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BiografiaEditar

Começou a estudar música com o pai, o flautista Alferio Mignone, que emigrou da Itália para o Brasil. No Conservatório Dramático e Musical de São Paulo formou-se em piano, flauta e composição. Foi aluno de Luigi Chiaffarelli e de Agostino Cantù.

Foi casado com Liddy Chiafarelli Mignone que faleceu em acidente aéreo em 1962 e posteriormente casou-se com a concertista Maria Josephina (Bensoussan) Mignone[2], tendo tido uma filha, Anete.

 
Mignone rege a Orquestra Sinfônica Nacional, em concerto público na favela do Jacarezinho, RJ, em 1962

Bolsista na ItáliaEditar

Em 1920, agraciado com uma bolsa de estudos concedida pelo Pensionato Artístico do Estado de São Paulo, foi estudar em Milão com Vincenzo Ferroni e lá escreveu sua primeira ópera, O Contratador de Diamantes. A primeira audição da Congada, uma peça orquestral dessa ópera, deu-se sob a batuta de Richard Strauss com a Orquestra Filarmônica de Viena, no Rio de Janeiro.

Carreira no BrasilEditar

Entre 1920 e 1930 compôs obras sob o pseudônimo de Chico Bororó que falam do universo rural e sertanejo.[3]. Era conhecido por tocar nas rodas de choro em bairros como o Brás, Bixiga e Barra Funda.

Em 1929, já de volta ao Brasil, iniciou um período de amizade e parceria com Mário de Andrade. Em colaboração com o escritor compôs algumas de suas principais obras como a suíte Festa das Igrejas e o bailado Maracatu do Chico Rei, além da Sinfonia do Trabalho.

Em 1934 mudou-se para o Rio de Janeiro, onde se tornou professor de regência no Instituto Nacional de Música.

Deu início à sua fase nacionalista, que se estendeu até 1959, quando preferiu admitir o uso de qualquer processo de composição que lhe conferisse liberdade ao escrever a música. Sua obra musical inclui numerosas canções, obras para piano, óperas, balés, obras de cunho nacionalista. Dentre elas, de se citar a belíssima Valsa de Esquina nº. 2, em que se pode bem notar uma melodia executada com a mão esquerda no registro grave (contraponto), ao mesmo tempo que a melodia propriamente dita, executada pela mão direita no registro médio e agudo. Em 1950 apresentou as músicas do filme Modelo 19.

Em 1961 foi o regente do primeiro concerto da recém fundada Orquestra da Rádio MEC, atual, Orquestra Sinfônica Nacional (OSN-UFF).

Francisco Mignone e Oscar Lorenzo Fernández foram homenageados no I Concurso Nacional Funarte de Canto Coral, em 1997, ano em que se comemorava o centenário de nascimento de ambos os compositores. O regulamento do concurso exigia a execução de obras desses compositores pelos coros participantes. Aos coros que melhor o fizessem, era concedido o Prêmio Centenário.

ObrasEditar

  • O contratador de diamantes, ópera, 1921
  • Congada (de O contratador), orquestra, 1921
  • L'innocente, ópera, 1928
  • Seis líricas, vocal, 1932
  • Maracatu de Chico rei, ballet, 1933
  • Variações sobre um tema brasileiro, cello e orquestra, 1935
  • Fantasias brasileiras nos.1–4, piano e orquestra, 1929-1936
  • Babaloxá, orquestra, 1936
  • Mizú, opereta, 1937
  • Quatro líricas, vocal, 1938
  • Festa das igrejas, orquestra, 1940
  • Leilão, ballet, 1941
  • O espantalho, ballet, 1941
  • Iara, ballet, 1942
  • Pousa a mão na minha testa, vocal, 1942
  • Valsas de esquina nos.1–12, piano, 1938–43
  • O guarda chuva, ballet, 1953
  • Valsas choros 1–12, piano, 1946–55
  • Piano Concerto, 1958
  • Tres Valsas Brasileiras, viola e piano, 1968
  • Sugestões sinfônicas, poema-ballet, 1969
  • Doze Estudos, violão, 1970
  • Variações em busca de um tema, orquestra, 1972
  • O chalaça, ópera, 1973
  • O sargento de milícias, ópera, 1978
  • Quincas Berro d'Água, ballet, 1979
  • Valsa brasileira nos.4–12, piano, 1979
  • O Caçador de esmeraldas, ballet, 1980

BibliografiaEditar

  • BARROS, José D'Assunção. "Francisco Mignione e sua obra orquestral nacionalista", Música e Linguagem, volI, n°3, 2013, p.38-56. Vitória (ES): 2013.
  • CACCIATORE, Olga Gudolle. Dicionário biográfico de música erudita brasileira. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2005.
  • Catálogo de Obras em: http://www.abmusica.org.br/downloads/francisco%20_mignone.pdf

Ligações externasEditar

Referências

  1. «Francisco Mignone». Itau Cultural. Consultado em 20 de março de 2016 
  2. «Maria Josephina Mignone, uma pianista e empreendedora de 96 anos». Valor. 10 de maio de 2019. Consultado em 24 de junho de 2019 
  3. «Dia 12 de julho,sexta-feira, acontece o lançamento do CD duplo Chico Bororó – Um jovem Mignone com Maria Josephina Mignone ao piano e Neti Szpilman no canto». Teclas e Afins. 20 de maio de 2019. Consultado em 24 de maio de 2019 


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