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Frederico Ferreira de Simas


Frederico Ferreira de Simas
Nascimento 11 de maio de 1872
Lisboa
Morte 7 de outubro de 1945 (73 anos)
Lisboa
Cidadania Portugal
Ocupação político, oficial
Prêmios Comendador da Ordem Militar de Cristo, Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo, Grande-Oficial da Ordem Militar de Avis, Comendador da Ordem Militar de Avis, Cavaleiro da Ordem Militar de Avis, Comendador da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada

Frederico António Ferreira de Simas ComCGCCCvAComAGOAComSE (Lisboa, 11 de Maio de 1872 — Lisboa, 7 de Outubro de 1945) foi um militar, professor, político e maçon português.[1][2]

BiografiaEditar

Frederico António Ferreira de Simas nasceu em Lisboa, filho de António do Carmo Ferreira de Simas (1847 - 1920), de ascendência açoriana, e de sua mulher Narcisa Hermínia de Abreu e Jesus (1844 - 1897), neto paterno de António Ferreira de Simas (1800 - 1863), Professor do Colégio dos Nobres e Comendador da Ordem Militar de Cristo, e de sua mulher Maria do Carmo de Oliveira e Costa (1823 - 1886) e neto materno de António Pedro de Jesus e de sua mulher Leocádia Cassiana de Abreu.[3]

Cursou engenharia industrial mas optou por uma carreira como Oficial de Artilharia do Exército Português,[4] , onde atingiu o posto de Coronel. Concluiu o curso da Escola do Exército, na Arma de Artilharia.[1][2]

Como Tenente do Estado-Maior de Artilharia foi feito Cavaleiro da Ordem Militar de Avis a 28 de Setembro de 1905 (Ordem do Exército, 1905, 2.ª Série, N.º 17, p. 238).[5]

Foi iniciado na Maçonaria em data desconhecida de 1910 na Loja Pureza, de Lisboa, afecta ao Grande Oriente Lusitano Unido, com o nome simbólico de Berzelius.[2]

Militar, professor e político ligado ao Partido Republicano Português, que durante a Primeira República Portuguesa foi Deputado e Senador e ocupou os lugares de Ministro da Instrução Pública (1914-1915 e 1915-1916)[6] e de Ministro do Comércio e Comunicações (1925). Figura de relevo do pensamento pedagógico português, foi professor da Escola do Exército,[2] Director da Escola Normal Feminina de Lisboa e membro activo da Sociedade de Estudos Pedagógicos, foi membro da Société de Biotipologie de France, e escreveu numerosos trabalhos sobre assuntos pedagógicos nas revistas da especialidade, colaborando, ainda, em diversos jornais diários, como "O Século", onde, assim como em repetidas conferências, debateu o problema da situação social da mulher,[1] deixando uma vasta obra dispersa pela imprensa, com destaque para artigos sobre pedagogia e educação[7][8].

Em 1910 foi nomeado professor do Instituto de Odivelas,[2] passando a seu director em Abril de 1919, cargo que exerceu até 1941, cargo no qual se destacou pela sua energia e vontade de bem servir as alunas ali internas, optando por uma pedagogia inovadora e próxima, fazendo do Instituto uma instituição moderna no contexto do ensino em Portugal[9]. Precedendo concurso, foi também nomeado Lente Adjunto da Escola do Exército (a partir de 1914), lugar que conservou até 1927, onde regeu várias cadeiras, as de Explosivos, Fabrico de Material de Guerra e Balística,[1] e um dos colaboradores da Revista Militar, tendo também colaborado na revista Atlântida (1915-1929). O Conselho Escolar daquele estabelecimento encarregou-o, em Maio de 1914, de ir estudar as organizações das Escolas Militares da Holanda, Dinamarca e Grã-Bretanha e Irlanda.[1] Foi, ainda, professor do Instituto Industrial e Comercial de Lisboa, donde transitou para o Instituto Comercial de Lisboa[2] (de 1913 a 1942), no qual deu a sua última lição a 11 de Maio de 1942, por ter atingido o limite de idade.[1][10]

Interessado pela pedagogia e membro activo da Sociedade de Estudos Pedagógicos, desempenhou funções de organização, inspecção e elaboração de programas dos ensinos liceal, técnico e superior. Foi colaborador frequente do semanário pedagógico O Educador. Como Professor e Pedagogo, desempenhou numerosas Comissões de Serviço, tanto em Portugal como no estrangeiro, e ocupou diversos lugares no sector da educação, entre os quais os seguintes: director da Escola Normal Feminina de Lisboa (a partir de 1910 e até à sua fusão com a Escola Normal Primária de Lisboa), e Professor da referida Escola Normal Primária de Lisboa, inspector pedagógico do Liceu Pedro Nunes e vogal da Comissão de Organização do Ensino Primário, em 1911, da dos Programas do mesmo Ensino e da Encarregada de escolher o Material Necessário para as Escolas Primárias Superiores, e também foi vogal do Conselho Superior do Ensino Técnico. Na sua carreira militar, em 1913, comandou o Grupo de Artilharia Pesada N.° 2.[1]

