Abrir menu principal

Esvetoslau I de Quieve

(Redirecionado de Esviatoslau I de Kiev)
A página está num processo de expansão ou reestruturação.
Esta página está em processo de expansão ou reestruturação durante um curto período.
Isso significa que o conteúdo está instável e pode conter erros que estão a ser corrigidos. Por isso, não convém editar desnecessariamente ou nomear para eliminação durante esse processo, para evitar conflito de edições; ao invés, exponha questionamentos na página de discussão. Caso a última edição tenha ocorrido há vários dias, retire esta marcação.
Esvetoslau I de Quieve
Esvetoslau por Eugene Lanceray (1886)
Grão-príncipe de Quieve
Reinado 945972
Antecessor(a) Igor I
Sucessor(a) Jaropolco I
 
Cônjuge Predislava
Malucha
Descendência Com mulher desconhecida:
* Jaropolco I
* Olegue I

Com Malucha:
* Vladimir I
Casa ruríquida
Nascimento 942
  Quieve
Morte 26 de março de 972
  Chortica, Dniepre
Pai Igor I
Mãe Santa Olga

Esvetoslau ou Esviatoslau (em latim: Svetoslaus; em antigo eslavo oriental: Свтославъ/Свѧтославъ Игорєвичь; transl.: Sventoslavŭ / Svantoslavŭ Igorevičǐ[1]), Esfendóstlabo (em grego medieval: Σφενδοσθλάβος; transl.: Sphendosthlábos) ou Sueinaldo (em nórdico antigo: Sveinald Ingvarsson; ca. 942 - 26 de março de 972) foi grão-príncipe de Quieve entre 945-972.[2][3] Ficou famoso por suas campanhas no leste e sul, precipitando o colapso da Cazária e o Primeiro Império Búlgaro. Também conquistou várias tribos eslavas orientais, derrotou os alanos e atacou os búlgaros do Volga, e por vezes aliou-se a pechenegues e magiares.

Seu reinado sobre a Rússia foi marcado pela rápida expansão em direção ao vale do rio Volga, a estepe pôntica e os Bálcãs. No fim de sua breve vida, construiu o maior Estado na Europa e mudou a capital em 969 de Quieve (na atual Ucrânia) para Pequena Preslava (identificada com a moderna vila de Nufaru, na Romênia)[4] no Danúbio. Em contraste com a conversão de sua mãe ao cristianismo, Esvetoslau permaneceu um firme pagão por toda sua vida. Devido a sua morte abrupta em emboscada, a maioria de suas conquistas não foram consolidadas dentro de um império funcional, enquanto seu fracasso em estabelecer uma sucessão estável levou à disputa fratricida entre seus três filhos, resultando na morte de dois deles.

Índice

NomeEditar

 
Desenho de Esvetoslau usando uma vixivanca, segundo Fedor Solntsev

A Crônica Primária registra Esvetoslau como primeiro governante da Rússia de Quieve com um nome de origem eslava (em oposição a seus predecessores, cujos nomes tinham forma nórdicas). O nome Esvetoslau, contudo, não é registrado em outros países eslavos medievais. Porém, Sueinaldo é o cognato em nórdico antigo oriental da forma eslava como atestado pelo patronímico nórdico antigo oriental do filho de Esvetoslau, Vladimir: Valdamarr Sveinaldsson. A convenção patronímica continua nas línguas islandesa e eslavas orientais. Mesmo em Quieve, foi atestado apenas entre membros da dinastia ruríquida, pois eram nomes dos sucessores imediatos de Esvetoslau: Vladimir I, Jaroslau I e Mistislau I.[5] Alguns estudioso veem o nome de Esvetoslau, composto pelas raízes eslavas para "sagrado" e "glória", como derivação artificial combinando os nomes de seus predecessores Olegue e Rurique I (cujos nomes significa "sagrado" e "glorioso" em nórdico antigo, respectivamente).[6]

