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Estação Ferroviária do Rossio

estação ferroviária em Portugal
(Redirecionado de Estação do Rossio)
Rossio Logos IP.png
EstacaoRossioLisboa.JPG
Inauguração 18 de Maio de 1890
Linha(s) Linha de Sintra (PK 0,000)
Coordenadas 38° 42′ 51,8″ N, 9° 08′ 29,84″ O
Concelho Lisboa
Serviços Ferroviários Urbano
Serviços Ligação a autocarros Linha Azul do Metropolitano de Lisboa Serviço de táxis Informações - Gabinete de Apoio ao Cliente Bilheteiras e/ou máquinas de venda de bilhetes Acesso para pessoas de mobilidade reduzida Pessoal de apoio na estação Lavabos Telefones públicos Caixas Multibanco Bar ou cafetaria Zona Comercial Elevadores Escadas rolantes Guarda de bagagem Posto de perdidos e achados Estacionamento para bicicletas
Complexo da Estação do Rossio, visto do Castelo de São Jorge
Disambig grey.svg Nota: Para a estação de metropolitano com o mesmo nome, veja Estação Rossio.

A Estação Ferroviária do Rossio, originalmente conhecida como Gare do Rocio ou Estação Central de Lisboa, é uma interface da Linha de Sintra, sendo uma das principais estações de Lisboa, capital de Portugal. Está situada junto à Praça do Rossio, no centro da cidade.[1] Começou a ser planeada e construída na Década de 1880, como um ramal da Linha de Cintura[2], tendo sido inaugurada em 18 de maio de 1890, embora só tenha ao serviço em 11 de Junho de 1891.[3] Como estação central de Lisboa, tornou-se o terminal dos principais comboios nacionais e internacionais de passageiros, como o Sud Expresso.[4] A estação foi alvo de várias intervenções ao longo dos anos, incluindo a instalação da iluminação eléctrica em 1894[5], e de novos relógios na década de 1900.[6] Nos anos 50, foram feitas grandes obras de modernização na Gare do Rossio, que incluíram a electrificação da via férrea, embora a estação tenha perdido grande parte da sua importância com a transferência dos comboios de longo curso para Lisboa-Santa Apolónia.[7][8] Em meados da década de 1970, entrou ao serviço o Centro Comercial do Rossio[9], e na década de 1990 iniciou-se um novo programa para a modernização da Gare do Rossio e do Centro Comercial do Rossio.[10]

Índice

DescriçãoEditar

CP-USGL + Soflusa + Fertagus

(Serviços ferroviários suburbanos de passageiros na Grande Lisboa)
Serviços:   Sado (CP+Soflusa)  Sintra (CP)
  Fertagus  Azambuja (CP)  Cascais (CP)


(n) Azambuja 
   
 
   
 Praias do Sado-A (u)
(n) Espadanal da Azambuja 
   
 
   
 Praça do Quebedo (u)
(n) Vila Nova da Rainha 
   
 
   
 Setúbal (u)
(n) Carregado 
   
 
   
 Palmela (u)
(n) Castanheira do Ribatejo 
       
 Venda do Alcaide (u)
(n) Vila Franca de Xira 
       
 Pinhal Novo (u)(a)
(n) Alhandra 
       
 Penteado (a)
(n) Alverca 
         
 Moita (a)
(n) Póvoa 
         
 Alhos Vedros (a)
(n) Santa Iria 
         
 Baixa da Banheira (a)
(n) Bobadela 
         
 Lavradio (a)
(n) Sacavém 
         
 Barreiro-A (a)
(n) Moscavide 
         
 Barreiro (a)
(n) Oriente 
       
 (Soflusa)
(n)(z) Braço de Prata 
       
 Terreiro do Paço (a)
(n) Santa Apolónia 
       
 Penalva (u)
(z) Marvila 
       
 Coina (u)
 
       
 Fogueteiro (u)
(z) Roma - Areeiro 
       
 Foros de Amora (u)
(z) Entrecampos 
       
 Corroios (u)
(z)(7) Sete Rios 
       
 Pragal (u)
 
