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Florence Nightingale
Florence Nightingale por volta de 1850
Nome completo Florence Nightingale
Conhecido(a) por Pioneira da enfermagem
Nascimento 12 de maio de 1820
Florença
Grão-ducado da Toscana (atual Itália)
Morte 13 de agosto de 1910 (90 anos)
Londres
Nacionalidade britânica
Ocupação Enfermeira
Prêmios Ordem de Mérito (Reino Unido)

Florence Nightingale (Florença, 12 de maio de 1820Londres, 13 de agosto de 1910) foi uma enfermeira, estatística, reformadora social e escritora britânica que ficou famosa por ser pioneira no tratamento a feridos de guerra, durante a Guerra da Crimeia. Ficou conhecida na história pelo apelido de "A dama da lâmpada", por se servir deste instrumento de iluminação ao auxiliar os feridos durante a noite.[1]

Ela é considerada a fundação da enfermagem moderna, sendo pioneira na utilização do modelo biomédico, baseando-se na medicina praticada pelos médicos. Florence, uma anglicana, acreditava que Deus a havia chamado para ser enfermeira.[1]

Também contribuiu no campo da estatística, sendo pioneira na utilização de métodos de representação visual de informações, como por exemplo gráfico setorial (habitualmente conhecido como gráfico do tipo "pizza") criado inicialmente por William Playfair.[1]

Nightingale lançou as bases da enfermagem profissional com a criação, em 1860, de sua escola de enfermagem no Hospital St. Thomas, em Londres, a primeira escola secular de enfermagem do mundo, agora parte do King's College de Londres. O Juramento Nightingale feito pelos novos enfermeiros foi nomeado em sua honra, e o Dia Internacional da Enfermagem é comemorado no mundo inteiro no seu aniversário.[1]

Nightingale foi uma escritora prodigioso e versátil. Em sua vida, grande parte de seu trabalho publicado preocupava-se em disseminar o conhecimento médico. Alguns de seus folhetos foram escritos em inglês simples para que pudessem ser facilmente compreendidos por pessoas com pouca habilidade literária. Ela também foi pioneira no uso de infográficos, usando efetivamente apresentações gráficas de dados estatísticos.[2] Muito de seus escritos, incluindo seu extenso trabalho sobre religião e misticismo, só foi publicado postumamente.

Índice

HistóriaEditar

Ela mesmo sendo rica e bem-relacionada, vivia em Florença, no Grão-ducado da Toscana. Por isso, Florence recebeu o nome em inglês da cidade em que nasceu, como sua irmã mais velha Parthenope nascida em Nápoles (Parthenope). Moça brilhante e impetuosa, rebelou-se contra o papel convencional para as mulheres de seu estatuto, que seria tornar-se esposa submissa, e decidiu dedicar-se à caridade, encontrando seu caminho na enfermagem.

Tradicionalmente, o papel de "enfermeira" era exercido por mulheres ajudantes em hospitais ou acompanhando exércitos, muitas cozinheiras e prostitutas acabavam tornando-se "enfermeiras", sendo que estas últimas eram obrigadas como castigo.

Florence Nightingale ficou particularmente preocupada com as condições de tratamento médico dos mais pobres e indigentes. Ela anunciou sua decisão para a família em 1845, provocando raiva e rompimento, principalmente com sua mãe.

Em dezembro de 1846, em resposta à morte de um mendigo numa enfermaria em Londres, que acabou evoluindo para escândalo público, ela se tornou a principal defensora de melhorias no tratamento médico. Imediatamente, ela obteve o apoio de Charles Villiers, presidente do Poor Law Board (Comitê de Lei para os Pobres). Isto a levou a ter papel ativo na reforma das Leis dos Pobres, estendendo o papel do Estado para muito além do fornecimento de tratamento médico.

