Final da Copa do Mundo FIFA de 1994

A final da Copa do Mundo FIFA de 1994 foi disputada em 17 de Julho no Rose Bowl, na cidade de Pasadena nos Estados Unidos, entre a Seleção Italiana e a Seleção Brasileira. Jogada às 12:30, horário local, esta foi a final da Copa do Mundo mais recente a ser disputada em plena luz do dia.

Final da Copa do Mundo FIFA de 1994
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Evento Copa do Mundo FIFA de 1994
Com 0 a 0 no tempo normal e 0 a 0 na prorrogação,
Brasil venceu por 3 a 2 na disputa de pênaltis
Data Domingo, 17 de Julho de 1994
Local Rose Bowl, Pasadena, Califórnia,
Estados Unidos
Árbitro Hungria Sándor Puhl
Público 94 194

Ambas as equipes estavam em busca do Tetracampeonato Mundial, o que lhes daria a hegemonia do futebol. Foi a quinta vez que a Itália disputou uma Final de Copa do Mundo, e a quarta vez do Brasil, já que em 1950 não houve uma final propriamente dita, e sim uma rodada final de um quadrangular. Foi também a segunda vez que Brasil e Itália se confrontaram numa final (a outra foi em 1970), fazendo desta final a segunda disputada por equipes que já haviam se confrontado em outras finais de Copa do Mundo, já que Argentina e Alemanha haviam se enfrentado nas finais de 1986 e 1990.[1][2]

Após 90 minutos de jogo no tempo normal e 30 minutos na prorrogação o jogo terminou empatado por 0 a 0, fazendo desta a primeira final de Copa do Mundo decidida nos pênaltis. Além disso, esta segue sendo a única final em que não houve gols no tempo normal.

Após a cobrança de 9 penalidades, o Brasil venceu a Itália por 3–2 nos pênaltis, e se tornou a primeira seleção tetracampeã do mundo.

Com o vice-campeonato da Itália, o zagueiro Franco Baresi tornou-se o sexto jogador na história a conquistar as medalhas de bronze, prata e de ouro em Copas do Mundo de futebol.[3]

Caminho até a FinalEditar

  Brasil Fase   Itália
Oponente Resultado Fase de grupos Oponente Resultado
  Rússia 2–0 Rodada 1   Irlanda 0–1
  Camarões 3–0 Rodada 2   Noruega 1–0
  Suécia 1–1 Rodada 3   México 1–1
Grupo B J V E D GP GC SG Pts
  Brasil 3 2 1 0 6 1 5 7
  Suécia 3 1 2 0 6 4 2 5
  Rússia 3 1 0 2 7 6 1 3
  Camarões 3 0 1 2 3 11 −8 1
Resultado final
Grupo E J V E D GP GC SG Pts
  México 3 1 1 1 3 3 0 4
  Irlanda 3 1 1 1 2 2 0 4
  Itália 3 1 1 1 2 2 0 4
  Noruega 3 1 1 1 1 1 0 4
Oponente Resultado Fase final Oponente Resultado
  Estados Unidos 1–0 Oitavas de final   Nigéria 2–1
  Países Baixos 3–2 Quartas de final   Espanha 2–1
  Suécia 1–0 Semifinais   Bulgária 2–1

Detalhes da partidaEditar

AntecedentesEditar

Foi a segunda vez que a Seleção Italiana e a Seleção Brasileira se enfrentavam em uma final de Copa do Mundo - a outra foi em 1970, fazendo desta final a segunda disputada por equipes que já haviam se confrontado em outras finais de Copa do Mundo, já que Argentina e Alemanha haviam se enfrentado nas finais de 1986 e 1990 - mas Brasil e Itália já foram finalistas do torneio em outras ocasiões.

O Brasil chegava a uma final de Copa do Mundo depois de 24 anos (seu maior período longe da final deste certame na história) e a Itália depois de 12.

Equipe Aparições em finais anteriores (negrito indica vencedores)
  Brasil 3* (1958, 1962, 1970)
  Itália 4 (1934, 1938, 1970, 1982)

Pré-JogoEditar

Esta seria a terceira final seguida de Copa do Mundo em que algum jogador não teria condições de jogo.[4] Arrigo Sacchi não pôde contar com Alessandro Costacurta, que estava suspenso. Foi um grande desfalque, já que ele estava fazendo uma ótima Copa do Mundo.[5] Já do lado brasileiro, o desfalque era apenas o de Leonardo, suspenso por 4 jogos por ter dado uma cotovelado no estadunidense Tab Ramos nas Oitavas de final.[6]

A Itália chegava para a partida com a dúvida se Roberto Baggio teria condições de jogo.[7]Substituído no segundo tempo do jogo anterior, Roberto Baggio teve sua distensão no músculo da coxa confirmada pelos exames posteriores à semifinal. Ele também teve outro problema antes do jogo contra o Brasil. Em uma disputa de bola na semifinal, ele também quebrou um dente. Ele acabou indo para o jogo, mas claramente dava para perceber que ele estava com um desconforto.

