Fernanda Montenegro

atriz brasileira de teatro, novelas, televisão e cinema

Fernanda Montenegro, nome artístico de Arlette Pinheiro Monteiro Torres[nota 1] (Rio de Janeiro, 16 de outubro de 1929),[1][2] é uma atriz e escritora brasileira. Considerada uma das melhores atrizes, é frequentemente referenciada como a grande dama do cinema e da dramaturgia do Brasil.[3] Foi a primeira latino-americana e a única brasileira indicada ao Oscar de Melhor Atriz. É também a única atriz indicada ao Oscar por uma atuação em língua portuguesa,[4][5] sendo nomeada por seu trabalho em Central do Brasil (1998).[6][7][8][9] Além disso, foi a primeira brasileira a ganhar o Emmy Internacional na categoria de melhor atriz pela atuação em Doce de Mãe (2013).[10] Em 2021, Fernanda foi eleita para a cadeira de número 17 da Academia Brasileira de Letras (ABL).[11]

Fernanda Montenegro ABL logo.svg
Fernanda Montenegro em 2019
Nome completo Arlette Pinheiro Monteiro Torres[nota 1]
Nascimento 16 de outubro de 1929 (92 anos)
Rio de Janeiro, DF
Nacionalidade brasileira
Ocupação atriz
escritora
Atividade 1950–presente
Cônjuge Fernando Torres (c. 1952–2008)
Filho(s) Cláudio Torres (n. 1962)
Fernanda Torres (n. 1965)
Emmys
Emmy Internacional de Melhor Atriz
2013 – Doce de Mãe
Festival de Berlim
Urso de Prata de Melhor Atriz
1998 – Central do Brasil
Prémios National Board of Review
Melhor Atriz
1998 – Central do Brasil
Outros prêmios
Grande Prêmio do Cinema Brasileiro de Melhor Atriz
2005 – O Outro Lado da Rua
(Ver mais)
Indicações

Dentre os inúmeros prêmios nacionais e internacionais que recebeu em seus mais de setenta anos de carreira, em 1999, foi condecorada com a maior comenda civil do país, a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito, "pelo reconhecimento ao destacado trabalho nas artes cênicas brasileiras", entregue pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso.[12] Além de ter sido cinco vezes galardoada com o Prêmio Molière,[13] ter recebido três vezes o Prêmio Governador do Estado de São Paulo,[13] ganhou ainda o Urso de Prata no Festival de Berlim de 1998 pela interpretação de "Dora" no filme Central do Brasil de Walter Salles,[14] o que valeu uma indicação ao Oscar de melhor atriz[6] em 1999 e ao Globo de Ouro[6] de melhor atriz em filme dramático. Recebeu também vários prêmios da crítica americana, no mesmo ano.[15] Em 2013, foi eleita a 15ª celebridade mais influente do Brasil pela revista Forbes.[16] Durante a Cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos Rio 2016, Fernanda leu o poema "A flor e a náusea", de Carlos Drummond de Andrade, dublado em inglês por Judi Dench.

Na televisão, foi a primeira atriz contratada pela TV Tupi, em 1951, onde estrelou dezenas de teleteatros, que na direção revezavam-se Fernando Torres, Sérgio Britto e Flávio Rangel. Estreou nas telenovelas em 1954 como protagonista de A Muralha, na RecordTV, onde estrelou outras produções.[17] Realizou trabalhos na maioria das emissoras produtoras de teledramaturgia, como Band, TV Cultura, RecordTV e Rede Globo – onde permanece desde 1981 –, além das extintas TV Excelsior, TV Rio e Rede Tupi.[18][19]

BiografiaEditar

Infância, juventude e formaçãoEditar

 
Fernanda Montenegro estudou no Colégio Pedro II durante a juventude[20]

Nascida Arlette Pinheiro Esteves da Silva,[nota 1][1] seus avós maternos, Camilo e Maria Pinna, imigraram da Sardenha, no sul da Itália, para trabalhar em fazendas em Minas Gerais e conheceram-se no navio em que viajaram. Depois mudaram-se para a cidade do Rio de Janeiro, onde passaram a morar com a filha Carmen e o genro Vitorino, pais de Arlette.[21] Seus avós paternos, José Pinheiro da Silva e Ana Albina Esteves Capela da Silva, eram portugueses de Trás-os-Montes.[22] Arlette nasceu em Campinho, no subúrbio carioca,[23] e estudou no Colégio Pedro II.[20]

