Abrir menu principal

Arthur Friedenreich

futebolista brasileiro
(Redirecionado de Friedenreich)
Disambig grey.svg Nota: Se procura o prêmio, veja Prêmio Arthur Friedenreich.

Arthur Friedenreich (São Paulo, 18 de julho de 1892 – São Paulo, 6 de setembro de 1969) foi um futebolista brasileiro. Apelidado "El Tigre" ou "Fried", foi a primeira grande estrela do futebol brasileiro na época amadora, que durou até 1933.

Friedenreich
Arthur friedenreich.jpg
Informações pessoais
Nome completo Arthur Friedenreich
Data de nasc. 18 de julho de 1892
Local de nasc. São Paulo (SP),  Brasil
Falecido em 6 de setembro de 1969 (77 anos)
Local da morte São Paulo (SP),  Brasil
Apelido Fried
El Tigre
Informações profissionais
Período em atividade 1909-1935 (26 anos)
Posição Atacante
Clubes profissionais
Anos Clubes Jogos e gol(o)s
1909
1910
1911
1912
1913
1913
1914–1915
1915–1916
1916
1917
1917
1917-1929
1929
1929
1930
1930–1935
1935
1935
Brasil Germânia
Brasil Ypiranga
Brasil Germânia
Brasil Mackenzie
Brasil Ypiranga
Brasil Americano
Brasil Ypiranga
Brasil Payssandu
Brasil Paulistano
Brasil Ypiranga
Brasil Flamengo
Brasil Paulistano
Brasil Internacional
Brasil Atlético Santista
Brasil Santos
Brasil São Paulo[1]
Brasil Santos
Brasil Flamengo
Seleção nacional
1914–1925 Brasil Brasil 0023 00000(10)
Copa América
Ouro Brasil 1919 Futebol
Ouro Brasil 1922 Futebol
Prata Argentina 1921 Futebol

Friedenreich participou da excursão do Paulistano pela Europa em 1925 onde disputou dez jogos e voltou invicto. Teve importante participação no campeonato sul-americano de seleções (atual Copa América) de 1919. O apelido de "El Tigre" foi dado pelos uruguaios após a conquista do Campeonato Sul-Americano de 1919, atual Copa América.

Ele marcou o gol da vitória contra os uruguaios na decisão e, ao lado de Neco, foi o artilheiro da competição. Após o feito, suas chuteiras ficaram em exposição na vitrine de um loja de joias raras no Rio de Janeiro.

Em 1999 foi eleito o quinto maior jogador brasileiro de todos os tempos pela IFFHS.[2]

BiografiaEditar

A lenda construída em torno da memória histórica do célebre atleta mestiço afirmou com frequência que ele era filho de um rico comerciante alemão com uma professora negra brasileira.[3][4][5][6]

Na realidade, Arthur pertencia a uma família de funcionários públicos subalternos. Era filho de um funcionário público oriundo de Ourinhos, chamado Oscar Friedenreich. O avô do jogador, Karl Wilhelm Friedenreich, nascido na Alemanha e de origem judaica,[7] era um veterinário e naturalista amador, que ocupou o cargo de delegado de polícia na cidade catarinense. Karl se transferiu com a família para São Paulo para assumir a função de naturalista assistente no Museu do Ipiranga em 1891. Como entomologista, Karl pesquisava para a secretaria da agricultura as pragas que atacavam lavouras.[8][9]

Esse contato facilitou uma colocação para o filho, Oscar, no funcionalismo público como desenhista técnico do departamento de obras, subordinado à mesma secretaria.[10] Oscar desenhava plantas de agrimensura e projetos para edificações públicas, por isso às vezes foi citado como “arquiteto”. Essa foi a única ocupação profissional do pai de Arthur Friedenreich ao longo de toda a vida, logo ele era oriundo de uma família de funcionários em setores dos serviços que na época se expandiam, perfil comum entre as camadas médias urbanas.[11]