Em 1846, Florence visitou Kaiserwerth, um hospital pioneiro fundado e dirigido por uma ordem de freiras na Alemanha, ficando impressionada pela qualidade do tratamento médico e pelo comprometimento e prática das religiosas.

A contribuição mais famosa de Florence foi durante a Guerra da Crimeia, que se tornou seu principal foco quando relatos de guerra começaram a chegar à Inglaterra contando sobre as condições horríveis para os feridos. Em outubro de 1854, Florence e uma equipe de 38 enfermeiras voluntárias treinadas por ela, inclusive sua tia Mai Smith, partem para os Campos de Scutari localizados no Império Otomano.

Florence Nightingale voltou para a Inglaterra como heroína em agosto de 1857 e, de acordo com a BBC, era provavelmente a pessoa mais famosa da era vitoriana além da própria rainha Vitória.[3]

Depois de contrair febre tifoide, ficou com sérias restrições físicas, o que a obrigou a retornar em 1856 da Crimeia.

Impossibilitada de fazer seus trabalhos físicos, dedica-se a formação da escola de enfermagem em 1859 na Inglaterra, onde já era reconhecida no seu valor profissional e técnico, recebendo prêmio concedido através do governo inglês. Fundou a Escola de Enfermagem no Hospital Saint Thomas, com curso de um ano, era ministrado por médicos com aulas teóricas e práticas.

Em 1883, a rainha Vitória concedeu-lhe a Cruz Vermelha Real e em 1907 ela se tornou a primeira mulher a receber a Ordem do Mérito.

Florence Nightingale faleceu em 13 de agosto de 1910, deixando legado de persistência, capacidade, compaixão e dedicação ao próximo, estabeleceu as diretrizes e caminho para a enfermagem moderna. Encontra-se sepultada em St Margaret of Antioch Churchyard, East Wellow, Hampshire na Inglaterra.[4] É comemorada como "testemunha profética" pela Comunhão Anglicana, sendo sua festa litúrgica celebrada em 13 de agosto.[5]

Marco históricoEditar

Seu marco histórico mais relevante deu início na publicação do livro Notes on nursing (1869), onde teve o espírito irrequieto de criar e adicionar gráficos multicoloridos para exemplificar em síntese de poucas páginas gráficas o argumento de seu livro clamando à necessidade de se adotar medidas sanitárias nos hospitais de guerra demonstrando pelos gráficos os efeitos estatistificados de salvar muito mais vidas dos feridos. O impacto de usar gráficos ilustrando o livro acabou invertendo a ordem de importância deles com o texto do livro pelo seu peso de alta comunicabilidade e por isso convencimento imediato da validade dos seus argumentos perante às autoridades reais com toda sua larga e variada ocupação. A partir desse marco histórico se iniciou a instalação de medidas sanitaristas como a Royal Sanitary Commission ("Comissão Sanitária Real"), difusão das práticas sanitárias nas escolas de saúde. O impacto cultural na administração das forças armadas britânicas foi tão forte que até chegar a Segunda Guerra Mundial as forças britânicas tinham manuais sanitários, cuidados nutricionais, além dos cuidados com seus soldados feridos que nenhuma outra força tinha em tamanho grau de evolução e aplicação, o que ao curso da longa guerra se mostrou como uma grande vantagem competitiva. Curiosamente as escolas de enfermagem e museus que a homenageiam (Ex. Museu de Ciência e Tecnologia da PUC-RS) ignoram um pouco do papel de articulação política e o impacto de seu livro e gráficos estatísticos na consolidação e difusão de seu legado na enfermagem.

