Forças Armadas Ruandesas

Disambig grey.svg Nota: Este artigo é sobre as forças do governo central do Ruanda até 1994. Para as atuais forças armadas do Ruanda, veja Forças Ruandesas de Defesa.

Forças Armadas Ruandesas (em francês: Forces armées rwandaises, FAR) representaram o exército ruandês sob o regime de Grégoire Kayibanda e posteriormente de Juvénal Habyarimana. Esse exército era composto quase inteiramente por hutus, de acordo com o etnismo vigente em Ruanda de 1959 a julho de 1994.

HistóriaEditar

Em 1975, dois anos após o golpe de Estado de Juvénal Habyarimana, foi assinado um acordo de assistência militar entre a França e o Ruanda.[1]

Em 1 de outubro de 1990, a Frente Patriótica Ruandesa (FPR) entrou em Ruanda, desencadeando uma guerra civil. Inicialmente obtém sucesso e chega "até Gabiro, a 90 quilômetros de Kigali".[2] O presidente Juvénal Habyarimana imediatamente pediu ao seu homólogo francês, François Mitterrand, que o ajudasse a conter esta ofensiva. O exército francês lança a Operação Noroît em 4 de outubro, oficialmente para proteger os cidadãos estrangeiros.[3]

A partir de 5 de outubro, as Forças Armadas Ruandesas se recompõem e a frente é estabilizada. Essa contraofensiva também resultou na morte do general-em-chefe da FPR, General Fred Rwigema.[2]

A França envia um contingente bem equipado para ajudar as Forças Armadas Ruandesas a deter a Frente Patriótica Ruandesa. Para reorganizar as FAR, a França decide criar um destacamento de ajuda militar cuja função é treinar suas tropas.[4] As FAR, compostas por cerca de 10.000 homens em 1990, somavam cerca de 35.000 (incluindo gendarmes) em 1994.[5]

Os soldados desse exército hutu foram os iniciadores e participaram do genocídio de 1994 contra os tutsis e os hutus moderados.[6] Desde o início dos assassinatos, a Frente Patriótica Ruandesa lançou uma ofensiva que lhe permitiu ganhar terreno rapidamente. Apesar de sua superioridade numérica (a FPR tinha 25.000 homens)[5], as FAR foram derrotadas. Em seguida, arrastam em seu encalço a milícia Interahamwe e centenas de milhares de civis hutus que fogem do avanço da FPR.

Muitos dos elementos das Forças Armadas Ruandesas fogem para o Zaire (atual República Democrática do Congo), nomeadamente para formar as Forças Democráticas pela Libertação de Ruanda (FDLR).[7]

Desde 1994 e com a tomada do poder pela Frente Patriótica Ruandesa, o exército ruandês passou a ser denominado Exército Patriótico Ruandês (em francês: Armée patriotique rwandaise, APR). Seu nome atual é Forças Ruandesas de Defesa.

Referências

  1. Assemblée Nationale Française, Mission d’information sur le Rwanda (page 27), sur <www.assemblee-nationale.fr>.
  2. a b RAPPORT D'INFORMATION, assemblee-nationale.fr, page 121
  3. Assemblée nationale française, Mission d’information sur le Rwanda(page 121).
  4. Assemblée nationale française, Mission d’information sur le Rwanda (page 144)
  5. a b Mission d’information sur le Rwanda, Source : « Les crises politiques au Burundi et au Rwanda ( 1993-1994) », sous la direction de André Guichaoua, Université des Sciences et Technologies de Lille.(Diffusion KARTHALA)
  6. ONU, Rapport final de la Commission d'experts présenté conformément à la résolution 935 (1994) du Conseil de sécurité (Pages 14-20 « Caractère concerté, planifié, systématique et méthodique des actes criminels ») .
  7. «RUANDA LAMENTA QUE REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DO CONGO NÃO PERSIGA REBELDES HUTUS». G1. 15 de agosto de 2007