 
 
 
 
 Campolide (z)(s)(u)*
(s) Benfica 
         
 Rossio (s)
(s) Santa Cruz-Damaia 
         
 Cais do Sodré (c)
(s) Reboleira 
         
 Santos (c)
**(z) Alcântara - Terra 
 
 
 
 
 Alcântara - Mar (c)**
(s) Amadora 
           
 Belém (c)
(s) Queluz - Belas 
           
 Algés (c)
(s) Monte Abraão 
           
 Cruz Quebrada (c)
(s) Massamá-Barcarena 
           
 Caxias (c)
(s)(o) Agualva-Cacém 
           
 Paço de Arcos (c)
(o) Mira Sintra-Meleças 
 
     
 Santo Amaro (c)
(s) Rio de Mouro 
       
 Oeiras (c)
(s) Mercês 
       
 Carcavelos (c)
(s) Algueirão - Mem Martins 
       
 Parede (c)
(s) Portela de Sintra 
       
 São Pedro Estoril (c)
(s) Sintra 
       
 São João Estoril (c)
 
       
 Estoril (c)
(c) Cascais 
       
 Monte Estoril (c)

Linhas: a L.ª Alentejoc L.ª Cascaisz L.ª Cintura
n L.ª Norteo L.ª Oestes L.ª Sintrau L.ª Sul7 C.ª 7 R.
(*) vd. Campolide-A (**) vd. Pass. Sup. Alcântara

Fonte: Página oficial, 2018.11
(nomes das estações de acordo com a fonte)

Localização e acessosEditar

Situa-se na cidade de Lisboa, tendo acesso pela Rua 1º de Dezembro, na freguesia de Santa Maria Maior (Santa Justa).[11]

Vias e plataformasEditar

Em Janeiro de 2011, a gare do Rossio tinha 5 vias de circulação, com comprimentos entre os 147 e 196 m; as plataformas tinham 132 a 208 m de extensão, e apresentavam todas 90 cm de altura.[12]

EdifícioEditar

 
Interior da estação do Rossio, em 2012

Edificado em estilo manuelino, e do risco do arquitecto José Luís Monteiro, o edifício está classificado desde 1971 como imóvel de interesse público,[13] estando igualmente integrado numa zona de protecção conjunta dos imóveis classificados da Avenida da Liberdade e área envolvente.[14]

Originalmente, o complexo incluía o edifício da estação com a cobertura metálica, um prédio anexo que albergava o hotel, o Túnel do Rossio, e as rampas de acesso ao Largo do Carmo.[15] A nave da gare, de grandes dimensões, é coberta por um alpendre de ferro e vidro e tem 130 m de comprimento e 21 m de altura, tendo nove vias em 1989.[16]

O complexo da estação compreende-se por vários níveis, vencendo, através de pisos intermédios, o grande desnível entre a altura das vias férreas e a cota do Rossio e dos Restauradores.[17] Este tipo de estação é raro em Portugal, sendo o Rossio o principal exemplo no país.[17]

EnquadramentoEditar

Faz parte de um conjunto de quatro terminais no Centro de Lisboa, terminais das ligações radiais:

Os quatro terminais não se encontram ligados directamente entre si por intermédio de uma rede ferroviária, originando uma descontinuidade da rede ferroviária de Lisboa. Para colmatar esta descontinuidade, existem linhas de transportes urbanos que permitem a ligação directa entre os quatro terminais. Estas linhas são operadas pela Carris ou pelo Metropolitano de Lisboa:

  • Santa Apolónia ⇄ Sul e Sueste - Carris ou Metropolitano de Lisboa
  • Santa Apolónia ⇄ Rossio - Metropolitano de Lisboa
  • Santa Apolónia ⇄ Cais do Sodré - Carris

As ligações do Metropolitano de Lisboa são operadas pela linha azul e as da Carris através da Ponte-Bus Santa Apolónia ⇄ Cais do Sodré. Ressalva-se ainda a possibilidade de fazer a articulação entre Santa Apolónia e Rossio através da carreira 759 da Carris.

