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Símbolo do Falun Gong

Falun Dafa, também conhecido como Falun Gong (法輪功), é uma prática avançada de cultivo de mente e corpo, composta de cinco exercícios de qigong (chi kung), sendo quatro em pé e um sentado em meditação.

Praticantes desenvolvem fortes valores morais e buscam se assimilar à natureza do Universo através da aplicação dos princípios verdade, benevolência e tolerância (Zhen-Shan-Ren) em suas vidas.

Tornado público pela primeira vez em 1992, na República Popular da China, pelo mestre Li Hongzhi, Falun Dafa popularizou-se rapidamente devido aos grandes benefícios proporcionados à saúde mental e física das pessoas, além do fortalecimento do caráter moral, alcançando em apenas cinco anos mais de 70 milhões de praticantes só na China, segundo pesquisas estatísticas do próprio governo.

Atualmente Falun Dafa é praticado em mais de 80 países, por mais de 100 milhões de pessoas, e estima-se que este número continua crescendo rapidamente, porém não existem registros oficiais.

Possui uma vasta literatura composta de diversos livros e conferências de autoria do Sr. Li Hongzhi, com os principais já tendo sido traduzidos para mais de quarenta idiomas, disponíveis gratuitamente para download, além de materiais audiovisuais, possibilitando o aprendizado autodidático.

Sem adotar formas religiosas, como rituais, adorações, hierarquia e preceitos, a classificação do Falun Dafa se torna difícil nas culturas ocidentais, pois apesar de o objetivo final dos praticantes de Falun Dafa ser atingir a Iluminação, ou perfeição espiritual, que é o mesmo objetivo de outras religiões orientais como o Budismo e o Taoismo, esta prática de cultivo interno não pode ser classificada como uma religião ou culto.

De acordo com a tradição Chinesa o Sr. Li Hongzhi é respeitosamente referido como "Mestre" ou "Professor", porém não aceita tratamento especial ou doações financeiras dos estudantes de Falun Dafa. Ele assegurou que a prática esteja disponível para todas as pessoas, e sem nenhum termo ou condição. Por sua contribuição para a Humanidade, Li Hongzhi recebeu mais de 1.000 honrarias e prêmios oficiais[1] e fora indicado quatro vezes ao Nobel da Paz.

Índice

OrigensEditar

Falun Gong é mais frequentemente identificado como um movimento de qigong na China. Qigong é um termo moderno que se refere a variedade de práticas que envolve movimentos lentos, meditação e regulação da respiração. Tipos de exercício de qigong tem sido historicamente praticado por monges Budistas, Artes Marciais Daoista e estudiosos confucionistas como um meio de refinamento espiritual, moral e físico. [2]

O movimento moderno de qigong surgiu no início da década de 1950, quando os quadros comunistas adotaram as técnicas como forma de melhorar a saúde. [2] O novo termo foi construído para evitar a associação com práticas religiosas, que eram propensas a serem rotuladas como "superstição feudal" e perseguidas durante a era Maoista.[2][3] Os primeiros adeptos do qigong evitavam suas implicações religiosas e consideravam o qigong principalmente como um ramo da Medicina tradicional chinesa. No final dos anos 1970, os cientistas chineses pretendiam ter descoberto a existência material da energia qi que o qigong busca explorar. [4] No vácuo espiritual da era pós-Mao, dezenas de milhões de cidadãos chineses, na sua maioria urbanos e idosos, praticavam o qigong,[5][6][7] e uma variedade de mestres de qigong carismáticos estabeleceram práticas. Ao mesmo tempo, mais de 2.000 disciplinas de qigong estavam sendo ensinadas.[8] A Sociedade de Pesquisa Científica Qigong da China (CQRS) foi criada em 1985 para supervisionar e administrar o movimento.[9]

Em 13 de maio de 1992, Li Hongzhi deu seu primeiro seminário público sobre o Falun Gong (alternativamente chamado de Falun Dafa) na Cidade chinesa do Nordeste de Changchun. Em sua hagiográfica biografia espiritual, Li Hongzhi teria ensinado maneiras de "prática de cultivo" por vários mestres das tradições do Budista e Daoista, incluindo Quan Jue, o décimo herdeiro da Grande Lei da Escola Buda, e um mestre da Escola da Grande Via com o codinome taoísta de "verdadeiro taoísta" das Montanhas de Changbai. Dizem que o Falun Dafa é o resultado de sua reorganização e de escrever os ensinamentos que lhe foram transmitidos.[10]