Literatura e o movimento das mulheresEditar

O historiador da ciência I. Bernard Cohen argumenta:

“As conquistas de Nightingale são ainda mais impressionantes quando consideradas contra o pano de fundo das restrições sociais às mulheres na Inglaterra vitoriana. Seu pai, William Edward Nightingale, era um proprietário de terras extremamente rico, e a família se movia nos mais altos círculos da sociedade inglesa. Naqueles dias, as mulheres da turma de Nightingale não frequentavam universidades e não seguiam carreiras profissionais; seus propósitos na vida eram de casar e ter filhos. Nightingale teve sorte. Seu pai acreditava que as mulheres deviam ser educadas, e ele pessoalmente ensinou a ela italiano, latim, grego, filosofia, história e - o mais incomum de tudo para as mulheres da época - a escrita e a matemática."[6]

Lytton Strachey ficou famoso por seu livro desmascarando os heróis do século XIX, Eminent Victorians (1918). Nightingale recebe um capítulo inteiro, mas em vez de desbancá-la, Strachey elogiou-a de uma forma que elevou sua reputação nacional e fez dela um ícone para as feministas inglesas das décadas de 1920 e 1930.[7]

Embora mais conhecida por suas contribuições nos campos da enfermagem e matemática, Nightingale também é um elo importante no estudo do feminismo inglês. Ela escreveu cerca de 200 livros, panfletos e artigos ao longo de sua vida.[8] Durante 1850 e 1852, ela estava lutando com sua autodefinição e as expectativas de um casamento de classe alta de sua família. Enquanto ela resolvia seus pensamentos, ela escreveu Suggestions for Thought to Searchers after Religious Truth. Esta foi uma obra de 829 páginas, três volumes, que Nightingale imprimira em particular em 1860, mas que até recentemente nunca foi publicada na íntegra.[9] Um esforço para corrigir isso foi feito com uma publicação de 2008 pela Wilfrid Laurier University, como volume 11[10] de um projeto de 16 volumes, Collected Works of Florence Nightingale.[11] O mais conhecido desses ensaios, chamado "Cassandra", foi publicado anteriormente por Ray Strachey em 1928. Strachey incluiu-o em The Cause, uma história do movimento das mulheres. Aparentemente, a escrita serviu seu propósito original de resolver pensamentos; Nightingale saiu logo depois para treinar no Instituto para diaconisas em Kaiserswerth.

"Cassandra" protesta a feminização excessiva das mulheres em quase desamparo, como Nightingale viu no estilo de vida letárgico de sua mãe e irmã mais velha, apesar de suas educações. Ela rejeitou sua vida de conforto impensado para o mundo do serviço social. O trabalho também reflete seu medo de que suas ideias sejam ineficazes, assim como as de Cassandra. Cassandra era uma princesa de Troia que serviu como sacerdotisa no templo de Apolo durante a Guerra de Troia. O deus deu a ela o dom da profecia; quando ela recusou seus avanços, ele a amaldiçoou para que seus avisos proféticos fossem ignorados. Elaine Showalter chamou o escrito de Nightingale de "um importante texto do feminismo inglês, uma ligação entre Wollstonecraft e Woolf."[12]

Em 1972, o poeta Eleanor Ross Taylor escreveu "Welcome Eumenides", um poema escrito na voz de Nightingale e citando com frequência os escritos de Nightingale.[13] Adrienne Rich escreveu que "...Eleanor Taylor reuniu o desperdício de mulheres na sociedade e o desperdício de homens nas guerras e os entrançou inseparavelmente".[14]

TeologiaEditar

Apesar de ser definida como unitária em várias fontes antigas, as raras referências de Nightingale ao unitarismo convencional são ligeiramente negativas. Ela permaneceu na Igreja da Inglaterra durante toda a sua vida, embora com visões pouco ortodoxas. Influenciada desde cedo pela tradição wesleyana, Nightingale sentiu que a religião genuína deveria manifestar-se no cuidado ativo e amor pelos outros.[15][16] Ela escreveu um trabalho de teologia: Suggestions for Thought, sua própria teodiceia, que desenvolve suas ideias heterodoxas. Nightingale questionou a bondade de um Deus que condenaria as almas ao inferno, e acreditava na reconciliação universal - o conceito de que mesmo aqueles que morrem sem serem salvos acabarão por chegar ao Céu.[17] Às vezes, ela confortava os que estavam sob seus cuidados com essa visão. Por exemplo, uma jovem prostituta morrendo sendo atendida por Nightingale estava preocupada que ela estava indo para o inferno, e disse a ela: "Deus queira que você nunca esteja no desespero em que estou neste momento". A enfermeira respondeu: "Ó, minha menina, você não é mais misericordiosa agora do que o Deus a quem você pensa que vai? No entanto, o verdadeiro Deus é muito mais misericordioso do que qualquer criatura humana jamais foi ou pode imaginar.[18][19][20][21]