Depois de concluir o curso primário, Arlette dedicou-se à formação para o trabalho, matriculando-se no curso de secretariado Berlitz, que compreendia inglês, francês, português, estenografia e datilografia. Frequentava ainda o curso de madureza à noite, conseguindo concluir o equivalente ao ginasial em dois anos.[24] Aos quinze anos, ainda no terceiro ano do curso técnico de secretariado, inscreveu-se num concurso como locutora na então Rádio Ministério da Educação e Saúde, atual Rádio MEC, fator que foi decisivo para a sua carreira. Ganhou o concurso para atuar em um projeto chamado "Teatro da Mocidade", voltado a despertar o interesse de jovens talentos para atuar em radionovelas, sendo este seu primeiro emprego.[24]

Seu primeiro papel como radioatriz foi numa obra de Cláudio Fornari, chamada Sinhá Moça Chorou, na qual interpretou Manuela.[25] Arlette permaneceu na emissora por dez anos, inicialmente como locutora e depois como atriz. Foi lá que, ao começar a escrever, adotou o pseudônimo "Fernanda Montenegro".[26] Paralelamente, a atriz passou a lecionar português para estrangeiros no Berlitz, curso que havia frequentado por quatro anos. Era a forma de obter alguma remuneração, já que o trabalho no rádio nem sempre era remunerado.[27]

A Rádio MEC fica ao lado da Faculdade Nacional de Direito da UFRJ, na qual funcionava um grupo de teatro amador dos alunos da faculdade. Passa a integrar o grupo de teatro, ao participar da peça "Nuestra Natascha", interpretando sua primeira personagem, Cassona.[25]

CarreiraEditar

1950–62: Pioneirismo e primeiros trabalhosEditar

 
Fernanda Montenegro na peça teatral A mulher de todos nós, de 1966; foto do Arquivo Nacional

Iniciou sua carreira no ano de 1950, na peça Alegres Canções nas Montanhas, ao lado de seu marido, Fernando Torres.[28] Foi a primeira atriz contratada pela recém-criada TV Tupi do Rio de Janeiro, em 1951. Seu nome, Arlette, foi considerado muito comum para uma atriz e lhe pediram para escolher um nome mais forte, mais chamativo, e por gostar do nome, escolheu Fernanda.[29] Na emissora, entre 1951 e 1953, participou de cerca de 80 peças, exibidas nos programas Retrospectiva do Teatro Universal e Retrospectiva do Teatro Brasileiro. Sob a direção de Jacy Campos, Chianca de Garcia e Olavo de Barros, atuou ao lado de Paulo Porto, Heloísa Helena, Grande Otelo, Fregolente e Colé. Participou também de programas policiais escritos por Jacy Campos e Amaral Neto. No teatro, Fernanda Montenegro ganhou o prêmio de atriz revelação da Associação Brasileira de Críticos Teatrais, em 1952, por seu trabalho nas peças Está lá fora um inspetor, de J.B. Priestley, e Loucuras do Imperador, de Paulo Magalhães. Ainda na década de 1950, fez parte da Companhia Maria Della Costa e do Teatro Brasileiro de Comédia (TBC).[30]

Em 1954 interpretou sua primeira protagonista na telenovela A Muralha, de Ivani Ribeiro na RecordTV, sendo a primeira telenovela da emissora.[31] Entre 1956 e 1963, a atriz participou de diversos teleteatros na TV Tupi de São Paulo, apresentados no Grande Teatro Tupi, totalizando cerca de 160 peças apresentadas naquele programa. Em 1959 formou sua própria companhia teatral, a Companhia dos Sete, com Sérgio Britto, Ítalo Rossi, Gianni Ratto, Luciana Petruccelli, Alfredo Souto de Almeida e Fernando Torres.[32] A atriz é considerada uma das grandes damas do teatro brasileiro, tendo recebido diversos prêmios ao longo da carreira, por espetáculos como A Moratória (1955), de Jorge Andrade; Nossa Vida com Papai (1956); Vestir os Nus (1958); O Mambembe (1959), com direção de Gianni Ratto; Mary, Mary (1963), dirigido por Adolfo Celi; Mirandolina (1964), de Carlo Goldoni; A mulher de todos nós (1966), dirigida pelo marido, Fernando Torres; As lágrimas amargas de Petra von Kant (1982); Dona Doida, Um Interlúdio (1987), entre muitas outras peças.[33]

