Fernando Eiras

Fernando Eiras
Nome completo Fernando Antônio Alvim Eiras
Nascimento 21 de fevereiro de 1957 (63 anos)
Rio de Janeiro, RJ

Fernando Antônio Alvim Eiras (Rio de Janeiro, 21 de fevereiro de 1957) é um ator e roteirista brasileiro.

É bastante atuante no teatro, apesar de também atuar no cinema e na televisão e tendo ganhando prêmios de atuação como o Candango de Melhor Ator em duas edições do Festival de Brasília. É filho de Haroldo Eiras.

BiografiaEditar

 
Ainda jovem, Fernando Eiras se matriculou na escola de teatro O Tablado, da dramaturga Maria Clara Machado (no centro da imagem).

Primeiros anosMaria Clara Machado, sem data.tifEditar

 
Ziembinski foi um dos primeiros incentivadores da carreira de Fernando Eiras.

Começa cedo, aos 14 anos, na vida artística, tendo interesse em ser ator desde jovem. Seu pai, o compositor e radialista Haroldo Eiras, o apresenta ao ator e diretor Ziembinski. Ele propõe alguns exercícios de leitura ao jovem Fernando, e recebe aprovação e incentivo para seguir a carreira do mestre, que o aconselha a cursar O Tablado, escola de teatro fundada em 1951 no Rio de Janeiro pela escritora e dramaturga Maria Clara Machado.[1]

Ele fica na escola por três anos, entre 1972 e 1974, período onde participa da remontagem de três peças de Maria Clara, A Volta do Camaleão Alface, onde atua como Maneco, O Embarque de Noé onde interpreta um pinguim e O Boi e o Burro no Caminho de Belém onde atua como um "clown-mendigo". No mesmo periodo, se aproxima de Klauss Vianna, Angel Vianna e do diretor Luiz Mendonça, com quem encena o musical Faça do Coelho, o Rei em 1977.[2]

Carreira no teatroEditar

 
Flávio Rangel é um dos diretores do início da carreira de Fernando Eiras.

Sua estreia profissional acontece em 1976, integrando o coro e interpretando o guarda que toma conta da personagem Branca Dias em O Santo Inquérito, de Dias Gomes. A peça é dirigida por Flávio Rangel, com o qual trabalha novamente em 1977 na peça A Morte de um Caixeiro Viajante, de Arthur Miller, onde trabalha com Paulo Autran, protagonista da peça.[2]

A partir daí, Fernando não para mais de atuar no teatro. Em 1981, faz parte do musical de sucesso Village, de Ira Evans, dirigido por Wolf Maya, onde atua com Louise Cardoso e Guilherme Karan, e volta a trabalhar com o diretor Luiz Mendonça em Barreado, de Ana Elisa Gregori, pela onde atua com Elizabeth Savalla, Germano Filho e Miriam Pires. Em 1982, atua em Flor do Milênio, de Denise Emmer e Sérgio Fonta, com direção de Rubens Corrêa. Ele conheceu Rubens e também Ivan de Albuquerque naquele ano, quando começa a participar do Teatro Ipanema.[2]

Faz parte da peça Mahagonny, de Bertolt Brecht, dirigida por Luís Antônio Martinez Corrêa, em 1986, de Ensaio nº 4 - Os Possessos, dirigida por Bia Lessa, em 1987, e ainda em 1987, faz o antagonista de George Dandin, de Molière, dirigida por Ivan de Albuquerque com Rubens Corrêa, Lídia Brondi, Luiz Maçãs e outros do Teatro Ipanema. Em 1991 e 1992 atua em Uma Estória de Borboletas, peça com texto de Caio Fernando Abreu dirigida por Gilberto Gawronski, e em Bumba-Meu-Boi Modernista, de Sebastião Milaré, em que interpreta o poeta Mário de Andrade.[2]

Retorna aos musicais em 1993 em Nada Além de uma Ilusão, dirigido por Luiz Arthur Nunes, onde interpreta Custódio Mesquita, e em Pixinguinha, já em 1994, de Fátima Valença, dirigido por Amir Haddad. Em 1995, é indicado pela primeira vez ao Prêmio Shell por sua atuação em Noite Feliz, peça dirigida por Flávio Marinho. Faz grande sucesso com a peça As Três Irmãs, de Anton Tchekhov, dirigida por Enrique Diaz em 1999.[2]