Li apresentou o Falun Gong como parte de uma "tradição secular de cultivo",[11]e de fato procurou reviver os elementos religiosos e espirituais da prática de qigong que haviam sido descartados na primeira era comunista. David Palmer escreve que Li "redefiniu seu método como tendo objetivos totalmente diferentes do qigong: o propósito da prática não deveria ser a saúde física nem o desenvolvimento de poderes extraordinários, mas purificar o coração e alcançar a salvação espiritual."[2]

O Falun Gong é distinto das outras escolas de qigong, em que seus ensinamentos cobrem uma ampla gama de tópicos espirituais e metafísicos, colocando ênfase na moralidade e virtude e elaborando uma cosmologia completa.[12] A prática se identifica com a Escola Budista (Fojia) mas também se baseia em conceitos e linguagem encontrados no taoísmo e no confucionismo.[9] Isso levou alguns estudiosos a rotularem a prática como uma fé sincrética.[13]

Crenças e práticasEditar

Princípios centraisEditar

 
Adeptos do Falun Gong praticam o quinto exercício, uma meditação, em Manhattan, Nova York, Estados Unidos

O Falun Gong aspira capacitar o praticante a ascender espiritualmente através da retidão moral e da prática de exercícios e meditação. Os três princípios centrais da crença são a Verdade (真, Zhēn), Compaixão (善, Shàn), e Tolerância (忍, Rěn).[14][15] Juntos, esses princípios são considerados como a natureza fundamental do cosmos, os critérios para diferenciar o certo do errado, e são considerados as mais elevadas manifestações do Tao, ou Dharma Budista.[16][17][18][19] Aderir a essas virtudes e cultivá-las é considerado uma parte fundamental da prática do Falun Gong.[20] No Zhuan Falun (转法轮), texto fundacional publicado em 1995, Li Hongzhi escreve: "Não importa como o padrão moral da humanidade mude; ... A natureza do cosmos não muda, e é o único padrão para determinar quem é bom e quem é mau. Então para ser um cultivador, você tem que tomar a natureza do cosmos como seu guia para melhorar a si mesmo."[16][21]

A prática do Falun Gong consiste em dois aspectos: prática dos exercícios e refinamento do "xinxing" (caráter, temperamento). No texto central do Falun Gong, Li afirma que o xinxing "inclui virtude (que é um tipo de matéria), inclui paciência, inclui despertar para as coisas, inclui desistir das coisas - abandonar todos os desejos e todos os apegos encontrados em uma pessoa comum - e você também tem que suportar as dificuldades, etc."[16][22] A elevação do caráter de uma pessoa é alcançado, por um lado, assimilando a vida com verdade, compaixão e tolerância; e, por outro lado, abandonando desejos e "pensamentos e comportamentos negativos, como ganância, ganhos, luxúria, desejos, matança, competição, roubo, mentira, inveja etc."[23]

Entre os conceitos centrais encontrados nos ensinamentos do Falun Gong encontra-se a 'Virtude'(德) e 'Carma' (業, ).[24][25] Virtude é gerada através de boas ações e sofrimentos, enquanto Carma é acumulado através de ações erradas. Diz-se que a proporção de carma em relação à virtude de uma pessoa determina sua fortuna nesta vida ou na próxima. Enquanto a virtude gera boa sorte e possibilita a transformação espiritual, um acúmulo de carma resulta em sofrimento, doença e alienação da natureza do universo.[25][26] A elevação espiritual é alcançada através da eliminação do Carma e do acúmulo de Virtude.[27] Os praticantes acreditam que, através de um processo de cultivo moral, é possível alcançar o Tao e obter poderes especiais e um nível de divindade. [28][29]

Os ensinamentos do Falun Gong afirmam que os seres humanos são originalmente e inatamente bons, até mesmo divinos, mas que eles desceram para um reino de ilusão e sofrimento depois de desenvolver o egoísmo e acumular Carma.[16][30][31] A prática afirma que a reencarnação existe e que os processos de reencarnação de pessoas diferentes são supervisionados por diferentes deuses.[32] Para re-ascender e retornar ao "ser original e verdadeiro", os praticantes do Falun Gong devem assimilar-se às qualidades de verdade, compaixão e tolerância, deixar de lado os "apegos e desejos" e sofrer para recompensar o Carma.[16][33] O objetivo final da prática é a iluminação ou a perfeição espiritual (yuanman), e a libertação do ciclo de reencarnação, conhecido na tradição budista como samsara.[16][34]

