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A Ásia e todo o mistério que gravitava em seu torno desde sempre exerceu um fascínio irresistível sobre os portugueses. Daí vinham as tão cobiçadas especiarias, produtos luxuosos como o marfim, as pedras preciosas e os produtos corantes usados na indústria tintureira.

Os encantos do OrienteEditar

Portugal e o OrienteEditar

A imprecisão dos conhecimentos geográficos nas vésperas dos Descobrimentos fazia crer aos portugueses que a Ásia tinha início no Rio Nilo e não no Mar Vermelho, o que permitia a inclusão da Etiópia no continente asiático e a extensão da palavra Índia, que passava a incorporar estas e outras regiões da África Oriental. Aqui, segundo uma velha lenda, viveria um imperador cristão, muito abastado e poderoso, conhecido como Preste João. Esta figura seria um misto de presbítero e governante, que dirigia um império povoado por criaturas monstruosas e lendárias e dotado de uma paisagem edílica.

Este mito do Preste João está intimamente relacionado com a aventura dos Descobrimentos. A designação de Preste João parece derivar de zan hoy (meu senhor), um termo etíope usado para designar a forma como esta população se dirigia ao seu rei, e tem a ver com a junção de três tradições existentes, sobre três realidades políticas da Ásia: o reino cristão-monofisita da Abissínia (com capital em Axum), as comunidades cristãs nestorianas da Ásia Central e as congéneres destas espalhadas pela Índia. Neste mito, os imperadores mongóis eram muitas vezes identificados como inimigos dos cristãos e dos muçulmanos.

No século XV, o Preste João foi identificado com o rei da Etiópia; após alguns contactos estabelecidos entre as duas partes, para os portugueses restava agora saber como chegar à Etiópia, apesar de serem escassas as informações sobre o seu império. Estes conhecimentos eram transmitidos por viajantes, geógrafos, peregrinos, comerciantes e políticos que regressavam à casa após longas viagens. De grande importância revestiu-se o conjunto de viagens efectuadas pelo infante D. Pedro a várias cortes da Europa entre 1425 e 1428; a viagem de D. Afonso (o conde de Barcelos) à Terra Santa, em 1410, e as embaixadas a Pisa, a Constança, a Basileia e a Ferrara-Florença durante o século XV.

A chegada à Índia e o posterior desenvolvimento das descobertas portuguesas e espanholas não fez esmorecer o fascínio pelo Oriente, pelo contrário, este subsistiu até os nossos dias. A cultura portuguesa está repleta de evocações orientais, do mesmo modo que no Oriente há diversas referências portuguesas. Este processo evoluiu no contexto de contactos interculturais marcantes do período das descobertas. Aqui começou e vai acabar o Império Português. Basta apenas dizer que o poema épico português mais célebre, Os Lusíadas, do poeta Luís Vaz de Camões, é uma recriação da viagem portuguesa à Índia. Outra obra que influenciou o fascínio português pelo Ocidente foi a Peregrinação, de Fernão Mendes Pinto.

Este fascínio traduziu-se ao longo dos tempos no culto do orientalismo, bem patente em obras literárias como O Mandarim, de Eça de Queirós, de 1880, ou até em gostos decorativos (chinoiserie e o estilo Chippendale). Nas grandes comemorações dos Centenários (Exposição do Mundo Português), durante o Estado Novo, os temas orientais foram retomados e na década de 1990 instituições como a Comissão dos Descobrimentos trazem de volta a forte ligação destes dois mundos, vivamente mantida até dezembro de 1999 pela relação privilegiada de Portugal com Macau.