Já a mãe do jogador, Mathilde de Moraes e Silva, era professora de primeiras letras em escolas públicas, formada pela Escola Normal em 1879, bem antes de conhecer Oscar.[12] É provável que o equívoco de identificar Mathilde, uma mulher negra com marido branco, como sendo lavadeira e esposa de um estrangeiro rico tenha se originado para justificar a presença de um jogador mestiço no Club Athlético Paulistano, equipe ligada à elite fazendeira paulistana.[11]

Estilo de JogoEditar

Numa época em que o futebol era distribuído em "fatias" fixas (defesa, meio de campo e ataque) com cada jogador com função definida em campo [13], Friedenreich era um centroavante finalizador, sem virtuosismo. Conforme crônica da época que descrevia seu estilo: "Distribui com calma, com precisão, os seus cabeceios são certeiros e os tiros finais fortíssimos. Não é jogador egoísta, não abusa dos dribles, do jogo pessoal. Mesmo à porta do gol, vendo um companheiro mais bem colocado, não titubeia em passar a bola. É, afinal, jogador que não faz jogo para as arquibancadas e sim para o conjunto.".[14] Os dribles eram econômicos apenas para abrir espaço para a finalização: "“A finta de Friedenreich desenvolvia-se numa série de velozes, hábeis, pequenos desvios do couro a cargo sobretudo da face externa das botas, dando-lhe grande penetração, o que lhe proporcionava em poucos segundos o ganho de espaço para conseguir a posição do arremate”.[15]

Fried ainda chegou a pegar a alteração na regra do impedimento em 1924 que deixou as partidas mais dinâmicas. Porém atuou durante toda a carreira no esquema 2-3-5, ou pirâmide. Uma vez que o 3-2-2-3, ou W-M, que seria preodminante no futebol até os anos 60, só chegaria ao futebol brasileiro em 1937 com Dori Kruschner.[16]

Carreira em ClubesEditar

Primeiros anosEditar

Jogador de futebol paulista, "Fried" começa a jogar futebol ainda adolescente na cidade de São Paulo, nos clubes Germânia (atual Pinheiros), Mackenzie, Ypiranga e o Paulistano, que hoje são apenas clubes sociais e já não atuam no futebol profissional. Começa a se destacar pela imaginação, técnica, estilo e pela capacidade de improvisar. O fato de ser descendente de alemães ajudou Friedenreich na carreira.

Em sua autobiografia, Fried recorda: "Fui aperfeiçoando meus recursos olhando Charles Miller, chutando a redonda sob seu olhar, que foi assim como o meu professor primário no futebol. Mas coube a Hermann Friese, que fora campeão no futebol alemão, me ensinar o secundário e o superior. Com ele, comecei a subir a ladeira e cheguei à efetivação no nível mais alto do futebol." [17]

O augeEditar

A sua posição de origem foi a de centroavante. "El Tigre" acabou introduzindo novas jogadas no ainda recente futebol brasileiro, na época ainda amador, como o drible curto, o chute de efeito e a finta de corpo. Foi campeão paulista em diversas oportunidades pelo clube Paulistano. Também atuou pelo São Paulo,[18][19] conquistando mais um campeonato paulista em 1931. O time do São Paulo campeão naquele ano ficou conhecido por "Esquadrão de Aço", e era formado por Nestor; Clodô e Bartô; Mílton, Bino e Fabio; Luizinho, Siriri, Araken Patusca e Junqueirinha. Pelo São Paulo FC marcou 103 gols em 125 jogos, é o 18º maior artilheiro do clube e tem uma das melhores medias, 0,82 gol por jogo.[20]

Depois de ter jogado em 1917 no Flamengo Friedenreich volta ao Rio em 1935 para de novo jogar pelo clube.

Era considerado pelos cronistas da época um jogador inteligente dentro de campo. Friedenreich talvez tenha sido o jogador mais objetivo e um dos mais corajosos de sua época. Parecia conhecer todos os segredos do futebol e sabia quando e como ia marcar um gol.

