Estação Ferroviária de Santa Clara-Sabóia

estação ferroviária em Portugal

A Estação Ferroviária de Santa Clara - Sabóia (nome grafado originalmente como "Saboya"),[3] também conhecida como de Santa Clara-Sabóia,[1] ou de Santa Clara Sabóia,[2]:183 e originalmente denominada de Sabóia-Monchique, é uma interface da Linha do Sul, que serve nominalmente as localidades de Sabóia e Santa Clara-a-Velha, ambas no Município de Odemira, em Portugal.

Santa Clara - Sabóia
Estação Ferroviária de Santa Clara-Sabóia
a estação de Santa Clara - Sabóia, em 2016
Identificação: 77388 SCS (S.Cla.Sabóia)[1]
Denominação: Estação Satélite de Santa Clara - Sabóia
Administração: Infraestruturas de Portugal (sul)[2]
Classificação: ES (estação satélite)[1]
Tipologia: C [2]
Linha(s): Linha do Sul (PK 254+765)
Altitude: 70 m (a.n.m)
Coordenadas: 37°29′44.94″N × 8°28′53.25″W

(=+37.49582;−8.48146)

Mapa

(mais mapas: 37° 29′ 44,94″ N, 8° 28′ 53,25″ O; IGeoE)
Município: border link=OdemiraOdemira
Serviços:
Estação anterior Comboios de Portugal Comboios de Portugal Estação seguinte
Tunes
Faro
  AP   Funcheira
P-Campanhã
Messines
Faro
  IC   Funcheira
Lis-Oriente
    Amoreiras
Lis-Oriente

Equipamentos: Acesso para pessoas de mobilidade reduzida Telefones públicos
Inauguração: 1 de julho de 1889 (há 134 anos)
Website:

Descrição

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Localização e acessos

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Enquadramento da estação, vista de nascente, em 2019.

Esta estação situa-se imediatamente a sul da confluência da Ribeira de Telhares no Rio Mira, circulando a Linha do Sul pelo vale do troço superior deste e pelo vale daquela.[4][5]

Está situada a oeste da povoação nominal de Sabóia,[6] sendo o seu centro (Atlético) distante menos de quilómetro e meio em linha reta[7] mas, devido ao relevo interveniente, com percursos mínimos entre 2 e 3 km, consoante o trajeto.[8][9]

A outra povoação nominal, Santa Clara-a-Velha, situa-se a norte da estação, onde a Linha do Sul, ao seu PK 252+5, passa tangente ao limite poente deste aglomerado populacional (Montes de Baixo);[4] o seu centro (Goa) dista da estação igualmente entre 2 e 3 km consoante o percurso, sendo a ER266 o acesso viário preponderante.[10][11]

Existem paragens de transporte rodoviário coletivo de passageiros em ambas as localidades epónimas, operadas pela Rodoviária do Tejo, mas não junto à estação.[8]

Infraestrutura

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Esta interface apresenta apenas duas vias de circulação (I e II), respetivamente com 491 e 472 m de extensão e cada uma acessível por plataformas com, respetivamente, 93 e 80 m de comprimento e ambas com 685 mm de altura; existem ainda duas vias secundárias (III e IV) com comprimentos respetivos de 194 e 156 m que estam eletrificadas em menos de metade da sua extensão, estando as restantes vias integralmente eletrificadas;[2] esta configuração constitui um Ramal de Estação[1] centrado ao PK 254+77 e gerido pela Infraestruturas de Portugal, com tipologia «Linhas de Carga/Desc. DPF».[2] O edifício de passageiros situa-se do lado poente da via (lado direito do sentido ascendente, para Tunes).[12][13]

Serviços

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Em dados de 2023, esta interface é servida por comboios de passageiros da C.P. de tipo intercidades com três circulações diárias em cada sentido entre Faro e Lisboa-Oriente, e uma única de tipo Alfa Pendular entre Faro e Porto-Campanhã, apenas neste sentido.[14]

História

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 Ver artigo principal: Linha do Sul § História

Planeamento, construção e inauguração

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Quando se discutiu o percurso da ligação ferroviária entre Beja e Faro, em 1858, foram propostos dois traçados, um dos quais ia só até Mértola, utilizando-se a navegação fluvial ao longo do Rio Guadiana, enquanto que o outro atravessava a serra Algarvia, passando por São Martinho das Amoreiras, Santa Clara-Sabóia, Vale da Mata, e São Bartolomeu de Messines.[15] Foi escolhido o segundo percurso, porque permitiria uma ligação contínua por caminho de ferro até ao Algarve e facilitaria o acesso às minas de Aljustrel.[15] O lanço entre Amoreiras-Odemira e Faro foi inaugurado em 1 de Julho de 1889.[16]

 
Estação de Sabóia nos inícios do século XX, quando ainda ostentava o nome de Saboya-Monchique.