1963–80: Protagonistas e cinemaEditar

 
Fernanda Montenegro em Oh! Que belos dias, de 1970; foto do Arquivo Nacional

Em 1963, contratada pela TV Rio, atuou nas novelas Pouco Amor Não É Amor e A Morta Sem Espelho, ambas de Nélson Rodrigues, com direção de Fernando Torres (ator) e Sérgio Britto, respectivamente.[34] Em 1964, na RecordTV, fez mais duas novelas dirigidas por Sérgio Britto: Vitória e Sonho de Amor,[35] esta última uma adaptação feita por Nélson Rodrigues do romance O Tronco do Ipê, de José de Alencar, produzida pela TV Rio e exibida também em São Paulo pela TV Record.[36] Em 1965, na recém-criada TV Globo, Fernanda Montenegro participou do programa 4 no Teatro, que apresentou uma série de teleteatros sob a direção de Sérgio Britto.[37] Em sua estreia na emissora, a atriz atuou nas peças Massacre, de Emanuel Robles, e As três faces de Eva, de Janete Clair.[38] Sua estreia em cinema se deu na produção de 1964 para a tragédia de Nelson Rodrigues, A Falecida, sob direção de Leon Hirszman.[35]

No ano seguinte, na TV Tupi, interpretou a personagem Amália, na novela Calúnia, de Talma de Oliveira.[39] Em 1967, estreou na TV Excelsior como Lisa, em Redenção, novela de Raimundo Lopes dirigida por Reynaldo Boury e Waldemar de Moraes.[40] Ainda na TV Excelsior, em 1968, Fernanda Montenegro viveu a Cândida em A Muralha, adaptação de Ivani Ribeiro da obra de Dinah Silveira de Queiroz. Com direção de Sérgio Britto e Gonzaga Blota, a novela foi considerada uma superprodução em sua época.[41] Na mesma emissora, em 1969, a atriz viveu a personagem Júlia Camargo, de Sangue do Meu Sangue, escrita por Vicente Sesso, novamente dirigida por Sérgio Britto, com elenco composto por Francisco Cuoco, Cláudio Correa e Castro, Nicete Bruno e Tônia Carrero.[42]

 
Fernanda Montenegro e Bibi Ferreira, em 1972; foto do Arquivo Nacional

Fernanda Montenegro deixou a falida TV Excelsior em 1970 e manteve-se afastada da televisão durante nove anos, intervalo quebrado apenas pela realização de dois trabalhos: o teleteatro A Cotovia, de Jean Anouilh, para a TV Tupi, em 1971, e um Caso Especial da TV Globo, em 1973. Este Caso Especial estrelado pela atriz era uma adaptação da tragédia Medeia, de Eurípedes, feita por Oduvaldo Viana Filho. Levado ao ar no mesmo dia e horário da estreia do Cassino do Chacrinha, na TV Tupi.[43]

Ainda na década de 1970, a atriz integrou o elenco da novela Cara a Cara (1979), de Vicente Sesso, na TV Bandeirantes. Na trama, dirigida por Jardel Mello e Arlindo Barreto, a atriz viveu a personagem Ingrid Von Herbert, egressa de um campo de concentração nazista.[44]

1981–97: Reconhecimento nacionalEditar

 
Fernanda Montenegro na cerimônia na Sala Cecília Meireles em comemoração aos 50 anos do Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro

Fernanda Montenegro estreou em novelas da TV Globo em 1981, em Baila Comigo, de Manoel Carlos. Sua personagem, Sílvia Toledo Fernandes, foi escrita especialmente para a atriz, que foi dirigida por Roberto Talma e Paulo Ubiratan.[45] No mesmo ano, viveu a milionária Chica Newman de Brilhante, novela de Gilberto Braga. Na trama, Luísa (Vera Fischer) é escolhida por Chica Newman para se casar com seu filho Ignácio (Dennis Carvalho), que é homossexual. Mas a moça acaba se envolvendo com Paulo César (Tarcísio Meira), homem de origem humilde, casado com Isabel (Renée de Vielmond), filha de Chica.[46]

