Francesco Maidalchini

cardeal católico

Francesco Maidalchini (nascido em 21 de abril de 1631[1][2] - falecido em 13 de junho de 1700) foi um cardeal italiano da Igreja Católica Romana.

Francesco Maidalchini
Cardeal da Igreja Católica
Cardeal protodiácono
Atividade eclesiástica
Diocese Diocese de Roma
Nomeação 12 de março de 1668
Predecessor Dom Reinaldo d'Este
Sucessor Dom Nicolò Acciaiuoli
Mandato 1668 - 1689
Ordenação e nomeação
Ordenação presbiteral 1689
Cardinalato
Criação 7 de outubro de 1647
por Papa Inocêncio X
Ordem Cardeal-diácono (1647-1689)
Cardeal-presbítero (1689-1700)
Título Santo Adriano no Fórum (1647-1653)
São Pancrácio (1653-1654)
Santa Maria no Pórtico de Otávia (1654-1662)
Santa Maria em Portico Campitelli (1662-1666)
Santa Maria em Via Lata (1666-1689)
Santa Maria em Via (1689-1691)
Santa Praxedes (1691-1700)
Dados pessoais
Nascimento Viterbo
21 de abril de 1631
Morte Nettuno
13 de junho de 1700 (69 anos)
dados em catholic-hierarchy.org
Cardeais
Categoria:Hierarquia católica
Projeto Catolicismo

BiografiaEditar

Maidalchini nasceu em 12 de abril de 1631 em Viterbo; era filho de Andrea Maidalchini e Pacifica Feliziani. Seu pai era irmão de Olimpia Maidalchini; a cunhada do Papa Inocêncio X.

Em 1647, o filho de de Maidalchini, Camillo Francesco Maria Pamphili, renunciou ao cargo de cardeal-sobrinho para se casar e Inocêncio X exigiu um novo cardeal-sobrinho. O papa destina para essa função o sobrinho de sua cunhada, Francesco Maidalchini. Ao ser elevado a cardeal, ele foi instalado como cardeal-diácono de Sant'Adriano al Foro.

Olimpia MaidalchiniEditar

Maidalchini foi um joguete de sua tia Olimpia Maidalchini. Ao invés de viver em um dos muitos palácios do Vaticano, sua tia forçou-o a viver na Villa Pamphili com ela. De lá, Donna Olimpia dirigia as audiências do sobrinho com os líderes da igreja, frequentemente estimulando-o a oferecer respostas que ela lhe fornecera com antecedência.[3] No entanto, ele rapidamente provou incompetência para tal [4] e a sua nomeação para o cargo curial de cardeal-sobrinho (oficialmente denominado como Superintendente dos Estados Pontifícios) nunca se concretizou.[5] Seu comportamento lamentável desgraçou o Papa e, em 1650, Maidalchini foi substituído pelo primo de Olimpia, e seu rival pelo poder político, Camillo Astalli.[6] Tendo responsabilizado Olimpia pela sua desgraça, Francesco tornou-se seu inimigo implacável[7].

Em 1653, Maidalchini foi designado cardeal-diácono de São Pancrácio. Em 1654, foi nomeado cardeal-diácono de Santa Maria in Portico e no ano seguinte, após a morte de seu "tio", participou do conclave de 1655 que elegeu o Papa Alexandre VII. Sua tia Olimpia morreu em 1657.

Após apenas oito anos com Maidalchini como cardeal-diácono, a Igreja de Santa Maria estava arruinada e sem renda. Sua diaconia foi suprimida pelo Papa Alexandre VII e o edifício foi derrubado. Maidalchini foi transferido (em título, pelo menos) para a nova Santa Maria in Campitelli[8], construída por Carlo Rainaldi entre 1659 e 1667.

O contemporâneo John Bargrave não deixa dúvidas de que Maidalchini não era muito respeitado tanto pelo Colégio dos Cardeais ou pelo grande público de Roma.[4] Bargrave descreve Maidalchini como "estando a um passo de um idiota" e relata que as senhoras de uma congregação não poderiam deixar de rir da aparência de um adolescente em vestes de cardeal. Maidalchini não se conteve e caiu na gargalhada como resposta. Bargrave também lembrou o seu encontro com um senhor que gentilmente apontou que o livro que o cardeal estava lendo estava, de fato, de cabeça para baixo (Bargrave sugere que Maidalchini era quase analfabeto).