Século XX

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Segundo um relatório apresentado em 29 de Janeiro de 1901 pela Administração dos Caminhos de Ferro do Estado, estava em construção a Estrada Real 76, que unia esta estação a Monchique.[17] Em 1906, foi alterado o nome da estação, de "Saboya-Monchique" para apenas "Sabóia", uma vez que a estrada para Monchique ainda não estava concluída, além que aquela localidade algarvia tinha passado a ser servida pela estação provisória de Portimão.[3]

Segundo o Anuário Comercial de 1925, existiam três unidades de moagem na freguesia de Sabóia, sendo uma destas situada junto desta estação, operada pela firma Carito e C.ª L.da.[18] Num artigo publicado no jornal O Monchiquense de 1 de Fevereiro de 1926, o jornalista José António Gascon defendeu a conclusão da estrada entre a estação de Sabóia e Monchique, alegando que não só iria favorecer o desenvolvimento daquele concelho, como melhorar as ligações entre o Alentejo e o barlavento algarvio.[19] Porém, a estrada até Monchique só foi concluída em 1931,[20] pela Junta Autónoma das Estradas, tendo nesta época já sido novamente alterado o nome da estação, para "Santa Clara - Sabóia".[21] Em 1937, a Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses criou uma carreira de autocarros desde a estação de Sabóia até à Praia da Rocha, passando por Monchique, e que se ligava aos comboios rápidos da Linha do Sul, que paravam na estação.[22]

 
Torre de água na estação de Santa Clara - Sabóia.

Um diploma publicado do Diário do Governo n.º 123, II Série, de 28 de Maio de 1948, adjudicou ao empreiteiro José da Silva a construção de dois reservatórios de betão armado de 100 m³, um em Sabóia e outro em Moura.[23] O auto da recepção definitiva desta empreitada foi aprovado por um diploma no Diário do Governo n.º 188, Série II, de 14 de Agosto de 1950.[24]

Século XXI

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Relógio e assento para passageiros em espera, em 2001 e em 2019.

Em Janeiro de 2011, contava com duas vias de circulação, com 458 e 477 m de comprimento; a primeira plataforma tinha 35 e 25 cm de altura e 132 m de comprimento, enquanto que a segunda tinha uma altura de 70 cm, e um comprimento de 70 m[25] — valores mais tarde[quando?] ampliados para os atuais.[2]

Em Dezembro de 2011, a operadora Comboios de Portugal alterou os horários nos serviços Intercidades, que passaram a servir a estação de Sabóia, devido à suspensão dos comboios regionais na Linha do Sul.[26]

Em Fevereiro de 2024 a Comissão dos Utentes dos Serviços Públicos do Concelho de Odemira denunciou os graves problemas de transportes no concelho, principalmente em termos de acesso aos caminhos de ferro, uma vez que havia quatro estações ferroviárias encerradas, forçando os utentes a «realizar muitas dezenas de quilómetros para a estação de Sabóia, para depois deslocarem-se para outros pontos do país».[27]