Uma excursão do Paulistano à Europa em 1925, deu a ele a chance de participar de um marco histórico do futebol do país. No dia 15 de março, pela primeira vez, um time brasileiro jogava no exterior. Ele comandou a goleada de 7 a 2 na França, que deu início a uma série de outras vitórias. E é apelidado de "roi du football" (rei do futebol). Voltou da Europa como um dos "melhores do mundo", depois de vencer, pelo Paulistano, nove dos dez jogos disputados. Um de seus mais incríveis feitos, ocorrido em 1928, foi a marca de sete gols numa única partida contra o União da Lapa, batendo o recorde da época. Ele jogava pelo Paulistano e o resultado final foi de 9 a 0, no dia 16 de setembro; a curiosidade fica por conta do pênalti perdido por Fried[21]. Outra curiosidade é quem em 30 de janeiro de 1930 ele jogou no Combinado Corinthians/Palestra Itália que goleou o Tucuman da Argentina por 5x2, como não atuava por nenhuma das duas equipes e o clube que havia fundado cinco dias antes, o São Paulo, ainda não estava oficialmente registrado para atuar, nessa partida ele atuou como jogador do Corinthians. Encerrou a carreira no Flamengo, em julho de 1935, aos 43 anos de idade.

Friedenreich e a Revolução de 32Editar

Em 1932, assim que iniciou o conflito entre paulistas e o governo de Getúlio Vargas, Friedenreich fez uma breve pausa em sua vitoriosa carreira e se alistou no exército paulista. Começou como sargento e chegou até o posto de tenente, saindo do conflito como herói. Comandou uma divisão de 800 desportistas, num clima descrito por ele mesmo como tenso, porém de extrema camaradagem. Além da participação ativa no campo de guerra, também doou medalhas de ouro e troféus para arrecadar dinheiro na causa dos paulistas.[22]

Últimos anosEditar

Após a Revolução de 32 jogou futebol por mais três anos. Também foi contra a profissionalização do futebol no país. A partir dos anos 30, o futebol passou a caminhar rumo ao profissionalismo. A ideia não agradou Friedenreich, que recusou proposta do Flamengo, seu último clube, de continuar atuando, e abandonou os gramados após fazer sua última partida no dia 21 de julho de 1935. Passou a trabalhar numa companhia de bebidas, por onde se aposentou. Viveu numa casa cedida pelo São Paulo até morrer em 6 de setembro de 1969.[23]

Carreira InternacionalEditar

Seleção BrasileiraEditar

Sua estreia na seleção se deu no ano de 1914 em um amistoso contra a Seleção Argentina, quando o escrete brasileiro perdeu por 3 a 0. Friedenreich fez pela seleção principal 23 jogos e marcou 10 gols. No ano de 1914 ganhou o primeiro título do Brasil na história: a Copa Roca, taça amistosa realizada para melhorar as relações diplomáticas entre Brasil e Argentina. Outras conquistas importantes que conseguiu foram os sul-americanos de 1919, marcando o gol do título na prorrogação contra os uruguaios, e 1922, primeiras conquistas relevantes da Seleção Brasileira. O choro "Um a Zero" - de Benedito Lacerda, Pixinguinha e Nelson Ângelo - foi composto em homenagem ao gol de Fried contra o Uruguai na final de 1919. Uma atitude infeliz do presidente da Liga Paulista, Elpídio de Paiva Azevedo, causou uma das maiores decepções de Friedenreich na carreira. Ao saber que a comissão técnica da Seleção não teria nenhum paulista, o dirigente impediu a ida dos jogadores do estado para a Copa do Mundo, no Uruguai em 1930. Assim, "El Tigre" encerrou a carreira sem sentir o sabor de disputar um Mundial.

