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Francesco Matarazzo

empreendedor italiano no Brasil
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O Muito Honorável
O Conde de Matarazzo
OCI OSMM OCS OMRU
Dom Francesco Antonio Maria, O Muito Honorável Conde de Matarazzo
Cônjuge Dona Filomena Sansivieri, A Muito Honorável Condessa de Matarazzo
Descendência Giuseppe Matarazzo (1877-1972)
Andrea Matarazzo (1881-1958)
Ermelino Matarazzo (1883-1920)
Teresa Matarazzo (1885-1960)
Mariangela Matarazzo (1887-1958)
Attilio Matarazzo (1889-1985)
Carmela Matarazzo (1891-?)
Lydia Matarazzo (1892-1946)
Olga Matarazzo (1894-1994)
Ida Matarazzo (1895-?)
Claudia Matarazzo (1899-1935)
Conde Francisco Matarazzo II, o Júnior
(1900-1977)
Luís Eduardo Matarazzo (1902-1958)
Nome completo
Francesco Antonio Maria Matarazzo
Nascimento 9 de março de 1854
  Castellabate, Reino das Duas Sicílias
Morte 10 de dezembro de 1937 (83 anos)
  São Paulo
Enterro Cemitério da Consolação, São Paulo
Pai Leo de Costabile Matarazzo
Mãe Mariangela Jovane
Religião Católica
Brasão

Francesco Antonio Maria Matarazzo (Castellabate, 9 de março de 1854São Paulo, 10 de dezembro de 1937) foi um agricultor italiano que, em 1881, emigrou para o Império do Brasil (1822-1889), tornando-se, neste país, mascate e, posteriormente, empresário.[1] Matarazzo morreu na condição de dono do maior complexo industrial da América Latina do início do século XX, e de homem mais rico do Brasil, com uma fortuna estimada em vinte bilhões de dólares americanos.[2] A riqueza produzida por suas indústrias ultrapassava o PIB de qualquer estado brasileiro, exceto São Paulo.[3]

Tornou-se conhecido no Brasil como Francisco Matarazzo, conde Francisco Matarazzo, conde Matarazzo ou ainda conde Francesco. Em italiano, sua titulação completa era Don Francesco Antonio Maria, Il Molto Onorevole Conte Matarazzo.

A importância de Francesco Matarazzo para o cenário econômico do Brasil só é comparável à que teve o visconde de Mauá no Segundo Reinado do Império brasileiro (1822-1889), tendo sido um dos marcos da modernização do país.

BiografiaEditar

Nasceu em Castellabate, uma pequena vila do sul da Itália, filho de Costabile Matarazzo e Mariangela Jovane, agricultores na região da Campânia.[4] Francesco aos 27 anos emigra para o Império do Brasil (1822-1889), em 1881, em busca de melhores condições de vida.[5] No desembarque, na Baía de Guanabara, perde a carga de banha de porco que trazia.[6] Com o pouco dinheiro que lhe sobra se estabelece na cidade de Sorocaba, província de São Paulo, no comércio de secos e molhados. Alguns anos depois estabelece uma empresa de produção e comércio de banha de porco.[6]

Em 1890, muda-se para São Paulo e funda, com os irmãos Giuseppe e Luigi, a empresa Matarazzo & Irmãos. Diversifica seus negócios e começa a importar farinha de trigo dos Estados Unidos. Giuseppe participava da empresa com uma fábrica de banha estabelecida em Porto Alegre e Luigi com um depósito-armazém estabelecido na cidade de São Paulo.[6]

No ano seguinte, a empresa foi dissolvida e constituiu-se em seu lugar a Companhia Matarazzo S.A. que já conta com 41 acionistas minoritários.[6] Essa sociedade anônima passa a controlar também as fábricas de Sorocaba e Porto Alegre.

Em 1900, a guerra entre a Espanha e os países centro-americanos dificulta a compra do produto e ele consegue crédito do London and Brazilian Bank para construir um moinho na cidade de São Paulo.[7] A partir daí, seu império empresarial se expande rapidamente, chegando a reunir 365 fábricas por todo o Brasil.[7] A renda bruta do conglomerado chegou a ser a quarta maior do país, e 6% da população paulistana depende de suas fábricas, que, em 1911, passam a se chamar Indústrias Reunidas Fábricas Matarazzo (IRFM), uma sociedade anônima.

Sua estratégia de crescimento segue o lema "uma coisa puxa a outra". Para embalar o trigo, monta uma tecelagem. Para aproveitar o algodão usado na produção do tecido, instala uma refinaria de óleo, e assim por diante.

Recebeu do rei Vítor Emanuel III da Itália o título de conde por ter enviado à Itália mantimentos durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Admirador de Benito Mussolini, o conde chegou a contribuir financeiramente com o fascismo. Muitos dos operários em suas fábricas eram imigrantes italianos. Fora da colônia, Matarazzo era visto com desconfiança pela elite tradicional e pela nascente classe média urbana.[8]

Em 1928, participa da fundação do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (CIESP).[9]

Matarazzo morre em 10 de dezembro de 1937, após uma crise de uremia, na condição de homem mais rico do país, o italiano mais rico do mundo, com uma fortuna de 20 bilhões de dólares estadunidenses, tendo a quinta maior fortuna do planeta na ocasião da morte, possivelmente sendo proprietário de 365 fábricas.[6][10]

DescendênciaEditar

Francesco Matarazzo e Filomena Sansivieri (1850-1940) tiveram 13 filhos:[11]