Ver também

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Referências

  1. a b c d (I.E.T. 50/56) 56.º Aditamento à Instrução de Exploração Técnica N.º 50 : Rede Ferroviária Nacional. IMTT, 2011.10.20
  2. a b c d e Diretório da Rede 2024. I.P.: 2022.12.09
  3. a b «Efemérides» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 51 (1228). Lisboa. 16 de Fevereiro de 1939. p. 135-138. Consultado em 8 de Novembro de 2014 – via Hemeroteca Municipal de Lisboa 
  4. a b Folha 562 - Santa Clara-a-Velha (Odemira) (Série M888) Centro de Informação Geoespacial do Exército: Lisboa. Carta geográfica 1:25000
  5. 570 - Pereiras-Gare (Odemira) (Série M888) Centro de Informação Geoespacial do Exército: Lisboa. Carta geográfica 1:25000
  6. GORDALINA, Rosário (2006). «Estação Ferroviária de Sabóia». Sistema de Informação para o Património Arquitectónico. Direcção-Geral do Património Cultural. Consultado em 18 de Março de 2022 
  7. Distância loxodrómica entre +37,4953; −8,4813 e +37,4943;−8,4977 = 1450 m
  8. a b OpenStreetMaps / GraphHopper. «Cálculo de distância pedonal (37.4953; −8.4813 → 37.4943;−8.4977)». Consultado em 4 de maio de 2023 : 2350 m: desnível acumulado de +72−55 m, via caminhos vicinais
  9. OpenStreetMaps / GraphHopper. «Cálculo de distância rodoviária (37.4953; −8.4813 → 37.4943;−8.4977)». Consultado em 4 de maio de 2023 : 3000 m: desnível acumulado de +41−24 m, mormente via ER266 e EM552
  10. OpenStreetMaps / GraphHopper. «Cálculo de distância pedonal (37,4953; −8,4813 → 37,5128;−8,4754)». Consultado em 4 de maio de 2023 : 2410 m: desnível acumulado de +58−57 m
  11. OpenStreetMaps / GraphHopper. «Cálculo de distância rodoviária (37,4953; −8,4813 → 37,5128;−8,4754)». Consultado em 4 de maio de 2023 : 2990 m: desnível acumulado de +57−56 m
  12. (anónimo): Mapa 20 : Diagrama das Linhas Férreas Portuguesas com as estações (Edição de 1985), CP: Departamento de Transportes: Serviço de Estudos: Sala de Desenho / Fergráfica — Artes Gráficas L.da: Lisboa, 1985
  13. Diagrama das Linhas Férreas Portuguesas com as estações (Edição de 1988), C.P.: Direcção de Transportes: Serviço de Regulamentação e Segurança, 1988
  14. Horário Comboios AP e IC Porto/Lisboa ⇄ Faro / Lagos / V. R. S.to António («horário em vigor desde 2022.12.11»).
  15. a b SANTOS, 1995:120-124
  16. «Troços de linhas férreas portuguesas abertas à exploração desde 1856, e a sua extensão» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 69 (1652). Lisboa. 16 de Outubro de 1956. p. 528-530. Consultado em 8 de Novembro de 2014 – via Hemeroteca Municipal de Lisboa 
  17. «Parte Oficial» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 16 (368). Lisboa. 16 de Abril de 1903. p. 119-130. Consultado em 8 de Novembro de 2014 – via Hemeroteca Municipal de Lisboa 
  18. QUARESMA, 2009:75
  19. GASCON, José António (1 de Fevereiro de 1926). «Melhoramentos indispensaveis para o conveniente desenvolvimento do concelho de Monchique» (PDF). O Monchiquense. Ano 1 (1). Monchique. p. 2. Consultado em 28 de Abril de 2024 – via Hemeroteca Digital do Algarve 
  20. GASCON, 1955:176
  21. «Publicações recebidas» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 49 (1177). Lisboa. 1 de Janeiro de 1937. p. 21. Consultado em 8 de Novembro de 2014 – via Hemeroteca Municipal de Lisboa 
  22. «Camionagem» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 49 (1193). Lisboa. 16 de Setembro de 1937. p. 418. Consultado em 8 de Novembro de 2014 – via Hemeroteca Municipal de Lisboa 
  23. «Parte Oficial» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 60 (1452). Lisboa. 16 de Junho de 1948. p. 354-356. Consultado em 8 de Novembro de 2014 – via Hemeroteca Municipal de Lisboa 
  24. «Parte Oficial» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 63 (1506). Lisboa. 16 de Setembro de 1950. p. 339. Consultado em 8 de Novembro de 2014 – via Hemeroteca Municipal de Lisboa 
  25. «Linhas de Circulação e Plataformas de Embarque». Directório da Rede 2012. Rede Ferroviária Nacional. 6 de Janeiro de 2011. p. 71-85 
  26. «Semana passada». Diário do Alentejo. Ano 79 (1547). Beja: Associação de Municípios do Baixo Alentejo e Alentejo Litoral. 16 de Dezembro de 2011. p. 3. ISSN 1646-9232 
  27. «Utentes de Odemira criticam acesso à saúde e a comboios». Correio Alentejo. 23 de Fevereiro de 2024. Consultado em 23 de Fevereiro de 2024 
 
Painel de azulejos na estação de Santa Clara - Sabóia.

Bibliografia

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  • GASCON, José António Guerreiro (1993) [1955]. Subsídios para a Monografia de Monchique 2.ª ed. Faro: Algarve em Foco Editoa. 403 páginas 
  • QUARESMA, António Martins (2009). Cerealicultura e Farinação no Concelho de Odemira: da Baixa Idade Média à época contemporânea. Odemira: Câmara Municipal de Odemira. 124 páginas. ISBN 978-989-8263-02-5 
  • SANTOS, Luís (1995). Os Acessos a Faro e aos Concelhos Limítrofes na Segunda Metade do Séc. XIX. Faro: Câmara Municipal de Faro. 213 páginas 
 
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Ligações externas

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