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Estação Ferroviária do Estoril

estação ferroviária em Portugal
Disambig grey.svg Nota: Este artigo é sobre a estação do Estoril. Se procura a estação em São João do Estoril, veja Estação Ferroviária de São João do Estoril. Se procura a estação em Monte Estoril, veja Estação Ferroviária de Monte Estoril. Se procura estação em São Pedro do Estoril, veja Estação Ferroviária de São Pedro do Estoril.
Estoril Logos IP.png
Estação de Estoril, em Maio de 2009.
Linha(s) Linha de Cascais (PK 23,668)
Coordenadas 38° 42′ 11,83″ N, 9° 23′ 55,5″ O
Concelho Cascais
Serviços Ferroviários Urbano
Horários em tempo real
Serviços Ligação a autocarros Serviço de táxis Bilheteiras e/ou máquinas de venda de bilhetes Caixas Multibanco Acesso para pessoas de mobilidade reduzida Sala de espera Telefones públicos

A Estação Ferroviária do Estoril é uma estação da Linha de Cascais, que serve a localidade de Estoril, no Concelho de Cascais, em Portugal.

Gare do Estoril, em 2010.

DescriçãoEditar

Localização e acessosEditar

Esta interface situa-se junto à Avenida Marginal, na localidade do Estoril.[1]

Vias de circulação e plataformasEditar

Em Janeiro de 2011, a estação ferroviária do Estoril contava com 3 vias de circulação, que tinham 244 a 219 m de comprimento; as plataformas tinham ambas 200 m de extensão, e 110 cm de altura.[2]

ServiçosEditar

Transporte ferroviárioEditar

Urbanos de LisboaEditar

    CP Urbanos de Lisboa
 
Cais do Sodré ↔ Cascais

Padrão de serviços de comboioEditar

Estação anterior   Comboios de Portugal Estação seguinte
São João do Estoril
Direção Cais do Sodré
  CP Lisboa
Linha de cascais
  Monte Estoril
Direção Cascais

Transportes urbanosEditar

  ScotturbEditar

HistóriaEditar

AntecedentesEditar

Em meados do Século XIX, a região costeira a Oeste de Lisboa, incluindo o Estoril, era uma zona subdesenvolvida, ponteada apenas por pequenas povoações de pescadores e algumas mansões senhoriais.[3] A rede de estradas era muito fraca, sendo as comunicações até Cascais feitas principalmente através da navegação costeira.[4] Esta situação começou a mudar a partir das décadas de 1850 e 1860, devido à instalação da família real e da nobreza na região até Cascais, e à progressiva introdução do turismo balnear, que aumentaram a procura das famílias mais abastadas de Lisboa.[5] Por exemplo, o Estoril tornou-se uma dos locais preferidos para a construção de casas de campo.[6] Assim, também se começaram a desenvolver as comunicações na zona costeira, com a construção de novas estradas, e surgiu a ideia de trazer o comboio até Cascais.[7] O primeiro projecto foi apresentado pelo engenheiro M. A. Thomé de Gamond, em 1870 que propunha a construção de uma linha férrea de Lisboa até Colares, servindo Cascais e Sintra.[8] Esta linha seguiria toda a zona marginal desde Lisboa até Cascais, passando pelo Estoril.[8]

 
Estação original do Estoril.

Planeamento e inauguraçãoEditar

Aquele projecto não teve resultados, mas a ideia de construir uma via férrea ao longo da orla marítima foi várias vezes retomada durante o Século XIX, tendo a Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses sido autorizada a construir uma linha de Lisboa até Cascais por um alvará de 9 de Abril de 1887.[8] No ano seguinte, esta linha já estava em obras.[8]

Construção e inauguraçãoEditar

 Ver artigo principal: História da Linha de Cascais

Esta interface insere-se no troço entre Pedrouços e Cascais, que foi aberto ao serviço pela Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses no dia 30 de Setembro de 1889.[9]

Século XXEditar

A estação de Estoril foi por várias vezes servida pelo comboio Sud Expresso, ao longo do Século XX, serviço que foi interrompido devido à Segunda Guerra Mundial e à Guerra Civil Espanhola.[10] Esta ligação era feita através de uma carruagem directa, que era atrelada ou desatrelada ao comboio principal na Estação de Campolide.[11]

Década de 1910Editar

Nos princípios do Século Vinte, começou-se a pensar em transformar a região do Estoril, até então utilizada principalmente pelos habitantes da capital e por estrangeiros em curtas estadias de Inverno, num grande centro internacional de turismo.[12] Considerava-se que o sistema de tracção da Linha de Cascais, utilizando locomotivas a vapor, não era adequado para as características da linha, que cada vez se afirmava mais como um importante eixo de transporte turístico e suburbano, pelo que se iniciou o processo de planeamento para a sua adaptação à energia eléctrica.[12]

