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Francisco de Almeida (governador de Angola)

Disambig grey.svg Nota: Se procura outros significados para Francisco de Almeida, veja Francisco de Almeida (desambiguação).
Francisco de Almeida
Capitão de Tânger
Período 25/07/1581 - 1590
Antecessor Jorge de Mendonça
Sucessor Belchior da Franca & Simão Lopes de Mendonça
Dados pessoais
Nascimento c. 1550?
Progenitores Mãe: Luísa de Ornelas
Pai: D. João de Almeida

Francisco de Almeida (c. 1550 – d. 1613), capitão de Tânger, e governador de Angola, era filho de D. João de Almeida, da família do conde de Abrantes, e de sua mulher Luísa de Ornelas.

Índice

Capitão de TângerEditar

D. Francisco de Almeida, nomeado governador de Tânger por D. Filipe I, tomou o governo a 25 de Julho de 1581, trazendo víveres em abundancia, que dantes havia em «tanta escassez que as pessoas se sustentavam da herva do campo[1]». Restaurou a cavalaria, porque apenas ficavam 90 cavalos.

No primeiro encontro de importância com os mouros, enfrentou o Almocadem "Ali Aceitun", de que obteve vitória, com seis cativos e grande número de cavalos. Para vingarem-se, os mouros, às ordem de um almocadem de grande reputação, "Xidede", «reuniram-se em extraordinaria multidão (...) e perseguiram os nossos (...). [ Mas ] D. Francisco não só rompeu os mouros (...) mas fez prisioneiros a oito, entre eles a seu Almocadem. Trouxe-o à cidade como em triunfo. Os tangerinos alegraram-se de vêr rendido e escravo aquele cujo nome atemorizava a todos[2]».

Houve outras vitórias e o Alcaide de Alcácer-Quibir, quiz vingar-se de tantas perdas, mas foi vencido também. Voltou mais tarde com «mil e quinhentos de cavalo. Parecendo-lhes que o tinham ouvido, armou-se nos acampamentos o pessoal do Adail Melchior da Franca. Saíu fora com os que o acompanhavam em 8 de Fevereiro de 1588. Atacaram-nos os mouros, entrando nos acampamentos. Defendeu-os o adail com grande valor, até que o socorreu o capitão com os demais cavaleiros e infantes. Conduziram-se tão bem, que obrigaram os mouros a retirar-se com grande perda». Poucos dias mais tarde voltou o alcaide mas foi de novo derrotado.

Uma noite portanto, alguns mouros cativos do general, «atacaram as sentinelas e desceram pela muralha abaixo. Tocou-se o rebate segundo o costume, acudiu a gente, e sabendo-se a causa, abrio-se a porta da traição para tomar os mouros. saíu a cavalaria afim de prendê-los antes que passassem o Rio dos Júdios, e ganhassem a serra. Como nela estavam os almocadens dos mouros esperando este sucesso, que tinham maquinado e do qual os advertiu o barulho do rebate, passaram o rio e esperaram os nossos na embuscada grande. Chegaram a eles os nossos com mais confiança que ordem, e sendo atacados de repente, o sobresalto e a confusão, aumentada com a escuridão da noite, foi causa de serem dispersados quasi sem resistência. Seguiram-nos os mouros e, como o sitio era áspero, caíram mortos alguns dos nossos, ficaram outros cativos e muitos perderam os cavalos, salvando-se pela ladeira do mar[3]»...

Diz D. Fernando de Meneses que D. Francisco «na guerra procedeu com valentia, e com prudencia na paz. A seus súbditos (...) animou e consolou da perdas sufridas, realçou e aumentou a cavalaria e ergeu as armas quase à primeira reputação».

Com licença do rei para deixar o governo, entregou-o a Belchior (ou Melchior) da Franca e Simão Lopes de Mendonça, que a partir de 1590 o desempenharam até que o rei mandou outro general. Foi este Aires de Saldanha, que chegou em 17 de Junho de 1591.

Governador e Capitão-General de AngolaEditar

Pouco depois de têr deixado Tânger, D. Francisco foi nomeado governador de Angola por carta régia de 9 de Janeiro de 1592, tendo desembarcado em Luanda a 24 de Junho do mesmo ano. O seu governo não foi feliz, dado ter ordens para revogar as concessões e mercês concedidas pela Carta de Doação de 19 de Setembro de 1571, a Paulo Dias de Novais e seus companheiros. Ao cumprir-las, originou a revolta destes, que o prenderam e expulsaram de Angola em Março de 1593. Outras fontes pretendem que as febres que dizimaram as tropas sob o seu comando e os Jesuítas que pretendiam o controlo absoluto dos indígenas, contrariando as suas ordens, fizeram-no desistir. Abandonando então o cargo sem providências sobre a sucessão, embarcou para Pernambuco (Brasil) em 1594. Tomou o governo de Angola o seu irmão Jerónimo de Almeida.

Conselheiro de Filipe II sobre TângerEditar

Depois do sultão Mulei Xeque Almamune, filho de Amade Almançor ter cedido Larache aos espanhóis, em 1610, durante o governo da praça de Tânger por D. Afonso de Noronha, o rei pensou que as praças marroquinas não necessitavam tanta guarnição e em 1613 mandou António Pereira Lopes de Berredo que também tinha sido governador, «a visitar as Praças de Africa da Coroa de Portugal com ordem, e autoridade para reformar as despezas superfluas». Antonio Pereira propunha de cortar certas portas da praça «para que se pudesse com menos gente defender. Opozselhe o general». O açunto chegou a Madrid, onde «Ouvindo ElRey humas, e outras razoens, e mandando-as consultar com as pessoas de mayor prudencia, e noticias, em particular com Francisco de Almeida, que tinha governado Tangere com tanta satisfação, conformando-se com seu parecer, resolveo, que se não alterasse o estado das cousas[4]».

DescendênciaEditar

D. Francisco tinha casado em 1570 com D. Isabel Brandão, filha de Isabel (ou Leonor) Teixeira, e de Diogo Brandão, senhor da quinta e couto de Avintes, a qual continuou na posse de seus descendentes, que mais tarde se tornaram condes de Avintes (com D. Luís de Almeida marido da sua neta D. Isabel de Castro) e Marqueses de Lavradio (com António de Almeida Soares Portugal). Têve quatro filhos :

  • D. João de Almeida, o Sábio, que casou com D. Jerónima de Castro, sogros de D. Luís de Almeida, Primeiro Conde de Avintes e último governador de Tânger.
  • D. Pedro
  • D. Leonor, que casou com Brás Teles de Meneses (ou da Silva), Capitão de Mazagão (Marrocos).
  • D. Fabiana de Almeida , freira na Madre de Deus.

Referências

  1. História de Tânger, P. 98
  2. História de Tânger, idem
  3. História de Tânger, P. 100
  4. História de Tânger. P. 124-126

BibliografiaEditar

  • História de Tânger durante la dominacion portuguesa, por D. Fernando de Menezes, conde de la Ericeira, etc. traduccion del R. P. Buanaventura Diaz, O.F.M., Misionero del Vicariato apostólico de Marruecos. Lisboa Occidental. Imprenta Ferreiriana. 1732.
  • Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura. - Lisboa: Verbo, s.d.. vol 1, col. 1373-1374
Precedido por
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Capitão de Tânger
15811590
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15921593
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