ServiçosEditar

Esta interface foi frequentemente servida pelo Sud Expresso, ao longo do Século XX.[18][19]

Também recebeu comboios de mercadorias, dispondo em 1940 de um serviço de despacho próprio para este tipo de transporte.[20] A estação do Rossio também serviu como um entreposto para o correio transportado por via ferroviária, tendo albergado um serviço de triagem com carimbos próprios.[21]

Transporte ferroviárioEditar

Serviço Municípios Servidos
CP Urbano
Linha de Sintra
Lisboa, Amadora, Oeiras e Sintra

Urbanos de LisboaEditar

    CP Urbanos de Lisboa
 
Sintra ↔ Rossio
 
Mira Sintra - Meleças ↔ Rossio

  Estações ferroviárias servidas dentro de LisboaEditar

Padrão de serviços de comboioEditar

Estação anterior   Comboios de Portugal Estação seguinte
Campolide
Direção Sintra / Mira Sintra-Meleças
  CP Lisboa
Linha de Sintra
  Terminal

Transportes urbanosEditar

 CarrisEditar

  Metropolitano de LisboaEditar

  AerobusEditar

 
Entrada do Túnel do Rossio, visto a partir da gare

Túnel do RossioEditar

 Ver artigo principal: Túnel do Rossio

O acesso dos comboios à estação faz-se, a partir da estação de Campolide, por um túnel em via dupla com 2613 m de comprimento e com um perfil abobadado de 8 m de largura por 6 m de altura até ao fecho da abóbada.

Entre a boca do túnel em Campolide e o seu final na Estação do Rossio este desce 24,26 m, o que corresponde a um declive de aproximadamente 1%.

Entre 2004 e 2008 o túnel esteve encerrado para obras de reabilitação, levando também à desativação da Estação Ferroviária do Rossio por igual período. Com esta reabilitação todo o túnel passou a estar dotado de uma plataforma de via em betão com carris embebebidos, possibilitando assim um acesso mais facilitado a veículos de serviço ou de socorro.

Possui um poço de escapatória para a superfície a meio do percurso, com saída próxima do cruzamento com a Rua Alexandre Herculano.

 
Estação em construção no século XIX (1886)

HistóriaEditar

Século XIXEditar

Planeamento e construçãoEditar

Um alvará de 7 de Julho de 1886 autorizou a Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses a construir uma via férrea entre a Linha do Leste, em Xabregas, à Linha do Oeste, em Benfica, e em 9 de Abril de 1887 outro alvará autorizou a Companhia Real a construir e explorar um ramal urbano, em via dupla, que ligasse a Linha do Oeste a uma interface no centro de Lisboa, que serviria para passageiros e mercadorias.[2] Um terceiro alvará, publicado no dia 23 de Julho, autorizou a Companhia a construir dois ramais na futura Linha de Cintura, de forma a ligar à Estação Central de Lisboa (posteriormente Estação do Rossio).[2]

A nave da Estação foi planeada entre 1886 e 1887[22], pelo arquitecto José Luís Monteiro[23], tendo a construção sido executada pelas firmas DuParcly & Bartissol, Papot & Blanchard, e E. Beraud.[16] Nesse ano, iniciou-se a demolição de vários prédios, para libertar o espaço onde deveria ser construída a estação, tendo-se planeado que o edifício teria cerca de 43,5 por 23 m, e o corpo lateral, 45 por 19 m.[24]

Em 1888, já estava em construção a linha até ao Rossio[25], em Abril de 1889 já tinham sido concluídos o Túnel do Rossio e a Estação Central, e a primeira composição atravessou o túnel em Maio.[2]

 
Obras de construção da Estação do Rossio.

