Fons (sing. fom)[1] são um dos principais grupos étnicos e linguísticos da África Ocidental no sul do Benim e sul do Togo, cuja origem mítica está entre os gbe. Possuem como características o uso da língua fom, e sua maior expressão histórica, política e social do povo se expressou no Benim através do Reino do Daomé e na diáspora africana através do vodun.

Fons
Récade MHNT ETH AC 450.jpg
Recade fom
População total

~ 3,5 milhões

Regiões com população significativa
 Benim
Nigéria
Haiti
 Brasil
República Dominicana
Línguas
fom, inglês
Religiões
Islamismo sunita
Grupos étnicos relacionados
ewés, ajás, guines

O complexo cultural expressado tanto pelo vodun como pelo Reino do Daomé possui uma origem mítica na cidade-reino adjá de Tadô ou Sadô, onde uma filha solteira do rei, ao dirigir-se à floresta sozinha para realizar uma tarefa encontrou-se com um leopardo encantado. Ao retornar à cidade, descobriu-se grávida e a paternidade da criança foi atribuída ao leopardo. Como entre os adjá o sangue da mãe também enobrece, esse filho do leopardo, kpòvi e seus descendentes constituíram-se em uma nova linhagem real. Entretanto, o filho do leopardo ficou sendo conhecido na posteridade pelo cognome de Agassu, o bastardo, e seus descendentes por isso sempre eram preteridos no sistema sucessório de Adjá-Tadô, ainda que herdassem a bravura e ousadia de seu ancestral animal.

Um dia porém, os kpòvi, mais uma vez excluídos, se revoltaram contra a escolha do sucessor no trono de Adjá–Tadô. Eles e seus partidários se armaram e, após uma violenta refrega, muitos cadáveres tombaram de lado a lado, inclusive o do rei escolhido. O chefe dos kpòvi, Kokpon por esta razão, ficou sendo conhecido como Adjá-hutó, o matador de adjás, e ele junto com seus partidários tiveram que partir para o exílio, uma vez que perpetrou o delito de maior lesa-majestade que é o de amaldiçoar a terra com o derramamento do precioso sangue real.

O êxodo dos kpòvi e seus seguidores, após várias peripécias, deteve-se em Aladá, onde Adjá-hutó Kokpon fundou uma nova dinastia de governantes até que o falecimento um rei também chamado Kokpon dá lugar a uma guerra de sucessão entre seus três herdeiros: Medji, Té-Agbanlin e Ahô-Dakodonu. Medji permanece em Aladá e dá continuidade à dinastia local reinante; Té-Agbanlin dirige-se para o leste, onde funda uma nova dinastia em Adjaxé (Porto Novo) enquanto que Dakodonu segue para o norte com seu irmão Ganiehessu e, após algumas peripécias, busca alojar-se com seus ferozes seguidores entre a população de língua yorubá dos iguedê (guedevi) e mata seu rei Agli, dizimando seu povo, escravizando mulheres e crianças, os quais mais tarde são vendidos aos portugueses. Funda ali uma nova dinastia.

Dakodonu tenta estabelecer-se em Kana e vai solicitando consecutivamente ao rei de Kana, cujo nome era Dan, locais para alojamento. Um dia Dan, aborrecido com mais uma solicitação dos adjá-tadonus, declara mordazmente: “Depois de alojar-se em tantos lugares do meu reino, só falta agora a minha barriga para esta gente ficar”. Os adjá-tadonus compreenderam essa declaração como um chamado para a luta e, desta forma, Dakodonu matou e estripou pessoalmente Dan, e disse que cumpriria sua palavra e construiria seu reino sobre a barriga deste, daí a expressão Dan-ho-mé, que era o reino edificado “no ventre de Dan”.

O Reino de Daomé superou as duas outras dinastias adjá-tadonus reinantes em Porto Novo e Allada, governando um poderoso Estado da capital Abomey, fundada por Agassuvi Aho, sobrinho e sucessor de Dakodonu, também chamado de Hwegbadjá, em circunstâncias muito parecidas com a fundação do próprio reino. Outra versão da história conta que Abomei teria sido fundada por Hwessu, filho de Hwegbadjá. Os dois outros reinos, apesar do crescimento do Daomé, continuaram a ser considerados Estados-irmãos e, tanto os reis de Porto Novo como os de Abomey, dirigiam-se à Allada, cidade onde as suas dinastias teriam começado a reinar, como parte do ritual da cerimônia de entronização.

Na dinastia daomeana a tradição conta que sucederam-se onze reis até que os colonizadores franceses reduzem seu status para o de “chef de canton”:

  • . Dǎko-Donu (1620-1645)
  • . Hwegbajà (1645-1680)
  • . Akabá (1680-1704)
  • . Agadjá (1708-1732)
  • . Tegbessu (1732-1775)
  • . Kpenglá (1775-1789)
  • . Agonglô (1789-1797)
  • . Guezô (1818-1858)
  • . Glelé (1858-1889)
  • . Gbehanzìn (1889-1894)
  • . Agoli-Agbô (1894-1900)

Ver tambémEditar

Referências

  1. Santos 2000, p. 505.

BibliografiaEditar

  • Santos, Maria Emília Madeira. A Africa e a instalação do sistema colonial (c.1885-c.1930): III Reunião Internacional de História de África. Lisboa: Instituto de Investigação Científica Tropical, Centro de Estudos de História e Cartografia Antiga