O pensamento cultural chinês tradicional e a modernidade estão inclusos nos ensinamentos de Li Hongzhi. O Falun Gong ecoa as crenças tradicionais chinesas de que os humanos estão conectados ao universo através da mente e do corpo, e Li busca desafiar as "mentalidades convencionais", relativas à natureza e gênese do universo, do tempo-espaço e do corpo humano.[35][36] A prática baseia-se no misticismo do leste asiático e na medicina tradicional chinesa, critica os limites supostamente auto-impostos da ciência moderna, especialmente a evolução, e vê a ciência tradicional chinesa como um sistema ontológico inteiramente diferente, mas igualmente válido.[37]

Práticas sociaisEditar

 
Praticantes de Falun Gong praticando o terceiro exercício em Toronto.

Falun Gong se diferencia das tradições budistas monásticas colocando muita importância em participar do mundo secular. Praticantes de Falun Gong precisam manter empregos regulares e vidas familiares, cumprir as leis de seus respectivos governos, e são instruídos a não se distanciar da sociedade. Uma exceção é feita para monges e monjas budistas, que podem continuar um estilo de vida monástico enquanto praticam Falun Gong.[16][38]

Como parte de sua ênfase em comportamento ético, os ensinamentos de Falun Gong estabelecem uma moralidade pessoal rigorosa para seus praticantes. Espera-se que eles ajam de maneira honesta, façam boas obras, e se comportem com paciência e tolerância quando encontrarem dificuldades. Por exemplo, Li estipula que um praticante de Falun Gong não deve "revidar quando for atacado ou responder quando for insultado".[39] Além disso, eles devem "abandonar pensamentos e comportamentos negativos", tais como ganância, fraude, inveja, etc.[16][39] Os ensinamentos possuem restrições contra o fumo e contra o consumo de álcool, pois são considerados vícios que são prejudiciais para a saúde e para a clareza mental.[16][40][41] Praticantes de Falun Gong são proibidos de matar coisas vivas — incluindo animais para o propósito de obter comida — embora não seja necessária adotar uma dieta vegetariana.[39]

Além disso, praticantes de Falun Gong devem abandonar diversos apegos e desejos mundanos.[23] No caminho da prática de cultivo, o estudante de Falun Gong tem como objetivo renunciar a busca pela fama, ganhos financeiros, sentimentalismo, e outros empecilhos. Os ensinamentos de Li enfatizam repetidamente o vazio das buscas materiais; embora praticantes do Falun Gong não sejam incentivados a abandonarem seus trabalhos ou dinheiro, espera-se que seja abandonado os apegos psicológicos a essas coisas.[40] De forma similar, desejo sexual e luxúria são tratados como apegos a serem descartados, mas estudantes de Falun Gong em geral devem casar e ter famílias.[40] Todos os relacionamentos sexuais fora dos limites de um casamento heterossexual monogâmico são considerados imorais.[42] Embora gays e lésbicas possam praticar Falun Gong, é dito que conduta homossexual gera karma, e consequentemente é vista como incompatível com os objetivos da prática[43]

A cosmologia de Falun Gong inclui a crença que cada uma das diferentes etnicidades possuem um paraíso correspondente e que indivíduos de raça mista perdem algum aspecto dessa conexão.[9] Apesar disto, Li afirma que ser de raça mista não afeta a alma de uma pessoa, nem dificulta sua habilidade de praticar o cultivo.[9] A prática não tem nenhuma posição formal conta casamentos interraciais, e muitos praticantes de Falun Gong tem filhos interraciais.[44]

A doutrina de Falun Gong aconselha não participar de problemas políticos ou sociais.[45] Interesse excessivo em política é visto como um apego à influência e poder mundano, e Falun Gong tem como objetivo a transcendência desse tipo de busca. De acordo com Hu Ping, "Falun Gong lida somente com a purificação do indivíduo pela prática de exercício, e não toca em preocupações nacionais ou sociais. Não é sugerido ou insinuado um modelo para mudança social. Muitas religiões ... buscam reforma social até certo ponto ... mas não é evidente tal tendência em Falun Gong."[46]

TextosEditar

O primeiro livro dos ensinamentos do Falun Gong foi publicado em abril de 1993. Chamado China Falun Gong, ou simplesmente Falun Gong, é um texto introdutório que discute qigong , a relação do Falun Gong com o budismo, os princípios da prática de cultivo e a melhoria do caráter moral (xinxing). O livro também fornece ilustrações e explicações dos exercícios e meditação.[47][48]