Em 7 de Agosto de 1918, a Linha de Cascais foi subarrendada à Sociedade Estoril, com a obrigação de a electrificar.[12] A Sociedade Estoril tinha sido formada por Fausto de Figueiredo para aumentar o potencial turístico da região através da construção de grandes empreendimentos e outras iniciativas, estando por isso directamente interessada no desenvolvimento dos caminhos de ferro.[12] O principal componente do projecto seria um grande complexo hoteleiro no Estoril, que ficaria quase em frente da gare ferroviária.[13] Nessa altura, a estação do Estoril já servia uma unidade hoteleira situada nas proximidades, conhecida como Hotel Paris.[14]

 
Novo edifício da estação.

Décadas de 1920 e 1930Editar

Porém, as consequências económicas da Primeira Guerra Mundial atrasaram o projecto de modernização da Linha de Cascais, cujas obras só se puderam iniciar na Década de 1920.[12] Além da electrificação da via férrea e da introdução de material circulante eléctrico, a Sociedade Estoril planeava reconstruir totalmente as principais estações da linha, incluindo a do Estoril.[12] Em 1 de Agosto de 1926, a Gazeta dos Caminhos de Ferro reportou que já tinha sido construído o novo edifício da estação do Estoril, que utilizava um estilo arquitectónico semelhante ao dos edifícios em redor do parque.[15] Em 15 de Agosto desse ano, foi realizada a cerimónia de inauguração da tracção eléctrica da Linha de Cascais,[16] tendo o comboio inaugural parado na estação do Estoril, para os convidados procederem a um almoço no Casino Estoril.[17]

Em 14 de Fevereiro de 1937, foi organizado um comboio especial do Cais do Sodré até Cascais, para a inauguração de quatro novas carruagens para a Linha de Cascais, e na viagem de regresso, o comboio parou no Estoril, para os convidados participarem numa festa no Tamariz.[18]

Década de 1970Editar

Em 1976, terminou o contrato com a Sociedade Estoril, tendo a Linha de Cascais voltado a ser explorada directamente pela Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses.[19]

Ver tambémEditar

CP-USGL + Soflusa + Fertagus

(Serviços ferroviários suburbanos de passageiros na Grande Lisboa)
Serviços:   Sado (CP+Soflusa)  Sintra (CP)
  Fertagus  Azambuja (CP)  Cascais (CP)


(n) Azambuja 
   
 
   
 Praias do Sado-A (u)
(n) Espadanal da Azambuja 
   
 
   
 Praça do Quebedo (u)
(n) Vila Nova da Rainha 
   
 
   
 Setúbal (u)
(n) Carregado 
   
 
   
 Palmela (u)
(n) Castanheira do Ribatejo 
       
 Venda do Alcaide (u)
(n) Vila Franca de Xira 
       
 Pinhal Novo (u)(a)
(n) Alhandra 
       
 Penteado (a)
(n) Alverca 
         
 Moita (a)
(n) Póvoa 
         
 Alhos Vedros (a)
(n) Santa Iria 
         
 Baixa da Banheira (a)
(n) Bobadela 
         
 Lavradio (a)
(n) Sacavém 
         
 Barreiro-A (a)
(n) Moscavide 
         
 Barreiro (a)
(n) Oriente 
       
 (Soflusa)
(n)(z) Braço de Prata 
       
 Terreiro do Paço (a)
(n) Santa Apolónia 
       
 Penalva (u)
(z) Marvila 
       
 Coina (u)
 
       
 Fogueteiro (u)
(z) Roma - Areeiro 
       
 Foros de Amora (u)
(z) Entrecampos 
       
 Corroios (u)
(z)(7) Sete Rios 
       
 Pragal (u)
 
 
 
 
 
 Campolide (z)(s)(u)*
(s) Benfica 
         
 Rossio (s)
(s) Santa Cruz-Damaia 
         
 Cais do Sodré (c)
(s) Reboleira 
         
 Santos (c)
(z) Alcântara-Terra 
 
 
   