LegadoEditar

Luta contra a Discriminação Racial no BrasilEditar

Apesar de Fried ser o principal jogador do País, e ter feito o gol do título da Copa América, ainda havia um racismo muito forte no Brasil na época, principalmente por parte das elites locais. por conta disso, no mesmo ano de 1919, o Presidente brasileiro Epitácio Pessoa assinou uma Lei Federal proibindo que jogadores negros ou mulatos fizessem parte da Seleção Brasileira de Futebol, a qual representaria a imagem do País no exterior[24]. Esta situação impediu que Friedenreich jogasse pela Seleção nos anos seguintes[25]. Neste período, o Brasil teve participações decepcionantes em torneios internacionais, claramente enfraquecida pela ausência se sue principal atleta. Este acabou sendo um fator decisivo para que esta proibição fosse revogada em 1922, antes da realização de outra Copa América no Brasil[26]. Por sinal, Fried pode voltar a jogar pela Seleção, disputou o torneio, e o Brasil voltou a ser campeão. Depois disso, nunca mais houve no Brasil qualquer outra restrição legal tão direta contra a participação de negros ou mulatos em nossos selecionados esportivos.

Opinião sobre a evolução do futebolEditar

Em 22 de janeiro de 1966, Friedenreich deixou sua vida reclusa e se manifestou publicamente sobre os rumos do futebol da época em artigo publicado no jornal O Globo com o título "Para Vencer na Inglaterra":

Quando tive a honra de defender as cores do Brasil, o futebol era simples e sem mistérios. Obedecia-se à clássica formação das três "fatias", ou seja, defesa, meio de campo e ataque. A tarefa de cada um desses grupos era bem definida: a defesa "limpava a área", sem se preocupar com passes. Cumpria ao meio de campo apoderar-se da bola e entregá-la ao ataque; este, avançando frontalmente, isto é, paralelamente à linha de fundo, tratava de vazar o gol do adversário. Em síntese, esse era o mecanismo da partida. Havia "técnicos", mas sua influência na partida era relativa: os jogadores não o julgavam indispensáveis. Um dêles, que fez época - Platero - nada inventava, apenas fazia-nos correr, mas, no final das contas, nós jogadores também não estávamos muito interessados em aprender coisa alguma.

Depois de 30, se não me falha a memória, apareceram novidades: as "fatias" (defesa, meio de campo e ataque) não mais deveriam ser definidas; o ataque, por sua vez, ao invés de se desdobrar paralelamente ao fundo de campo, deveria progredir enviesado. Ainda apanhei essa fase e pude comprovar sua vantagem. Daí em diante, cada ano novos sistemas surgiram. Hoje, o futebol é coisa complicada. É comum, no segundo tempo uma equipe se comportar de maneira inteiramente diversa do primeiro tempo, devido às instruções recebidas pelos jogadores no vestiário.

Tudo isso ia muito bem até um fato veio subverter o que parecia definitivo. Esse fato foi o advento dos super-jogadores. Estes, são raros, mas existem, e porque existem é o suficiente para pôr abaixo tudo quanto se havia edificado em matéria de tática de jogo.

Para mim quem venceu na Suécia foi o mecanismo Garrincha-Pelé, em 1962 no Chile, mesmo sistema, sendo Amarildo a segunda peça do engenho.

É preciso, portanto, montar em campo, este ano, o mesmo dispositivo, se quisermos vencer. Segundo se espera, Pelé estará à posto. Talvez nos falte a catapulta. Trataremos de encontrá-la. Estou certo, no entanto, que se Pelé entrar em todos os jogos, seremos campeões para sempre. O segredo dessa minha segurança é simples: todas as seleções tem seus ases. Mas o coringa é um só. E está com o Brasil.[27]

EstatísticasEditar

Por ter brilhado numa época com poucos registros documentais e quando a imprensa esportiva praticamente não existia, a carreira de Friedenreich foi cercada de Lenda urbana. [28] Jornalista e amigo de Friedenreich, Geraldo Lunardelli relata que o próprio jogador se deliciava com as histórias em torno de si, além de alimentá-las: “Indaguei-o sobre o assunto e o craque, satisfeito, comentou: ‘Uma mentirinha não faz mal nenhum’. Era uma forma de manter vivo o mito Arthur Friedenreich. Ele sabia disso. E conseguiu”. [29]

Os mais famosos são os mais de mil gols marcados em sua carreira, e a história de nunca ter perdido penaltis.

