Familiar (Wicca)

Familiares são espíritos de companhia ou animais que acompanham as bruxas. Suas definição é, por vezes, inexata. Acredita-se, geralmente, se tratar de animais que servem como companheiros nos trabalhos mágicos das bruxas devido à sua sensibilidade com relação às energias. Também acredita-se serem espíritos encarnados nestes animais ou que tomam formas específicas de outras criaturas mágicas.[1]

ConceitoEditar

 
"A Poção do Amor", por Evelyn de Morgan: uma bruxa com seu gato preto familiar aos seus pés.

O conceito de familiar é um componente substancial de várias culturas ao longo da história humana. Os romanos, por exemplo, acreditavam que cada lar era protegido por um familiar, sendo que este tinha o dever de manter a família afastada do mal. Xamãs e curandeiros de vários tribos consagraram os espíritos de animais pelos seus conhecimentos e ajuda em trabalhos mágicos durante muito tempo.

Contudo, apesar do lado positivo, quando se pensa em um familiar, a imagem mais comum é de uma bruxa malvada com seu gato de feições assustadoras. Este arquétipo, apresentado principalmente nos contos de fada infantis, possui suas origens nos medos e superstições da Idade Média, não possuindo semelhanças com o arquétipo do familiar dos dias de hoje.[2]

As bruxas de hoje vêem seus familiares totalmente diferente. Para uma bruxa moderna, um familiar é qualquer animal com quem ela divide seus sentimentos e possui afinidade. Não sendo considerados espíritos ruins, estão longe de serem considerados apenas um animal de estimação, sendo tratados como parceiros nas práticas mágicas.

SacrifíciosEditar

Nas religiões pagãs atuais não existe o sacrifício ritual, visto que um dos pontos principais do paganismo é a ligação com a natureza e preservação da mesma. Valoriza-se a vida de todos os animais, logo, esta prática é inexistente.

Tipos de familiaresEditar

Para alguns estudiosos (como a consagrada Doreen Valiente), considera-se a existência de três tipos de familiares. O primeiro tipo seria o espírito de um humano já falecido (um humano desencarnado). O segundo, um elemental. O terceiro tipo seria um animal, uma criatura material, não da questão espiritual. Este pode ser um mamífero como um gato ou um furão, um réptil como um calango, ou até um anfíbio, como, por exemplo, um salamandra.[1]

Outras crenças pagãsEditar

Segundo algumas crenças pagãs, considera-se familiar o animal que através de um elo mágico (relação psíquica estabelecida entre um humano e um animal) é associado a uma bruxa ou bruxo. Nas religiões pagãs existe a crença de que o espírito vivo da criatura é capaz de ser enviado em forma espiritual para auxiliá-lo em algum trabalho de magia.[3]

Familiares na bruxaria atualEditar

A utilização dos familiares no meio mágico, contribuindo em suas práticas, se dá devido à sensibilidade que se crê possuir os animais de serem mais sensíveis às vibrações do mundo invisível. Eles são muito úteis para a bruxa como um tipo de sensor psíquico, indicando a presença de energias negativas por meio de seu comportamento. Familiares também fornecem energia adicional para os trabalhos mágicos, pois possuem afinidade com o mundo espiritual, além da sintonia existente com suas respectivas bruxas. A presença de familiares nos círculos mágicos e outros tipos de trabalhos mágicos é totalmente bem vinda.

A busca por um familiar animal é algo muito pessoal. Geralmente, a bruxa envia um chamado psíquico com o objetivo de atrair aquele que combina consigo. Há vezes em que, também, ocorre de surgir um sentimento imediato e intenso de afinidade entre a bruxa e um animal. Isso geralmente significa a descoberta de um novo familiar, o qual lhe fará companhia.

ReferênciasEditar

  1. a b VALIENTE, Doreen (1989). An ABC of Witchcraft: Past and Present. Estados Unidos: Phoenix Publishing 
  2. GUILEY, Rosemary E. (1999). The Encyclopedia of Witches and Witchcraft. Estados Unidos: Facts on File 
  3. Wigington, Patti (19 de março de 2018). «What is an animal familiar?». Thought Co. Consultado em 22 de dezembro de 2018