VidaEditar

Primeiros anos e personalidadeEditar

Nada se sabe sobre a infância e juventude de Esvetoslau, durante as quais esteve reinando em Novogárdia. O pai de Esvetoslau, Igor, foi morto pelos dreulianos cerca de 945, e sua mãe Olga governou como regente em Quieve até Esvetoslau alcançar a maioridade (ca. 963).[a] Esvetoslau foi tutorado pelo varegue Asmudo;[7] a tradição de empregar tutores varegues para filhos de príncipes reinantes sobreviveu até o século XI. Esvetoslau parece ter tido paciência para administração. Sua vida foi gasta com sua druzina (vagamente, "companhia") em permanente guerra contra contra Estados vizinhos. Segundo a Crônica de Nestor, levou em suas expedições nem vagões nem chaleiras, e não cozinhou carne alguma, e em vez disso cortou pequenas tiras de carne de cavalo, caça ou bife para comer depois de assar nas brasas. Nem fez uma tenda, em vez disso espalhou um cobertor de cavalo sobre ele e colocando sua sela debaixo da cabeça, e toda sua comitiva fez o mesmo.[8]

Sua aparência foi descrita muito claramente por Leão, o Diácono, que participou da reunião de Esvetoslau com o imperador João I (r. 969–976). Segundo suas memórias, Esvetoslau era um homem de olhos azuis e estatura média, mas de forma robusta, muito mais resistente que Tzimisces. Ele raspou sua cabeça loira e sua barba, mas usava um bigode espesso e um mecha de cabelo lateral como um sinal de sua nobreza.[b] Ele preferia vestir-se de branco e notou-se que suas vestes eram muito mais limpas do que as de seus homens, embora tinha muito em comum com seus guerreiros. Ele usava um único grande brinco de ouro com um carbúnculo e duas pérolas.[9]

Crenças religiosasEditar

A mãe de Esvetoslau, Olga, converteu-se ao cristianismo oriental na corte do imperador Constantino VII em 957, aproximadamente com 67 anos.[c] Contudo, Esvetoslau permaneceu pagão por toda sua vida. No Tratado de 971 entre ele e o imperador João I, os russos juram por Perun e Veles.[10] Segundo a Cronica de Nestor, acreditava que seus guerreiros (druzina) perderiam seu respeito e zombariam dele se se tornasse cristão.[carece de fontes?]

Vida familiarEditar

Pouco se sabe sobre a vida familiar de Esvetoslau. É possível que não era o único (ou mais velho) filho de seus pais. O Tratado Russo-Bizantino de 945 cita certa Predislava, esposa de Volodislau, como a mais nobre entre as mulheres russas após Olga. O fato de Predislava ser a mãe de Olegue é apresentado por Vasily Tatishchev; ele também especulou que Predislava pertencia à nobreza húngara. George Vernadsky esteve entre os historiadores que especulam que Volodislau era o filho mais velho e herdeiro de Igor que morreu em algum ponto durante a regência de Olga; outra crônica diz que Olegue era o filho mais velho de Igor. À época da morte de Igor, Esvetoslau ainda era uma criança, e foi criado por sua mãe ou sob suas instruções. A influência dela, porém, não estendeu-se à observância religiosa dele.[carece de fontes?]

Esvetoslau teve vários filhos, mas a origem de suas esposas não é especificado na crônica. De suas mulheres teve Jaropolco I e Olegue I. De Malucha, uma esposa de origens indeterminadas, teve Vladimir I, que romperia com o paganismo de seu pai e converteria os russos aos cristianismo. João Escilitzes relata que Vladimir tinha um irmão chamado Esfengo; é incerto se esse Esfengo era filho de Esvetoslau, um filho de Malucha de um casamento anterior ou marido subsequente, ou um nobre russo não relacionado;[carece de fontes?] Simon Franklin e Jonathan Shepard, por exemplo, sugeriram que poderia ser associado a Mistislau I de Czernicóvia.[11]