Polêmicas nos gols marcados na carreiraEditar

 
Arthur Friedenreich (1969)

O pai de Friedenreich, Oscar Friedenreich, começou a anotar em pequenos cadernos todos os gols marcados pelo filho desde que começou a atuar. A partir de 1918, Oscar Friedenreich confiou a tarefa a um colega do filho no Paulistano, o center-forward (centroavante) Mário de Andrada, que seguiu a trajetória do craque por mais 17 anos, registrando detalhes das partidas até o encerramento da carreira de Fried, em 21 de julho de 1935, quando ele vestiu a camisa do Clube de Regatas do Flamengo. Ao fechar as contas, o abnegado colega teria chegado a marca de 1.239 gols.

A lenda ganhou consistência em 1962. Naquele ano, Mário de Andrada informou a De Vaney, um dos jornalistas esportivos mais famosos do Brasil, que tinha as fichas de todos os jogos de Fried, podendo provar que o craque atuara em 1.329 partidas, marcando 1.239 gols. Andrada, porém, morreu antes de mostrar as fichas a De Vaney. Mesmo sem nunca comprovar esses dados, De Vaney resolveu divulgá-los, mas erroneamente inverteu o número das dezenas de 1.239 para 1.329 gols.

A estatística, no entanto, começou a rodar o mundo do futebol. No livro Gigantes do Futebol Brasileiro, de Marcos de Castro e João Máximo, de 1965, consta que Fried marcou 1.329 gols. Outros livros e até enciclopédias referendaram o registro. Publicações começaram a alegar que a FIFA, entidade máxima do futebol, teria oficializado os números. Em 1998, o jornalista Alexandre da Costa, procurou a FIFA para confirmar a informação. A entidade negou ter validado os gols de Friedenreich, alegando ser apenas uma organização que promove competições internacionais.[30]

Alexandre da Costa registrou suas pesquisas no livro O Tigre do Futebol. Com base nas informações publicadas em pelo menos dois jornais, "Correio Paulistano" e "O Estado de S. Paulo", chegou as números: 554 gols em 561 partidas. "Não quis destruir o mito", jura o autor de O Tigre do Futebol. "Adoro o Fried. Apenas quis esclarecer essa questão". Por outro lado, o jornalista Severino Filho, no livro Fried Versus Pelé (Orlando Duarte e Severino Filho), chega a outros números: 558 gols em 562 partidas.[31]

Conforme André Kfouri e Paulo Vinícius Coelho: "Fried não foi rei, não fez mais de mil gols. Não se impressione com as mentiras. Fique com as verdades. Essas já fazem de Arthur Friedenreich um jogador de poucos similares."[32]

Da inconsistência dos númerosEditar

Há diversos motivos para os dados divergirem. A primeira é que muitos dos jogos encontrados não possuem o placar e consequentemente quem marcou os gols. A segunda é que em uma época de futebol amador as partidas eram, às vezes, diárias e com tempo de duração diferente, como partidas de torneio início que eram em média de vinte minutos. Por fim, Friedenreich jogou muitas partidas por "combinados" de duas ou mais equipes, estaduais e nacionais, de amigos e até divisões por conotações étnicas como nas três partidas em que fez pelo "Combinado dos brancos" contra o "Combinado dos pretos" em 1927 e 1928. Assim muitas destas partidas nunca foram registradas.

Por outro lado, analistas esportivos recentes tem questionado a obsessão pela soma geral de gols. Alega-se que todos os dados possuem inconsistências. Mesmo Pelé teria contado gols em amistosos e torneios festivos de duvidosa competitividade. [33] Assim, algumas publicações tem adotado o critério de gols apenas em jogos oficiais.[34] O que dificultaria ainda mais a tarefa de registrar os gols de Friedenreich uma vez que brilhou na era amadora do futebol.