Apesar de sua intensa devoção pessoal a Cristo, Nightingale acreditava por grande parte de sua vida que as religiões pagãs e orientais também continham uma revelação genuína. Ela era uma forte opositora da discriminação, tanto contra cristãos de diferentes denominações, quanto contra aqueles de religiões não-cristãs. Em uma carta de 1853, ela escreveu:

"Você deve ir ao maometanismo, ao budismo, ao Oriente, aos sufis e faquires, ao panteísmo, para o desenvolvimento correto do misticismo (em termos modernos, espiritualidade)."[22]

Nightingale acreditava que a religião ajudava a dar às pessoas a coragem de um bom trabalho árduo e assegurava que as enfermeiras em seus cuidados frequentassem os serviços religiosos. No entanto, ela frequentemente criticava a religião organizada. Ela não gostava do papel que a Igreja da Inglaterra do século XIX às vezes desempenhava em piorar a opressão dos pobres. Nightingale argumentou que os hospitais seculares geralmente prestavam um atendimento melhor do que saqueles religiosos. Embora ela afirmava que o profissional de saúde ideal deveria ser inspirado por um motivo religioso e profissional, ela disse que na prática muitos agentes de saúde com motivação religiosa estavam preocupados principalmente em garantir sua própria salvação, e que essa motivação era inferior ao desejo profissional de entregar o melhor cuidado possível.[18][19]

Referências na cultura popularEditar

O jogo Worms 2: Armageddon presta homenagem a Florence Nightingale com um troféu em seu nome, dado ao jogador que coletar mais kits de primeiro socorros.[23]

  • Possui também uma presença relevante no jogo Assassin's Creed Syndicate, onde aparece para ajudar os protagonistas do game.
  • Em Age of Empires III, uma carta chamada "Florence Nightingale" pode ser adquirida se jogando com os britânicos. Tal carta cura automaticamente unidades próximas às residências da colônia britânica.
  • No filme "De Volta Para O Futuro" de Robert Zemeckis, o doutor Emett Brown faz referencia a Florence, ao dizer que a mãe de Marty esta apaixonada por ele.
  • Na série The Good Place a personagem Eleanor Shelstrop pergunta ao arquiteto celestial Michael se Florence Nightingale foi para o Bom Lugar, e ele responde que "foi por pouco mas ela não conseguiu".
  • No jogo de celular Fate/Grand Order, ela é um espírito heróico invocável na classe de Berserker, e personagem principal na história da singularidade E Pluribus Unum, que ocorre durante a Guerra de Secessão.
  • Também é uma das figuras históricas que compõem o elenco do anime Nobunagun.
  • No desenho Os Simpsons, Florence é citada por Lisa quando pede que Bart pegue o kit de primeiros socorros.