Década de 1890Editar

A cerimónia de inaugurada foi realizada em 18 de Maio de 1890, mas a abertura à exploração só se deu em 11 de Junho do ano seguinte.[3] Devido à sua situação como estação central na cidade de Lisboa, tornou-se o ponto terminal dos mais importantes comboios internacionais de passageiros, incluindo o Sud Expresso, que antes partia de Lisboa-Santa Apolónia.[4]

Um despacho de 6 de Junho de 1890 ordenou que fosse instalado um sistema de sinalização na estação do Rossio, no esquema Saxby & Farmer.[3] Em Setembro desse ano, já tinha sido concluída a construção da fachada da estação.[26] Em 16 de Maio de 1891, já tinha sido anunciado que os comboios correios do Norte e Leste iriam passar para o Rossio.[27]

Em 1 Novembro de 1893, a Gazeta dos Caminhos de Ferro informou que tinha sido aberto o concurso para o fornecimento e instalação de iluminação eléctrica na estação e no túnel, com equipamentos próprios para a geração de electricidade.[28] Em Junho de 1894, já tinham entrado ao serviço os sistemas de iluminação eléctrica.[5]

Em Fevereiro de 1895, os elevadores foram suspensos para manutenção, tendo os serviços de venda de bilhetes e despacho de bagagens, que normalmente se realizavam no vestíbulo inferior, sido passados para o vestíbulo superior, ao nível da gare.[29] Em Maio de 1896, estava a ser construída uma cabina para a venda de bilhetes para o elevador e acesso à gare.[30]

Em 1899, a Companhia Real introduziu as locomotivas da Série 261 a 272, que foram postas nos comboios rápidos entre a Gare do Rossio e o Porto.[31]

 
Bilhete-Postal de 1919, com o assassinato de Sidónio Pais no Rossio, em 14 de Dezembro de 1918.

Século XXEditar

Décadas de 1900 e 1910Editar

Em 16 de Janeiro de 1902, a Gazeta dos Caminhos de Ferro noticiou que estava prevista a instalação de novos relógios, de grandes dimensões, da casa Garnier, na gare e nos vestíbulos superior e inferior.[6] A Gazeta de 1 de Agosto desse ano relatou que a Companhia Real tinha contratado a firma francesa Hallé & Cie, para substituir os permutadores hidráulicos nesta estação, por uns eléctricos, prevendo-se, nesta altura, que também os elevadores, monta-cargas, sinais e os aparelhos de mudança de via também fossem adaptados à energia eléctrica.[32] Em Setembro de 1903, já tinham entrado ao serviço os novos permutadores.[33]

Em 4 de Dezembro de 1909, o rei D. Manuel II chegou à estação do Rossio, depois de uma viagem ao Reino Unido.[34]

Nos princípios de 1914, ocorreu uma das maiores greves de ferroviários em Portugal; no primeiro dia da greve, em 14 de Janeiro, foram destacados soldados para guardar a estação do Rossio, onde se encontrava a administração da empresa, e não circularam comboios na Linha de Sintra devido a actos de sabotagem por parte dos trabalhadores.[35] No dia seguinte, as forças militares e policiais estabeleceram a sua base de operações no Rossio, e saiu um comboio da estação, carregado de soldados e polícias, que no entanto foi forçado a parar em Campolide devido aos protestos dos grevistas.[36] Nos dias seguintes, a greve começou a dar sinais de abrandar, mas voltou a acender-se no dia 22 de Janeiro, quando a polícia dispersou uma multidão que se tinha juntado na estação do Rossio para apoiar a greve.[37] No dia 23, voltaram a ser feitos vários actos de sabotagem, e a presença policial e militar voltou a ser reforçada nas estações da Linha de Sintra; ainda assim, na madrugada do dia 24, rebentaram duas bombas na gare do Rossio, e uma terceira foi encontrada junto à boca do túnel.[38]

Em 14 de Dezembro de 1918, Sidónio Pais foi assassinado na estação do Rossio.[39] Em 1919, esta foi uma das estações em que foi utilizado o vagão fantasma, um sistema de segurança utilizado para impedir actos de sabotagem por parte dos grevistas.[40]

 
Acidente no Rossio, em 1922.