  • Giuseppe Matarazzo (1877-1972), casado com Dona Anna de Notaristefani dei Duchi di Vastogirardi (1888-1959).
  • Andrea Matarazzo (1881-1958), casado com Dona Amália Cintra Ferreira (1885-1958)
  • Ermelino Matarazzo (1883-1920)
  • Teresa Matarazzo (1885-1960), casada com Gaetano Comenale.
  • Mariangela Matarazzo (1887-1958), casada com Mario Comide.
  • Attilio Matarazzo (Sorocaba, 1889-1985), casado com Dona Adele dall'Aste Brandolini.
  • Carmela Matarazzo (1891-?), casada com Antonio Campostano.
  • Lydia Matarazzo (1892-1946), casada com Giulio Pignatari (?-1937).
  • Olga Matarazzo (1894-1994), casada com o príncipe Dom Giovanni Alliata Di Montereale (1877-1938).
  • Ida Matarazzo (1895-?)
  • Claudia Matarazzo (1899-1935), casada com Dom Francesco Ruspoli, 8º principe di Cerveteri (1899-1989).
  • Conde Francisco Matarazzo II, o Júnior (1900-1977), casado com Mariangela Matarazzo (1905-1996).
  • (Luigi) Luís Eduardo Matarazzo (1902-1958), casado com Bianca Troise.

Títulos nobiliárquicosEditar

Francesco Matarazzo não pertencia à nobreza italiana nem à nobreza de outros países da Europa, no entanto, no Brasil, já bilionário, alguns de seus filhos vieram a se casar com membros da alta nobreza italiana. Entre os quais, suas filhas Claudia e Olga Matarazzo, que casaram-se com Dom Francesco Ruspoli, 8º príncipe de Cerveteri, e o príncipe Dom Giovanni Alliata Di Montereale, respectivamente; e seus filhos Giuseppe e Attilio Matarazzo, casados com Dona Anna de Notaristefani dei Duchi di Vastogirardi e Dona Adele dall'Aste Brandolini, respectivamente.

Títulos e comendas

Herança empresarialEditar

Apesar de ter sido um dos homens mais ricos do mundo na sua época, após sua morte o seu império se desfez nas mãos dos herdeiros ao longo do tempo nunca mais se tornando o império que outrora foi. Esta decadência é explicada, de acordo com algumas análises, pela má administração dos negócios da família e conflitos familiares (Matarazzo teve 13 filhos), a falta de dinamismo para a crescente concorrência nacional e multinacional (modelo empresarial muito engessado), falta de foco/especialização de mercado (diversificação de negócios era uma boa estratégia de lucros no começo do século 20, mas depois a especialização em poucos setores se mostrou mais eficiente), perda de certas oportunidades que surgiram em momentos oportunos (a família foi convidada para participar de uma sociedade para instalação da primeira montadora de carros do país - Volkswagem - por Juscelino Kubistchek), análise pobre das tendências de mercado da época, entre outros motivos.

Existe uma história que pode explicar esta decadência de que, quando na Itália Francesco pediu a um comerciante fazer um terno para si, o mesmo perguntou por qual motivo está querendo apenas 1 terno sendo que o filho dele na semana anterior pediu 7 ternos, no que respondeu que "Ele teve pai rico, eu não". Apesar disto ainda existem empresas hoje que descendem do império Matarazzo e sua história é motivo de orgulho, estudos e homenagens na história empresarial do Brasil e na própria história do país em si.[12][13][14][15][16]

Representações na culturaEditar

Foi interpretado por Renan Paini em sua fase jovem e por Tadeu di Pietro em sua fase adulta na microssérie Gigantes do Brasil (2016), no canal History.[17]

Ver tambémEditar

Referências

  1. Campacci, Claudio (2008). Século Xix. [S.l.]: Clube de Autores. p. 139. 298 páginas 
  2. «O maior do Brasil, um dos maiores do mundo». Portal exame. Consultado em 13 de Novembro de 2015 
  3. MORAIS, Fernando. Chatô, o rei do Brasil, p. 347
  4. «MATARAZZO, Francesco». TRECCANI, La cultura italiana. Consultado em 13 de Novembro de 2015 
  5. «O império Matarazzo». gazeta do povo. Consultado em 13 de Novembro de 2015 
  6. a b c d e «Senhor indústria». revista de historia. Consultado em 13 de Novembro de 2015. Arquivado do original em 6 de agosto de 2016 
  7. a b «A História do Maior Empreendedor do Brasil – Francesco Matarazzo». SP in Foco. Consultado em 13 de Novembro de 2015 
  8. "Francisco Matarazzo" UOL Educação
  9. «História». CIESP. Consultado em 13 de Novembro de 2015 
  10. «Francesco Matarazzo foi de mascate a 5º mais rico do mundo». Terra. Consultado em 24 de janeiro de 2016 
  11. «Morre Francesco Matarazzo, um dos maiores industriais da história brasileira». The History Channel Latin America. Consultado em 29 de Junho de 2016 
  12. «Francesco Matarazzo foi de mascate a 5º mais rico do mundo». Terra. Consultado em 17 de abril de 2019 
  13. «O Maior Empreendedor do Brasil - Francesco Matarazzo». SP In Foco. 5 de agosto de 2014. Consultado em 17 de abril de 2019 
  14. «Indústrias Matarazzo | Histórias de empresas». Consultado em 17 de abril de 2019 
  15. «Francisco Matarazzo». educacao.uol.com.br. Consultado em 17 de abril de 2019 
  16. DARK Documentários (12 de novembro de 2017), GIGANTES DO BRASIL - Nossa História [Documentário Completo Dublado] HD, consultado em 17 de abril de 2019 
  17. Folha de S.Paulo (13 de setembro de 2015). «Série 'Gigantes do Brasil' narra vida de Martinelli e Matarazzo». Consultado em 05 de novembro de 2017  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)

BibliografiaEditar

Ligações externasEditar