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Exército Nacional Líbio

Libyan National Army.png

Exército Nacional Líbio é um facção armada anti-islamista formada em maio de 2014, composta por diversas milícias locais do leste da Líbia (incluindo o Conselho Militar Revolucionário Zintane, o Conselho Revolucionário de Trípoli, a Brigada Qa'qa, a Brigada al-Madani e a Brigada Sawa'iqa)[1], que autointitula-se como as Forças Armadas da Líbia não sendo reconhecida como tal internacionalmente. Apresenta-se como um sucessor do Exército de Libertação Nacional da Líbia surgido durante a Primeira Guerra Civil Líbia em 2011. O jornal espanhol El País descreveu o Exército Nacional Líbio como "uma força paramilitar integrada pelos remanescentes do Exército de Gaddafi, várias milícias tribais do leste e mercenários subsaarianos". [2]

O Exército Nacional Líbio, liderado pelo marechal-de-campo Khalifa Haftar, lançou uma campanha militar denominada "Operação Dignidade", destinada a eliminar as milícias islamitas que operam no país, o que deu inicio a Segunda Guerra Civil Líbia. O Exército Nacional é o braço armado do corpo legislativo localizado em Tobruk, a Câmara dos Representantes da Líbia, que foi reconhecido internacionalmente até outubro de 2015.[3] Entretanto, Haftar tem sua própria agenda política, alinhada ao presidente egípcio Abdel Fattah el-Sisi.[1]

AçõesEditar

Em 2014, Khalifa Haftar proclamou-se chefe do Exército Nacional Líbio, colocando-se do lado das autoridades no leste do país.[4]

Em 11 de setembro de 2016, o Exército Nacional Líbio arrebatou do Governo do Acordo Nacional, reconhecido pelas Nações Unidas, o controle de quatro portos petrolíferos pelos quais metade do petróleo extraído na Líbia poderia ser exportado.[5]

No final de 2017, pôs fim aos últimos redutos islamistas em Bengazi e apoderou-se do estratégico Golfo de Sidra, um ponto-chave para a saída do petróleo líbio. No ano seguinte, capturou a cidade de Derna das milícias jihadistas que a controlavam e em fevereiro ocupou vários locais no sul do país, incluindo sua capital Saba.[6]

Em 5 de abril de 2019, o general Haftar anunciou uma ofensiva pelas tropas do Exército Nacional Líbio para capturar a capital Trípoli, sede do Governo do Acordo Nacional, o único reconhecido internacionalmente. Um dia antes, o Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, chegara à Líbia para finalizar os preparativos para a conferência nacional que se realizaria na cidade de Gadamés entre 14 a 16 de abril e que havia sido administrada pelo enviado especial da ONU, Ghassan Salamé, com o objetivo de estabelecer um acordo entre o governo estabelecido em Trípoli e o governo paralelo do leste do país com sede em Tobruk, cujo homem-forte é Haftar. Diante da situação delicada, Guterres viajou para Bengazi onde se encontrou com Haftar, que reiterou sua intenção de tomar a capital.[7]

ComposiçãoEditar

O Exército Nacional Líbio é formado por um grupo de milícias que orbitam em um núcleo regular do exército representando uma força de cerca de 25.000 homens, não sendo portanto um bloco sólido e coerente. As forças de Haftar incluem também várias unidades sudanesas de Darfur e milícias chadianas.[8] Segundo o Conselho Europeu de Relações Exteriores: "Enquanto Khalifa Haftar é reconhecido como comandante geral das forças armadas pela Câmara dos Representantes no leste da Líbia, o seu autointitulado Exército Nacional Líbio (LNA) é uma mistura de unidades militares e grupos armados tribais ou regionais, e não é reconhecido como um exército legitimo por todo o pessoal militar em todo o leste ou oeste da Líbia."[9]

O componente regular do Exército Nacional Líbio é constituído por várias dezenas de unidades, com um total de cerca de 7.000 homens.

O marechal Haftar também emprega 12.000 membros auxiliares de milícias[8], incluindo vários membros de grupos armados sudaneses e chadianos.[8]

Finalmente, o Exército Nacional Líbio agrega as milícias de Zintan (2.500 homens) e, até certo ponto, a 6.ª Brigada de Saba, uma força tribal dos Oulad Souleymane.[8]

Em setembro de 2017, quatro zonas militares foram criadas cobrindo toda a zona central e uma grande parte da zona oeste da costa: a zona militar do Golfo de Sidra (quartel-general: Ajdabiya), a zona militar de Misrata (quartel-general: Khoms), a zona militar de Trípoli (quartel-general: souq al-Khamis), a zona militar de Zauia (quartel-general: Sabratha). Na verdade, naquele momento o Exército Nacional Líbio controlava apenas a área do Golfo de Sidra.[8]

Referências

  1. a b «The Never-Ending Battle For Libya's Oil Crescent». OilPrice.com. 20 de agosto de 2018 
  2. Ricard González (8 de abril de 2019). «Hafter, el poderoso señor de la guerra que asedia Trípoli». El País 
  3. Zineb Abdessadok (30 de maio de 2017). «Libya Today: From Arab Spring to failed state». Al Jazeera 
  4. «Las dos caras irreconciliables de Libia». El País. 7 de fevereiro de 2016 
  5. «El futuro de Libia, en manos de un general al que protegió la CIA». El País. 28 de setembro de 2016 
  6. «Hafter bombardea los suburbios de Trípoli y las fuerzas gubernamentales anuncian una contraofensiva». La Vanguardia. 8 de abril de 2019 
  7. «El general Hafter amenaza Trípoli en su asalto final al poder en Libia». La Vanguardia. 6 de abril de 2019 
  8. a b c d e f g h Arnaud Delalande (28 de maio de 2018). «Forces on the Libyan ground: Who is Who». Italian Institute for International Political Studies .
  9. «A QUICK GUIDE TO LIBYA'S MAIN PLAYERS». European Council on Foreign Relations