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BiografiaEditar

Advogado e político, iniciou sua vida pública como juiz municipal no Rio de Janeiro, de 1858 a 1859. Depois, foi deputado (provincial e geral), senador, ministro da Fazenda, presidente da Província do Rio Grande do Sul e também conselheiro de estado.

Silveira Martins, filho de estanceiros, nasceu em território uruguaio cinco anos depois deste pais obter a sua independência do Império do Brasil. Nesta época, na região de fronteira, foi um período em que os limites territoriais entre o Uruguai e sul do Brasil ainda estavam imprecisos. Os limites entre o Império do Brasil e o Estado Oriental do Uruguai não foram estabelecidos até 1851. O silêncio em relação aos limites na Convenção de Paz de 1828 entre o Brasil e o Estado Oriental indicou o momento que ninguém podia assegurar militarmente o controle territorial das fronteiras estabelecidas anteriormente pelo tratado de 1777.[2]

No início da carreira era antimonarquista e liberal, fazendo duras críticas aos governos conservadores da década de 1870. No entanto, com o desenrolar político da época e a subsequente divisão da política nacional em monarquistas e republicanos, alinha-se aos monarquistas e alguns conservadores que defendiam o parlamentarismo. Em 1862 foi eleito deputado provincial pelo Rio Grande do Sul e em 1865 fundou em Porto Alegre o jornal A Reforma. Este jornal, depois transferido para o Rio de Janeiro, foi o órgão oficial dos federalistas gaúchos.[1] Em 1872 era deputado-geral. Em 1873 demitiu-se, poucos meses após assumir o Ministério da Fazenda, por não aceitar um projeto do governo de tornar inelegíveis os cidadãos não-católicos. Em 1880 elegeu-se senador e em sua terra natal enfrentava a dura concorrência política com Júlio de Castilhos, seu histórico adversário.

Na medida em que o choque entre monarquistas e republicanos aguçava-se, optou pelo parlamentarismo, transformando-se em um de seus maiores defensores. Pouco tempo antes da proclamação da república, foi conselheiro de estado e logo depois presidente da província do Rio Grande do Sul.

Em 1889 foi o pivô da crise que culminou com a proclamação da república: o Marechal Deodoro, amigo do Imperador, concorda em participar da quartelada apenas para depor o gabinete do Visconde de Ouro Preto e volta para casa; no entanto, Benjamin Constant informa que Silveira Martins, desafeto de Deodoro, seria o escolhido para suceder Ouro Preto.[3] Tal fato desencadeou definitivamente a Proclamação da República, pois Deodoro da Fonseca não aceitava ver um inimigo, que o chamava pejorativamente de sargentão, como primeiro ministro. Com isto, o marechal aquiesce em assinar o decreto que institui o governo provisório republicano.

 
Gaspar da Silveira Martins.

Com a deposição de D. Pedro II Silveira Martins parte para um exílio na Europa. Em 1892, com a anistia concedida por Deodoro, volta à sua terra natal, para logo se indispor com a conduta dos governantes republicanos, por ele chamados de ditadores comtistas. Por ser declaradamente monarquista, participou de reuniões com outros brasileiros que tinham por objetivo restaurar a monarquia parlamentarista no Brasil. Numa delas, insistiu em vão para que D. Pedro II retornasse ao país, após o marechal Deodoro ter fechado o Congresso Nacional. Em seguida, propôs à princesa Isabel que permitisse aos militares ligados à Revolta da Armada levarem seu filho mais velho, D. Pedro, príncipe do Grão-Pará, para ser aclamado D. Pedro III. Ouviu da princesa que "antes de tudo era católica, e, como tal, não poderia deixar aos brasileiros a educação do filho, cuja alma tinha de salvar".[4] Indignado, Silveira Martins respondeu: "então, senhora, seu destino é o convento."

Num congresso em Bagé, propõe uma reforma constitucional e a adoção do parlamentarismo. Não era sua intenção pegar em armas e lutou para que não houvesse conflito. Foi, contudo, voto vencido. Era o início da Revolução Federalista, que durou de 1893 até 1895.[1][5]

Com a vitória de Júlio de Castilhos e a consequente pacificação, organizou um novo congresso federalista em Porto Alegre. A partir de então passou a dar mais atenção para sua vida na estância Rincón Pereyra, que possuía no Uruguai, tendo falecido repentinamente, num quarto de hotel em Montevidéu.

Paulo José Pires Brandão, neto materno e afilhado do Conselheiro Antônio Ferreira Viana, conheceu Silveira Martins em casa do avô. Em seu livro "Vultos do Meu Caminho", assim o descreve: "Alto, corpulento, grandes óculos, barba toda aberta e branca, pele muito vermelha. Voz de trovão, gesto largo, não sabia falar baixo, e mesmo quando palestrava era em tom de discurso, e a sua voz clara, sonora e forte invadia a sala onde estava, os corredores, o hall, a casa inteira, atravessando a rua. Não falava ao ouvido de ninguém, não dizia segredos, nem os tinha, mesmo porque a sua voz não dava diapasão para sussurros, não murmurava: tonitruava".

Referências

  1. a b c «Gaspar Silveira Martins». UOL - Educação. Consultado em 23 de agosto de 2012 
  2. Monica Rossato (2013). «Relações de poder na região fronteiriça platina: Família, trajetória e atuação política de Gaspar Silveira Martins» (PDF). XXVII Simpósio Nacional de História. Consultado em 21 de dezembro de 2016 
  3. Gomes, Laurentino (2013). 1889: como um imperador cansado, um marechal vaidoso e um professor injustiçado contribuíram para o fim da monarquia e a proclamação da República no Brasil. São Paulo: Globo. pp. 279 e 280 
  4. Carvalho, José Murilo de (2007). D. Pedro II: Ser ou não ser. São Paulo: Companhia das Letras. p. 236 
  5. - Os 120 anos do Cerco da Lapa e o preço da consolidação da República Floriano Peixoto implantou uma ditadura militar no início da República e com isso gerou uma série de rebeliões. O Cerco da Lapa faz parte desse cenário de luta pelo poder e de debilidade política Jornal Paranaense - Gazeta do Povo

Ligações externasEditar