Em 1983, Fernanda Montenegro protagonizou cenas hilariantes ao lado de Paulo Autran, como os primos Charlô e Otávio de Guerra dos Sexos, novela escrita por Sílvio de Abreu e dirigida por Jorge Fernando e Guel Arraes.[47] Obrigados a conviver na mesma casa e na mesma empresa devido ao testamento de um tio, os dois empreendiam "batalhas" diárias, numa verdadeira guerra.[47] A censura impôs mudanças em personagens, diálogos e cenas.[48] Ainda assim, a novela foi um sucesso e recebeu diversos prêmios da Associação Paulista de Críticos de Arte, entre eles o de melhor atriz para Fernanda Montenegro.[49]

Em 1986, a atriz participou de Cambalacho, outra comédia de Silvio de Abreu, dirigida por Jorge Fernando. Como o título sugere, o ponto de partida da trama eram os trambiques armados por Leonarda Furtado, a "Naná", personagem de Fernanda Montenegro, e Jerônimo Machado, o "Gegê", interpretado por Gianfrancesco Guarnieri.[50] Quatro anos depois, Fernanda Montenegro fez uma participação especial, no papel de Salomé, em Rainha da Sucata, novela de Silvio de Abreu, Alcides Nogueira e José Antônio de Souza.[51]

Ainda em 1990, interpretou a Vó Manuela na minissérie Riacho Doce, de Aguinaldo Silva e Ana Maria Moretzsohn.[52] A minissérie se passa em uma cidade do nordeste liderada por Vó Manuela, uma mulher mística e poderosa que exerce total domínio sobre seu neto Nô (Carlos Alberto Riccelli).[52] Em 1991, na novela O Dono do Mundo, de Gilberto Braga, Fernanda Montenegro foi Olga Portela, uma requintada cafetina que, apesar de picareta, conquistou a simpatia do público.[53] Dois anos depois, apresentou uma atuação marcante como Jacutinga, a dona de um bordel no interior da Bahia, na primeira fase da novela Renascer, de Benedito Ruy Barbosa.[54] Ainda em 1993, participou – como Madalena Moraes – da novela O mapa da mina, a última de Cassiano Gabus Mendes.[55] Em 1994, como Quitéria Campolargo, a atriz integrou o elenco estelar de Incidente em Antares, que reuniu nomes como Marília Pêra, Regina Duarte, Gianfrancesco Guarnieri, Paulo Goulart, Nicette Bruno, Flávio Migliaccio, Betty Faria e Diogo Vilela. A minissérie era uma adaptação de Nelson Nadotti e Charles Peixoto do livro homônimo de Érico Veríssimo.[56] Em seguida, em 1997, Fernanda Montenegro viveu o papel-título de Zazá, novela de Lauro César Muniz. Sua personagem é uma mulher idealista, que tenta buscar uma solução para a vida dos sete filhos, ao mesmo tempo em que enfrenta várias adversidades para fazer seu projeto de avião atômico.[57]

1998–04: Reconhecimento internacionalEditar

 
Fernanda Montenegro em 2014

Em 1999, por sua atuação no filme Central do Brasil, de Walter Salles em 1998, foi a primeira artista brasileira a ser indicada para o Óscar de melhor atriz.[58] Um ano antes, ainda por sua atuação naquele filme, recebeu o Urso de Prata do Festival de Berlim.[59] Ainda em 1999, a atriz fez o papel de Nossa Senhora na minissérie O Auto da Compadecida, adaptação da premiada peça de Ariano Suassuna feita por Guel Arraes, Adriana Falcão e João Falcão, e transformada em filme no ano seguinte.[60] Em 2001, viveu a Lulu de Luxemburgo de As Filhas da Mãe, de Silvio de Abreu, Alcides Nogueira e Bosco Brasil.[61] Fernanda Montenegro participou da primeira fase de Esperança (2002), novela de Benedito Ruy Barbosa, em que fez o papel da italiana Luiza, a avó da protagonista Maria, interpretada por Priscila Fantin.[62] Em 2005, na premiada minissérie Hoje É Dia de Maria, dirigida por Luiz Fernando Carvalho, a atriz interpretou a madrasta, voltando a atuar na segunda jornada da série como Dona Cabeça, narradora da trama.[63] Em 2005, atuou na novela Belíssima como a vilã Bia Falcão, matriarca da família Assumpção. A trama de Sílvio de Abreu.[64] Um de seus mais recentes trabalhos na TV Globo foi a minissérie Queridos amigos (2008), de Maria Adelaide Amaral, como intérprete de Iraci.[65]