Décadas de 1920 e 1930Editar

Em 1925, entraram ao serviço as locomotivas a vapor da Série 501 a 508, que começaram desde logo a rebocar os comboios rápidos entre o Rossio e Vila Nova de Gaia.[8]

Em 1 de Julho de 1926, Gazeta relatou que a Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses já tinha iniciado um concurso para a electrificação da Linha de Sintra, incluindo o troço até a Estação do Rossio.[41] Em 1932, parte desta estação o primeiro Comboio Mistério, um comboio especial promovido pelo Serviço de Turismo.[42] Em 1934, a Companhia realizou obras parciais de reparação na estação do Rossio.[43]

Em 1934, o arquitecto Cottinelli Telmo foi premiado num concurso para a renovação estética do Rossio.[44] Em 1938, foi projectada a modernização da estação, cujas obras iniciaram-se em 1948[45], e em 1939 foi elaborado o projecto para a torre de sinalização.[46] Nessa altura, a estação do Rossio ainda era considerada como a gare central de Lisboa e a mais importante do país, com ligação aos principais comboios internacionais, embora já se tivesse começado a tornar desadequada para esta função.[45] Um dos principais problemas era o aspecto interior, muito pobre em relação ao exterior, e pouco adequado à imagem do Rossio como a gare internacional de Lisboa.[45] Assim, Cottinelli Telmo debruçou-se especialmente às áreas públicas, tendo o átrio inferior sido profundamente modificado, e os pavimentos, as paredes e as colunas de ferro foram revestidos com placas de mármore.[45] As antigas cabanas de madeira onde estavam instaladas as bilheteiras foram substituídas por grandes vidraças com perfis metálicos cromados, e no vestíbulo superior, de acesso às plataformas, foi instalada uma bateria de cabinas de controle com torniquetes metálicos, que criou um cenário de movimento, apropriado para o grande tráfego de passageiros no interior da estação.[45]

 
Gare do Rossio em Julho de 1956, antes da electrificação.

Décadas de 1940 e 1950Editar

Em 1943, foi no Rossio que se iniciou a viagem inaugural do Lusitânia Expresso.[42] Em 1948, a C. P. colocou ao serviço uma série de locomotivas a gasóleo que passaram a assegurar a condução dos comboios rápidos entre Lisboa e o Porto, embora os comboios desde o Rossio até Campolide continuassem a ser feitos por locomotivas a vapor, uma vez que o material a gasóleo não podia passar pelo Túnel do Rossio.[8]

Em 18 de Novembro de 1954, foi determinada a interrupção da circulação no Túnel do Rossio, de forma a proceder a obras de electrificação.[7][47] O tráfego foi desviado para as estações de Sete Rios, Entrecampos e Santa Apolónia[48], tendo esta última retomado a sua função como a principal gare para os serviços de longo curso em Lisboa.[20] No entanto, esta medida criou graves inconvenientes à população, que utilizava o Rossio devido à sua localização no centro da cidade, e que passou a ter de utilizar outros meios de transporte para aceder aos comboios.[48] Embora inicialmente tivesse sido previsto um prazo de três meses para as obras[7], este foi prolongado para quatro meses, tendo a estação sido reaberta em Julho de 1955.[48] No dia 11 de Julho, o Ministro das Comunicações, Manuel Gomes de Araújo, em conjunto com várias autoridades do estado e da Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses, visitou as obras na estação e no túnel do Rossio.[48] Entre as modificações na estação, foi alterada a iluminação, que passou a ser feita com lâmpadas fluorescentes, foram instalados novos pavimentos com novas vias, melhoradas as curvas de entrada e a sinalização, e removidas as gruas de fornecimento de água às locomotivas, que deixaram de ser necessárias com a introdução da tracção eléctrica.[48] No dia seguinte, foram reiniciados os serviços de passageiros no Rossio, com os dois primeiros comboios a sair de manhã com destino a Sintra e Estação de Vila Franca de Xira.[48] Em 1955, os comboios de passageiros de longo curso deixaram de servir a Gare do Rossio, tendo sido passados para a estação de Santa Apolónia.[8]

