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Fábia (esposa de Caio Licínio Estolão)

Fábia, filha do patrício Marco Fábio Ambusto, mas casada com o plebeu Caio Licínio Estolão, foi uma mulher romana que teve um papel importante na aprovação da lei que obrigou que um dos dois cônsules romanos fosse um plebeu, a Lei Licínia Sêxtia, cujo nome deriva de seu marido (Licínio) e de seu colega como tribuno da plebe, Lúcio Sêxtio Laterano.

Índice

Contexto históricoEditar

No início do século IV a.C., Roma vivia uma época de paz em suas relações com os vizinhos, porém de muita violência doméstica: os plebeus, oprimidos por dívidas, estavam perdendo até sua liberdade, e isto estava afetando mesmo seus líderes, de forma que estava difícil arrumar homens para ocupar os cargos plebeus mais importantes. Até mesmo a chance de ocupar o consulado, direito que havia sido ganho anteriormente, parecia remota aos plebeus.[1]

Casamento da patrícia Fábia com um plebeuEditar

Marco Fábio Ambusto,[1] provavelmente filho de Cesão Fábio Ambusto (Kaeso),[2] questor em 409 a.C. e quatro vezes tribuno consular e neto [3] de Marco Fábio Ambusto, pontífice máximo em 390 a.C.,[4] um patrício, tinha grande influência entre os plebeus, porque ele não considerava os plebeus inferiores; uma prova disto é que ele casou sua filha mais velha com o patrício Sérvio Sulpício, e a mais nova, Fábia, com o plebeu Caio Licínio Estolão.[1]

Um episódio banal, porém, teve grandes consequências. Fábia, a mais nova, estava visitando sua irmã mais velha, quando o marido desta, ao voltar do Fórum, foi anunciado por seu aparidor, batendo na porta. A Fábia mais nova não conhecia este costume, e sua irmã riu e se mostrou surpresa que ela não conhecia. Este riso, porém, deixou marcas na irmã mais nova, que passou a ter inveja da irmã mais velha, considerando o casamento da irmã como afortunado, e o seu como um erro. Seu pai percebeu que ela estava triste, mas ela tentou esconder, sentindo, porém, pouco apreço por sua irmã, e desprezo pelo próprio marido. O pai insistiu até descobrir que Fábia achava que estava casada com alguém inferior a ela, e casada em uma família que não poderia ter nem honra nem influência política. Ambusto consolou a filha, prometendo que em breve ela veria que a casa dela teria tanta honra quanto a casa da irmã. A partir deste momento Ambusto teceu planos com seu genro, e eles se uniram a Lúcio Sêxtio, um homem ambicioso que não acreditava que nada estava além dele, exceto sangue patrício.[1]

O caminho até a Lei Licínia SêxtiaEditar

A oportunidade se apresentou quando os plebeus, pressionados por dívidas terríveis, elegeram Caio Licínio e Lúcio Sêxtio como tribunos da plebe,[5] em 376 a.C..[6]

Por cinco anos seguidos, de 375 a 371 a.C., Licínio e Sêxtio usaram o poder de veto para impedir a eleição de cônsules romanos, e, após cederem em um ano que Roma teve que defender Túsculo, voltaram a usar o poder de veto até que sua proposta, a Lei Licínia Sêxtia, pela qual em cada ano um dos cônsules deveria ser um plebeu, foi aprovada, e, em 366 a.C., Sêxtio tornou-se o primeiro cônsul plebeu.[Nota 1]

Notas e referências

Notas

  1. Resumo do artigo Lúcio Sêxtio Laterano.

Referências

  1. a b c d Tito Lívio, História de Roma, Livro VI, 34 [em linha]
  2. William Smith, Dictionary of Greek and Roman Biography and Mythology, 6. M. Fabius K.f. M.n. Ambustus [em linha]
  3. William Smith, Dictionary of Greek and Roman Biography and Mythology, 3. K. Fabius M.f. Q.n. Ambustus
  4. William Smith, Dictionary of Greek and Roman Biography and Mythology, 2. Marcus Fabius Ambustus
  5. Tito Lívio, História de Roma, Livro VI, 35
  6. William Smith, Dictionary of Greek and Roman Biography and Mythology, 4. C. Licinius Calvus Stolo [em linha]