Foi convidada para ocupar o Ministério da Cultura no governo dos presidentes José Sarney e Itamar Franco, porém apesar do grande apoio da classe artística e intelectual, recusou ambas as ofertas.[29] Em 1985, ao recusar o convite de Sarney afirmou em carta ao então representante do governo que não estava preparada para abandonar a carreira artística, não por medo ao desafio que lhe era oferecido, mas sim por entender que seria muito melhor no palco do que no ministério.[66] Recebeu em 1999 do então presidente Fernando Henrique Cardoso a Ordem Nacional do Mérito Grã-Cruz, "pelo reconhecimento ao destacado trabalho nas artes cênicas brasileiras".[67] Na época, uma exposição realizada no Museu de Arte Moderna (MAM), no Rio de Janeiro, comemorou os 50 anos de carreira da atriz. Em 2004, foi escolhida melhor atriz da terceira edição do Festival de TriBeCa. Ela foi premiada por sua atuação em "O Outro Lado da Rua", único filme da América Latina a participar da competição de longas de ficção.[68]

Entre os filmes em que atuou no cinema estão A Falecida (1964) e Eles Não Usam Black-Tie (1980), ambos de Leon Hirszman. E, mais recentemente, Olga, de Jayme Monjardim, onde interpretou Leocádia Prestes, mãe do líder comunista Luís Carlos Prestes; Redentor (2004), dirigido por seu filho, Cláudio Torres; Casa de Areia (2005), filme dirigido pelo genro Andrucha Waddington, marido de sua filha, a atriz Fernanda Torres; e Love in the Time of Cholera (br: O Amor nos Tempos do Cólera), de Mike Newell, lançado em 2007, onde fez a personagem Tránsito Ariza, mãe do personagem do ator espanhol Javier Bardem. Em 2010 viveu a protagonista Bete em Passione, de Sílvio de Abreu. Em 2012 protagonizou o último episódio da minissérie As Brasileiras como a artista decadente Mary Torres no episódio Maria do Brasil, e no especial de fim de ano Doce de Mãe em que interpretou Dona Picucha, personagem principal onde foi premiada com o Emmy Internacional de melhor atriz.[10] Pelo Twitter, a presidente do país Dilma parabeniza Fernanda Montenegro pelo Emmy dizendo que Fernanda: "é um orgulho do Brasil".[69] Carlos Henrique Schroder diretor-geral da Rede Globo festejou o prêmio de Fernanda dizendo: "É o reconhecimento de uma estrela maior da nossa cultura. É a nossa dama maior do teatro, da TV e do cinema brasileiro. E justamente recebeu essa homenagem e reconhecimento internacional".[69]

2009–presente: Trabalhos recentesEditar

Em 22 de junho de 2009, foi agraciada com a Ordem do Ipiranga, no grau de Cavaleiro, pelo Governo do Estado de São Paulo, na pessoa do então governador José Serra.[70] Em 2013, deu vida a Dona Cândida Rosado (Candinha) no remake de Saramandaia escrito por Ricardo Linhares.[71][72] Em 2014, viveu novamente Dona Picucha na série Doce de Mãe.[73] No mesmo ano é anunciado que a atriz fará Babilônia, novela de Gilberto Braga, no papel da homossexual Teresa, que mantém um relacionamento com a personagem de Nathália Timberg, Estela.[74][75][76][77][78]