O corpo principal dos ensinamentos é articulado no livro Zhuan Falun , publicado em chinês em janeiro de 1995. O livro é dividido em nove "palestras", e foi baseado em transcrições editadas das palestras que Li fez em toda a China no precedente de três anos.[49] Os textos do Falun Gong já foram traduzidos para outros 40 idiomas.[50] Além desses textos centrais, Li publicou vários livros, palestras, artigos, livros de poesia, que são disponibilizados nos sites do Falun Gong.[51][52]

Os ensinamentos do Falun Gong usam numerosos termos religiosos e filosóficos chineses não traduzidos e fazem frequente alusão a personagens e incidentes na literatura popular chinesa e conceitos extraídos da Religião tradicional chinesa. Isso, juntamente com o estilo de tradução literal dos textos, que imitam o estilo coloquial dos discursos de Li, pode dificultar a abordagem das escrituras do Falun Gong para os ocidentais.[12]

Período final do DarmaEditar

Li situa seu ensinamento do Falun Gong em meio ao "período final do Darma" (Mo Fa, 末法), descrito nas escrituras budistas como uma era de declínio moral, quando os ensinamentos do budismo precisariam ser retificados.[4][9] A era atual é descrita nos ensinamentos do Falun Gong como o período de "retificação do Fa" (zhengfa, que também pode ser traduzido como "corrigir o darma"), um tempo de transição cósmica e renovação.[9] O processo de retificação do Fa é necessário por causa do declínio moral e degeneração da vida no universo, e no contexto pós-1999, a perseguição ao Falun Gong pelo governo chinês está sendo vista como um sintoma tangível dessa decadência moral.[53] Através do processo de retificação do Fa, a vida será reordenada de acordo com a qualidade moral e espiritual de cada um, com pessoas boas sendo salvas e ascendendo a planos espirituais mais elevados, e pessoas más sendo eliminadas ou rebaixadas.[53] Nesse paradigma, Li assume o papel de retificar o Darma ao divulgá-lo através de seus ensinamentos morais.[2][9]

Alguns acadêmicos, como por exemplo Maria Hsia Chang e Susan Palmer, descreveram a retórica de Li sobre a "retificação do Fa" e proporcionar salvação no "período final da última destruição" como algo apocalíptico.[54][55] No entanto, Benjamin Penny, professor de história na Universidade Nacional da Austrália, argumenta que os ensinamentos de Li são compreendidos melhor no contexto de uma "noção budista de ciclo do Darma ou da lei budista".[56] Richard Gunde observa que, ao contrário dos grupos apocalípticos no Ocidente, Falun Gong não se concentra na morte ou no fim do mundo e, em vez disso, "tem uma mensagem simples, ética e inócua".[6] Li Hongzhi não fala sobre um "período de avaliação",[56] e rejeitou previsões de um apocalipse iminente em seus ensinamentos.[57]

Retrospectiva históricaEditar

 
Os cinco exercícios.

Falun Gong, uma prática que tem beneficiado 100 milhões de pessoas em mais de 80 países

Falun Gong é uma antiga forma de qigong. Qigong, o que se traduz como "exercício de cultivo", é o termo genérico para as práticas de refinamento da mente e do corpo através de exercícios físicos e mentais especiais. Ao longo da história da China e em algumas outras partes do mundo, muitas escolas de qigong têm existido, cada uma com suas características e ênfase próprias. Algumas escolas têm tomado a forma de religião, algumas têm sido transmitidas de um mestre para apenas alguns poucos discípulos, e alguns têm tomado a forma de exercícios populares. Tai-chi e alguns ramos de ioga são exemplos de exercícios populares, ao mesmo tempo em que o budismo e o taoísmo podem ser considerados formas religiosas de qigong, com os primeiros enfatizando o cultivo da mente e a meditação e os últimos prestando uma atenção particular ao refinamento do corpo através de exercícios únicos.