Gols na CarreiraEditar

Entre 1909 e 1935:[nota 1]

  • 554 gols em 561 partidas, média de 0,99 gols por partida.[35][36], Alexandre da Costa, no livro O Tigre do futebol
  • 558 gols em 562 partidas - Orlando Duarte e Severino Filho, no livro Fried versus Pelé
  • 105 gols em 125 partidas - Memorial do São Paulo Futebol Clube

Chegou a ser anunciado que Friedenreich fez 1.239 gols,[37] segundo um colega centroavante Mário de Andrade que até então mantinha anotações dos gols de Friedenreich mas que nunca foram recuperadas.[38]

Segundo levantamento do jornalista Alexandre da Costa, autor do livro O Tigre do Futebol, Friedenreich converteu uma média superior à de Pelé, 0,99 por jogo, contra 0,93 de Pelé[35] ou 0,987 gols/jogo contra 0.931/jogo.[39]

Pênaltis PerdidosEditar

Outra Lenda Urbana é de que Friedenreich nunca perdeu um pênalti na carreira. [40] O próprio Fredenreich alimentava a lenda ao afirmar: "Nunca perdi um pênalti. Em toda a minha carreira, observei muito a maneira de os goleiros se posicionarem na hora da cobrança de penalidade máxima. Percebi que o melhor lugar para chutar era o canto esquerdo do arqueiro, porque só canhotos ali pulavam. Os demais, a grande maioria destra, caía para a direita. Encontrei, assim, o ponto fraco dos goleiros.". [41]

Porém o site RSSSF Brazil aponta 12 pênaltis perdidos por Fried ao longo de sua carreira, a saber:[21]

  • Ipriranga 2 x 1 Paulistano (20 de dezembro de 1914)
  • Paysandu 4 x 0 Brasil (3 de maio de 1916)
  • Paulistano 1 x 3 Ipiranga (20 de julho de 1919)
  • Paulistano 2 x 0 Santos (28 de setembro de 1919)
  • Paulistano 3 x 1 São Bento (1 de outubro de 1920)
  • Paulistano 5 x 2 Primeiro de Maio (1 de maio de 1923)
  • Paulistano 1 x 1 Santos (3 de maio de 1924)
  • Paulistano 6 x 0 Independência (18 de abril de 1926)
  • Paulistano 2 x 2 Independência (5 de junho de 1927)
  • Paulistano 9 x 0 União da Lapa (16 de setembro de 1928)
  • Paulistano 3 x 0 Paulista (2 de junho de 1929)
  • São Paulo 2 x 2 Palestra (6 de setembro de 1931)

Homenagens PóstumasEditar

Há um parque no bairro de Vila Alpina, na zona Leste de São Paulo, com seu nome. O parque, situado no início da Avenida Francisco Falconi, é um dos maiores da região. Ainda em São Paulo, uma rua na zona leste tem seu nome.[42] Friedenreich também tem uma escola com seu nome no Rio de Janeiro, coincidentemente, essa escola fica localizada dentro do complexo esportivo do Maracanã, próximo a entrada principal, a esquerda da estátua de Bellini.