Em 2017, após a polêmica de seu papel na trama de Babilônia, inicia uma parceria com o autor Walcyr Carrasco aceitando o convite para atuar em sua novela do horário nobre O Outro Lado do Paraíso, onde tem seu retorno triunfal ao gênero, atuando como a mística "Mercedes", uma senhora humilde e generosa, mas que carrega o dom da vidência consigo, tendo alta ligação com a luz através de vozes e enxerga nisso a sua missão de caridade de ajudar o mundo ao seu redor.[79][80] Em 2019, após o sucesso, retoma a sua parceria com Walcyr e atua na novela A Dona do Pedaço, participando da primeira fase do folhetim, como a matriarca de uma família de justiceiros no interior do Estado do Espírito Santo.[81]

Em setembro de 2019, lançou sua autobiografia Prólogo, ato, epílogo pela editora Companhia das Letras, em parceria com Marta Góes.[82] Durante a campanha, para a revista 451 da Folha de S.Paulo, Fernanda se vestiu de bruxa prestes a ser queimada como bruxa e disse que "prefere entrar para a História do lado das bruxas".[83]

ObrasEditar

FilmografiaEditar

 Ver artigo principal: Filmografia de Fernanda Montenegro

TeatroEditar

Em mais de cinquenta anos de carreira, participou de dezenas de espetáculos teatrais, interpretando de tudo: da clássica tragédia grega à comédia de boulevard, do musical brasileiro a espetáculos de vanguarda. Sempre ao lado de grandes nomes, do elenco à direção. A seguir, alguns de seus grandes sucessos:

Ano Título
1954 O Canto da Cotovia, de Jean Anouilh - direção de Gianni Ratto[84]
1955 Com a Pulga Atrás da Orelha, de Georges Feydeau - direção de Gianni Ratto[85]
1955 A Moratória, de Jorge de Andrade - direção de Gianni Ratto[86]
1956 Eurídice, de Jean Anouilh - direção de Gianni Ratto[87]
1958 Vestir os Nus, de Luigi Pirandello - direção de Alberto d'Aversa[88]
1959 O Mambembe, de Arthur Azevedo e José Piza. direção de Gianni Ratto[89]
1960 A Profissão da Sra. Warren, de Bernard Shaw - direção de Gianni Ratto[90]
1960 Com a Pulga Atrás da Orelha, de Georges Feydeau - direção de Gianni Ratto[91]
1962 O Beijo no Asfalto, de Nelson Rodrigues - direção de Fernando Torres[92]
1963 Mary, Mary, de Jean Kerr - direção de Adolfo Celi[93]
1966 O Homem do Princípio ao Fim, de Millôr Fernandes - direção de Fernando Torres[94]
1967 A Volta ao Lar, de Harold Pinter - direção de Fernando Torres[95]
1970 Oh! Que Belos Dias, de Samuel Beckett - direção de Ivan de Albuquerque[96]
1971 Computa, Computador, Computa, de Millôr Fernandes - direção de Carlos Kroeber[97]
1973 Seria Cômico... Se Não Fosse Trágico, de Friedrich Dürrenmatt - direção de Celso Nunes[98]
1976 A Mais Sólida Mansão[99]
1977 É..., de Millôr Fernandes - direção de Paulo José[100]
1982 As Lágrimas Amargas de Petra von Kant, de Rainer Werner Fassbinder - direção de Celso Nunes[101]
1986 Fedra, de Racine - direção de Augusto Boal[102]
1987 Dona Doida, um Interlúdio, a partir de escritos da poeta mineira Adélia Prado - direção de Naum Alves de Souza[103]
1991 The Flash and Crash Days, de Gerald Thomas - direção de Gerald Thomas[104]
1995 Dias Felizes, de Samuel Beckett - direção de Jacqueline Laurence[105]
1998 Da Gaivota, a partir da peça A Gaivota, de Anton Tchekhov - direção de Daniela Thomas[106]
2010 Viver Sem Tempos Mortos, cuja participação lhe rendeu o prêmio de melhor atriz na 22ª edição do Prêmio Shell de Teatro de São Paulo[107]
2016 Nelson Rodrigues POR ELE MESMO.[108]

LiteraturaEditar

Ano Livro Editora Notas
2018 Fernanda Montenegro: Itinerário Fotobiográfico [109]
2019 Prólogo, ato, epílogo Companhia das Letras [82]

DiscografiaEditar

Título Ano Outros artistas Álbum
"Construção" 1998 Chico Buarque Brasil São Outros 500[110]
"Foi Mudando, Mudando" 2000 Heitor Villa-Lobos Abraço Musical Entre Dois Povos[111]
"Ismália" 2019 Emicida e Larissa Luz AmarElo[112]