A inauguração da tracção eléctrica na Linha de Sintra foi marcada para o dia 28 de Outubro de 1956[7], mas devido ao atraso das obras, só foi realizada em 28 de Abril de 1957.[49] Foi organizado um comboio especial entre Lisboa e Sintra, tendo o tipo de tracção sido mudado nessa noite.[49] Com a electrificação, passaram a circular diariamente 75 comboios entre o Rossio e Sintra, cumprindo 119 marchas por dia, tendo o tempo de viagem sido reduzido de 59 para 36 minutos.[49]

Ainda em 1956, os serviços de mecanografia da CP passaram de Santa Apolónia para o Rossio, tendo sido adquirido material electromecânico Bull de cartões perfurados.[50] Em 9 de Julho desse ano, foi inaugurada uma biblioteca técnica para uso do pessoal da Companhia.[51]

 
Cartazes eleitorais na fachada da Estação do Rossio, em 1975.

Década de 1970Editar

Em 15 de Abril de 1970, entraram ao serviço novas máquinas automáticas, para a venda de bilhetes, e, em meados dos anos 70, esta interface foi alvo da primeira experiência em Portugal de rentabilização de espaços ferroviários, através da instalação do Centro Comercial do Rossio.[9] Na manhã do dia 25 de Abril de 1974, os comboios na Linha de Sintra não circularam até ao Rossio, tendo sido parados nas estações intermédias da linha.[52]

Em 1 de Julho de 1975, os passageiros organizaram um protesto nesta estação, contra os aumentos das tarifas.[53]

 
Estação do Rossio, em 1984.

ModernizaçãoEditar

Na Década de 1990, a companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses iniciou um programa de modernização da Linha de Sintra, onde se encontrava prevista a remodelação de todas as estações.[54] No caso do Rossio, estas obras contemplavam a supressão de cinco vias no interior, e a construção de uma ligação ao Metropolitano de Lisboa.[10]

Em 29 de maio de 1998, a estação do Rossio esteve encerrada, devido a uma greve dos trabalhadores dos Caminhos de Ferro Portugueses.[55]

Século XXIEditar

Em 3 de maio de 2016, a estátua do rei D. Sebastião que se encontrava à porta da estação, ficou totalmente destruída depois de um jovem subir ao local para tirar fotografias.[56]

Ver tambémEditar

Notas e referências

  1. LUZZATTI, Miguel Cano Lopez (Outubro de 1978). «Los Transportes Publicos de Lisboa». Via Libre (em espanhol). 15 (177). Madrid: Gabinete de Información y Relaciones Externas de RENFE. p. 16-17 
  2. a b c d TORRES, Carlos Manitto (16 de Janeiro de 1958). «A evolução das linhas portuguesas e o seu significado ferroviário» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 70 (1682). p. 61-64. Consultado em 6 de Setembro de 2014 
  3. a b c MARTINS et al, p. 251
  4. a b MARISTANY, Manolo (Junho de 1986). «Los Cien Anos del Sur Expreso». Via Libre (em espanhol). 24 (269). Madrid: Fundacion de Los Ferrocarriles Españoles. p. 23-27 
  5. a b «Efemérides 1888 - 1938» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 51 (1226). 16 de Janeiro de 1939. p. 81-85. Consultado em 21 de Junho de 2016 
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  9. a b REIS et al, 2006:160-161
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  11. «Rossio». Comboios de Portugal. Consultado em 27 de Novembro de 2014 
  12. «Linhas de Circulação e Plataformas de Embarque». Directório da Rede 2012. Rede Ferroviária Nacional. 6 de Janeiro de 2011. p. 71-85 
  13. Classificação do edifício como imóvel de interesse público (Decreto 516/71)
  14. Integração em zona de protecção conjunta de imóveis classificados (Portaria 529/96)
  15. REIS et al, 2006:37
  16. a b SANTOS, 1989:329
  17. a b MARTINS et al, 1996:139
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  24. MARTINS, Rocha (1 de Novembro de 1932). «Como Nasceu a Estação do Rossio» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 45 (1077). p. 513-514. Consultado em 6 de Setembro de 2014 
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  26. «Há Quarenta Anos» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 46 (1101). 1 de Novembro de 1933. p. 582. Consultado em 21 de Junho de 2016 
  27. «Efemérides 1888 - 1938» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 51 (1225). 1 de Janeiro de 1939. p. 43-48. Consultado em 21 de Junho de 2016 
  28. «Há Quarenta Anos» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 46 (1101). 1 de Novembro de 1933. p. 582. Consultado em 6 de Setembro de 2014 
  29. «Há Quarenta Anos» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 47 (1131). 1 de Fevereiro de 1935. p. 64. Consultado em 6 de Setembro de 2014 
  30. «Há Quarenta Anos» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 68 (1161). 16 de Maio de 1936. p. 259. Consultado em 21 de Junho de 2016 
  31. TÃO, Manuel Margarido (2005). «150 Anos de Material Motor Francês em Portugal». O Foguete. 4 (15). Entroncamento: Associação de Amigos do Museu Nacional Ferroviário. p. 13-19 
  32. «Linhas Portuguezas» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 15 (351). 1 de Agosto de 1902. p. 234-235. Consultado em 6 de Setembro de 2014 
  33. «Linhas Portuguezas» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 16 (377). 1 de Setembro de 1903. p. 304. Consultado em 6 de Setembro de 2014 
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BibliografiaEditar

