Evil-Merodaque

Evil-Merodaque, Evil-Marduque, Amel-Marduque ou ainda Nabusumauquim (em acádio: 𒈬𒇽𒀭𒀫𒌓; romaniz.: Amēl-Marduk; em hebraico: אֱוִיל מְרֹדַךְ; romaniz.: ʾĕwīl marōḏaḵ , lit. “homem do deus Marduque”, “o homem é Marduque” ou até “devoto de Marduque”[1]) foi um rei da Babilônia, filho de Nabucodonosor II. Reinou por dois anos (562 a.C. ou 561 a.C., e aproximadamente 560 a.C.), e foi assassinado pelo seu cunhado, Neriglissar que se apoderou do reino após reunir o exército e atacar a sala do trono.[2][3][4]

Evil-Merodaque
Rei da Babilônia
Rei da Suméria e da Acádia
Lamento de Evil-Merodaque, que faz apelo à Marduque, no Museu Britânico
Reinado 562 - 560 a.C.
Antecessor(a) Nabucodonosor II
Sucessor(a) Neriglissar
Dinastia caldeia
Nascimento ?
Morte 560 a.C.
Ocupação soberano
Pai Nabucodonosor II
Mãe Amitis da Média (?)

BiografiaEditar

Seu nome, junto com a duração de seu reinado, estão registrados no Cânone de Ptolomeu, e alguns estudiosos apontam para três homônimos separados mencionados em uma lista de reis reinantes mantida pela civilização suméria existente 2.000 anos antes, deixando a linha do tempo de seu reinado pouco claro. Nenhum documento cuneiforme sobrevivente registra sua vida ou atos, sugerindo que os homens mencionados em ambas as listas podem ter compartilhado um nome de família, ou ter um ancestral comum com Evil-Merodaque.[5] Beroso escreve que foi assassinado em uma conspiração orquestrada por Neriglissar, seu sucessor e cunhado. Beroso também observa que "ele governou os assuntos públicos de maneira ilegal e impura", possivelmente uma alusão a ações que enfureceram a classe sacerdotal,[3] incluindo reformas feitas nas políticas de Nabucodonosor.[6]

O profeta judeu Jeremias conta que Evil-Merodaque no seu 1º ano de acessão (no 12.º mês no 25.º dia), Joaquim, o deposto Rei de Judá, passou da condição de um rei exilado sob detenção para amigo pessoal do rei. Atribuiu-lhe uma pensão alimentar vitalícia. Isso ocorreu no ano 37.º após o exílio de Jeconias.[7][8][9]

Textos judaicos e cristãos posteriores expandem o relato bíblico. Josefo e o Avot do Rabino Natan afirmam que o rei acreditava que Joaquim estava preso por seu pai sem motivo e, portanto, decidiu libertá-lo após a morte deste.[10] Josefo atribuiu dezoito anos para seu reinado,[11] e mais tarde em sua refutação a Ápio sobre a comparação da antiguidade dos judeus com os gregos, Josefo cita Beroso atribuindo um reinado de dois anos. Seder Olam Rabá atribuiu vinte e três anos ao seu reinado.[12] Levítico de Rabá 18:2 afirma que Evil-Merodaque foi feito rei enquanto Nabucodonosor ainda vivia, e foi punido por este ato de rebelião por seu pai, que o prendeu.[10] Em Ester de Rabá, Evil-Merodaque, devido às ações de seu pai antes de sua morte, é herdeiro de um tesouro falido.[10]

Enciclopédia judaicaEditar

Evil-Merodaque era filho de Nabucodonosor e terceiro governante do império da Nova Babilônia; reinou de 561 a 560 a.C. Nenhuma inscrição pessoal ou histórica de seu reinado foi descoberta, e há apenas duas fontes de informação a respeito dele - as Escrituras Hebraicas e Beroso. De acordo com a Bíblia, ele libertou no ano de sua ascensão, o rei preso Joaquim, convidou-o para sua mesa, vestiu-o com vestes reais e elevou-o acima de todos os outros reis cativos que estavam na Babilônia. Tiele, Cheyne e Hommel são da opinião de que talvez Neriglissar, cunhado de Evil-Merodaque, que é elogiado por sua benevolência, foi fundamental para a libertação do rei da Judéia. Grätz, por outro lado, conjectura a influência dos eunucos judeus (referindo-se a Jeremias 39:7 e Daniel).[13]

