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Forte das Cinco Ribeiras

Forte das Cinco Ribeiras, Angra do Heroísmo: aspecto da fundação.
Forte das Cinco Ribeiras: aspecto da muralha leste.
Planta do Forte das Cinco Ribeiras (Damião Pego, Julho de 1881.

O Forte das Cinco Ribeiras, também referido como Forte de Nossa Senhora do Pilar e Forte de São Bartolomeu, localiza-se junto ao porto das Cinco Ribeiras, na freguesia das Cinco Ribeiras, concelho de Angra do Heroísmo, na costa sudoeste da ilha Terceira, nos Açores.

Em posição dominante sobre este trecho do litoral, constituiu-se em uma fortificação destinada à defesa deste ancoradouro contra os ataques de piratas e corsários, outrora frequentes nesta região do oceano Atlântico.

HistóriaEditar

Remonta a uma linha de trincheiras, aberta no contexto da crise de sucessão de 1580, entre 1579 e 1581, por determinação do então corregedor dos Açores, Ciprião de Figueiredo e Vasconcelos conforme o plano de defesa da ilha elaborado por Tommaso Benedetto.[1]

O forte terá sido erguido em 1653, por iniciativa da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, como precaução contra um ataque de piratas que, na altura, ameaçaram os mares dos Açores com uma esquadra de 40 a 50 navios.[2] Eventualmente terá pesado nessa decisão a vontade da Câmara em colaborar com o Governador das Armas na preparação da defesa da ilha para um esperado ataque espanhol ainda à época, no contexto da Guerra da Restauração.[3]

No contexto da Guerra da Sucessão Espanhola (1702-1714) encontra-se referido como "O Forte de Nossa Senhora do Pillar." na relação "Fortificações nos Açores existentes em 1710".[4]

Com a instalação da Capitania Geral dos Açores, o seu estado foi assim reportado:

"36º - Forte de Nossa Senhora do Pilar. Precisa de se lhe concertar [sic] a porta; tem seis canhoneiras e precisa abrir-se-lhe mais duas. Tem quatro peças de ferro capazes e os seus reparos bons. Precisa duas peças para as duas canhoneiras que se hão-de abrir e para se guarnecer seis artilheiros e vinte e quatro auxiliares."[5]

Encontra-se referido como "29. Forte das sinco Ribeiras citto na freg.ª de S. Barbora junto a N.ª S. do Pillar" no relatório "Revista aos fortes que defendem a costa da ilha Terceira", do Ajudante de Ordens Manoel Correa Branco (1776), que lhe aponta os reparos necessários:

"Carese este Forte a curtina reedificada da parte do Nascente, e o teto da sua caza composto, e todo o Forte hade mister pella parte esterior, raxado, goarnecido e rebocado."[6]

Dele existe alçado e planta ("Forte das Cinco Ribeiras") na "Colecção de Plantas e Alçados de 32 Fortalezas dos Açores, por Joze Rodrigo d'Almeida em 1806".[7]

A "Relação" do marechal de campo Barão de Bastos em 1862 informa que se encontrava incapaz desde longos anos.[8]

O tombo de 1881 deu-o como abandonado e em ruínas, condição em que permanece até aos nossos dias.[9]

Em 1938 foi aberto um processo de devolução do imóvel ao Ministério das Finanças, suspenso em 1941 no contexto da Segunda Guerra Mundial, quando foi guarnecido militarmente. O processo de devolução só se efetivou em 1965.

Atualmente encontra-se abandonado e em ruínas, em precário estado de conservação.

A partir de dezembro de 2011 passou a ser utilizado nas atividades de Geocaching.[10]

CaracterísticasEditar

Este forte localiza-se isolado numa zona costeira de altas arribas basálticas, cuja origem está relacionada com a erupção do vulcão da serra de Santa Bárbara. A altura a que se encontra, relativamente ao nível do mar, permitia-lhe um maior alcance dos tiros da artilharia.

Do tipo abaluartado, apresenta planta no formato poligonal orgânico, adaptada à rocha sobre a qual se ergue. Em aparelho de cantaria de pedra, ocupava uma área de 210 metros quadrados.

A muralha delimita uma plataforma de cantaria onde se encontrava uma peça montada, atirando à barbeta. Internamente erguia-se um paiol. Entre a plataforma e a muralha abria-se um fosso para a fuzilaria. Essa defesa era complementada por uma outra linha de trincheira, em alvenaria de pedra argamassada, que orlava a rocha para a esquerda do forte numa extensão de cerca de 150 metros.