 Alcântara-Mar (c)
(s) Amadora 
           
 Belém (c)
(s) Queluz - Belas 
           
 Algés (c)
(s) Monte Abraão 
           
 Cruz Quebrada (c)
(s) Massamá-Barcarena 
           
 Caxias (c)
(s)(o) Agualva-Cacém 
           
 Paço de Arcos (c)
(o) Mira Sintra-Meleças 
 
     
 Santo Amaro (c)
(s) Rio de Mouro 
       
 Oeiras (c)
(s) Mercês 
       
 Carcavelos (c)
(s) Algueirão - Mem Martins 
       
 Parede (c)
(s) Portela de Sintra 
       
 São Pedro Estoril (c)
(s) Sintra 
       
 São João Estoril (c)
 
       
 Estoril (c)
(c) Cascais 
       
 Monte Estoril (c)

Linhas: a L.ª Alentejoc L.ª Cascaisz L.ª Cintura
n L.ª Norteo L.ª Oestes L.ª Sintrau L.ª Sul7 C.ª 7 R.
(*) vd. Campolide-A

Fonte: Página oficial, 2018.11
(nomes das estações de acordo com a fonte)

Referências

  1. «Estoril». Comboios de Portugal. Consultado em 7 de Julho de 2016 
  2. «Linhas de Circulação e Plataformas de Embarque». Directório da Rede 2012. Rede Ferroviária Nacional. 6 de Janeiro de 2011. pp. 71–85 
  3. COLAÇO e ARCHER, 1999:16
  4. COLAÇO e ARCHER, 1999:17
  5. COLAÇO e ARCHER, 1999:18
  6. COLAÇO e ARCHER, 1999:22
  7. COLAÇO e ARCHER, 1999:21
  8. a b c d MARTINS et al, 1996:29-30
  9. TORRES, Carlos Manitto (16 de Janeiro de 1958). «A evolução das linhas portuguesas e o seu significado ferroviário» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 70 (1682). p. 61-64. Consultado em 17 de Março de 2017 
  10. REIS et al, p. 36
  11. «"Sud-Express"» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 51 (1240). 16 de Agosto de 1939. p. 393. Consultado em 17 de Março de 2017 
  12. a b c d e f «Sociedade "Estoril"» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 62 (1476). 16 de Junho de 1949. p. 423-425. Consultado em 17 de Março de 2017 
  13. HENRIQUES, 2001:83-84
  14. HENRIQUES, 2001:82
  15. «A Electrificação da Linha de Cascais» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 39 (927). 1 de Agosto de 1926. p. 228. Consultado em 17 de Março de 2017 
  16. MARTINS et al, 1996:99
  17. «A Electrificação da Linha de Cascais» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 39 (928). 16 de Agosto de 1926. p. 245. Consultado em 17 de Março de 2017 
  18. «Sociedade Estoril: Inauguração de Carruagens» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 49 (1182). 16 de Março de 1937. p. 151-153. Consultado em 17 de Março de 2017 
  19. REIS et al, 2006:117
 
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BibliografiaEditar

  • COLAÇO, Branca; ARCHER, Maria (1999). Memórias da Linha de Cascais. Cascais: Câmaras Municipais de Cascais e Oeiras. 370 páginas. ISBN 972-637-066-3 
  • HENRIQUES, João (2001). Cascais: Do Final da Monarquia ao alvorecer da República (1908-1914). Cascais: Edições Colibri e Câmara Municipal de Cascais. 214 páginas. ISBN 972-772-268-7 
  • MARTINS, João; BRION, Madalena; SOUSA, Miguel; et al. (1996). O Caminho de Ferro Revisitado: O Caminho de Ferro em Portugal de 1856 a 1996. Lisboa: Caminhos de Ferro Portugueses. 446 páginas 
  • REIS, Francisco; GOMES, Rosa; Gomes, Gilberto; et al. (2006). Os Caminhos de Ferro Portugueses 1856-2006. Lisboa: CP-Comboios de Portugal e Público-Comunicação Social S. A. 238 páginas. ISBN 989-619-078-X 

Leitura recomendadaEditar

  • CARVALHO, António Carvalho, HENRIQUES, João Miguel; et al. (2011). O Estoril e as origens do turismo em Portugal, 1911-1931. Cascais: Câmara Municipal de Cascais. 112 páginas. ISBN 978-972-637-242-4 
  • CERVEIRA, Augusto; CASTRO, Francisco Almeida e (2006). Material e tracção: os caminhos de ferro portugueses nos anos 1940-70. Col: Para a História do Caminho de Ferro em Portugal. 5. Lisboa: CP-Comboios de Portugal. 270 páginas. ISBN 989-95182-0-4 
  • SALGUEIRO, Ângela (2008). A Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses: 1859-1891. Lisboa: Univ. Nova de Lisboa. 145 páginas 

Ligações externasEditar