Gabriel de Melitene

Gabriel de Melitene
Nascimento 1055
Morte 1103 (48 anos)
Filho(s) Morfia de Melitene
Ocupação político, militar
Religião Diofisismo

Gabriel de Melitene (em armênio/arménio: Ghavril Malatyatsi; m. 1102[1] ou 1103[2]) foi um governador da região de Melitene (actual Malatya). Guilherme de Tiro descreveu Gabriel como grego de religião, e arménio de raça, língua e costumes. Os selos bizantinos com o seu nome descrevem-no como Gabriel, protonobilíssimo e duque de Melitene.

Conquista de Melitene pelo Império Bizantino em 934 representado no manuscrito "Escilitzes de Madrid", das Crônicas de João Escilitzes

Gabriel foi um oficial de Filareto Bracâmio, que o nomeou governador desta cidade, conquistada pelo Império Bizantino em 934. Mas vez que Melitene era a mais avançada praça-forte da Arménia Cilícia no território curdo-turco, os povos túrquicos faziam frequentemente incursões na região.

Mais do que pela força, foi pela diplomacia que Gabriel conseguiu manter este domínio. Apesar de teoricamente vassalo do Império Bizantino, enviou a sua esposa a Bagdá para confirmar o seu domínio pelo califa e pelo sultão seljúcida. Posteriormente apelou à mediação do emir danismendida de Sebasteia (actual Sivas) para se libertar dos turcomanos, e com o seu auxílio libertou-se do controlo bizantino após a morte de Filareto em 1086.[3]

O sultão seljúcida Quilije Arslã I cercou Melitene em 1097, mas a chegada da Primeira Cruzada do Ocidente obrigou-o a levantar o cerco e abandonar a região. Entretanto, passaram a ser os danismendidas quem assolava os seus territórios, pelo que Gabriel pediu ajuda a Boemundo I de Antioquia. Boemundo veio em 1100, acompanhado do seu primo Ricardo de Salerno e dos bispos arménios de Maraş e Antioquia. Porém, Gazi ibne Danismende aprisionou Boemundo e Ricardo - e matou os bispos - na batalha de Melitene.

O emir danismendida continuou a assolar os territórios de Gabriel que, temendo um ataque iminente à própria cidade, pediu ajuda a Balduíno I de Edessa. Esta era uma medida perigosa, e Gabriel temia que este conde cruzado tentasse tomar Melitene, tal como tomara Edessa a Teodoro, outro ex-oficial de Filareto Bracâmio. Balduíno levantou o cerco de Melitene e resgatou Boemundo, pelo que Gabriel se reconheceu seu vassalo. Em 1101 casou a sua filha Morfia de Melitene com Balduíno de Burcuque, oferecendo um generoso dote de 50 000 bezantes de ouro. Mas a pressão dos danismendidas foi aumentando e em 1102/1103 tomaram Melitene,[2] executando Gabriel.[1]

Casamentos e descendênciaEditar

Gabriel de Melitene casou-se com uma filha, de nome desconhecido, de Constantino I da Arménia.[4] Também a identidade e o número dos seus filhos são informações incertas:[5]

Referências

  1. a b The chronography of Gregory Abû'l Faraj, the son of Aaron, the Hebrew physician, commonly known as Bar Hebraeus, p.237, Bar Hebraeus, tradução para o inglês de E. A. Wallis Budge, Gorgias Press LLC, 2003 (ISBN 1593330553), (ISBN 9781593330552), 660 p. Google Books
  2. a b L'Empire du Levant: Histoire de la Question d'Orient, René Grousset, p. 184-5, Payot, col. «Bibliothèque historique», Paris, 1949 (reimpr. 1979), 648 p. (ISBN 2-228-12530-X)
  3. Histoire des croisades et du royaume franc de Jérusalem - II. 1131-1187 L'équilibre, René Grousset, p. 819, Perrin, Paris, 1935 (reimpr. 2006), 1013 p.
  4. «Genealogia dos príncipes arménios» (em inglês) 
  5. «Foundation for Medieval Genealogy: Lords of Melitene» (em inglês) 
  6. Informação deduzida da História de Vardan, que indica Gabriel como sogro do curopalata] de Edessa em 1098. A Crónica de Smbat indica também Gabriel como sogro do curopalata Teodoro.
  7. O cronista normando Orderico Vitalis escreveu que Leão I, Príncipe das Montanhas, era filho de Turoldo das Montanhas e tio da esposa de Boemundo II de Antioquia. Uma vez que Leão era irmão e não filho de Turoldo (Teodoro), não é de excluir a possibilidade de mais erros. Alice, esposa de Leão I, era filha de Balduíno II de Jerusalém com Morfia de Melitene. Existem deste modo duas possibilidades: Leão I e Morfia eram cunhados, ou Balduíno II e Leão I eram cunhados - hipótese também frequentemente admitida, uma vez que é atribuído o prenome de Beatriz à irmã de Balduíno II, irmã de Leão I.

BibliografiaEditar

  • The Rupenides, Hethumides, and Lusignans, W. H. Ruedt-Collenberg (Paris: Klincksieck, 1963), p. 78
  • A History of the Crusades, Steven Runciman, Cambridge University Press, 1951, p. 320
  • Syrian Christians Under Islam: The 1st 1000 Years, David Thomas, Brill Academic Publishers, 2001, p. 169