Referências

  1. a b c d Bock, Lisnéia Fabiani; Costa, Eliani; Amante, Lúcia Nazareth; Padilha, Maria Itayra; Costa, Roberta (2019). «O legado de Florence Nightingale: uma viagem no tempo». Texto & Contexto - Enfermagem. 18 (4): 661–669. ISSN 0104-0707. doi:10.1590/S0104-07072009000400007 
  2. Bostridge, Mark (17 February 2011). "Florence Nightingale: the Lady with the Lamp". BBC.
  3. Página da BBC sobre história da medicina
  4. Florence Nightingale (em inglês) no Find a Grave
  5. "Normas para o Ano Cristão". Igreja Episcopal Anglicana do Brasil. 27 de novembro 2014. Disponível em: [1]. Página visitada em 20 de julho de 2015.
  6. Cohen, I. Bernard (Março 1984). "Florence Nightingale". Scientific American. 250 (3): p. 107. Bibcode:1984SciAm.250c.128C. doi:10.1038/scientificamerican0384-128. PMID 6367033.
  7. James Southern, "A Lady ‘in Proper Proportions’? Feminism, Lytton Strachey, and Florence Nightingale’s Reputation, 1918–39." Twentieth Century British History 28.1 (2016): 1–28.
  8. "Florence Nightingale: the medical superstar". Daily Express. 12 May 2016.
  9. Nightingale, Florence, 1820-1910.; Macrae, Janet, 1947-. Suggestions for thought. Philadelphia: [s.n.] ISBN 9780812209945. OCLC 861527846 
  10. McDonald, Lynn, ed. (2008). Florence Nightingale's Suggestions for Thought. Collected Works of Florence Nightingale. Volume 11. Ontario, Canada: Wilfrid Laurier University Press. ISBN 978-0-88920-465-2. Impresso em privado por Nightingale em 1860.
  11. "Collected Works of Florence Nightingale". Wilfrid Laurier University Press. Arquivado do original em 27 de setembro de 2011.
  12. Gilbert, Sandra M. and Susan Gubar. "Florence Nightingale." The Norton Anthology of Literature by Women: The Traditions in English. New York: W.W. Norton, 1996. 836–837.
  13. Taylor, Eleanor Ross (1972). Welcome, Eumenides. New York: George Braziller.
  14. Rich, Adrienne (1979). On Lies, Secrets and Silence. New York: W. W. Norton. p. 87.
  15. Her parents took their daughters to both Church of England and Methodist churches. Seus pais levavam suas filhas a ambas igrejas anglicanas e metodistas.
  16. Nightingale, Florence. (2009). Collected Works of Florence Nightingale, Volume 13 : Florence Nightingale: Extending Nursing. [S.l.]: Wilfrid Laurier University Press. ISBN 9781554581702. OCLC 956655469 
  17. Apesar de isto ter mudado no século XXI, a reconciliação universal estava longe de ser convencional na Igreja Anglicana na época.
  18. a b Nightingale, Florence, 1820-1910. (2003). Florence Nightingale on mysticism and eastern religions. Waterloo, Ont.: Wilfrid Laurier University Press. ISBN 9780889205734. OCLC 181817513 
  19. a b Nightingale, Florence, 1820-1910. (2005). Florence Nightingale on women, medicine, midwifery and prostitution. Waterloo, Ont.: Wilfrid Laurier University Press. ISBN 142372478X. OCLC 61673539 
  20. McDonald, Lynn. Florence Nightingale's theology: essays, letters and journal. Notes: Collected Works of Florence Nightingale, Volume 3. 2002. p. 18 "Certamente o pior homem dificilmente torturaria seu inimigo, se pudesse, para sempre. A menos que Deus tenha um esquema para que todo homem seja salvo para sempre, é difícil dizer em que Ele não é pior que o homem. Pois todos os homens bons salvariam os outros se eles pudessem "
  21. Miller, Russell E (1979). The larger hope: the first century of the Universalist Church in America 1770 - 1870. Boston: Unitarian Universalist Association. p. 124. ISBN 978-0-93384-000-3. OCLC 16690792.
  22. Carta de 2 de março de 1853, citada em Suggestions for Thought : Selections and Commentaries (1994), editado por Michael D. Calabria and Janet A. MacRae, p. xiii
  23. Worms Post-game awards (em inglês)

Ligações externasEditar