Fragaria chiloensis

espécie de moramgueiro conhecida por morango-branco-chileno.

Fragaria chiloensis é uma espécie pertencente ao género Fragaria, com distribuição natural nas zonas costeiras de uma vasta região que vai do norte do Chile ao Alaska e ainda do arquipélago do Hawaii, cujo fruto é um morango conhecido pelo nome comum de morango-branco-chileno ou morango-de-praia. Notável pelos seus grandes frutos, foi introduzida na Europa em 1714 pelo explorador e botânico Amédée-François Frézier, sendo uma das duas espécies de morangos silvestres que foram hibridizadas para criar os modernos cultivares morangueiro (F. × ananassa).[1]

Como ler uma infocaixa de taxonomiaFragaria chiloensis
Fragaria chiloensis em plena floração.
Fragaria chiloensis em plena floração.
Classificação científica
Reino: Plantae
Clado: angiospérmicas
Clado: eudicotiledóneas
Clado: rosídeas
Ordem: Gentianales
Família: Rosaceae
Género: Fragaria
Espécie: F chiloensis
Nome binomial
Fragaria chiloensis
(L.) Mill.
Fragaria chiloensis subsp. chiloensis forma chiloensis
Ilustração mostrando os frutos de Fragaria chiliensis fructu maximo (F. chiloensis) extraída da obra de Amédée-François Frézier, o introdutor da espécie na Europa, intitulada (Relation du voyage de la mer du Sud aux côtes du Chili, du Pérou et de Brésil, fait pendant les années 1712, 1713 & 1714. Ouvrage enrichi de quantité de planches en taille-douce. Paris, 1716).

DescriçãoEditar

Fragaria chiloensis é uma planta herbácea perene, estolhosa, que cresce até 15-30 centímetros de altura, com folhas trifoliadas de coloração verde brilhante, com cada folíolo com cerca de 5 centímetros de comprimento. As flores são brancas, com ântese na primavera e no início do verão.

O fruto bolboso, comestível,[2] quando maduro vermelho na superfície e branco por dentro. A espécie é conhecida pelos seus frutos grandes que ainda são vendidos como uma iguaria local em alguns mercados de produtos agrícolas sul-americanos.

Todos as espécies de morangueiros têm uma base haplóide de 7 cromossomas. Fragaria chiloensis é octoplóide, tendo oito conjuntos desses cromossomas, o que corresponde a um total de 56. Esses oito genomas emparelham como quatro conjuntos distintos, de dois tipos diferentes, com pouco ou nenhum emparelhamento entre os conjuntos. A composição do genoma das espécies octoplóides de morangueiro foi geralmente indicada como AAA'A'BBB'B'. Os genomas do tipo A foram provavelmente originados em ancestrais diplóides relacionados com a espécie Fragaria vesca ou espécies semelhantes, enquanto os genomas do tipo B parecem descendentes de um parente próximo de Fragaria iinumae. O processo exato de hibridização e especiação que resultou nas espécies octoplóides não é conhecido, mas parece que as composições do genoma de Fragaria chiloensis e Fragaria virginiana (e por extensão dos cultivares octoplóides dos morangos produzidos comercialmente) são idênticos.

A região de distribuição natural da espécie são as costas do Oceano Pacífico da América do Norte e América do Sul, e também do Hawaii. Acredita-se que as aves migratórias tenham disperso F. chiloensis da costa do Pacífico da América do Norte até às montanhas do Hawaii, Chile e Argentina.

Amédée-François Frézier (1682–1773) foi o primeiro a trazer espécimes de Fragaria chiloensis para a Europa, onde rapidamene entrou em cultivo graças aos seus grandes frutos e onde foi hibridizada com Fragaria virginiana, originária do leste da América do Norte, para produzir a espécie Fragaria x ananassa, cujos cultivares dominam a produção comercial de morangos em todo o mundo.

A espécie Chaetosiphon fragaefolii, o afídio do morangueiro, é uma espécie de insecto que se alimenta das folhas e caules de F. chiloensis no Chile, sendo um vetor do vírus do bordo amarelo do morango (SMYEV), um importante fitopatógeno que ataca diversas espécies de rosáceas.[3]

SubespéciesEditar

São conhecidas muitas subsespécies e formas, entre as quais:

  • Fragaria chiloensis subsp. chiloensis forma chiloensis
  • Fragaria chiloensis subsp. chiloensis forma patagonica (Argentina, Chile)
  • Fragaria chiloensis subsp. lucida (E. Vilm. ex Gay) Staudt (costa da British Columbia, Washington, Oregon e norte da Califórnia)
  • Fragaria chiloensis subsp. pacifica Staudt (costa do Alaska, British Columbia, Washington, Oregon, Califórnia)
  • Fragaria chiloensis subsp. sandwicensis (Decne.) Staudt ʻŌhelo papa (Hawaii)

ReferênciasEditar

  1. Sauer, Jonathan D. (1993). Historical Geography of Crop Plants: A Select Roster. [S.l.]: CRC Press. pp. 128–129. ISBN 0-8493-8901-1 
  2. Fagan, Damian (2019). Wildflowers of Oregon: A Field Guide to Over 400 Wildflowers, Trees, and Shrubs of the Coast, Cascades, and High Desert. Guilford, CT: FalconGuides. 82 páginas. ISBN 1-4930-3633-5. OCLC 1073035766 
  3. Lavandero, B; Rojas, P; Ramirez, C. C.; Salazar, M; Caligari, P. D. (2012). «Genetic Structure of the Aphid, Chaetosiphon fragaefolii, and Its Role as a Vector of the Strawberry yellow edge virus to a Native Strawberry, Fragaria chiloensis in Chile». Journal of Insect Science. 12 (110): 1–13. PMC 3605023 . PMID 23438175. doi:10.1673/031.012.11001 

LinksEditar

 
O Commons possui uma categoria com imagens e outros ficheiros sobre Fragaria chiloensis