É novamente indicado ao Prêmio Shell pelo papel de Mefisto em Fausto, de Goethe, dirigida por Moacir Chaves em 2003. Na peça Ensaio.Hamlet, em 2004, criada pela Companhia dos Atores baseada em obras de Shakespeare, é amplamente aclamado por sua interpretação de vários personagens como Horácio, Polônio, Laertes e Ofélia. Recebe o Prêmio Qualidade Brasil em 2004 por ela.[2][3]

Carreira na televisão e cinemaEditar

Quando ainda estava começando sua prestigiada carreira teatral, Fernando Eiras também começou a atuar na televisão. Sua primeira telenovela foi Sinal de Alerta, em 1978, na Rede Globo. Nos anos seguintes, participa da Pai Herói, Água Viva, Pátria Minha, Olho por Olho e outras participações diversas no canal, como na série Você Decide. Fez também trabalhos na Manchete, como Dona Beija e Xica da Silva. Em 1995, atuou no filme O Mandarim, seu primeiro longa-metragem, pelo qual foi premiado como Melhor Ator de Cinema no Festival de Brasília.[3][4]

Em 2005 fez o filme Incuráveis, pelo qual recebeu, dez anos depois do primeiro prêmio, um novo Candango de Melhor Ator de Cinema no Festival de Brasília. No mesmo ano, recebeu o Kikito de Melhor Ator no Festival de Gramado pela atuação no curta Berenice.[4] Em 2006, atuou na novela Páginas da Vida.[5][3]

Em 2015, interpretou Mário Magalhães, marido de Nise da Silveira, no filme Nise: O Coração da Loucura.

Em 2017, interpretou o economista Winston Fritsch no filme baseado em fatos reais Real: O Plano por Trás da História.[6]

Recentemente, atuou em novelas como Cordel Encantado, Sete Vidas e o remake de Guerra dos Sexos e séries como As Brasileiras. Suas participações mais recentes na televisão foram na telenovela da Globo A Dona do Pedaço, interpretando o Padre Elias, e na série da HBO A Vida Secreta dos Casais.[7][8][9]

CarreiraEditar

Na televisãoEditar

Ano Título Personagem Ref.
2019 A Dona do Pedaço Padre Elias [10][7]
A Vida Secreta dos Casais Jorge Navarro [4]
Terrores Urbanos Müller [11]
2018 Orgulho e Paixão Dom Alfredo Villareal Martins [4]
2017 Sob Pressão Nelson Sedotti [4]
2015 Verdades Secretas Maurice Argent [4]
Sete Vidas Renan [12]
2014 Sessão de Terapia Evandro Mendes [13]
2012 Guerra dos Sexos Dino Carneiro [4]
As Brasileiras Edemar [4]
Dercy de Verdade Pascoal [4]
2011 Cordel Encantado Baltazar [4]
Lara com Z Everardo Lopes [4]
2010 Dalva e Herivelto - uma Canção de Amor Francisco Alves [4]
As Cariocas (episódio: A Desinibida do Grajaú) [4]
2006 Páginas da Vida Rubens [4]
2001 O Direito de Nascer Dom Alfredo Villareal Martins [4]
2000 Você Decide (episódio:Pré-datado) [4]
1999 Tiro e Queda Basílio [4]
1996 Xica da Silva Dom Luís Felipe Cabral [4]
1994 Pátria Minha Dirceu [4]
1993 Agosto José Silva [4]
1992 Você Decide (episódio: Compulsão) [4]
1990 Fronteiras do Desconhecido Müller [4]
Teletema Jorge (Iaiá Garcia) [4]
1988 Olho por Olho Rodrigo [4]
1986 Tudo ou Nada Dodô [4]
Dona Beija Gaudêncio [4]
1984 Santa Marta Fabril S.A. [4]
Marquesa de Santos Francisco [4]
1983 Eu Prometo Mário José [4]
A Dama das Camélias Armand (Especial da Quarta Nobre) [4]
1982 Sétimo Sentido Henrique Palmeira [4]
1981 Amizade Colorida Johnson (episódio:Das Dificuldades de Ser Homem) [4]
1980 Água Viva Alfredo [4]
1979 Pai Herói Romão [4]
1978 Sinal de Alerta Mário [4]