NotasEditar

[a] ^ Se Olga de fato nasceu em 879, como a Crônica de Nestor parece implicar, ele deveria estar com cerca de 65 anos no tempo do nascimento de Esvetoslau. Há claramente alguns problemas com a cronologia.[carece de fontes?]
[b] ^ Para as traduções alternativas da mesma passagem do original grego segundo as quais Esvetoslau pode não ter barba raspada, mas rala, e não uma, mas duas mechas de cada lado da cabeça, ver Heath 1985, p. 60; Nicolle 1999, p. 44
[c] ^ Com base em sua análise do Sobre as Cerimônias, Alexander Nazarenko sugeriu que Olga esperava orquestrar um casamento entre Esvetoslau e uma princesa bizantina. Se sua proposta fosse recusada peremptoriamente (como certamente teria sido), é dificilmente surpreendente que Esvetoslau olharia ao Império Bizantino e sua cultura cristã com suspeita.[12]

Referências

  1. Litopys 1908.
  2. Britânica 1998.
  3. Britânica 1998a.
  4. Stephenson 2000, p. 56.
  5. Lytvyna 2006, p. 43.
  6. Chlenov 1970.
  7. Crônica de Nestor entrada para 968
  8. Cross 1953, p. 84.
  9. Vernadsky 1959, p. 276–277.
  10. Froianov 1992, p. 4.
  11. Franklin 1996, p. 200-201.
  12. Nazarenko 2001, p. 302.

BibliografiaEditar

  • Chlenov, A. M. (1970). К вопросу об имени Святослава, in Личные имена в прошлом, настоящем и будущем: проблемы антропонимики [A questão do nome de Esvetoslau, em nomes pessoais no passado, presente e futuro: problemas de antroponímia]. Moscou 
  • Cross, S. H.; Sherbowitz-Wetzor, O. P. (1953). The Russian Primary Chronicle: Laurentian Text. Cambrígia, Massachusetts: Medieval Academy of America 
  • Franklin, Simon; Shepard, Jonathan (1996). The Emergence of Rus 750–1200. Londres: Longman. ISBN 0-582-49091-X 
  • Froianov, I. Ia.; Dvornichenko, A. Iu.; Krivosheev, Iu. V. (1992). «The Introduction of Christianity in Russia and the Pagan Traditions». In: Balzer, Marjorie Mandelstam. Russian Traditional Culture: Religion, Gender, and Customary Law. Armonque, Nova Iorque: M.E. Sharpe. ISBN 978-1-56324-039-3 
  • Heath, Ian; McBride, Angus (1985). The Vikings (Elite 3). Oxônia: Osprey Publishing 
  • Lytvyna, A. F.; Uspenskiy, Fedor Borisovich (2006). Выбор имени у русских князей в X-XVI вв: династическая история сквозь призму антропонимики [The choice of personal names for the Russian princes of the 10th-16th centuries: a dynastic history through the prism of anthroponymy]. Moscou: Индрик [Indrik]. ISBN 5-85759-339-5 
  • Nazarenko, A. N. (2001). Drevniaya Rus' na Mezhdunarodnykh Putiakh (Древняя Русь на международных путях). Moscou: Academia Russa de Ciências, Instituto de História Mundial. ISBN 5-7859-0085-8 
  • Nicolle, David (1999). Armies of Medieval Russia 750–1250 (Men-at-Arms 333). Oxônia: Osprey Publishing. ISBN 978-1-85532-848-8 
  • Stephenson, Paul (2000). Byzantium's Balkan Frontier: A Political Study of the Northern Balkans, 900–1204. Cambridge, Reino Unido: Cambridge University Press. ISBN 0-521-77017-3 
  • Vernadsky, G. V. (1959). The Origins of Russia. Oxônia: Clarendon Press