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Francisco Franco

Disambig grey.svg Nota: Para o escultor português, veja Francisco Franco de Sousa.
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Francisco Franco
Caudilho de Espanha, Chefe do Estado e Generalíssimo das Forças Armadas Flag of Spain (1945 - 1977).svg
Período 1 de Outubro de 1936
até 20 de Novembro de 1975
Antecessor(a) Manuel Azaña Díaz (Presidente da República Espanhola, de 10 de Maio de 1936 a 28 de Fevereiro de 1939)
Sucessor(a) Juan Carlos I a título de Rei de Espanha
Presidente do Governo da Flag of Spain (1945 - 1977).svg Espanha
Período 30 de Janeiro de 1938
até 8 de Junho de 1973
Antecessor(a) Juan Negrín
Sucessor(a) Luis Carrero Blanco
Vida
Nascimento 4 de dezembro de 1892
Ferrol, Galiza
Espanha
Morte 20 de novembro de 1975 (82 anos)
Madrid, Espanha
Dados pessoais
Alma mater Academia de Infantaria de Toledo
Cônjuge Carmen Polo de Franco
Partido FET y de las JONS//Movimiento Nacional
Religião Católico
Profissão Militar
Assinatura Assinatura de Francisco Franco
Serviço militar
Lealdade Espanha
Serviço/ramo Exército da Espanha
Anos de serviço 1907-1975
Graduação Capitão-General dos exércitos de terra e ar
Batalhas/guerras Guerra do Rif
Guerra Civil Espanhola

Francisco Franco Bahamonde GColTEGCBTO (Ferrol, 4 de dezembro de 1892Madrid, 20 de novembro de 1975) foi um militar, chefe de Estado e ditador espanhol. Conhecido como "Generalíssimo", Francisco Franco ou simplesmente Franco, integrou o golpe de Estado na Espanha em julho de 1936 contra o governo da Segunda República, que deu início a Guerra Civil Espanhola. Foi nomeado como chefe supremo da tropa sublevada em 10 de outubro de 1936, exercendo como chefe de Estado da Espanha desde o final do conflito até seu falecimento em 1975, e como chefe de Governo entre 1938 e 1973.

Foi "Chefe Nacional" do partido único Falange Espanhola Tradicionalista e das JONS (Juntas Ofensivas Nacional Sindicalistas), nos quais se apoiou para estabelecer um regime fascista no começo de seu governo, que mais tarde derivaria em uma ditadura, conhecida como franquismo, de tipo conservador, católico e anticomunista. A mudança de seu regime se deveu à derrota do fascismo na Segunda Guerra Mundial. Aglutinou em torno ao culto a sua imagem, diferentes tendências do conservadorismo, nacionalismo e catolicismo, opostas à esquerda política e ao desenvolvimento de formas democráticas de governo.

Durante o seu mandato à frente do Exército e da Chefia do Estado, especialmente durante a Guerra Civil e os primeiros anos do regime, tiveram lugar múltiplas violações dos direitos humanos, segundo assinalam numerosas pesquisas históricas e denúncias de pessoas.[1] A cifra total de vítimas mortais varia em torno de centenas de milhares de pessoas que morreram, na maioria em campos de concentração, execuções extrajudiciais ou em prisão.[2][3]

Ao contrário de Hitler e Mussolini, o governo Franco, devido à teórica neutralidade na Segunda Guerra Mundial, resistiu ao conflito. Mas o líder fascista liderava um país industrialmente atrasado, bem mais pobre que outras nações europeias. E, apesar de não gostar particularmente de futebol, viu no esporte uma forma da Espanha passar a ser conhecida positivamente no exterior. Depois de um governo de quase quarenta anos, Franco restaurou a monarquia e deixou o Rei Juan Carlos I como seu sucessor. Juan Carlos liderou a transição para a democracia, deixando a Espanha com seu atual sistema político.

Índice

VidaEditar

Nascido Francisco Paulino Hermenegildo Teódulo Franco y Bahamonde[4] na cidade galega de Ferrol, estudou na Academia de Infantaria de Toledo. Entre 1912 e 1917, distinguiu-se nas campanhas bélicas do Marrocos espanhol. Após uma estada de três anos em Oviedo, voltou ao Marrocos, onde combateu às ordens de Rafael de Valenzuela y Urzaiz e de Millán Astray, destacando-se pelo seu valor e frieza no combate.[5] Em 1923, apadrinhado por Afonso XIII, casou-se com Carmen Polo, de uma família da burguesia das Astúrias.