Republicano, filiado no Partido Republicano Português, após a cisão daquele partido foi militante do Partido Democrático, que representou como Deputado e Senador no Congresso da República, eleito em 1915, e ocupou os cargos, respectivamente, pelo círculo eleitoral do Algarve ou de Faro e, depois, pelo da Guiné Portuguesa.[1][2][11][12]

Por três vezes foi Ministro, duas da Instrução Pública. Foi Ministro da Instrução Pública no gabinete do governo presidido por Vítor Hugo de Azevedo Coutinho, exercendo o cargo de 12 de Dezembro de 1914 a 24/25 de Janeiro de 1915. Voltou ao cargo de Ministro da Instrução Pública no governo presidido por Afonso Costa, desde dia desconhecido de Maio ou 29 de Novembro de 1915 até à Declaração de Guerra a 15 de Março de 1916.[1][2][13][14]

Na sua carreira militar, desempenhou várias missões técnico-militares em vários países da Europa, e participou em numerosas Comissões e Missões ao estrangeiro, nomeadamente durante a Primeira Guerra Mundial.[2] Em 1915 foi, com uma Comissão de Oficiais do Exército, à qual presidia, ao estrangeiro, a fim de adquirir munições de Artilharia e Infantaria, e, em 1916, foi encarregado de ir realizar Conferências, em Londres, com o Ministro da Guerra da Grã-Bretanha e Irlanda, Lord Kitchener, sobre problemas relativos à Defesa Nacional, sendo, a seguir, nomeado Presidente da Delegação Portuguesa na Comissão Internacional de Abastecimentos, assumindo, depois, o cargo de Adido Militar de Portugal em Londres e aí se conservando até 1917. Pelo exercício dessas funções foi agraciado com o grau de Cavaleiro da Ordem de São Miguel e São Jorge, distinção outorgada pelo rei Jorge V do Reino Unido. Em 1919, foi nomeado em Washington, mas não chegou a ocupar este lugar, por ter sido nomeado Director do Instituto Feminino da Educação e Trabalho, de Odivelas, do qual era Professor e Inspector da Instrução desde 1910. Fez parte de quase todas as Comissões Técnicas da sua Arma, nomeadamente da Comissão de Químicos encarregada do estudo químico das pólvoras sem fumo. Foi Químico Analista no Depósito Central de Fardamentos e Vogal da Comissão dos Explosivos desde 1913 até passar à reforma. O Ministério da Economia escolheu-o, em 1930, para Presidente da Comissão encarregada de estudar a possibilidade de instalação duma fábrica de adubos em Portugal.[1] Foi, ainda, vogal em diferentes comissões de estudo e, em 1941, assumiu a Vice-Presidência do Conselho Tutelar dos Exércitos de Terra e Mar, deixando, então, de ser Director do Instituto de Odivelas.[1]

A 15 de Fevereiro de 1919, com o posto de Tenente-Coronel, foi feito Comendador da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada, a 17 de Maio de 1919 foi feito Comendador da Ordem Militar de Avis e a 28 de Junho de 1919 foi feito Comendador da Ordem Militar de Cristo. A 5 de Outubro de 1923 foi elevado a Grande-Oficial da Ordem Militar de Avis e a 16 de Outubro de 1924 foi elevado a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo.[1][15]

Foi Director do Instituto de Odivelas entre 1919 e 1941[16], exercendo a partir da instituição uma importante influência reformista, pondo em execução alguns dos conceitos da Educação Nova[17], onde se conservou durante 23 anos, realizando uma obra notável a todos os títulos,[1] marcando decisivamente a instituição pelo seu estilo de liderança, pelas concepções relativas à educação feminina e pelo projecto de concretização duma pedagogia experimental.

Foi, também, Ministro do Comércio e Comunicações, acumulando com a pasta de Ministro da Justiça, no gabinete do governo presidido por Vitorino Guimarães, de 15 de Fevereiro a 1 de Julho de 1925.[1][2][18]

Pertenceu, a partir de 1927, à Loja Simpatia e União, de Lisboa, afecta ao Grande Oriente Lusitano Unido.[2]

Passou à situação de reserva em 1931, no posto de Coronel.[19][20]

Faleceu a 7 de Outubro de 1945, aos 73 anos de idade.