Falun Gong distingue-se das outras práticas de qigong por enfatizar ambos, o cultivo da mente e o refinamento do corpo. O Sr. Li Hongzhi, fundador do Falun Gong, ensina aos seus alunos que para atingir-se uma total melhora de saúde deve-se primeiramente ser uma boa pessoa, de alto caráter moral. Ao seguir os princípios do Falun Gong "Verdade-Benevolência-Tolerância" os praticantes dedicam-se ao cultivo do seu eu interior e da melhoria da sua qualidade mental e moral. Isso, combinado com cinco conjuntos de exercícios suaves e de eficácia comprovada na melhoria da saúde, permitiu que os praticantes conseguissem alcançar um propósito de vida, moralidade, melhoria da saúde e paz interior. Em 1999 Falun Gong havia se tornado um fenômeno global de mais de 100 milhões de praticantes em mais de 80 países, apenas sete anos após a sua introdução ao público.

Hostilidade do governo chinês em relação ao Falun GongEditar

Os benefícios da prática do Falun Gong para a sociedade e para as pessoas foram originalmente reconhecidos e elogiados por vários níveis do governo chinês. De fato, as considerações positivas das autoridades haviam facilitado a propagação do Falun Gong, no início dos anos 1990. Os meios de comunicação, controlados pelo estado (incluindo jornais nacionais e locais, canais de TV e estações de rádio), frequentemente cobriam as atividades e os benefícios da prática do Falun Gong.

A crescente popularidade do Falun Gong, porém, foi tida como demasiada para alguns funcionários dentro do governo chinês. De minados clandestinos no início de 1994, para a orquestrada campanha difamatória e à proibição Falun Gong e dos livros do Falun Gong em 1996, até a perseguição policial em 1997, certos blocos de poderes dentro do governo chinês aumentaram gradualmente a sua perseguição traiçoeira até ataques ostensivos. Em 23 de abril de 1999, em plena luz do dia, forças policiais armadas na cidade de Tianjin violentamente agrediram centenas de praticantes de Falun Gong e arbitrariamente detiveram 45 deles.

O jornal The Epoch Times, com sede nos Estados Unidos, cujo objetivo inicial foi expor a perseguição ao Falun Gong na China[58], está presente em 35 países e em 21 idiomas.

O "apelo pacífico de 25 de Abril" por praticantes de Falun GongEditar

 
Manifestação de praticantes fora do complexo governamental de Zhongnanhai em Abril de 1999 pedindo o reconhecimento oficial do movimento.

Dois dias depois, no dia 25 de abril de 1999, mais de 10 000 praticantes de Falun Gong reuniram-se tranquilamente em Beijing do lado de fora do Gabinete de Apelações do Conselho Estadual, localizado ao lado do Complexo de Liderança Chinesa, para pedir a libertação dos praticantes detidos em Tianjin e a suspensão da proibição dos livros do Falun Gong.

A manifestação foi pacífica, ordeira e legal. Após o Primeiro Ministro Zhu Rongji se reunir com alguns dos praticantes presentes, ordenou a libertação das pessoas detidas em Tianjin e então os praticantes calmamente se dispersaram. Devido a esta manifestação o Falun Gong começou a receber atenção internacional.

 
Prisão de praticantes na China

No entanto, o então presidente da China, Jiang Zemin, se ressentiu com a solução pacífica. Aparentemente na busca de uma conquista retumbante para aumentar a sua autoridade pessoal, em 20 de julho de 1999, sem o devido processo, Jiang ordenou o início da perseguição contra o Falun Gong, não obstante o fato de que muitos dentro do governo já eram eles próprios praticantes ou possuíam uma opinião favorável em relação ao Falun Gong. Mais tarde, em outubro, Jiang ordenou que o legislador nacional chinês aprovasse uma lei para permitir uma repressão mais dura. O The Washington Post observou em artigo de 2 de novembro de 1999 que:

Desde 20 de julho de 1999, mais de 100.000 praticantes, incluindo mulheres grávidas, idosos e crianças em tenra idade, têm sido enviados a campos de trabalho forçado sem julgamento; milhares foram ilegalmente encarcerados, por períodos até superiores a 18 anos; e milhões de pessoas inocentes foram detidas e presas arbitrariamente, quase todos sob condições desumanas. Milhares de praticantes foram detidos e severamente torturados com drogas prejudiciais causadoras de danos ao sistema nervoso em hospitais de saúde mental. Outros milhares foram assassinados na prisão, enquanto incontáveis outras mortes estão ainda sem explicação.[carece de fontes?]

Entretanto, Jiang criou um sistema nacional, o "Departamento 610", com absoluta autoridade sobre o poder judicial e todos os níveis do Partido Comunista, exclusivamente para erradicar o Falun Gong. A extensão e gravidade das atrocidades são difíceis de se compreender. Conforme é possível observar na carta enviada para Casa Branca [59], pedindo que o Governo Americano intercedesse nessa prática de retirada forçada de órgãos, mesmo de pessoas que ainda estavam vivas.[60][61][carece de fontes?]