Ver tambémEditar

Referências

  1. DRUMMOND, Francisco. Anais da Ilha Terceira. tomo I, p. 231.
  2. Op. cit., t. II, p. 124.
  3. Manuel Baptista de Lima. Apontamentos inéditos.
  4. "Fortificações nos Açores existentes em 1710" in Arquivo dos Açores, p. 178. Consultado em 8 dez 2011.
  5. JÚDICE, 1767.
  6. Revista aos Fortes que Defendem a costa da Ilha Terceira - 1776 Arquivado em 27 de dezembro de 2013, no Wayback Machine. in IHIT.pt. Consultado em 3 dez 2011.
  7. Prancha "Planta e alçado do Forte das Cinco Ribeiras, José Rodrigo de Almeida, 1806, Angra do Heroísmo, ilha Terceira, Açores". in Arquipélagos.pt. Consultado em 31 dez 2011.
  8. BASTOS, 1997:267.
  9. Damião Pego. "Tombos dos Fortes da Ilha Terceira".
  10. Assalto aos Fortes - Forte das Cinco Ribeiras in Geocaching.com. Consultado em 28 jan 2012.

BibliografiaEditar

  • Anónimo. "Colecção de todos os fortes da jurisdição da Villa da Praia e da jurisdição da cidade na Ilha Terceira, com a indicação da importância da despesa das obras necessárias em cada um deles (Arquivo Histórico Ultramarino)". in Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, vol. LI-LII, 1993-1994.
  • Anónimo. "Revista aos Fortes que Defendem a Costa da Ilha Terceira – 1776 (Arquivo Histórico Ultramarino)". in Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, vol. LVI, 1998.
  • BASTOS, Barão de. "Relação dos fortes, Castellos e outros pontos fortificados que se achão ao prezente inteiramente abandonados, e que nenhuma utilidade tem para a defeza do Pais, com declaração d'aquelles que se podem desde ja desprezar." in Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, vol. LV, 1997. p. 267-271.
  • CASTELO BRANCO, António do Couto de; FERRÃO, António de Novais. "Memorias militares, pertencentes ao serviço da guerra assim terrestre como maritima, em que se contém as obrigações dos officiaes de infantaria, cavallaria, artilharia e engenheiros; insignias que lhe tocam trazer; a fórma de compôr e conservar o campo; o modo de expugnar e defender as praças, etc.". Amesterdão, 1719. 358 p. (tomo I p. 300-306) in Arquivo dos Açores, vol. IV (ed. fac-similada de 1882). Ponta Delgada (Açores): Universidade dos Açores, 1981. p. 178-181.
  • DRUMMOND, Francisco Ferreira. Anais da Ilha Terceira (fac-simil. da ed. de 1859). Angra do Heroísmo (Açores): Secretaria Regional da Educação e Cultura, 1981.
  • FARIA, Manuel Augusto. "Ilha Terceira – Fortaleza do Atlântico: Forte das Cinco Ribeiras". in Diário Insular, 3-4 de maio de 1997.
  • JÚDICE, João António. "Revista dos Fortes da Terceira". in Arquivo dos Açores, vol. V (ed. fac-similada de 1883). Ponta Delgada (Açores): Universidade dos Açores, 1981. p. 359-363.
  • MARTINS, José Salgado, "Património Edificado da Ilha Terceira: o Passado e o Presente". Separata da revista Atlântida, vol. LII, 2007. p. 14.
  • MOTA, Valdemar. "Fortificação da Ilha Terceira". in Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, vol. LI-LII, 1993-1994.
  • NEVES, Carlos; CARVALHO, Filipe; MATOS, Arthur Teodoro de (coord.). "Documentação sobre as Fortificações dos Açores existentes nos Arquivos de Lisboa – Catálogo". in Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, vol. L, 1992.
  • PEGO, Damião; ALMEIDA JR., António de. "Tombos dos Fortes da Ilha Terceira (Direcção dos Serviços de Engenharia do Exército)". in Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, vol. LIV, 1996.
  • VIEIRA, Alberto. "Da poliorcética à fortificação nos Açores: introdução ao estudo do sistema defensivo nos Açores nos séculos XVI-XIX". in Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, vol. XLV, tomo II, 1987.

Ligações externasEditar