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  • MACHADO, Júlio (2000). Crónica da Vila Velha de Chaves. Chaves: Câmara Municipal de Chaves. 448 páginas 
  • MARQUES, Ricardo (2014). 1914: Portugal no ano da Grande Guerra 1.ª ed. Alfragide: Oficina do Livro - Sociedade Editora, Lda. 302 páginas. ISBN 978-989-741-128-1 
  • MARTINS, João; BRION, Madalena; SOUSA, Miguel; et al. (1996). O Caminho de Ferro Revisitado. O Caminho de Ferro em Portugal de 1856 a 1996. Lisboa: Caminhos de Ferro Portugueses. 446 páginas 
  • PEREIRA, Paulo (1995). História da Arte Portuguesa. Volume 3. [S.l.]: Círculo de Leitores. 695 páginas. ISBN 972-42-1225-4 
  • REIS, Francisco; GOMES, Rosa; GOMES, Gilberto; et al. (2006). Os Caminhos de Ferro Portugueses 1856-2006. Lisboa: CP-Comboios de Portugal e Público-Comunicação Social S. A. 238 páginas. ISBN 989-619-078-X 
  • SANTOS, José (1989). O Palácio de Cristal e Arquitectura de Ferro no Porto em Meados do Século XIX. Porto: Fundação Engenheiro António de Almeida. 387 páginas 
  • VITERBO, Sousa (1988) [1899]. Dicionário Histórico e Documental dos Arquitectos, Engenheiros e Construtores Portugueses. Volume 3 2.ª ed. Lisboa: Imprensa Nacional. 491 páginas 

Leitura recomendadaEditar

  • Do Rossio a Campolide: A Reabilitação de um Túnel e de uma Estação com História. Lisboa: Rede Ferroviária Nacional. 2008 
  • ANTUNES, J. A. Aranha; et al. (2010). 1910-2010: o caminho de ferro em Portugal. Lisboa: CP-Comboios de Portugal e REFER - Rede Ferroviária Nacional. 233 páginas. ISBN 978-989-97035-0-6 
  • CERVEIRA, Augusto; CASTRO, Francisco Almeida e (2006). Material e tracção: os caminhos de ferro portugueses nos anos 1940-70. Col: Para a História do Caminho de Ferro em Portugal. 5. Lisboa: CP-Comboios de Portugal. 270 páginas. ISBN 989-95182-0-4 
  • VILLAS-BOAS, Alfredo Vieira Peixoto de (2010) [1905]. Caminhos de Ferro Portuguezes. Lisboa e Valladollid: Livraria Clássica Editora e Editorial Maxtor. 583 páginas. ISBN 8497618556 
  • SALGUEIRO, Ângela (2008). A Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses: 1859-1891. Lisboa: Univ. Nova de Lisboa. 145 páginas 
 
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Ligações externasEditar