Abrir menu principal

Estação Ferroviária de Santarém

estação ferroviária em Portugal
Disambig grey.svg Nota: Este artigo é sobre a estação que serve a cidade de Santarém. Se procura o apeadeiro que serve a localidade de Vale de Santarém, veja Apeadeiro de Vale de Santarém.
Santarém IPcomboio2.jpg
Edifício da Estação de Santarém, em 2005.
Inauguração 1 de Julho de 1861
Linha(s) Linha do Norte (PK 74,400)
Coordenadas 39° 14′ 31,76″ N, 8° 40′ 30,17″ O
Concelho Santarém
Serviços Ferroviários Logo CP 2.svgBSicon LSTR blue.svgAPBSicon LSTR green.svgICBSicon LSTR orange.svgR
Horários em tempo real
Serviços Ligação a autocarros Serviço de táxis Bilheteiras ou máquinas de venda de bilhetes
Sala de espera Telefones públicos Caixas de correio Caixas Multibanco
Parque de estacionamento Lavabos Bar ou cafetaria Acesso para pessoas de mobilidade reduzida


Logos IP.png
BSicon CONTfa grey.svg
BSicon BHF grey.svgVale de Figueira (Sentido Porto)
BSicon BHF grey.svgSantarém
BSicon HST grey.svgVale de Santarém (Sentido Lisboa)
BSicon CONTf grey.svg

A Estação Ferroviária de Santarém, originalmente denominada de Santarem, é uma interface da Linha do Norte, que serve a localidade de Santarém, em Portugal. Inclui um núcleo museológico, dedicado à história ferroviária.

Lusitânia Comboio Hotel a passar por Santarém, em 2004.

CaracterizaçãoEditar

Localização e acessosEditar

O acesso é efectuado pela Estrada da Estação de Caminhos de Ferro, em Santa Iria da Ribeira de Santarém.[1]

Descrição físicaEditar

Em Janeiro de 2011, apresentava duas vias de circulação, com 1294 e 1303 metros de comprimento; as plataformas tinham 298 e 277 m de extensão, e 35 cm de altura.[2]

A estação está decorada com azulejos produzidos pela Fábrica Aleluia de Aveiro[3], que retratam, entre outros temas, a cidade de Santarém.[4]

Núcleo museológicoEditar

 Ver artigo principal: Museu Ferroviário de Santarém

Na antiga cocheira de carruagens da Estação, encontra-se o Núcleo Museológico de Santarém, inaugurado em 5 de Outubro de 1979, e que encerra vários utensílios, ferramentas e documentação, ligados à temática da história ferroviária portuguesa.[5]

 
Mapa de 1856 com os traçados propostos para a via férrea junto a Santarém, incluindo a gare ferroviária.

HistóriaEditar

 Ver artigo principal: História da Linha do Norte

Planeamento e aberturaEditar

O programa para o concurso do caminho de ferro de Lisboa até à fronteira com Espanha, decretado em 6 de Maio de 1852, já previa que a primeira secção seguiria a margem direita do Rio Tejo até Santarém.[6] Em Maio de 1853, foi assinado um contrato entre o Estado Português e o empresário Hardy Lislop, representando a Companhia Central Peninsular dos Caminhos de Ferro de Portugal, para a construção do troço até Santarém.[7][8] Após a inauguração do primeiro troço do Caminho de Ferro do Leste, até ao Carregado em 1856, vários municípios da região Oeste defenderam que a Linha do Norte devia continuar pelo litoral, uma vez que as regiões do interior já dispunham de vias de comunicação através dos eixos fluviais, como o Tejo no caso de Santarém.[9] Porém, o governo manteve o projecto original.[10]

Devido aos problemas encontrados durante a construção, em 1857 foi apresentado o projecto de lei para um novo concurso, mas desta vez com destino à cidade do Porto; assim, foi rescindido o contrato com a Companhia Peninsular e elaborado um novo com o empresário Morton Petto.[7] No entanto, este contrato também acabou por ser cancelado, tendo sido assinado outro com José de Salamanca em 12 de Setembro de 1859, para a construção dos troços até ao Porto e à fronteira.[7] Salamanca fundou a Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses em 1860[11], tendo sido desta forma aberto o troço até Santarém em 1 de Julho de 1861.[10]

 
Neste horário de 1876, a estação surge com a grafia original, Santarem.