Carreira eclesiástica posteriorEditar

Em 1666, Maidalchini foi transferido para a diaconia de Santa Maria in Via Lata, que era habitualmente designada aos cardeais-diáconos idosos, embora tenha sido apenas em 1669, quando assumiu esta posição no Sacro Colégio. Participa do conclave de 1667 que elegeu o Papa Clemente IX, do conclave de 1669-1670 que elegeu o Papa Clemente X, do conclave de 1676 que elegeu o Papa Inocêncio XI e do conclave de 1689 que elegeu o Papa Alexandre VIII.[9] Como cardeal protodiácono, anunciou as eleições dos papas Clemente X, Inocêncio XI e Alexandre VIII e celebrou os ritos de suas coroações.

Mais tarde naquele ano, foi ordenado sacerdote e foi nomeado cardeal-presbítero da Igreja de Santa Maria in Via. De acordo com a bula Postquam verus de Sisto V (3 de dezembro de 1586), assumiu o cargo de protopresbítero do Colégio dos Cardeais. Participou no conclave de 1691 que elegeu o Papa Inocêncio XII e tornou-se cardeal-presbítero da Igreja de Santa Praxedes mais tarde naquele mesmo ano. [8]

Atitude políticaEditar

Na rivalidade política entre a França e a Espanha, Maidalchini inicialmente se alinhou com a Espanha. No entanto, os líderes da facção espanhola em Roma, mostraram-lhe tão pouco respeito que acabou mudando de lado.[10] No conclave de 1655, ainda foi incluído entre os membros do partido espanhol, [11] mas posteriormente tornou-se um dos mais fiéis seguidores do Reino da França no Colégio dos Cardeais.[12]

MorteEditar

Maidalchini morreu em 13 de junho de 1700 em Nettuno. Seu funeral ocorreu em 15 de junho de 1700, na basílica de Sant'Eustachio em Roma, onde ele foi sepultado.[8]

Referências

  1. The majority of the sources consulted (George L. Williams: Papal Genealogy: The Families And Descendants Of The Popes McFarland, 2004; Eleanor Herman: Mistress of the Vatican: The True Story of Olimpia Maidalchini: The Secret Female Pope, William Morrow, 2008 ISBN 0-06-124555-0; and Ludwig von Pastor: History of the Popes. Vol. 30. London: 1940, p. 39) agree that he was in his 17th year when promoted to the cardinalate. S. Miranda: Consistory of October 7, 1647, citing Berton's Dictionnaire des cardinaux, says that he was born on 21 April 1621. However, on the other place Miranda himself remarks that Berton's work should be used with the great caution because of the numerous errors it contains[1] Arquivado em 19 de fevereiro de 2013, no Wayback Machine.. Lorenzo Cardella, Memorie storiche de' cardinali della Santa Romana Chiesa, vol. VII, Rome 1793, p. 80 explains that some sources give 1621 as the year of his birth but this goes back to the typographical error in the renewed edition of Ciacconius' Vitae et res gestae Pontificum Romanorum et S.R.E. Cardinalium (1621 instead of 1631).
  2. Contemporary, John Bargrave, states he was no older than 18 when he was made a cardinal, giving credence to the accuracy of a 1631 birth.
  3. Mistress of the Vatican: The True Story of Olimpia Maidalchini: The Secret Female Pope by Eleanor Herman (William Morrow, 2008) ISBN 0-06-124555-0
  4. a b Pope Alexander the Seventh and the College of Cardinals by John Bargrave, edited by James Craigie Robertson (reprint; 2009)
  5. Court and politics in papal Rome, ed. G. Signorotto & M. A. Visceglia, Cambridge University Press 2002, p. 147-148; Ludwig von Pastor: History of the Popes. Vol. 30. London: 1940, p. 39.
  6. Time, space, and women's lives in early modern Europe by Anne Jacobson Schutte, Thomas Kuehn, Silvana Seidel Menchi (Truman State Univ Press, 2001)
  7. Eleanor Herman: Mistress of the Vatican: The True Story of Olimpia Maidalchini: The Secret Female Pope, William Morrow, 2008 ISBN 0-06-124555-0
  8. a b c S. Miranda: Francesco Maidalchini
  9. Catholic Hierarchy: Francesco Cardinal Maidalchini
  10. Eleanor Herman: Mistress of the Vatican: The True Story of Olimpia Maidalchini: The Secret Female Pope, William Morrow, 2008 ISBN 0-06-124555-0; Ludwig von Pastor: History of the Popes. Vol. 31. London: 1940, p. 2.
  11. Ludwig von Pastor: History of the Popes. Vol. 31. London: 1940, p. 2.
  12. Ludwig von Pastor: History of the Popes. Vol. 31. London: 1940, p. 317-318 and 432; ibid, vol. 32, p. 2 and 527.

BibliografiaEditar