Clubes[43]Editar

Clubes com "*" só jogou uma partida
Clubes com "?" não são bem identificados

CombinadosEditar

CuriosidadesEditar

  • O Combinado Paulista foi sob certos aspectos antecessor da Seleção Brasileira, havia outros combinados estaduais que faziam jogos internacionais contra seleções ou combinados estrangeiros, Friedenreich marcou dois gols pelo Combinado estadual
  • O Combinado Brasileiro foi a primeira experiência de uma seleção brasileira ao contar com jogadores dos estados do Rio de Janeiro e São Paulo
  • O Combinado "Tutu Miranda" foi um jogo organizado pelo goleiro do Paulistano Jorge Miranda conhecido como "Tutu Miranda", Friedenreich marcou um gol contra a tradicional equipe do Santo Amaro
  • O Combinado Bela Vista/Consolação foi um típico "jogo de vila contra vila" onde Friedenreich marcou um dos dois gols no empate de 2x2 contra o bairro do Bom Retiro
  • Hoje impensável, nas celebrações de 39 e 40 anos do fim da escravidão no Brasil, providencialmente escolhida a data de 13 de maio para as partidas, jogavam "seleções" de jogadores ditos "brancos" contra os ditos "negros". Não se tratava de racismo ou segregação, mas uma partida de ideia da Liga de Amadores de Futebol de São Paulo, federação alternativa do estado que defendia o ideal do amadorismo e que viu na partida uma forma de fraternizar os jogadores, tanto que mulatos defenderam ambas equipes, o mulato Friedenreich marcou dois gols pelo time dos "brancos"
  • O combinado Jacaré, a exemplo do Tutu Miranda, foi organizado pelo ex-jogador Jacaré em uma partida contra o Hespanha, hoje Jabaquara
  • Embora jamais tenha sido aluno, Friedenreich foi convidado para participar de uma partida dos ex-alunos do Colégio Mackenzie em uma partida contra o Palestra Itália que terminou empatada em 4x4

TítulosEditar

ArtilheiroEditar

HonrariasEditar


Notas e referências

Notas

  1. Como se pode ver, o número de gols varia. Realmente, é muito difícil ter a conta exata de gols e partidas de Friedenreich. Muitos jogos nunca foram registrados ou, se foram, não possuem detalhes como o placar ou quem marcou os gols. O trabalho realizado por Alexandre da Costa pesquisando os jornais "Correio Paulistano" e "O Estado de S. Paulo" chegou a 554 gols em 561 jogos. Contudo, em boa parte daquelas partidas constam apenas seus resultados, não quem fez os gols. O que não impede, de acordo somente com esses dados, que "El Tigre" tenha marcado bem mais gols que os encontrados pelo pesquisador. De qualquer forma, os números efetivamente registrados ficam em torno de 550 gols em 560 partidas.