Dino Baggio e Albertini também se queixavam de dores musculares, enquanto Franco Baresi havia se recuperado em tempo recorde após a lesão do menisco que aconteceu no jogo contra a Noruega, ainda na 1a fase.[8]

Pelo lado brasileiro, cinco jogadores recebiam cuidados especiais da equipe médica da CBF. Mas o único que estava em xeque antes da final era o zagueiro Márcio Santos, que sentia dores na virilha desde a vitória sobre os Estados Unidos.

ResumoEditar

 
O jogador Romário com o taça da Copa do Mundo após a vitória.

No que foi, e ainda é, até a Copa de 2018, a única final da Copa do Mundo a não ter um gol marcado, o jogo seria definido por oportunidades perdidas. As chances foram poucas no primeiro tempo. A primeira delas com Romário, com um cabeceamento, após cruzamento de Jorginho, mas ele foi direto para Gianluca Pagliuca. No final do primeiro tempo, Daniele Massaro teve a melhor chance da Itália na partida: num rápido contra-ataque, a bola sobrou pra ele na entrada da área na esquerda do ataque, mas seu chute foi defendido por Cláudio Taffarel.

O segundo tempo foi praticamente desprovido de chances de gols, já que o Brasil foi incapaz de romper o zagueiro de Franco Baresi e Paolo Maldini. A falta de jogo ofensivo no jogo se deveu a uma forte participação de Dino Baggio na Itália e Dunga e Mauro Silva no Brasil.

Na prorrogação, as chances se tornavam mais abundantes, à medida que o Brasil começava a dominar o jogo. Romário teve outra chance no início da prorrogação.No que foi, e ainda é a partir de 2018, a única final da Copa do Mundo a não ter um gol marcado, o jogo seria definido por oportunidades perdidas. As chances foram poucas e distantes no primeiro tempo, pois Romário teve a melhor chance do Brasil com um cabeceamento, mas ele foi direto para Gianluca Pagliuca. No final do primeiro tempo, Daniele Massaro teve a melhor chance da Itália para a partida, pois teve uma boa oportunidade nos cantos da área após um contra-ataque, mas seu chute foi defendido por Cláudio Taffarel . O segundo tempo foi praticamente desprovido de chances de gols, já que o Brasil foi incapaz de romper o zagueiro de Franco Baresi e Paolo Maldini. A falta de jogo ofensivo no jogo se deveu a uma forte participação de Dino Baggio na Itália e Dunga e Mauro Silva no Brasil. Mesmo assim, após um chute de Mauro Silva, Gianluca Pagliuca ia tomando um frango, após não defender o chute e ser salvo pela trave.

À medida que o prolongamento começava, as chances se tornavam mais abundantes, à medida que o Brasil começava a dominar o jogo. Romário teve outra chance no início da prorrogação. Depois, Pagliuca não cortou um cruzamento rasteiro de Cafú, mas Bebeto conseguiu perder um gol sem goleiro. Roberto Baggio, que ficou quieto durante a maior parte do jogo sofrendo uma lesão no início do torneio, teve seu único chute perigoso a gol em todo o jogo apenas na primeira metade do tempo extra, acertando um chute a cerca de 25 metros, mas Taffarel espalmou a bola para escanteio. Zinho teve uma chance no intervalo, no prolongamento, acertando seu chute de dentro da área, mas Pagliuca defendeu bem no seu próximo poste. No segundo tempo da prorrogação, Romário perdeu a chance de ouro para entregar o troféu ao Brasil, pois Cafu o encontrou dentro da caixa de seis jardas. Com Pagliuca a pelo menos quatro jardas de distância dele, do outro lado do gol, e com todo o gol aberto, Romário incrivelmente chutou pra fora.

Com isso, foi a primeira vez que a Copa do Mundo seria decidida nos pênaltis.

O capitão italiano Baresi foi o primeiro a cobrar: ele chutou por cima do gol. O zagueiro brasileiro Márcio Santos foi o próximo. Ele foi o escolhixo para ser o primeiro cobrador do Brasil pois nos treinamentos ele era o que tinha o melhor aproveitamento entre os jogadores do Brasil. Porém, diferentemente do que aconetcia nos treinamentos, ele errou sua cobrança, após Pagliuca defender. O 0x0 no placar teimava em não sair.

Demetrio Albertini foi o próximo na Itália, marcando seu pênalti no canto superior. Romário foi o próximo no Brasil, e ele marcou seu pênalti, colocando-o tão longe no canto que acertou a trave, empatando em 1 a 1.

Alberigo Evani ficou em terceiro na Itália, ele marcou, colocando seu pênalti alto e no meio, quando Taffarel saltou para a direita. Branco foi o próximo no Brasil e marcou no canto inferior esquerdo.

Massaro, que marcara duas vezes na final da Liga dos Campeões há menos de dois meses, foi o próximo na Itália, mas não conseguiu colocar a bola na rede de Taffarel da mesma maneira que não conseguiu na partida, como o goleiro brasileiro salvou. à sua esquerda. O capitão brasileiro Dunga foi o próximo, e ele confortavelmente colocou seu chute no canto inferior esquerdo, fazendo o match point.

