina (u)
(z) Marvila 
 
         
 Fogueteiro (u)
(z) Roma-Areeiro 
           
 Foros de Amora (u)
(z) Entrecampos 
           
 Corroios (u)
(z)(7) Sete Rios 
           
 Pragal (u)
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Campolide (z)(s)(u)*
(s) Benfica 
             
 Rossio (s)
(s) Santa Cruz-Damaia 
             
 Cais do Sodré (c)
(s) Reboleira 
             
 Santos (c)
(z) Alcântara-Terra 
 
 
 
 
   
 Alcântara-Mar (c)
(s) Amadora 
               
 Belém (c)
(s) Queluz-Belas 
               
 Algés (c)
(s) Monte Abraão 
               
 Cruz Quebrada (c)
(s) Massamá-Barcarena 
               
 Caxias (c)
(s)(o) Agualva-Cacém 
               
 Paço de Arcos (c)
 
 
 
         
 Santo Amaro (c)
(o) Mira Sintra-Meleças 
               
 Rio de Mouro (s)
(s) Mercês 
             
 Oeiras (c)
(s) Algueirão - Mem Martins 
             
 Carcavelos (c)
(s) Portela de Sintra 
             
 Parede (c)
(s) Sintra 
             
 São Pedro Estoril (c)
(o) Telhal 
           
 São João Estoril (c)
(o) Sabugo 
           
 Estoril (c)
(o) Pedra Furada 
           
 Monte Estoril (c)
(o) Mafra 
           
 Cascais (c)
(o) Malveira 
   
 
   
 Jerumelo (o)**

2015-2019 []

Linhas: a L.ª Alentejoc L.ª Cascaiss L.ª Sintra C.ª X.
n L.ª Norteo L.ª Oestez L.ª Cinturau L.ª Sul7 C.ª 7 R.
(*) vd. Campolide-A   (**)   continua além z. tarif. Lisboa

Fonte: Página oficial, 2020.06

Ver tambémEditar

Referências

  1. (I.E.T. 50/56) 56.º Aditamento à Instrução de Exploração Técnica N.º 50 : Rede Ferroviária Nacional. IMTT, 2011.10.20
  2. Instrução de exploração técnica nº 2 : Índice dos textos regulamentares em vigor. IMTT, 2012.11.06
  3. «Linhas de Circulação e Plataformas de Embarque». Directório da Rede 2012. Rede Ferroviária Nacional. 6 de Janeiro de 2011. p. 71-85 
  4. TORRES, Carlos Manitto (1 de Janeiro de 1958). «A evolução das linhas portuguesas e o seu significado ferroviário» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 70 (1681). p. 9-12. Consultado em 4 de Junho de 2016 
  5. a b c «A Inauguração do Caminho de Ferro em Portugal - Revista de Imprensa» (PDF). O Comboio em Portugal - Departamento de Informática da Universidade do Minho. Consultado em 4 de Fevereiro de 2014 
  6. ANDRADE, Carlos (17 de Julho de 2006). «Aqui (não) houve Portugal e os passageiros foram largados no caminho». Diário de Notícias. Consultado em 4 de Junho de 2016 
  7. SABEL (16 de Fevereiro de 1936). «Ecos & Comentários» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 48 (1156). p. 117. Consultado em 27 de Setembro de 2016 
  8. «Orçamento da Companhia Real» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 15 (340). 16 de Fevereiro de 1902. p. 51. Consultado em 4 de Fevereiro de 2014 
  9. MARQUES, 2014:122
  10. MARQUES, 2014:124
  11. BARRETO e MÓNICA, 1999:226
  12. Diagrama das Linhas Férreas Portuguesas com as estações (Edição de 1988), CP: Direcção de Transportes: Serviço de Regulamentação e Segurança, digitalizado por “miguelanjo”, no Flickr
  13. Comboios Urbanos de Lisboa Lisboa: C.P., 2020.01

BibliografiaEditar

  • BARRETO, António; MÓNICA, Maria Filomena (1999). Dicionário de História de Portugal. Suplemento A/E. Volume 7 1.ª ed. Lisboa: Livraria Figueirinhas. 714 páginas. ISBN 972-661-159-8 
  • MARQUES, Ricardo (2014). 1914: Portugal no ano da Grande Guerra 1.ª ed. Alfragide: Oficina do Livro - Sociedade Editora, Lda. 302 páginas. ISBN 978-989-741-128-1 
  • PROENÇA, Raúl; DIONÍSIO, Santana (1991) [1924]. Guia de Portugal: Generalidades, Lisboa e arredores. Col: Guia de Portugal. Volume 1 de 5 3.ª ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. 696 páginas. ISBN 972-31-0544-6 
  • QUEIRÓS, Eça de. A Correspondência de Fradique Mendes. Lisboa: Livros do Brasil. 237 páginas 

Ligações externasEditar

 
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