Beroso, no entanto, diz que Evil-Merodaque governava "de maneira injusta e obscena". Possivelmente, o tratamento que dispensou ao rei exilado foi considerado ilegal pelo partido sacerdotal ou nacional; ou pode ser que a memória de algum ferimento doeu na mente do escritor sacerdotal, ou escritores, de sua história (Winckler, "Gesch. Babyloniens und Assyriens", p. 314). Evilmerodach foi incapaz de neutralizar o perigo decorrente da imigração mediana. O partido que se opôs a ele logo conseguiu destroná-lo, e ele foi assassinado por ordem de Neriglissar, que o sucedeu.[13]

A cronologia dos três reis da Babilônia é dada no Talmude da seguinte forma: Nabucodonosor reinou quarenta e cinco anos, Evil-merodaque vinte e três, e Belsazar foi monarca da Babilônia por dois anos, sendo morto no início do terceiro ano no noite fatal da queda da Babilônia (Talmud Bavli, Meguila 11b).

As referências no Talmude e no Midras a Belsazar enfatizam sua opressão tirânica de seus súditos judeus. Várias passagens nos Profetas são interpretadas como se referindo a ele e seus predecessores. Na passagem, "Como se um homem fugisse de um leão e um urso o encontrasse" (Amós 19), o leão representa Nabucodonosor, e o urso, igualmente feroz, se não igualmente corajoso, é Belsazar (Ester de Rabá, Introdução). Os três reis da Babilônia são freqüentemente mencionados juntos como formando uma sucessão de monarcas ímpios e tiranos que oprimiram Israel e foram, portanto, condenados à desgraça e destruição. O versículo em Isaías 14:22, “E eu me levantarei contra eles, diz o Senhor dos Exércitos, e cortarei de Babilônia o nome e remanescente e filho e neto, diz o Senhor,” é aplicado ao trio. "Nome" refere-se a Nabucodonosor, "remanescente" a Evil-merodaque, "filho" é Belsazar, e "neto" Vasti (ib.). A ordem dada a Abraão de cortar em pedaços três novilhas como parte da aliança estabelecida entre ele e seu Deus, é assim elucidada: "E disse-lhe: toma-me três novilhas" (Gênesis 15:9 [AV "a novilha de três anos"]). Isso simboliza a Babilônia, que deu origem a três reis, Nabucodonosor, Evil-Merodaque e Belsazar, cuja condenação é prefigurada por este ato de "cortar em pedaços" (Gênesis de Rabá 44).[14]

Referências

  1. Estilo Adoração. Perfil de Evil-Merodaque, por: D. Conegero. (15/09/2017).
  2. Riva, Rocío Da (12 de dezembro de 2013). The Inscriptions of Nabopolassar, Amel-Marduk and Neriglissar (em inglês). [S.l.]: Walter de Gruyter 
  3. a b Hirsch, E.G. et al. Evil-Merodach in Singer, Isidore; Adler, Cyrus; (eds.) et al. (1901–1906) The Jewish Encyclopedia. Funk and Wagnalls, New York. LCCN 16-014703
  4. «Amel-Marduk - Livius». www.livius.org. Consultado em 23 de junho de 2020 
  5. Sack 1992.
  6. Oded 2007.
  7. Jeremias 52:31-34
  8. II Reis 25:27-30
  9. «Jehoiachin in Babylonia - Livius». www.livius.org. Consultado em 23 de junho de 2020 
  10. a b c Sack 2002.
  11. Flavius Josephus. "The Antiquities Of The Jews". [S.l.: s.n.] 
  12. Transactions of the Chronological Institute of London , T. Richards 1861, volume II, parte 2, páginas 120-121
  13. a b «EVIL-MERODACH». jewishencyclopedia.com. Consultado em 8 de abril de 2021 
  14. «BELSHAZZAR». www.jewishencyclopedia.com. Consultado em 8 de abril de 2021 

BibliografiaEditar

  • Sack, R. H. (1992). Evil-Merodach (Anchor Bible Dictionary). 2. Nova Iorque: Doubleday 

Precedido por
Nabucodonosor II
Rei da Babilónia
562 a.C. e 560 a.C.
Sucedido por
Neriglissar
  • Parte do texto baseado na tradução do artigo «Amel-Marduk» na Wikipédia em inglês.