Com a Itália precisando marcar para manter seus sonhos vivos, o talismã Baggio se adiantou para receber o pênalti. No que se tornaria um momento infame na história da Copa do Mundo, Baggio cobrou sua grande penalidade por cima da barra, de maneira semelhante a Baresi, e isso deu ao Brasil o seu quarto título.

Ficha TécnicaEditar

17 de julho Brasil   0 – 0 (pro)   Itália Rose Bowl, Pasadena
12:30 (UTC−7)

16:30 (UTC-3)

Relatório Público: 94 194
Árbitro:  HUN Sándor Puhl
Assistente 1: PAR Venancio Zarate
Assistente 2:  IRN Mohammed Fanaei
Quarto Árbitro: ARG Francisco Lamolina
    Penalidades  
Márcio Santos  
Romário  
Branco  
Dunga  
3 – 2   Baresi
  Albertini
  Evani
  Massaro
  R. Baggio
 
     
 
 
Brasil
     
 
 
Itália
G 1 Taffarel
LD 2 Jorginho   21'
Z 13 Aldair
Z 15 Márcio Santos
LE 6 Branco
V 5 Mauro Silva
V 8 Dunga  
M 17 Mazinho   4'
M 9 Zinho   106'
A 11 Romário
A 7 Bebeto
Substituições:
G 12 Zetti
G 22 Gilmar
Z 3 Ricardo Rocha
Z 4 Ronaldão
LD 14 Cafu   21'   87'
M 10 Raí
M 18 Paulo Sérgio
M 19 Müller
A 20 Ronaldo
A 21 Viola   106'
Treinador:
Carlos Alberto Parreira
 
G 1 Gianluca Pagliuca
LD 8 Roberto Mussi   35'
Z 6 Franco Baresi  
Z 5 Paolo Maldini
LE 3 Antonio Benarrivo
MD 14 Nicola Berti
M 13 Dino Baggio   95'
M 11 Demetrio Albertini   42'
ME 16 Roberto Donadoni
A 10 Roberto Baggio
A 19 Daniele Massaro
Substituições:
G 12 Luca Marchegiani
G 22 Luca Bucci
LD 2 Luigi Apolloni   35'   41'
Z 7 Lorenzo Minotti
LD 9 Mauro Tassotti
V 15 Antonio Conte
M 17 Alberigo Evani   95'
M 18 Pierluigi Casiraghi
A 20 Giuseppe Signori
A 21 Gianfranco Zola
Treinador:
Arrigo Sacchi

Pós-JogoEditar

  • Após Baggio perder a cobrança, a imagem mostra a equipe técnica da Seleção entrando em campo, e uma pessoa dando cambalhota: trata-se de Nocaute Jack, que na época era o massagista da Seleção.
  • Ainda no campo de jogo, aproveitando os festejos pela conquista histórica, a equipe decidiu homenagear o piloto brasileiro de Fórmula 1, Ayrton Senna, que morreu cerca de dois meses antes em um terrível acidente ocorrido no GP de Ímola, em San Marino. A homenagem veio estampada no cartaz que dizia: "Senna, Aceleramos Juntos. O Tetra é Nosso". Esta faixa está em posse de Américo Faria, ex-superintendente da CBF. "Essa faixa quem fez fui eu e ela está guardada comigo até hoje", revelou.[9]
  • O vice-presidente dos EUA, Al Gore, o presidente da UEFA, Lennart Johansson, e o presidente da FIFA, João Havelange, estavam entre os presentes na arquibancada durante a cerimônia de premiação. Foi o vice-presidente Gore entregou o troféu ao capitão brasileiro Dunga.
  • Esta segue sendo a única final em que não houve gols no tempo normal.
  • Com o vice-campeonato da Itália, o zagueiro Franco Baresi tornou-se o sexto jogador na história a conquistar as medalhas de bronze, prata e de ouro em Copas do Mundo de futebol.[3]

Ver tambémEditar

Referências

  1. «The Story of the 1994 World Cup». BBC Sport. Consultado em 11 de outubro de 2012 
  2. Molinaro, John F. (21 de novembro de 2009). «1994 World Cup: Coming to America». CBC Sports (CBC/Radio-Canada). Consultado em 26 de fevereiro de 2015 
  3. a b Milan and Italy's imperial sweeper. Franco BARESI
  4. uol.com.br/ Depois de 20 anos, final de 2006 não tem nenhum titular suspenso
  5. Fulvio Bianchi (15 de julho de 1994). «L'amaro bis di Costacurta». la Repubblica. Consultado em 8 de dezembro de 2015 
  6. folha.uol.com.br/ Punições rigorosas inibem jogo violento
  7. trivela.com.br/ [Os 25 anos da Copa de 94] As interrogações sobre a presença de Baggio na final
  8. Fabrizio Bocca (16 de julho de 1994). «Alzati e corri fratello Baggio». la Repubblica. Consultado em 8 de dezembro de 2015 
  9. uol.com.br/ Por onde anda a faixa em homenagem a Senna que a seleção exibiu no tetra?