Casou com Maria da Assunção Formosinho Patrício Álvares (1875 - 1954), filha de António Maria Patrício Álvares (1846 - 1891), Escrivão de Direito, e de sua mulher Luzia Rodrigues Formosinho (1854 - 1930), neta paterna de Manuel Patrício Álvares e de sua mulher Maria Clara da Assunção Pujol (? - 1887), de ascendência Catalã, e neta materna de Sebastião Rodrigues Formosinho e de sua mulher Ana Gomes Pablo (1826 - 1893), de ascendência Espanhola. Foram pais de Maria Frederica Patrício Álvares Ferreira de Simas (Lisboa, São Mamede, 2 de Janeiro de 1905 - Lisboa, Lumiar, 4 de Janeiro de 1994), Diplomada com o Curso da Escola de Belas-Artes de Lisboa e Tradutora, casada com Francisco Alberto de Almeida Alves de Azevedo (Lisboa, São Paulo, 21 de Junho de 1907 - Lisboa, São Francisco Xavier, 8 de Janeiro de 1992).[21][22]

Notas

  1. a b c d e f g h i j k l m n Vários. Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira. [S.l.]: Editorial Enciclopédia, L.da. pp. Volume 11. 193 
  2. a b c d e f g h i j k António Henrique Rodrigo de Oliveira Marques. Dicionário de Maçonaria Portuguesa. [S.l.: s.n.] pp. Volume II. Colunas 1350-1 
  3. "Sangue Velho Sangue Novo", Manuel de Mello Corrêa, Instituto Português de Heráldica, 1.ª Edição, Lisboa, 1988, N.º 31
  4. "Os Luso-Descendentes da Índia Portuguesa", Jorge Eduardo de Abreu Pamplona Forjaz e José Francisco Leite de Noronha, Fundação Oriente, 1.ª Edição, Lisboa, 2003, Volume II F - M, p. 391
  5. "Mercês Honoríficas do Século XX (1900-1910)", Jorge Eduardo de Abreu Pamplona Forjaz, Guarda-Mor, 1.ª Edição, Lisboa, 2012, p. 39
  6. Lista de Ministros da Educação Arquivado em 21 de novembro de 2008, no Wayback Machine..
  7. Obra de Ferreira de Simas.
  8. Intervenções e obras de Ferreira de Simas.
  9. Testemunhos sobre o Director Ferreira de Simas.
  10. "Sangue Velho Sangue Novo", Manuel de Mello Corrêa, Instituto Português de Heráldica, 1.ª Edição, Lisboa, 1988, N.º 31
  11. "Os Luso-Descendentes da Índia Portuguesa", Jorge Eduardo de Abreu Pamplona Forjaz e José Francisco Leite de Noronha, Fundação Oriente, 1.ª Edição, Lisboa, 2003, Volume II F - M, p. 391
  12. "Sangue Velho Sangue Novo", Manuel de Mello Corrêa, Instituto Português de Heráldica, 1.ª Edição, Lisboa, 1988, N.º 31
  13. "Os Luso-Descendentes da Índia Portuguesa", Jorge Eduardo de Abreu Pamplona Forjaz e José Francisco Leite de Noronha, Fundação Oriente, 1.ª Edição, Lisboa, 2003, Volume II F - M, p. 391
  14. "Sangue Velho Sangue Novo", Manuel de Mello Corrêa, Instituto Português de Heráldica, 1.ª Edição, Lisboa, 1988, N.º 31
  15. «Cidadãos Nacionais Agraciados com Ordens Portuguesas». Resultado da busca de "Frederico António Ferreira de Simas". Presidência da República Portuguesa. Consultado em 10 de outubro de 2015 
  16. Directores do Instituto de Odivelas.
  17. Joaquim Pintassilgo, Reflexões históricas em torno do (eventual) sucesso da Educação Nova. O exemplo do Instituto Feminino de Educação e Trabalho (1911-1942). Congresso da Sociedade Portuguesa de Ciências da Educação, 26 a 28 de Abril de 2007, Universidade da Madeira.
  18. "Sangue Velho Sangue Novo", Manuel de Mello Corrêa, Instituto Português de Heráldica, 1.ª Edição, Lisboa, 1988, N.º 31
  19. "Os Luso-Descendentes da Índia Portuguesa", Jorge Eduardo de Abreu Pamplona Forjaz e José Francisco Leite de Noronha, Fundação Oriente, 1.ª Edição, Lisboa, 2003, Volume II F - M, p. 391
  20. "Sangue Velho Sangue Novo", Manuel de Mello Corrêa, Instituto Português de Heráldica, 1.ª Edição, Lisboa, 1988, N.º 31
  21. "Os Luso-Descendentes da Índia Portuguesa", Jorge Eduardo de Abreu Pamplona Forjaz e José Francisco Leite de Noronha, Fundação Oriente, 1.ª Edição, Lisboa, 2003, Volume II F - M, p. 391
  22. "Sangue Velho Sangue Novo", Manuel de Mello Corrêa, Instituto Português de Heráldica, 1.ª Edição, Lisboa, 1988, N.º 31

Ligações externasEditar