PerseguiçãoEditar

 Ver artigo principal: Perseguição ao Falun Gong

Em 1999 o ex-líder do Partido Comunista Chinês (PCC) Jiang Zemin, iniciou uma violenta perseguição aos praticantes de Falun Dafa na China, alegando que a prática seria um culto diabólico, ou uma religião política opositora ao Partido Comunista. A partir daí desencadeou-se uma campanha propagandística massiva e uso dos meios de comunicação, todos totalmente controlados pela ditadura, para denegrir a imagem do Falun Dafa frente a população chinesa, visando justificar a violenta repressão. Desde então milhares de denúncias de praticantes de Falun Dafa sendo demitidos de seus empregos, presos sem julgamento, brutalmente torturados, enviados para campos de trabalho forçado, executados, vítimas de extração forçada de órgãos vitais enquanto vivos e comercializados em escala industrial[62], e da existência de crematórios humanos, têm sido feitas a autoridades de Direitos Humanos fora da China. O número de praticantes mortos por tortura policial até agora comprovado é de 3.242 pessoas,[63] porém, o número real é desconhecido.

A perseguição e genocídio aos praticantes de Falun Dafa continua até hoje, e somente na China a prática é proibida.

 
Regiões da China onde seriam feitas
extrações de órgãos de praticantes
de Falun Gong.
 
Fotos demonstrando o resultado de torturas...
 
...contra praticantes em
campos de trabalho forçado.

Uma auto-imolação encenadaEditar

O regime de Jiang lançou simultaneamente uma campanha de desinformação de longo alcance para justificar a sua perseguição e para escapar à condenação mundial. A mídia de circulação nacional tem inundado a imprensa e ondas de rádio com informações fabricadas acerca do Sr. Li Hongzhi e do Falun Gong. Tal como acontece com todas as mentiras, a propaganda falha miseravelmente nos detalhes. Por exemplo, o governo chinês forjou a alegação de que a prática do Falun Gong levou 1.400 pessoas à morte ou a tornarem-se insanas. Esse número, mesmo presumindo-se que seja verdadeiro, dividido por 100 milhões de praticantes, estaria muitas ordens de grandeza inferior à média nacional. Em outro exemplo, o governo chinês alegou que o Sr. Li Hongzhi havia falsificado sua data de nascimento e até mesmo produzido um "registro hospitalar " para provar que a sua mãe fora tratada com oxitocina em 1952, antes de seu nascimento. A oxitocina, no entanto, não fora identificada até 1953.[carece de fontes?]

No início de 2001, desesperado para inverter a maré, o governo chinês tentou um escandaloso golpe publicitário: a auto-imolação forjada de cinco pessoas na Praça Tiananmen.[carece de fontes?]

A mídia gerenciada pelo estado, então, atribuiu a culpa ao Falun Gong. Esta encenação de auto-imolação, no entanto, tem sido analisada por repórteres neutros e observadores cuidadosos do mesmo videotape que foi publicado pelo governo chinês:[carece de fontes?]

1. Uma matéria de investigação publicada pelo The Washington Post revelou que a Sra. Liu Chunling, um dos "imoladores", nunca havia praticado Falun Gong;

2. A polícia estava misteriosamente patrulhando a Praça Tiananmen, com dezenas de peças de equipamento de extinção de incêndio nesse dia;

3. Liu Siying, a menina de 12 anos, foi supostamente submetida a uma traqueotomia, mas falou e cantou com clareza, uma impossibilidade médica;

4. Ms. Hao Huijun, outro "imolador", foi relatado como tendo se formado na Academia de Música Henan em 1974, época da Revolução Cultural, quando nenhum aluno se formou;

5. O Sr. Wang Jindong foi mostrado como se houvesse sido gravemente queimado; no entanto, o seu cabelo e a garrafa de plástico de 7 Up que ele havia "utilizado para espirrar gasolina" milagrosamente permaneceram intactos.

Estas falhas levaram o Desenvolvimento da Educação Internacional, uma ONG da ONU, a publicar a seguinte declaração durante a sessão de 2001 da Subcomissão das Nações Unidas para a Promoção e Proteção dos Direitos do Homem:[carece de fontes?]