No cinemaEditar

Ano Título Papel Ref.
2018 Cano Serrado Longa-metragem Marcos Sá [14]
2017 Real - O Plano Por Trás da História Longa-metragem Winston Fritsch [4]
2016 Beduíno Longa-metragem Beduíno [4]
2015 Nise: O Coração da Loucura Longa-metragem Mário Magalhães [4]
2014 Getúlio Longa-metragem José Soares Maciel Filho [4]
2013 Nise da Silveira - Senhora das Imagens Longa-metragem Mário Magalhães [4]
2008 Mulheres, Sexo, Verdades, Mentiras Longa-metragem Mário [4]
2007 Carlos Oswald - O Poeta da Luz Longa-metragem [4]
2005 Incuráveis Longa-metragem O Homem [4]
Berenice Curta-metragem Egeu [4]
2004 Quase dois irmãos Longa-metragem Pai de Miguel [4]
2003 Filme de amor Longa-metragem Gaspar [4]
2001 Dias de Nietzsche em Turim Longa-metragem Friedrich Nietzsche [4]
1998 Policarpo Quaresma, herói do Brasil Longa-metragem Armando Borges [4]
1995 O Mandarim Longa-metragem Mário Reis [4]

No teatroEditar

  • Terrenal: Pequeno Mistério Ácrata
  • Os Realistas
  • O Grande Circo Místico
  • O Outro Van Gogh
  • In On It
  • Um Dia, no Verão
  • Um Brasileiro Chamado Carlos Gomes

PremiaçõesEditar

Festival de Brasília

Prêmio Qualidade Brasil

  • Melhor Ator teatral drama por Ensaio.Hamlet[4][2]

Prêmio Shell

  • Melhor Ator pela por In on It (2010)[4]

Festival de Gramado

  • Kikito de Melhor Ator pelo curta Berenice (2005)[4]

Referências

  1. «O Tablado». 30 de setembro de 2005. Consultado em 21 de agosto de 2008. Arquivado do original em 12 de outubro de 2007 
  2. a b c d e f g «Fernando Eiras». Enciclopédia Itaú Cultural. 23 de fevereiro de 2017. Consultado em 2 de setembro de 2020 
  3. a b c d «Fernando Eiras». museudatv.com.br. Pró-TV. Consultado em 2 de setembro de 2020 
  4. a b c d e f g h i j k l m n o p q r s t u v w x y z aa ab ac ad ae af ag ah ai aj ak al am an ao ap aq ar as at au av aw ax ay az ba bb bc «Fernando Eiras». fernandaribas.com.br. Consultado em 2 de setembro de 2020 
  5. Biografia Fernando Eiras Museu da Televisão Brasileira
  6. «A criação do Real chega ao cinema». Economia do O Estado de S.Paulo. 20 de maio de 20174. Consultado em 10 de fevereiro de 2018  Verifique data em: |data= (ajuda)
  7. a b Carla Bittencourt (4 de março de 2019). «Fernando Eiras será padre em 'A dona do pedaço'». Extra. Consultado em 4 de março de 2019 
  8. «Padre Elias (Fernando Eiras) – Personagens de "A Dona do Pedaço"». Amo Novelas. 20 de maio de 2019. Consultado em 2 de setembro de 2020 
  9. «Padre - Fernando Eiras». gshow. A Dona do Pedaço. Consultado em 2 de setembro de 2020 
  10. «'A Dona do Pedaço': conheça o elenco completo da próxima novela das 9». gshow. A Dona do Pedaço. Consultado em 2 de setembro de 2020 
  11. AUGUSTO,Fábio (3 de janeiro de 2019). «Terrores Urbanos: Estreia da série de terror da Record TV repercute na web». Observatório da Televisão. Consultado em 5 de maio de 2019 
  12. Gustavo Cunha (4 de junho de 2015). «Fábio Herford e Fernando Eiras definem relação de Eriberto e Renan, em 'Sete vidas', como paixão entre amigos». Extra. Consultado em 13 de junho de 2015 
  13. «Evandro Mendes (Fernando Eiras)». Sessão de Terapia - GNT. 17 de dezembro de 2014. Consultado em 19 de dezembro de 2014 
  14. «Cano Serrado». Globo Filmes. Consultado em 21 de maio de 2018 

Ligações externasEditar

Precedido por
Nuno Leal Maia
por Louco por Cinema
Troféu Candango de Melhor Ator
por O Mandarim

1995
Sucedido por
Tonico Pereira
por O Cego que Gritava Luz
Precedido por
Leonardo Medeiros
por Cabra-Cega
Troféu Candango de Melhor Ator
por Incuráveis

2005
Sucedido por
Maxwell Nascimento
por Querô