Continuação até AbrantesEditar

Quando este troço estava em obras, o engenheiro Wattier elaborou um relatório, onde propôs 3 traçados para a continuação da linha até Espanha; a primeira das directrizes iniciava-se no Carregado, enquanto que a segunda tinha origem em Santarém, que seria a estação de entroncamento com a futura linha para o Porto, atravessaria o Rio Tejo, serviria Estremoz e Elvas, e desceria depois para Badajoz.[12] A terceira opção ditava a passagem por Abrantes e junto a Portalegre, aumentando o tempo de viagem entre Lisboa e Espanha, mas aproveitando ao máximo a linha para o Porto, sendo assim consideravelmente menos dispendiosa.[13] Esta última alternativa foi a escolhida, tendo a próxima secção a ser construída sido até Abrantes, em 7 de Novembro de 1862.[10]

Em 2 de Março de 1895, o vale do Rio Tejo foi atingido por grandes cheias, tendo as vias da estação de Santarém ficado inundadas.[14]

 
Estação de Santarém, na segunda metade do Século XIX.

Ligações previstas a Vendas Novas e ChamuscaEditar

 Ver artigos principais: Linha de Vendas Novas e Linha da Chamusca

Em 1887, foi autorizada a construção de um caminho de ferro do tipo americano de Santarém a Vendas Novas.[15] A concessão foi modificada para via larga por um alvará de 13 de Dezembro de 1888; o ponto de entroncamento na Linha do Leste foi mudado para Santana - Cartaxo em 1890 e para o Setil em 1890, tendo a Linha de Vendas Novas entrado ao serviço em 1904.[16]

Em Maio de 1891, o empresário Bosset e o Barão de Kessler já tinham pedido autorização para construir um caminho de ferro americano com tracção a vapor, de Santarém a Chamusca, passando por Almeirim e Alpiarça.[17]

 
Preparação da locomotiva 553 para ser rebocada de Santarém até ao Museu no Entroncamento, em 2012.

Século XXEditar

Em Agosto de 1902, já tinham sido instalados semáforos eléctricos de disco, do sistema Barbosa[18], e em 1933 executaram-se obras de melhoramento na toma de água.[19]

Em 1913, a estação era servida por carreiras de diligências até à vila de Santarém, Ribeira de Santarém, Amiais e Rio Maior.[20]

Em 14 de Janeiro de 1914, iniciou-se uma das maiores greves dos trabalhadores da Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses, tendo os operários sabotado vários troços de via; um comboio que tinha saído do Porto no dia 15 só chegou a Lisboa no dia seguinte, tendo sido necessário reparar os carris em vários pontos da linha, incluindo Santarém.[21]

Em 1927, foi inaugurado o novo edifício da estação de Santarém.[3]

Em Agosto de 1968, já tinham sido concluídas as obras de remodelação do posto de informações turísticas na estação de Santarém, por iniciativa do presidente da Comissão Municipal, José Carlos de Oliveira Sollas.[22] Nessa altura, existia a intenção de reconstruir completamente o posto de informações, mas este projecto dependia das obras de remodelação que a CP previa fazer na estação.[22]

 
Estação de Santarém à noite, em 2012.

Ligação projectada a Rio MaiorEditar

 Ver artigo principal: Ramal de Rio Maior

Nos princípios do Século XX, começou-se a planear um caminho de ferro que ligasse as Linhas do Oeste e do Leste, passando por Rio Maior.[23] No relatório de 1903 da comissão técnica para o Plano da Rede Complementar, afirmou-se que Santarém era o local mais óbvio para fazer a bifurcação no Leste, devido à sua importância militar, económica e administrativa, mas a estação não dispunha de espaço suficiente, pelo que teria de ser construída uma segunda gare para a triagem dos comboios; em vez disso, devia ser utilizada a Estação do Setil, que tinha sido recentemente ampliada para acolher a Linha de Vendas Novas.[23] O local de entroncamento do Ramal de Rio Maior foi posteriormente alterado para o Vale de Santarém.[24]

