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Museu Histórico e Pedagógico Municipal Doutor João da Silva Carrão

(Redirecionado de Fazenda Salto Grande)
Museu Histórico Pedagógico Municipal
Doutor João da Silva Carrão
Placa na entrada do museu.
Estilo dominante colonial
Construção 1799-1810
Classificação nacional Condephaat
Data 1982
Estado de conservação SP
Geografia
Cidade Americana

O Museu Histórico Pedagógico Municipal Doutor João da Silva Carrão (mais conhecido como casarão) é um equipamento cultural brasileiro, subordinado à Secretaria de Cultura e Turismo da cidade de Americana, interior do estado de São Paulo. O museu encontra-se instalado na sede da antiga Fazenda Salto Grande, com cujo nome é mais comumente identificado, próxima à confluência dos rios Atibaia e Jaguari, na cabeceira do rio Piracicaba.[1]

É um dos raros remanescentes da arquitetura colonial em taipa de pilão na região de Campinas, erguido entre o fim do século XVIII e o início do século XIX, e tombado como patrimônio estadual desde 1982. Conserva um acervo de aproximadamente cinco mil peças relacionadas à história do desenvolvimento sócio-econômico da região, do século XVIII aos dias de hoje.

Histórico da fazendaEditar

A área em que se localiza a fazenda Salto Grande começou a ser ocupada em meados do século XVIII, quando ainda era uma sesmaria, talvez em posse de Domingos da Costa Machado, pioneiro da ocupação do território hoje compreendido entre Campinas e Piracicaba, sendo efetivamente o sítio de origem da futura cidade de Americana.

Em 1771, inicia-se o cultivo da cana para produção de açúcar e aguardente ao longo das margens dos rios Atibaia e Jaguari, afluentes do rio Piracicaba. Até o fim desse século, as terras passariam por diversos proprietários, como Antonio Machado de Campos, Antônio de Sampaio Ferraz, Francisco de Sampaio e André dos Santos Furquim. Em 1799, as terras são adquiridas por Manoel Teixeira Vilela, que inicia a construção do solar, concluído por volta de 1810, e intensifica a produção, tornando a fazenda uma das principais produtoras de cana-de-açúcar da região.

Em 1870, parte da fazenda Salto Grande é adquirida por Francisco de Campos Andrade. Em 1873, a fazenda é novamente desmembrada, e um de seus lotes é adquirido por Antonio de Souza Queiroz. Inicia-se a ocupação de parte dessas terras por imigrantes itlianos, sob a liderança de Joaquim Boer. Nesse mesmo período, o fim da Guerra de Secessão nos Estados Unidos e o incentivo dado por Dom Pedro II para atrair mão-de-obra estrangeira especializada no cultivo do algodão - produto cada vez mais valorizado no mercado externo - fomentaria a imigração norte-americana rumo ao interior paulista.

Em 1886, a fazenda é adquirida por Clement Willmot, americano do sul dos Estados Unidos, que instala nela uma fábrica de tecidos de algodão(para a produçao de roupas dos escravos), dando origem à indústria textil da então chamada "Villa Americana". Três anos depois, a tecelagem passa a operar com o nome de Fábrica de Tecidos Carioba ("pano branco", em língua tupi). As dívidas financeiras agravadas após a abolição da escravatura em 1888, no entanto, forçam a fábrica a fechar as portas já em 1896.

Em 1901, a fábrica é vendida ao comendador Franz Müller, imigrante de origem alemã. Müller mantém o nome "Carioba" e reabre a fábrica já no ano seguinte. Muitos trabalhadores europeus são trazidos para trabalhar na tecelagem, especialmente aqueles ligados às áreas têxteis da Itália e, principalmente, da Alemanha, transformando a indústria no principal pólo de atração de imigrantes da região. A indústria rapidamente prospera e ganha projeção nacional. Müller aposta em um modelo de produção compartilhada: tecelões ligados à Carioba adquirem teares junto a seus empregadores, estabelecendo pequenos núcleos de produção para atender a demanda crescente. Em 1907, Müller adquire a parte remanescente da fazenda. Determina, então, a construção da Usina Hidrelétrica Salto Grande nessas terras, que passa a fornecer energia elétrica a Americana, Cosmópolis e Santa Bárbara d'Oeste.

Com uma produção anual estimada em mais de sete mil metros de tecido e com mais de 500 teares, a Tecelagem Carioba se consolida como um dos mais importantes pólos têxteis da América Latina. A Crise de 1929, no entanto, afeta fortemente a indústria, que se vê obrigada a vender a Usina Hidrelétrica Salto Grande à Companhia Paulista de Força e Luz. Em 1934, uma segunda usina, de pequeno porte ("Usina Cariobinha") é construída para atender às necessidades da indústria têxtil.

Em 1944, a família Müller aceita vender a Fazenda Salto Grande e a Tecelagem Carioba ao empresáro João Abdalla. A tecelagem passa então a integrar o Grupo JJ Abdalla, uma das maiores corporações privadas da história brasileira. Os novos proprietários tentam expandir a indústria, mas enfrentam muitas dificuldades a partir de então - desde a concorrência de outras tecelagens e a escassez de mão-de-obra (que em função das maiores facilidades se concentrava na zona urbana de Americana) até a mudança de hábito dos consumidores, que se mostram mais propensos a adquirir outros tecidos além do algodão. Pendências jurídicas motivadas por questões trabalhistas também abalaram a saúde financeira da tecelagem. Assim, em 1977, a fábrica é fechada permanentemente.

Tombado pelo Condephaat em 1982, o prédio abriga um acervo diversificado, formado por fotografias, mapas, objetos, máquinas e mobiliário, e busca contar um pouco da história da consolidação da cidade, de seu povo e dos períodos históricos que a mesma testemunhou.

ArquiteturaEditar

Construído em taipa de pilão, com estrutura e fundações em madeira de lei, suas paredes têm quase 1 metro de espessura e até 12 metros de pé direito. Em estilo colonial mineiro, é a única construção, junto com a sedes das fazendas Tatu, em Limeira, e Milhã, em Piracicaba, com quase duzentos anos de toda a região.

Ver tambémEditar

Referências

BibliografiaEditar

  • Comissão de Patrimônio Cultural da Universidade de São Paulo (2000). Guia de Museus Brasileiros. São Paulo: Edusp. 370 páginas