Destinado novamente a Marrocos com a patente de tenente-coronel, assumiu o comando da Legião Espanhola em 1923 e participou activamente no desembarque na baía de Alhucemas e na reconquista do Protectorado (1925). É considerado, juntamente com José Sanjurjo, o mais brilhante dos militares chamados africanistas. Entre 1928 e 1931 dirigiu a Academia Militar de Saragoça.[6]

Quando da implantação da República (1931), foi afastado de cargos de responsabilidade e destacado para os governos militares da Corunha e das Baleares. Com o triunfo das forças de direita em 1933, regressou a altos cargos do Exército. Planificou a cruel repressão da Revolução das Astúrias (1934) com tropas da Legião.[5] Quando José María Gil-Robles ocupou o Ministério da Guerra, foi nomeado Chefe do Estado-Maior Central (1935). Em 1936, o Governo da Frente Popular o nomeou comandante militar das Canárias. Dali manteve contacto com Emilio Mola (chamado «O Director») e Sanjurjo, que preparavam o levantamento militar.

 
Francisco Franco junto ao presidente dos Estados Unidos, Eisenhower.

Em 17 de Julho voou das Canárias até Marrocos, revoltou a guarnição e tornou-se comandante das tropas. Cruzou o Estreito de Gibraltar com meios precários (aviões cedidos por Mussolini e Hitler e navios de pouca tonelagem)[6] e avançou até Madrid por Mérida, Badajoz e Talavera de la Reina. Apoderou-se rapidamente da direcção militar e política da guerra (Setembro de 1936), e em 1 de Outubro de 1936 converteu-se em Chefe do Estado, chefiando igualmente o Governo. Em Abril de 1937 uniu os falangistas da Falange Espanhola das Juntas de Ofensiva Nacional-Sindicalista, FE-JONS, e os monárquicos carlistas da Comunhão Tradicionalista numa única força política, a FET y de las JONS (Falange Espanhola Tradicionalista e das JONS), e colocou-se à frente da nova organização como seu Chefe Nacional Caudilho. Anos mais tarde, disse que apenas prestaria contas da sua atividade "perante Deus e perante a História".

Terminada a guerra civil espanhola empreende a reconstrução do país.[5] Recebeu o Grande-Colar da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito a 30 de Junho de 1939.[7] Não só não quer contar com os vencidos para esta tarefa, mas também a repressão e os fuzilamentos se prolongam durante, pelo menos, um lustro. Cria um estado católico, autoritário e corporativo que recebe o nome de franquismo. Apesar das suas estreitas relações com a Alemanha e a Itália (ver: analogia fascismo-caudilhismo), mantém a neutralidade espanhola durante a Segunda Guerra Mundial. Terminada esta, os vencedores isolam o regime franquista. Contudo, este foi se consolidando na base da promulgação das novas Leis Fundamentais: criação das Cortes Espanholas (1942), o Foro dos Espanhóis (1945), Lei do Referendo Nacional (1945), Lei da Sucessão na Chefia do Estado (1947) etc.

 
Franco e sua esposa, Carmen Polo.

Em 1953 são restabelecidas as relações diplomáticas com os Estados Unidos e, em 1955, o regime de Franco é reconhecido pela Organização das Nações Unidas.[6] Recebeu a Banda das Três Ordens a 14 de fevereiro de 1962. Em 1966 promulga uma nova lei fundamental às já existentes, a (Lei Orgânica do Estado) e três anos mais tarde apresenta às Cortes, como sucessor a título de Rei, o Príncipe Juan Carlos, neto de Afonso XIII. Em Junho de 1973 cede a presidência do Governo ao seu mais directo colaborador, Luis Carrero Blanco. A morte deste num atentado, poucos meses depois, é o princípio da decomposição do regime.

Sob sua liderança, a economia espanhola inicialmente sofreu. Ao fim da década de 1950, Franco substituiu os ministros ideológicos por tecnocratas apolíticos que implementaram diversas reformas. Assim, a economia do país prosperou pelos próximos anos no que ficou conhecido com o "Milagre Espanhol". Ao mesmo tempo, a repressão política se intensificou e opositores eram cassados sem misericórdia. Qualquer voz dissidente ou movimento antigovernista era reprimido com brutalidade. Isso gerou um fluxo emigratório, com milhares de pessoas deixando o país para outros cantos da Europa e para a América do Sul. A economia, contudo, continuou no caminho do crescimento especialmente devido ao capital estrangeiro. Empresas multinacionais abriram fábricas na Espanha, puxando o desemprego para baixo. Essas empresas viam benefícios em fazer negócios em solo espanhol devido a mão de obra barata, ausência de leis trabalhistas (como o direito a greve) e outras despesas (como seguro de saúde para trabalhadores). Quando Franco morreu, a Espanha era a economia que mais crescia na Europa Ocidental. Ao mesmo tempo, a disparidade entre ricos e pobres, apesar de ter encolhido bastante, continuava alta para os padrões europeus na década de 1970.[8]