Foi realizada uma análise da filmagem feita pela Televisão Central da China (CCTV) das imolações encenadas.[64]

O único objetivo da perseguição do governo chinês é forçar os praticantes de Falun Gong a renunciarem à sua crença. Esta coerção contra a consciência, no entanto, não se mantêm apenas na China.

O governo chinês tem repetidamente feito ameaças de sanções econômicas para com os países, estados, cidades e empresas que ousam criticar a sua perseguição ao Falun Gong. Isso cria um medo, um medo de ser deixado de fora de algum benefício econômico, o medo de falar em nome da consciência. Com esta tática, o governo chinês tem induzido diversas grandes corporações ocidentais de mídia e notícia a aplicar a auto-censura na divulgação das violações dos direitos humanos na China, forçado cidades de certo número de países a rescindir seu apoio moral às vítimas, e até mesmo coagido alguns governos democráticos para abafar as vozes de praticantes do Falun Gong.

As agências chinesas, no entanto, não se limitaram à chantagem. O membro do Parlamento Canadense Rob Anders tinha o seguinte a dizer sobre uma agressão física por diplomatas chineses em fevereiro de 2000:[carece de fontes?]

Incidentes semelhantes de intimidação e de agressão também têm ocorrido em países como: África do Sul, Alemanha, Argentina, Austrália, Bulgária, Camboja, Coreia do Sul, Dinamarca, Escócia, Estados Unidos, Fiji, França, Hong Kong e Macau, Hungria, Indonésia, Islândia, Israel, Itália, Japão, Malásia, México, Mianmar, Nova Zelândia, Peru, Romênia, Rússia, Singapura, Suécia, Suíça, Tailândia, Taiwan, Ucrânia, Venezuela, e muitos outros. Em termos simples, o Governo chinês tem exportado a sua perseguição para o mundo como uma campanha mundial do mal contra a consciência.

No Brasil, um episódio foi registrado em Brasília em 2014, coincidente à presença do líder chinês Xi Jinping para a XI Cúpula do BRICS, quando manifestantes brasileiros e chineses foram hostilizados por turistas chineses fiéis ao governo, com aparente treinamento de contenção de manifestações.[65][66]

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Manifestações em Nova Iorque:
encenação de torturas
e parada de praticantes (2009).


Pela sua crença, e também pela Humanidade, os praticantes de Falun Gong têm se levantado contra a maldade. Em meio à violência e as mentiras do governo chinês, os praticantes de Falun Gong têm aderido à paz e à verdade. Ao longo de toda a brutal perseguição, os praticantes do Falun Gong têm permanecido fiéis aos princípios da "Verdade-Benevolência-Tolerância." Eles continuam pacíficos durante os espancamentos da polícia e permanecem pacíficos quando presidiários são instigados pela polícia para torturá-los.

A sua grande tolerância, compaixão e retidão tem inspirado muitos torturadores a até mesmo tornarem-se praticantes de Falun Gong.

Uma vez que a perseguição é totalmente baseada e sustentada por mentiras, os praticantes de Falun Gong também tem enfrentado grandes riscos para informar o público sobre a verdade.

Em 5 de março de 2002, praticantes de Falun Gong, na cidade de Changchun, com sucesso aproveitaram um sistema local de televisão a cabo a fim de divulgar documentários expondo a perseguição brutal realizada pelo governo chinês. Transmissões similares seguiram em muitas outras cidades. Por estes atos virtuosos os praticantes sofreram enormemente. Em Changchun apenas, mais de 5.000 pessoas foram detidas, e, pelo menos, uma dúzia morreu de tortura durante o "interrogatório". Até mesmo um turista, o cidadão dos EUA Dr. Charles Li, foi preso com um mandado de três anos sob a acusação de "intenção" de levar a cabo uma difusão semelhante. Praticantes de Falun Gong de nacionalidades estrangeiras também têm participado em esclarecer os fatos para o povo chinês. Em 20 de novembro de 2001, trinta e seis ocidentais reuniram-se na Praça Tiananmen, em Pequim, para realizar uma petição pacífica. Desde então, centenas de cidadãos estrangeiros de dezenas de países tem ido para a China para dizer ao povo chinês que o Falun Gong é bem-vindo e legalmente praticado em todos os outros lugares do mundo. Todos eles foram presos, maltratados, e deportados; muitos foram severamente agredidos.