Prêmios e indicaçõesEditar

Vida pessoalEditar

 
Fernando Torres e Fernanda Montenegro foram casados de 1953 até 2008, ano em que o ator morreu[113]

Casou-se em 6 de abril de 1953, aos 23 anos, com Fernando Torres, que tinha 26 anos. O casal comemorou a união em uma pequena igreja católica de São Cristóvão. Seu vestido de noiva fora emprestado de sua amiga Eva Todor, recém casada, pois a atriz não tinha condições financeiras para comprar um modelo novo.[114]

O casal, após passar bastante tempo tentando ter filhos de forma natural, iniciou um tratamento de fertilização, conseguindo ter dois filhos. Em 1962 nasceu o diretor Cláudio Torres, de parto normal, e em 1965 deu à luz a atriz Fernanda Torres, nascida de cesariana. Suas duas gravidezes foram consideradas difíceis, obrigando a atriz a se afastar da carreira para fazer repouso.[114] Seu sobrenome Torres não é de nascimento, tendo sido adquirido devido ao seu casamento.[1]

Ver tambémEditar

Notas e referências

Notas

  1. a b c Depois do seu casamento com Fernando Torres, a atriz passou a assinar Arlette Pinheiro Monteiro Torres

Referências

  1. a b c «Fernanda Montenegro: biografia». Portal UOL. Arquivado do original em 8 de maio de 1999 
  2. «Dama do teatro, Fernanda Montenegro comemora 80 anos.». noticias.terra.com.br. Consultado em 15 de janeiro de 2013. Arquivado do original em 31 de maio de 2013 
  3. «Fernanda Montenegro, a dama do teatro brasileiro comemora 80 anos». canalteatro.com.br. Consultado em 15 de janeiro de 2013. Arquivado do original em 3 de dezembro de 2013 
  4. «Latinos In The Oscars: Almost 60 Winners And Nominees Along The History Of The Academy Awards! [PHOTOS]» (em inglês). Consultado em 19 de Dezembro de 2016 
  5. «History of Latino Academy Award Nominees & Winners» (em inglês). Consultado em 19 de Dezembro de 2016 
  6. a b c «Fernanda Montenegro: uma diva entre estrelas». Consultado em 15 de janeiro de 2013 
  7. «Fernanda Montenegro no Espelho». G1. Consultado em 28 de Agosto de 2015 
  8. «Fernanda Montenegro: uma diva entre estrelas». Consultado em 28 de Agosto de 2015 
  9. «Fernanda Montenegro e Walter Salles desfrutam a felicidade, depois de Central do Brasil ser indicado aos Oscar de melhor atriz e melhor filme em língua estrangeira». ISTOÉ. 17 de fevereiro de 1999. Consultado em 28 de Agosto de 2015 
  10. a b «Fernanda Montenegro leva Emmy e agradece diretores de 'Doce de mãe'» 
  11. «Fernanda Montenegro é eleita para a ABL: conheça os bastidores da disputa pelo título de imortal». G1. Consultado em 5 de novembro de 2021 
  12. «Atriz Fernanda recebe maior comenda da República». 13 de abril de 1999. Consultado em 15 de outubro de 2013. Arquivado do original em 11 de novembro de 2013 
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  16. Forbes. «Forbes apresenta as celebridades mais influentes do Brasil». Exame. Consultado em 13 de janeiro de 2014 
  17. «Fernanda Montenegro participa novamente de 'Mister Brau' e personagem tenta casar o filho». Gshow.com 
  18. Gabriel Menezes (3 de março de 2015). «Fernanda Montenegro não teme rejeição com personagem gay em 'Babilônia'». O Globo. Revista da TV. Consultado em 4 de março de 2015 
  19. «Taís Araújo fica nervosa ao atuar com Fernanda Montenegro em 'Mr Brau'» 
  20. a b «Ao mestre com carinho». Consultado em 15 de janeiro de 2013. Arquivado do original em 7 de maio de 2003 
  21. IstoÉ Gente: Fernanda Montenegro
  22. Fernanda Montenegro: Itinerário Fotobiográfico. Edições Sesc São Paulo. 2018. p. 21
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