Apesar do autoritarismo do seu regime, apoio no Mundo Ocidental para a Espanha cresceu após a segunda grande guerra, principalmente devido ao seu cunho anticomunista, que agradava os Estados Unidos e sua política de contenção. Ainda no âmbito externo, tentou inicialmente preservar o império colonial espanhol. Contudo, após fracassos militares e diplomáticos, foi pressionado pela ONU e teve que abrir mão dos poucos territórios ultramarinos que o país ainda possuía (como Guiné Equatorial e Ifni).[8]

Internamente ainda teve que lidar com movimentos que buscavam autonomia para diversas regiões na Espanha além de mais tarde ser responsabilizado pela morte de 23 mil pessoas.[9] Opositores e separatistas foram reprimidos na Catalunha e no País Basco. Outras regiões, como a Galiza, também viram sua autonomia diminuir. Repressão cultural e linguística também ocorreu.

Franco morre após longa doença num hospital de Madrid, em 20 de novembro de 1975.[5][10] Ele governou a Espanha com punho de ferro por quase quarenta anos, se tornando um dos ditadores mais notórios da Europa ocidental.

O legado de Franco, na Espanha e pelo mundo, permanece controverso. Seu regime foi caracterizado por violações constantes de direitos humanos e seu autoritarismo fascista era reconhecido e desdenhado.[11] Franco serviu de modelo para vários ditadores anticomunistas na América do Sul. Augusto Pinochet, por exemplo, era um grande admirador de Franco.[12] Para muitos espanhóis, ele era um déspota sanguinário, mas para outros ele salvou a Espanha do caos e a colocou no caminho da prosperidade.[13][14]

LiteraturaEditar

 
Um estátua de Franco removida em 2008 pelo Governo espanhol.

Com seu próprio nome, em 1922 editou o livro (despretensiosamente verídico) o «Diario de una bandera». Com o pseudónimo de Jaime de Andrade, escreveu a novela «Raza», que em 1942 inspirou o filme com o mesmo título. Também com pseudónimo, só que de Jakim Boor, publicou uma série de artigos antimaçónicos e anti-semíticos no boletim então já da Falange Espanhola Tradicionalista (Falange), o diário «¡Arriba!», publicados todos eles mais tarde no livro «Masonería».

Mais tarde, já no governo, em 1940 decretaria que todos maçons de seu país estavam condenados a 10 anos de prisão[15].

Cronologia sumáriaEditar

 
Túmulo de Francisco Franco no Vale dos Caídos.
 

A barra verde simboliza o intervalo de tempo em que foi Chefe do Estado.

Ver tambémEditar

Referências

  1. El Norte de Castilla «El Norte de Castilla: Garzón recibe 130.000 nombres de desaparecidos» Consultado el 6 de febrero de 2012
  2. Hugh Thomas, La guerre d'Espagne, Robert Laffont, 2009, págs.209 y 711.
  3. Gabriel Jackson, La república española y la guerra civil RBA., 2005, Barcelona. pág.466.
  4. Garza, Hedda. Os Grandes Líderes: Franco. Editora Nova Cultural. 1987.
  5. a b c d «Francisco Franco». UOL - Educação. Consultado em 19 de Novembro de 2012 
  6. a b c Emerson Santiago (20 de Setembro de 2011). «Francisco Franco». InfoEscola. Consultado em 19 de Novembro de 2012 
  7. «Cidadãos Estrangeiros Agraciados com Ordens Portuguesas». Resultado da busca de "Francisco Franco Bahamonde". Presidência da República Portuguesa. Consultado em 27 de novembro de 2014 
  8. a b "Francisco Franco - Military Leader, Dictator, General". Biography.com. Página acessada em 27 de janeiro de 2017.
  9. El Gobierno responde que decir "el franquismo solo fusiló a 23.000, y no por capricho" no es delito
  10. «Hoje na História: 1975 - Morre o ditador espanhol Francisco Franco». Opera Mundi. Consultado em 27 de abril de 2016 
  11. «Franco in Spain were also Fascist» 
  12. Cedéo Alvarado, Ernesto (4 de fevereiro de 2008). «Rey Juan Carlos abochornó a Pinochet». Panamá América. Consultado em 4 de abril de 2016 
  13. Luis Gomez and Mabel Galaz, La cosecha del dictador, El País, 9 de setembro de 2007 (em espanhol)
  14. Churchill, Winston. "The gathering storm", Houghton Mifflin, 1948, p. 221
  15. As Raízes do Anti-Maçonismo, por Marco Mendes, Construtores da Virtude n.º 5

BibliografiaEditar

  • Fernandez, Luis Suarez. Franco, Editorial Ariel;
  • Montalbán, Manuel Vázquez. Autobiografia do General Franco, Editora Scritta.

Ligações externasEditar