Os praticantes do Falun Gong têm feito grandes sacrifícios para expor a perseguição e esclarecer a verdade dos fatos sobre o Falun Gong. A sua benevolência tem despertado grande número de pessoas antes enganadas pela propaganda do ódio, de seguir cegamente ordens de governo, e de ter sido inadvertidamente cúmplices do mau.

 
Encenação da retirada de órgãos de praticantes de Falun Gong (protesto em Praga, 2005)

É importante assinalar que a perseguição do Governo chinês ao Falun Gong não é um desvio da contínua perseguição de 50 anos aos intelectuais, ativistas trabalhistas, dissidentes, cristãos, budistas, não-conformistas e outros. Diversos estudos realizados por acadêmicos ocidentais indicaram que oitenta milhões de pessoas, ou mais, pereceram devido à perseguição sem fim durante o mandato do Estado Comunista Chinês.

Estes assassinatos são muito mais numerosos até mesmo que os dos nazistas, e eles são todos nascidos do mesmo propósito: a destruição da natureza humana.

A persistência pacífica e os sofrimentos atrozes dos praticantes do Falun Gong têm chamado a atenção internacional para os crimes hediondos do Governo chinês contra a Humanidade. Com a ajuda de muitos advogados de direitos humanos, praticantes de Falun Gong em onze países têm movido ações judiciais contra Jiang e seus tenentes por, entre outros crimes, genocídio, tortura e outros crimes contra a Humanidade. Nos tribunais de Nova York e São Francisco, praticantes de Falun Gong têm ganhado os seus casos sobre omissão. À medida que mais e mais fatos chocantes de incitamento ao ódio pelo regime de Jiang, terrorismo de Estado, violência e crueldade são revelados, o dia de um novo julgamento de Nuremberg pelos crimes do regime contra a consciência é destinado a vir a acontecer.

A perseguição ao Falun Gong ainda está em curso na China; o número de mortes aumenta diariamente. Muitos praticantes de Falun Gong têm arriscado tudo para divulgar as violações que eles ou seus amigos praticantes sofreram. Os casos reportados pelos relatores especiais da Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas representam uma fração muito pequena das tragédias, embora não devam ser menos considerados, a fim de evitar que os valores de esperança, coragem e os direitos humanos mais fundamentais sejam abandonados.


Vigília em Washington...

...e faixa de protesto em Taiwan.

Ver tambémEditar

Referências

  1. Clearwisdom. Governmental Awards and Recognition of Falun Dafa from China and the World. (em inglês)
  2. a b c d e David Palmer (2007). Qigong Fever: Body, Science and Utopia in China. New York: Cambridge University Press. ISBN 978-0-231-14066-9 
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  17. Noah Porter, Falun Gong in the United States: An Ethnographic Study, p 29. Quote: "According to the Falun Gong belief system, there are three virtues that are also principles of the universe: Zhen, Shan, and Ren (真, 善, 忍). Zhen is truthfulness and sincerity. Shan is compassion, benevolence, and kindness. Ren is forbearance, tolerance, and endurance. These three virtues are the only criteria that truly distinguish good people and bad people. Human society has deviated from these moral standards. All matter in the universe contains Zhen- Shan-Ren. All three are equally important."
  18. David Ownby, Falun Gong and the Future of China, p 93. Quote: "The very structure of the universe, according to Li Hongzhi, is made up of the moral qualities that cultivators are enjoined to practice in their own lives: truth, compassion, and forbearance."
  19. Benjamin Penny, The Religion of Falun Gong, p 133. Quote: "For Li, as he often repeats in Zhuan Falun, the special characteristic or particular nature of the cosmos is the moral triumvirate of zhen (truth), shan (compassion), and ren (forbearance). He does not mean this metaphorically; for him zhen, shan, and ren are the basic organizing principles of all things ... it is embedded in the very essence of everything in the universe that they adhere to the principles of truth, compassion, and forbearance."
  20. Benjamin Penny, The Religion of Falun Gong, p 124. Quote: "In addition, in Falun Gong cultivation adherence to the code of truth, compassion, and forbearance is not just regarded as the right and responsible course of action for practitioners; it is an essential part of the cultivation process. Lapsing from it will render any other efforts in cultivation worthless."
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  33. David Ownby, Falun Gong and the Future of China, p 93. Quote: "One finds few lists of do's and don'ts in Li's writings, nor are there sophisticated ethical discussions. Instead, followers are advised to rid themselves of unnecessary "attachments", to do what they know is right, and hence to return to "the origin", to their "original self".
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