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Estrada Circular de Maputo

A Estrada Circular de Maputo é um projecto de construção de seis estradas que têm como destino de melhorar o fluxo do trânsito na capital moçambicana de Maputo. As obras, sobretudo financiadas pelo Governo da República Popular de China, começaram em 2012 e devem ter terminadas em meados de 2015.

DescriçãoEditar

 
Mapa do projecto
 
Obras na Avenida da Marginal em frente do Hotel Radisson (Secção 1)

Em 2011 o governo moçambicano lançou junto com o governo da República Popular da China um projecto com o nome “Estrada Circular de Maputo” para aliviar o trânsito da cidade de Maputo. As obras começaram em 2012.[1] Os custos do projecto têm um valor de 315 milhões, dos quais 300 milhões são um empréstimo do banco estatal China Exim-Bank.[2][3]

As obras têm um prazo de construção de 30 meses. Os comitentes – a Administração Nacional de Estradas (ANE), os municípios de Maputo e Matola e a empresa estatal Maputo Sul – contrataram a empresa chinesa China Road and Bridge Corporation. A empresa também constrói, entre outros, a ponte de Maputo a Catembe. Após a finalização o município de Maputo e a Administração Nacional de Estradas encarregar-se-ão da gestão e manutenção das estradas. Existe o plano de introduzir portagens, como por exemplo na estrada nacional EN4 (Maputo–Ressano Garcia).

O projecto é divido em seis secções, em total serão construídos 52 km e 22 km serão ampliados.

  • Secção 1: Ampliação da Avenida da Marginal (6,325 km); do Hotel Radisson até o Costa do Sol
  • Secção 2: Construção de uma estrada de 19,869 km do Costa do Sol até Marracuene
  • Secção 3: Construção de uma estrada de 10,506 km de Chiango até Zimpeto
  • Secção 4: Ampliação da estrada nacional EN1 (15,5 km), de Zimpeto até Marracuene
  • Secção 5: Construção de uma estrada de 16,299 km, de Zimpeto até Tchumene (ligação com a EN4)
  • Secção 6: Construção de uma estrada de 5,5 km, do nó de Machava até à Praça 16 de Junho (ligação com Avenida 24 de Julho)

Além das estradas, também serão construídas seis pontes. Duas servem de passagem para a Linha de Limpopo (em Albazine e Marracuene) e uma para a Linha de Ressano Garcia (perto da estação ferroviária de Matola).[4]

Actualmente há discussões de não construir a 6° secção por causa de muitas outras obras naquela área.[4] Após muitas chuvas e roubos nos estaleiros[5] a finalização terá um atraso de alguns meses. Originalmente, as obras deviam ter terminados em Dezembro de 2014, agora serão concluídas em Abril de 2015.[6]

CríticasEditar

O projecto foi e é alvo de várias críticas.

Desde o início os trabalhadores moçambicanos, cujo número é entre 1000 e 2000, criticam as condições de trabalho. Muitos trabalhadores lamentam o racismo por parte dos patrões chineses, a falta de material, atrasos de salários e falta de pagamento das horas extras.[3][7] Em 2014 290 trabalhadores entraram em greve, mas terminaram-na poucos dias depois sem sucesso.[8]

Além disso, por causa das obras é necessário reassentar milhares de famílias. Só nos bairros de Intaka, Muhalaze, Mwamatibjana, Nkobe e Matola-Gare da cidade de Matola é necessário de reassentar 1200 famílias.[9] Muitos moradores criticam a falta de informações, erros no processo e as baixas indemnizações.[10][11][12][13] Segundo informações de vários jornais, há um orçamento de 40 milhões de dólares para as indemnizações.[14] Paulo Fumane, presidente do conselho administrativo da empresa Maputo Sul, lamentou o oportunismo dos moradores e disse que teriam aparecido novas casas da noite para dia.[4]

Silva Magaia, coordenador da ONU-Habitat Moçambique, criticou os planos, especialmente o trajecto na Avenida da Marginal. Alertou para o risco de ocorrência de desastres naturais na costa, havendo previsões de subida do nível das águas do mar. Já um “pequeno tsunami” poderia causar grandes danos.[15]

Referências

  1. «Município lança projecto "Estrada Circular de Maputo"». Portal do Governo de Moçambique. 7 de março de 2012. Consultado em 13 de outubro de 2014. Arquivado do original em 18 de outubro de 2014 
  2. «Exim Bank loan for Maputo Ring Road». AidData (em inglês). Consultado em 13 de outubro de 2014 
  3. a b Carlos Possik. «Obras da "Estrada Circular de Maputo" em estado avançado de execução». Jornal Debate. Consultado em 13 de outubro de 2014. Arquivado do original em 17 de outubro de 2014 
  4. a b c «Fumane assegura cumprimento de prazo nas obras Circular de Maputo e ponte Maputo-Katembe». O País. 15 de agosto de 2014. Consultado em 13 de outubro de 2014 
  5. «Roubos perturbam a "Circular"». Jornal Notícias. 5 de abril de 2014. Consultado em 13 de outubro de 2014 
  6. «Estrada circular de Maputo, Moçambique, concluída em Abril de 2015». Macau HUB. 4 de junho de 2014. Consultado em 13 de outubro de 2014. Arquivado do original em 21 de outubro de 2014 
  7. Fernando Gil (6 de setembro de 2012). «Construção da estrada circular de Maputo com apenas 2 meses de trabalho efectivo, mas:». Moçambique para todos. Consultado em 13 de outubro de 2014 
  8. «CIRCULAR DE MAPUTO: Vence opção pelo trabalho». Jornal Notícias. 8 de janeiro de 2014. Consultado em 13 de outubro de 2014 
  9. «Mais de mil famílias abrangidas pelo traçado da "Circular" na Matola». O País. 9 de novembro de 2012. Consultado em 13 de outubro de 2014 
  10. «Simango reconhece erros no processo de reassentamento». O País. 9 de novembro de 2012. Consultado em 13 de outubro de 2014 
  11. «Famílias abrangidas pela estrada circular de Maputo exigem aumento de compensações». A Verdade. 26 de março de 2013. Consultado em 13 de outubro de 2014 
  12. «Circular de Maputo gera polémica nas populações afectadas». O País. 6 de novembro de 2012. Consultado em 13 de outubro de 2014 
  13. Kay Asbjørn Knutsen Schjørlien (11 de dezembro de 2013). «The Circular Road to Destruction». fk-world.com (em inglês). Consultado em 13 de outubro de 2014. Arquivado do original em 16 de outubro de 2014 
  14. «ESTRADA CIRCULAR DE MAPUTO - Pontes concluídas próximo ano». Jornal Notícias. 30 de junho de 2014. Consultado em 13 de outubro de 2014 
  15. «Circular de Maputo "não parece bom"». MMO Notícias. 12 de julho de 2012. Consultado em 13 de outubro de 2014