Referências

  1. «Soldados do São Paulo Futebol Clube na Revolução de 1932. Hoje é 9 de Julho!» 
  2. «Braz Pool». IFFHS. Consultado em 26 de julho de 2019 
  3. Costa, Alexandre (1999). O tigre do futebol. São Paulo: DBA. p. 13 
  4. Gonçalves Junior, René D (2008). Friedenreich e a reinvenção de São Paulo. o futebol e a vitória na fundação da metrópole (Tese de Dissertação (Mestrado em História)). São Paulo: FFLCH/USP. p. 51 
  5. Wisnik, José M (2008). Veneno remédio: o futebol e o Brasil. São Paulo: Companhia das Letras. p. 222 
  6. Risério, Antônio (2007). A escola brasileira de futebol. In: A utopia brasileira e os movimentos negros. São Paulo: Editora 34. p. 302 
  7. «A comunidade judaica entre nós» 
  8. O Estado de S. Paulo, 26 out. 1893, p. 1.
  9. O Estado de S. Paulo, 13 dez. 1900, p. 2.
  10. Correio Paulistano, 22 fev. 1929, p. 6.
  11. a b Gambeta, Wilson R (2013). A bola rolou. o velódromo paulista e os espetáculos de futebol (1895/1916) (Tese de Doutorado em História Social). São Paulo: Universidade de São Paulo. p. 384-385. 408 páginas 
  12. Duarte, Luiz C (2012). Friedenreich: a saga de um craque nos primeiros tempos do futebol brasileiros. São Caetano do Sul: Casa Maior. p. 17-20 
  13. «Para vencer na Inglaterra». O Globo. 22 de janeiro de 1966. p. 14. Consultado em 5 de agosto de 2019 
  14. Orlando Duarte e Severino Filho, Fried Versus Pelé, Makron Books, 2000, página 27
  15. Luiz Carlos Duarte, Friedenreich: A Saga de um Craque nos Primeiros Tempos do Futebol Brasileiro, Casa Maior, 2012, página 105.
  16. Wilson, Jonathan. Inverting The Pyramid: The History of Soccer Tactics. [S.l.: s.n.] p. 109. ISBN 978-8569214083 
  17. «Tesouro do futebol: editor encontra autobiografia de Arthur Friedenreich» (em portugues). Globoesporte. 7 de dezembro de 2016 
  18. http://www.futebolnacional.com.br/infobol/championship.jsp?code=6657. Página visitada em 30 de setembro de 2014.
  19. http://terceirotempo.bol.uol.com.br/que-fim-levou/araken-patusca-2472. Página visitada em 30 de setembro de 2014.
  20. [1]
  21. a b rsssfbrasil.com/ All Matches Played and Goals Scored by Arthur Friedenreich 1909-1935
  22. Romano, Léo. Um tigre na guerra. Aventuras na História. Editora Abril, n. 23, jul.2005. p. 10-11.
  23. Romano, p. 11.
  24. https://www.bbc.com/portuguese/geral-48589296
  25. https://www.bbc.com/portuguese/geral-48589296
  26. https://www.bbc.com/portuguese/geral-48589296
  27. «Para vencer na Inglaterra». O Globo. 22 de janeiro de 1966. p. 14. Consultado em 5 de agosto de 2019 
  28. «A lenda e o homem» (em portugues). Espn. 7 de dezembro de 2016 
  29. Alexandre da Costa, O Tigre do Futebol: Uma Viagem aos Tempos de Arthur Friedenreich, Dórea Books and Arts, 1999, página 55.
  30. Assim nasceu uma lenda. Revista Placar edição de junho de 1999. [S.l.: s.n.] p. 88-91 
  31. «Mistério Esclarecido» (em portugues). Epoca. 7 de dezembro de 2016 
  32. André Kfouri e Paulo Vinícius Coelho, Os 100 Melhores Jogadores Brasileiros de Todos os Tempos, Ediouro, 2010, página 89
  33. Romário maior que Pelé?. Revista Placar edição de junho de 1999. [S.l.: s.n.] p. 54 
  34. «Em revista argentina, Romário desbanca Pelé como maior artilheiro» (em portugues). GloboEsporte. 7 de dezembro de 2016 
  35. a b Gustavo Poli; Lédio Carmona. Almanaque Do Futebol. Casa da Palavra; 2006. ISBN 978-85-7734-002-6. Cap. Grandes craques, item Arthur Friedenreich
  36. Editora Abril. Placar Magazine. Editora Abril; June 1999. p. 91.
  37. Editora Abril. Placar Magazine. Editora Abril; 6 de março de 1981. p. 32.
  38. Paul Simpson; Uli Hesse. Who Invented the Stepover?: and other crucial football conundrums. Profile; 2013. ISBN 978-1-84765-842-5. p. 95.
  39. FOLHA.com, "El Tigre" vive!, Juca Kfouri, 3 de julho de 2011
  40. books.google.com.br/ Placar Magazine Out 1994
  41. Alexandre da Costa, O Tigre do Futebol: Uma Viagem aos Tempos de Arthur Friedenreich, Dórea Books and Arts, 1999, página 44.
  42. https://www.google.com.br/maps/place/R.+Arthur+Friedenreich+-+Vila+Rio+Branco,+S%C3%A3o+Paulo+-+SP/@-23.5125667,-46.4981584,17z/data=!3m1!4b1!4m2!3m1!1s0x94ce609321275b61:0xed92f20cf1b3a5f6?hl=pt-BR. Página visitada em 30 de setembro de 2014.
  43. «Histórico de Jogos». rsssfbrasil. Consultado em 11 de setembro de 2012 
  44. «Prêmios». rsssf. Consultado em 11 de setembro de 2012 
  45. «Prêmios». rsssf. Consultado em 11 de setembro de 2012 

Ligações externasEditar