Ver tambémEditar

Referências

  1. «Santarém». Comboios de Portugal. Consultado em 28 de Novembro de 2014 
  2. «Linhas de Circulação e Plataformas de Embarque». Directório da Rede 2012. Rede Ferroviária Nacional. 6 de Janeiro de 2011. p. 71-85 
  3. a b PEREIRA, 1995:419
  4. CHAVES, Luiz (16 de Dezembro de 1939). «Paineis de azulejos nas estações de Caminhos de Ferro» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 31 (1248). p. 538. Consultado em 14 de Setembro de 2016 
  5. «Espaço Museológico de Santarém». Comboios de Portugal. Consultado em 3 de Julho de 2011 [ligação inativa] 
  6. «Há Oitenta e Três Anos» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 47 (1149). 1 de Novembro de 1935. p. 446. Consultado em 14 de Setembro de 2016 
  7. a b c «Para a história dos Caminhos de Ferro em Portugal» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 48 (1154). 16 de Janeiro de 1936. p. 48. Consultado em 21 de Dezembro de 2013 
  8. REIS et al, 2006:12
  9. RODRIGUES et al, 1993:295
  10. a b c TORRES, Carlos Manitto (1 de Janeiro de 1958). «A evolução das linhas portuguesas e o seu significado ferroviário» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 70 (1681). p. 9-12. Consultado em 22 de Fevereiro de 2014 
  11. REIS et al, 2006:19
  12. «Documentos para a História» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 30 (699). 1 de Fevereiro de 1917. p. 37-38. Consultado em 22 de Fevereiro de 2014 
  13. «Documentos para a Historia» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 30 (700). 16 de Fevereiro de 1917. p. 58-59. Consultado em 22 de Fevereiro de 2014 
  14. LOUREIRO, João Mimoso (Outubro de 2009). As Grandes Cheias. Rio Tejo: As Grandes Cheias 1800 – 2007. Col: Tágides. Volume 1. Lisboa: Administração da Região Hidrográfica do Tejo. p. 16. ISBN 978-989-96162-0-2 
  15. SOUSA, José Fernando de (16 de Dezembro de 1939). «Santarém Passado e Presente» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 31 (1248). p. 527-528. Consultado em 14 de Setembro de 2016 
  16. SOUSA, José Fernando de (1 de Março de 1936). «Pontes do Tejo em Lisboa e Vila Franca» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 48 (1157). p. 137-139. Consultado em 14 de Setembro de 2016 
  17. «Efemérides» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 51 (1225). 1 de Janeiro de 1939. p. 43-48. Consultado em 14 de Setembro de 2016 
  18. «Linhas Portuguezas» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 15 (352). 16 de Agosto de 1902. p. 251. Consultado em 18 de Maio de 2012 
  19. «O que se fez nos Caminhos de Ferro em Portugal no Ano de 1933» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 47 (1106). 16 de Janeiro de 1934. p. 49-52. Consultado em 18 de Maio de 2012 
  20. «Serviço de Diligencias». Guia official dos caminhos de ferro de Portugal. 39 (168). Outubro de 1913. p. 152-155. Consultado em 15 de Fevereiro de 2018 
  21. MARQUES, 2014:122
  22. a b «Revista de Imprensa» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 81 (1928). 16 de Agosto de 1968. p. 105-106. Consultado em 14 de Setembro de 2016 
  23. a b PORTUGAL. Decreto n.º 12:524, de 22 de Outubro de 1926. Ministério do Comércio e Comunicações - Direcção Geral de Caminhos de Ferro - Divisão Central e de Estudos, Publicado no Diário do Governo n.º 236, Série I, de 22 de Outubro de 1926.
  24. VALENTE, Rogério (16 de Setembro de 1955). «Os ramais particulares da rede ferroviária portuguesa» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 68 (1626). pp. 325–328. Consultado em 14 de Setembro de 2016 

BibliografiaEditar

  • REIS, Francisco; GOMES, Rosa; GOMES, Gilberto; et al. (2006). Os Caminhos de Ferro Portugueses 1856-2006. Lisboa: CP-Comboios de Portugal e Público-Comunicação Social S. A. 238 páginas. ISBN 989-619-078-X 
  • RODRIGUES, Luís; TAVARES, Mário; SERRA, João (1993). Terra de Águas: Caldas da Rainha, História e Cultura 1.ª ed. Caldas da Rainha: Câmara Municipal de Caldas da Rainha. 527 páginas 
  • MARQUES, Ricardo (2014). 1914: Portugal no ano da Grande Guerra 1.ª ed. Alfragide: Oficina do Livro - Sociedade Editora, Lda. 302 páginas. ISBN 978-989-741-128-1 
  • PEREIRA, Paulo (1995). História da Arte Portuguesa. VOlume III 1.ª ed. Barcelona: Círculo de Leitores. 695 páginas. ISBN 972-42-1225-4 

Leitura recomendadaEditar

  • CERVEIRA, Augusto; CASTRO, Francisco Almeida e (2006). Material e tracção: os caminhos de ferro portugueses nos anos 1940-70. Col: Para a História do Caminho de Ferro em Portugal. 5. Lisboa: CP-Comboios de Portugal. 270 páginas. ISBN 989-95182-0-4 
  • QUEIRÓS, Amílcar (1976). Os Primeiros Caminhos de Ferro de Portugal: As Linhas Férreas do Leste e do Norte. Coimbra: Coimbra Editora. 45 páginas 
  • SALGUEIRO, Ângela (2008). A Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses: 1859-1891. Lisboa: Univ. Nova de Lisboa. 145 páginas 
 
O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre a Estação de Santarém

Ligações externasEditar